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VILÉM FLUSSER O Mundo Codificado

Este documento discute a relação entre forma e matéria no contexto da tecnologia digital emergente. O autor argumenta que (1) a matéria é uma ilusão e as formas eternas são a realidade subjacente; (2) a informática está revertendo a compreensão da matéria como realidade total, retornando ao seu conceito original como preenchimento transitório de formas; e (3) as fábricas do futuro serão como escolas onde as pessoas aprendem a usar novas tecnologias como acadêmicos, não como operários.

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VILÉM FLUSSER O Mundo Codificado

Este documento discute a relação entre forma e matéria no contexto da tecnologia digital emergente. O autor argumenta que (1) a matéria é uma ilusão e as formas eternas são a realidade subjacente; (2) a informática está revertendo a compreensão da matéria como realidade total, retornando ao seu conceito original como preenchimento transitório de formas; e (3) as fábricas do futuro serão como escolas onde as pessoas aprendem a usar novas tecnologias como acadêmicos, não como operários.

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VILÉM FLUSSER

O Mundo Codificado
Por uma filosofia do design e da comunicação

Coisas
Forma e Material

Este ensaio tem como intenção recuperar o conceito, atualmente muito distorcido, de
“imaterialidade”.
O autor começa o texto trazendo a etimologia da palavra matéria, sugerindo sua origem em
um tipo de objeto que expressa a oposição em relação ao conceito de forma. “a idéia
fundamental aqui é a seguinte: o mundo dos fenômenos, tal como o percebemos com nossos
sentidos, é uma geléia amorfa, e atrás desses fenômenos encontram-se ocultas as formas
eternas, imutáveis, que podemos perceber graças à perspectiva supra sensível da teoria. Oi???
Ele continua… A geléia amorfa dos fenômenos (o “mundo material”) é uma ilusão e as
formas que se encontram encobertas além dessa ilusão (o “mundo formal”) são a realidade,
que pode ser descoberta com o auxílio da teoria.
Ele segue o parágrafo equiparando a matéria ao estofo, algo que só se realiza ao se
tornar preenchimento de algo, como recheio, e afirma que o avanço da informática passa a
reverter o entendimento de que a matéria é a realidade total, retornando ao seu conceito
original de preenchimento transitório de formas atemporais. E em seguida ele aborda a
oposição “matéria-espirito” comparando o espírito com o gás, ou vapor… “A transição do
sólido para o gasoso (do corpo ao espírito) pode ser observada no efeito do sopro em dias
frios”........ complexo. Ele justifica sua comparação entre espírito e vapor de água do hálito
utilizando novamente a etimologia, afirmando que “hálito” em grego é pneuma e em latim é
spiritus…… difícil.
a ciencia teorica projeta modelos
A materia no design é o modo como as formas aparecem.

A maneira material enfatiza aquilo que aparece na forma


e a maneira formal enfatiza a forma daquilo que aparece.

as imagens tecnicas tensionam mais essa


Antes o objetivo era formalizar o mundo existente; hoje o objetivo é realizar as formas
projetadas para criar mundos alternativos. Isso é o que se entende por “cultura imaterial”, mas
deveria na verdade se chamar “cultura materializadora”.
Fazia sentido, antigamente, diferenciar a ciência da arte, o que hoje parece um despropósito.
Até que ponto as formas podem ser preenchidas com matéria? Em que medida podem ser
realizadas? Até que ponto as informações são operacionais ou produtivas?
- Mas nao é o caso de se perguntar se as imagens são superfícies materiais ou
conteúdos de campos eletromagnéticos. convém saber em que medida essas
imagens correspondem ao modo de pensar e de ver material e formal.
A aparência do material é a forma.
A FÁBRICA

Homo faber - Espécie de antropóides que fabricam algo.


Podem-se reconhecer os homens por suas fábricas. Pesquisar as fábricas para identificar o
homem. Quem se interessa pelo nosso tempo deveria em primeiro lugar analisar criticamente
as fábricas atuais. Aquele que dirige sua pergunta para os dias futuros estará com certeza
perguntando pela fábrica do futuro.

Períodos: Mãos, Ferramentas, Máquinas e Aparelhos Eletrônicos;


Movimentos de transformação: Apropriação, Conversão, Aplicação e Utilização.

As fábricas são lugares em que os homens se tornam cada vez menos naturais e cada
vez mais artificiais, precisamente pelo fato de que as coisas convertidas, transformadas, ou
seja, o produto fabricado, reagem à investida do homem: Um sapateiro não faz unicamente
sapatos de couro, mas também, por meio de sua atividade, faz de si um sapateiro.
As fábricas são lugares onde são produzidas novas formas de homens: o homem-mão, o
homem- ferramenta, o homem-máquina e o homem-aparelhos-eletrônicos. Essa é a história
da humanidade.
- Quando se trata de ferramenta o homem é a constante e a ferramenta a variável,
quando se trata de máquinas ela é a constante e o homem, a variável.
A segunda Revolução Industrial expulsou o homem de sua cultura, assim como a primeira o
expulsou da natureza, e por isso podemos considerar as fábricas mecanizadas uma espécie de
manicômio.
As ferramentas imitam a mão e o corpo empiricamente; as máquinas, mecanicamente;
e os aparelhos, neurofisiologicamente.
O autor se mostra otimista com a quarta revolução industrial, colocando que espera que a
alienação do homem, que segundo ele chegou no grau máximo na revolução das máquinas,
possa ser superada, deixarem de ser manicômio para ser local de potencialidades criativas.
Já que a máquina deve estar situada no meio, devido ao fato de durar mais e de ter
mais valor que o homem, a arquitetura humana terá que se submeter à arquitetura das
máquinas. Essa estrutura mudará radicalmente em função dos aparelhos eletrônicos.
Está surgindo um novo método de fabricação, isto é, de funcionamento: esse novo
homem, o funcionário, está unido aos aparelhos por meio de milhares de fios, alguns deles
invisíveis: aonde quer que vá, ou onde quer que esteja, leva consigo os aparelhos ( ou é
levado por eles), e tudo o que faz ou sofre pode ser interpretado como uma função de um
aparelho.
Flusser segue afirmando que essa onipresença dos aparelhos leva o homem de volta ao
momento em que ele tinha o poder de criar em qualquer lugar, sem depender da topologia das
máquinas e ferramentas, tornando o trabalho difuso geograficamente e a oficina um lugar
obsoleto (home office? autodidatas? aula online?)
Os aparelhos eletrônicos exigem um processo de aprendizagem ainda mais abstrato e o
desenvolvimento de disciplinas que de modo geral ainda não se encontram acessíveis. A rede
telemática, e consequentemente a desmaterialização da fábrica, pressupõem que todos os
homens devam ser competentes o suficiente para isso. Mas nao se pode confiar nessa
pressuposição.
As fábricas do futuro serão como escolas. O homem-aparelho deverá ser pensado mais
como um acadêmico do que como um operário, um trabalhador, ou um engenheiro.
Enquanto escola e fábrica estão separadas e se depreciam mutuamente, governa a
maluquice industrial.
No final do capítulo o autor se assume utópico.

A ALAVANCA CONTRA ATACA

O autor começa essa parte do texto fazendo a relação das máquinas como extensões do corpo.
O resto do texto ele fala sobre os avanços tecnologicos serem capazes de passar a criar
maquinas “menos estúpidas” que criem tecnologicamente bois e cavalos, e que deixem de nos
servir.

“atualmente, esse contra-ataque das máquinas está se tornando mais evidente: os jovens
dançam como robôs, os políticos tomam decisoes de acordo com cenários computadorizados,
os cientistas pensam digitalmente e os artistas desenham com máquinas de plotagem.
Como devem ser as máquinas, para que seu contragolpe não nos cause dor? ou melhor, nos
faça bem?

Neste capitulo o autor apresenta uma visão um pouco menos utópica, preocupado com o que
as máquinas podem causar a nós enquanto percorrem seus caminhos de avanço tecnológico.

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