INTRODUÇÃO GERAL AS SAGRADAS ESCRITURAS – AULA I
Professor: Francisco Évison Isaías Lopes
Elementos da Revelação:
1. Receptor: implicado de maneira passiva. Ou seja, ele não escolhe
receber a mensagem Divina, em alguns casos, era até mesmo isento
do desejo de saber. Em outras palavras a Revelação ocorre
independente --da vontade do receptor.
2. Conteúdo: uma realidade que transcende o mundo, ou seja, abraça-o
e supera-o.
3. Autor: é ao mesmo tempo conteúdo, já que este se confunde com
aquele que se revela.
4. Efeitos: particular radicalidade e contundência, expressões concretas,
acontecimentos naturais e históricos, como por exemplo, a saída do
Egito para a terra prometida (histórico) e as pragas do Egito (natural).
Revelação:
Iniciativa livre e gratuita de Deus de se dar a conhecer
• No Antigo Testamento
A Revelação no Antigo Testamento vai ocorrendo de modo gradativo. Existe
um fio condutor, isto é, os eventos estão interligados como um acontecimento
ininterrupto cuja peculiaridade é a aliança com o seu povo eleito. Deus realiza o
seu chamado a Abraão1 e promete a ele uma descendência numerosa. De
modo pedagógico Deus vai permitindo que o seu povo lhe conheça.
“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa
de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e
1
Cf. Gn 12
abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção”. Gn 12, 1-
2
“E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e
levou o rebanho atrás do deserto, e chegou ao monte de Deus, a Horebe. E
apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça; e
olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. E Moisés
disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça não
se queima. E vendo o Senhor que se virava para ver, bradou Deus a ele do
meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui. E disse:
Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu
estás é terra santa. Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o
Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque
temeu olhar para Deus”. Gn 12, 1-6
Principais pontos:
Revelação Natural
A Aliança e a eleição de Israel
Os profetas
Os sábios
“A mesma Santa Igreja crê e ensina que Deus, princípio e fim de todas as
coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana, por
meio das coisas criadas; pois as perfeições invisíveis tornaram-se visíveis
depois da criação do mundo, pelo conhecimento que as suas obras nos dão
dele; mas que aprouve à sua misericórdia e bondade revelar-se a si e os
eternos decretos da sua vontade ao gênero humano por outra via, e esta
sobrenatural, conforme testemunha o Apóstolo: Havendo Deus outrora falado
aos pais pelos profetas, muitas vezes e de muitos modos, ultimamente, nestes
dias, falou-nos pelo Filho”.
Cf. Dei Filius, 24 de abril de 1870
Deus se revela por meio de palavras e ações relacionadas intimamente entre
si. Palavras que explicam as ações e ações que confirmam as palavras. Ex:
relato da criação – Gn 1: “Faça-se a luz e assim foi feito”.
“Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus
de Jacó.” Ex 3,6
– Vemos de modo claro este fio condutor: Deus vai escrevendo a história
junto com o seu povo ao se revelar de modo gradativo.
As suas ações não são isoladas ( Eleição de Abraão, Isaac, Deus
conduz o povo para a terra prometida, Moisés e a Sarça ardente ...
Encarnação e redenção) – Fatos relacionados
Auto-comunicação progressiva: Ao se revelar Deus da a si mesmo, e
não meramente um conceito.
Cristo Plenitude da Revelação
Cristo é aquele que revela Deus e revela o homem a si mesmo:
Encarnação
Entrada na história
Cristo assume carne e linguagem
Manifestação de Deus – Cristo ao vir ao mundo torna patente tudo que
podemos saber de Deus. Temos aqui o que chamamos de Cristofania.
• “Muitas vezes e de modos diversos falou Deus, outrora, aos pais
pelos profetas; agora, nestes dias que são os últimos, falou-nos
por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e
pelo qual fez os séculos.” Hb 1,1-3
Pode-se compreender a Revelação a partir de três modelos:
1 - Revelação como experiência de epifania: aborda que as revelações não são
nada de extraordinário;
2- Revelação como instrução: a palavra de Deus não se limita a uma única
forma.
3-Revelação como autocomunicação: quando Deus fala ao homem ele quer
dar a si mesmo
Notas típicas da Revelação
• Historicidade- Deus se revela na história, e mediante Cristo temos a sua
plenitude.
• Estrutura sacramental- Interconexão entre palavras e ações em Deus.
Aquilo que Deus fala se realiza plenamente.
• Progressão das imagens para a realidade - prefiguração
veterotestamentária. Exemplo: paralelo entre as águas do dilúvio e as
águas do Batismo.
Passagens utilizadas:
Gn 12
Ex 3
Ex 3,6
Jr 18, 18
Jr 1, 9
Is 55, 11
Hb 1, 1-2
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