Dissertacao Luciene Luiza Rezende
Dissertacao Luciene Luiza Rezende
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
BRASÍLIA - 2006
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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
Brasília - 2006
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BANCA EXAMINADORA
______________________________
Presidente
______________________________
Membro
______________________________
Membro
______________________________
Suplente
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AGRADECIMENTOS
A primeira pessoa a quem quero agradecer é na verdade não uma pessoa, um anjo:
Aldi Roldão. Esse anjo foi quem me ajudou durante todo o mestrado. Desde antes de me
tornar uma aluna regular do curso, você tem tido a boa vontade de me ajudar em tudo que
precisei. Foi você quem tornou este trabalho possível, porque sua generosidade foi tamanha
que me deu de presente a idéia inicial - a de construir um teste de memória de relatos. Você
também foi a pessoa que pegou na minha mão e me “obrigou” a continuar o curso, quando
eu não via mais a possibilidade de prosseguir. Aldi, obrigada por ser essa pessoa sempre
disposta a ajudar. Se esse trabalho foi concluído, eu preciso pedir licença a todas as outras
pessoas que merecem meu carinho e agradecer primeiramente a você. Valeu mesmo.
brilhantemente prestadas e pelo entusiasmo com que tratou o meu trabalho. Sua ajuda foi
fundamental para a qualidade desse trabalho. Obrigada pelos comentários elogiosos que
fizeram parte de todas as reuniões que fizemos, afinal, elogios vindos de um profissional de
Aos meus irmãos, Camila, Marcos Aurélio, Paulo Henrique e Rialdo Luiz, que
torceram muito por mim e sempre me ajudaram, e aos meus pais, Rialdo Camargo e
Dalgina, guerreiros que sempre foram e sempre serão um modelo a ser seguido. Vocês
fizeram todo o possível para meu sucesso e são muito, muito, muito especiais.
Ao amigo Sandro pela ajuda com o francês, à amiga Adriana pela ajuda na
elaboração de perguntas sobre história e geografia que fizeram parte da 1ª versão do teste,
às amigas Renata e Marília, pela ajuda com a análise semântica, à amiga Verusca pelas
inúmeras e sempre muito frutíferas discussões e à amiga mais colega do mundo, Heloísa,
pela força no dia-a-dia, pela atenção que dispensou ao meu trabalho, pelas críticas
Vocês, meus amigos lindos, além de todos os outros amigos que me apoiaram, são uma
inesgotável fonte de força e de alegria na minha vida. Amo muito vocês todos. Obrigada
por tudo.
À amiga Simone, por ter acreditado, por ter colaborado com as análises semânticas,
por sempre ter me dado força e por todas as dicas que precisei. Você é muito especial.
Valeu, Si!
Aos alunos de pesquisa Bruno, Denise, Eduardo e Graziela, pelo trabalho, pelas
ricas discussões e pela seriedade com o qual encararam as tarefas da pesquisa. Vocês foram
ótimos.
À Polícia Civil do DF, por ceder o espaço para coleta de dados e por toda a ajuda que
me dispensaram. Obrigada.
A todos os meus chefes, por sua paciência e tolerância com aquela que se desdobrou
cederam espaços em suas aulas para que as aplicações do teste fossem possíveis.
Rafa, meu amor lindo, pela ajuda com o inglês, pelos momentos felizes e por ser uma
motivação na busca para ser uma pessoa melhor. Obrigada, meu amor.
Aos meus amados bebês, Guto e Belle, pelo carinho diário, por terem sido
principalmente nos difíceis. Vocês deram um colorido muito especial na minha vida.
RESUMO
de uma história, que os sujeitos deveriam memorizar, para posteriormente responder a itens
referentes àquele relato, numa avaliação do tipo reconhecimento, ou seja, julgamento dos
0,83 e 0,66. Também foi realizada uma análise de regressão utilizando o método enter para
ABSTRACT
Considering the police context, a psychological test was built to measure memory of
reports. The theoretical basis for the tests` construction were the Eyewitness Testimony
Paradigm, which was analised on a criminological context, and the Meaning Based
Representation literature. According to the test, after the narration of a story, the subjects
should answer some questions about what they heard, on an avaliation sort as recognition,
that is, judging the itens only as right or wrong. All the itens were submitted to judges`
analysis, semantics evaluation, and then applied to 319 subjects. The collected data was
submited to a strutural analysis and two components were found: memory and inference.
The KMO was 0,81 and the alphas of Cronbach were, respectively, 0.83 and 0.66. A
regression analysis was also realized to each of the components using the enter method.
The predictive variables were the elements collected from demographical variables and
self perception. The results showed a negative and significant correlation between the
components memory and inference and the variable of general self perception of memory.
ÍNDICE
BANCA EXAMINADORA................................................................................................................................ 3
AGRADECIMENTOS....................................................................................................................................... 4
ÍNDICE DE FIGURAS.................................................................................................................................... 11
........................................................................................................................................................................... 11
ÍNDICE DE TABELAS....................................................................................................................................12
MARCO TEÓRICO......................................................................................................................................... 13
A-INTRODUÇÃO..........................................................................................................................................13
1 Seleção de Pessoal................................................................................................................................. 14
2 A Importância da Seleção de Pessoal para o Cargo Policial................................................................16
B- MEMÓRIA................................................................................................................................................ 18
1 Conceituação Geral............................................................................................................................... 18
2 Representações Baseadas no Significado.............................................................................................. 23
3 Representações Proposicionais..............................................................................................................24
4 Formas de Avaliação da Memória......................................................................................................... 25
5 Inferência .............................................................................................................................................. 26
OBJETIVO DO ESTUDO............................................................................................................................... 35
MÉTODO.......................................................................................................................................................... 36
1 O Teste de Memória de Relatos............................................................................................................. 36
2 Entrevista com Grupo Focal.................................................................................................................. 38
3 Primeira Versão do Instrumento............................................................................................................ 40
4 Segunda Versão do Instrumento............................................................................................................ 43
4.1 Forma A e Forma B do Teste.............................................................................................................. 44
4. 2 Tipos de respostas.............................................................................................................................. 46
4.3 Análise Teórica dos Itens.................................................................................................................... 47
4.3.1 Análise Semântica............................................................................................................................ 47
4.3.2 Análise dos Juízes.............................................................................................................................48
4.4 Construção do Gabarito......................................................................................................................48
4.5 Padronização das Informações Auditivas........................................................................................... 49
7 Estrutura do Teste.................................................................................................................................. 50
7.1 Instruções Iniciais............................................................................................................................... 50
7.2 História................................................................................................................................................51
7.3 Tarefa interpolada...............................................................................................................................52
7.4 Instruções finais.................................................................................................................................. 54
7.5 Folha de respostas.............................................................................................................................. 55
7.6 Resultados da 2ª Versão do Instrumento.............................................................................................55
8 Terceira versão do instrumento............................................................................................................. 56
RESULTADOS E DISCUSSÃO......................................................................................................................57
1 Características da Amostra.................................................................................................................... 57
2 Análise da Estrutura do Instrumento..................................................................................................... 58
2.1 Extração de Dois Componentes.......................................................................................................... 62
3 Fidedignidade do Instrumento............................................................................................................... 65
10
LIMITAÇÕES DO ESTUDO.......................................................................................................................... 78
COMENTÁRIOS FINAIS............................................................................................................................... 80
REFERÊNCIAS................................................................................................................................................82
11
ÍNDICE DE FIGURAS
ÍNDICE DE TABELAS
MARCO TEÓRICO
A-INTRODUÇÃO
Existe uma diversidade de tipos de memória, cada uma delas geradas por mecanismos
biológicos diferentes. Aparentemente, a função policial exige desse servidor, todos os tipos
seria a que armazena uma seqüência de informações que obedece a uma lógica cronológica,
fornecidas por estímulo verbal. Esse processo mnemônico encontra diversas nomenclaturas
(Barsalou, 1993).
desempenho dessa função (Cabral, 2004). De acordo com esse estudo a importância da
para os quais o policial tenha sido convocado. Essas atividades exigem que o policial
Evidentemente, a reprodução dos diversos relatos colhidos deve, além de atentar para os
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detalhes, não distorcer as informações recebidas. Pela proximidade existente nas atividades
dos diversos tipos de policiamentos existentes, polícia civil, militar e federal, funções nas
No Brasil existem apenas dois testes com parecer favorável do Conselho Federal de
para Motoristas, integrante da Bateria BFM2, Bateria de Funções Mentais para Motoristas,
da Casa do Psicólogo. Os dois testes mencionados não avaliam memória de relatos. Além
disso, também não existem no Brasil instrumentos específicos para seleção dos cargos de
policiais.
1 Seleção de Pessoal
Uma boa seleção permite que empresas contratem pessoas que têm mais
inadequadas para o cargo e serão dispensadas ou abandonarão sua função por não conseguir
de uma boa seleção de pessoal é a economia monetária que fazem as empresas que a
utilizam.
15
função. Dessa forma, a sociedade economiza indiretamente. Isso porque os gastos de uma
empresa são contabilizados nos valores finais de seus produtos ou serviços e, assim, é a
empregados.
mais imediatos, não se deve pensar que esse é o único ou principal objetivo dessa atividade.
cargo cujas tarefas sejam desestruturantes para suas características psicológicas. Nesse
sentido, realizar uma seleção de pessoal adequada se torna um compromisso ético com o
nem sempre é assim que a sociedade enxerga essa atividade. A sociedade entende a
avaliação psicológica como um momento específico e curto demais para se tirar conclusões
pessoal. Não faltam também comentários que associam a seleção de pessoal a uma
avaliação psiquiátrica, cujo objetivo seria avaliar a sanidade mental dos candidatos. Este
16
último tipo de pensamento parece ser o mais danoso, visto que não ser recomendado para
Uma das maiores fontes das concepções errôneas a respeito da avaliação psicológica
ser responsável por conhecer os valores de uma atividade, que, de acordo com a Lei Federal
n. 4119/62 (Conselho Federal de Psicologia, 2006), é uma atividade técnica e restrita aos
psicólogos.
construção e utilização de instrumentos mais adequados para este fim, uma comunicação
discussões sobre a ética na profissão, são atitudes que devem minimizar o pensamento
especialistas da área.
vez mais a sua importância, garantindo seu espaço nas empresas e até mesmo em concursos
públicos. O valor da seleção se mostra ainda mais evidente quando se trata de cargos
17
extremamente estressantes, visto que exigem um processo seletivo ainda mais cuidadoso,
diversas em diferentes esferas, exige cada vez mais uma força repressora e preventiva de
Militar e a força repressora é incumbência das Polícias Civil e Federal. Assim, a Polícia, de
populares.
A literatura mostra que a profissão policial é uma das mais estressantes (Anchieta &
Galinkin, 2005; Brito & Souza, 2004; Vasconcelos, 2000). Isso gera uma maior
responsabilidade da seleção de pessoal, visto que esse tipo de trabalho pode ser demasiado
personalidade do trabalhador com suas atividades laborais gera sofrimento para o cidadão e
seus entes, ou até mesmo conseqüências irreversíveis, como é o caso daqueles policiais que
põem fim a suas vidas e (ou) de outros. Ocorre que, na maioria das vezes, a profissão
implicando uma resistência natural em abandonar o cargo, ainda que gere uma notória
Por conseguinte, legítimos são os esforços para tornar a seleção para esse cargo mais
deseja avaliar. De acordo com Pasquali (2001), existem poucos testes psicológicos
não existem testes específicos para a função policial. Diante dessa escassez e da
B- MEMÓRIA
1 Conceituação Geral
Todos os dias recebemos inúmeras informações, as quais são selecionadas (de forma
chamado de memória.
19
Há relatos de que o interesse pela memória exista desde os gregos, mas foi o jovem
(Schacter, 2003). Ao estudar sua própria memória, Ebbinghaus descobriu que a maior parte
esquecimento foi comprovada por pesquisas mais recentes até mesmo fora do laboratório,
informação qualquer nos sistemas neurais ligados à memória. Em seguida, há uma seleção
dos eventos mais importantes para a cognição, ou mais marcantes para a emoção, ou mais
pelo qual as informações selecionadas ficam disponíveis para serem lembradas, podendo
para situação. Contudo, sabe-se que, para alguns sistemas de memória, a capacidade de
retenção é finita e parece não ultrapassar um pequeno número de itens de cada vez. Para
processo mneumônico que permite o acesso à informação que foi armazenada e sua
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comportamento.
A memória pode ser divida em tipos e subtipos que são, inclusive, operados por
mecanismos e bases neurais diferentes. De acordo com Lent (2001), a memória pode ser
sensorial, que dura apenas milisegundos; memória de curta duração, com retenção de
memória de longa duração, com retenção mais prolongada, podendo durar dias, semanas,
De acordo com a literatura (Nelson, 1971), para que a evocação seja de longo e não
estímulo e a recordação. Isso é verdade, porém, se durante esse lapso temporal o indivíduo
desvia sua atenção do estímulo a ser recordado. Se, por outro lado, o indivíduo reproduz
mentalmente o estímulo apresentado, esse fator impede que as informações recebidas sejam
enviadas para a memória de longo prazo, mas, ao contrário, reforçam a memória de curto
prazo.
mais conhecida, Anderson (2004) explica que nos anos 60 essa teoria foi muito importante
provindas da memória sensorial, conforme obtivessem atenção, iam para uma memória de
curto prazo intermediária na qual deveriam ser repetidas para que pudessem passar para
memória de longo prazo. Dessa forma, a teoria da memória de curto prazo propunha um
Memória Memória
Memória de curto de longo
Atenção Repetição
sensorial prazo prazo
Figura 1. Modelo representando o percurso necessário de uma informação até a memória de longo
prazo, segundo a teoria dos múltiplos armazenamentos.
Com o avanço das pesquisas, no entanto, foi proposto que não importava o tempo que
a informação era retida, mas sim a profundidade com que era processada (Craik &
Lockhart, 1972, conforme citado por Anderson, 2004). Dessa forma, a repetição poderia até
chegar à memória de longo prazo, sendo uma das causas que levou à queda da teoria da
Ainda que não exista uma passagem obrigatória da informação por uma estação
1986; Vallar & Baddeley, 1982, conforme citados por Anderson 2004). De acordo com
22
Baddeley, podemos conservar durante cerca de 1,5 a 2,0 segundos o material repetido no
visoespacial seriam dois sistemas intermediados por um executivo central para manter as
A memória implícita difere da explícita porque não temos consciência de termos tais
investigadas. De acordo com Altmann e Gray (2002), duas visões concorriam para explicar
que a informação desapareceria com o tempo, a menos que fosse constantemente ativada; e
continua em nossa memória e não conseguimos acessá-la por algum motivo. Alguns
estudos de Nelson (1971, 1978) mostram que se for possível criar uma medida sensível o
desempenhe uma função de extrema importância para impedir que haja uma sobrecarga nos
(Anderson, 2004).
recordar o significado de uma mensagem quando comparada com recordações das exatas
palavras de uma mensagem complexa (Anderson, 1974). Dessa forma, temos mais
informações visuais (Bower, Karlin & Duek, 1975; Gernsbacher, 1985; Mandler &
Ritchey, 1977).
24
3 Representações Proposicionais
menor unidade sobre a qual faz sentido fazer um julgamento de falso-verdadeiro” (p. 85).
relações geralmente são os verbos, adjetivos e outros termos relacionais. São as relações
que organizam os argumentos. De acordo com essa proposta, podemos analisar a seguinte
sentença:
A. Viviane é professora.
seguinte forma:
Deve ser salientado que as considerações dispostas sobre memória nesse trabalho não
Podem ser utilizadas diversas formas de testagem para avaliar memória, sendo as
tipo recuperação com pistas e do tipo recuperação livre (memória de evocação). No tipo
reconhecimento são dadas várias opções para o sujeito, dentre elas, aquela que corresponde
à informação original e sujeito escolhe dentre as alternativas, aquela que corresponde à sua
memória. Como exemplo pode ser citado um caso que acontece rotineiramente em
26
delegacias de polícia. Uma vítima reconhece, dentre várias pessoas com características
A avaliação do tipo recuperação com pistas seria quando a pessoa deve recuperar a
informação original livremente, ou seja, ela deve verbalizar espontaneamente, porém, com
a ajuda de uma pista. Já na recuperação livre seria o mesmo processo anterior, mas sem a
ajuda de uma pista. Um exemplo de recuperação livre seria uma pessoa narrando
livremente um fato qualquer que aconteceu com ela ou com outra pessoa.
reconhecimento seria o considerado mais fácil, seguido pela recuperação com pistas até
pode ser explicada porque pode depender de um tipo de julgamento de familiaridade que
não exige a criação explícita de novos registros de memória (Glenberg, Smith & Green,
5 Inferência
Uma outra característica da memória que deve ser mencionada diz respeito às
mnemônico não é passivo como pode parecer. A literatura que estuda a memória de
determinado fato, podemos fazê-lo sem nos darmos conta de que estamos narrando não o
evento original, mas sim uma mistura entre o evento original e muitas informações que
funciona melhor para recordar o significado de uma mensagem. Quando não conseguimos
informação que não conseguimos recordar. Narrar um fato inserindo conclusões, ainda que
inferência. De acordo com o Novo Discionário Aurélio (1975), inferência vem do latim,
Brewer (1977) propôs uma classificação entre dois tipos de inferências. O primeiro
tipo trata-se da inferência que é uma “implicação lógica” entre sentenças, ou seja, uma
sentença parece ser necessariamente uma implicação de outra. Um exemplo desse tipo de
inferência seria: O urso era mais esperto que o falcão, o falcão era mais esperto que o lobo
implica em O urso era mais esperto que o lobo. O outro tipo de inferência seria a
pragmática seria: Roberto disse que está chovendo lá fora pragmaticamente implica que
Está chovendo lá fora. Brewer propõe o uso da conjunção “mas” como teste de implicações
fora, embora seja possível a seguinte implicação: Roberto disse que está chovendo lá fora,
mas Não está chovendo lá fora, sendo esta última uma sentença possível, logo, há uma
implicação pragmática.
determinadas profissões, a inferência faz parte das técnicas de trabalho, como no caso da
dos seres humanos. Entretanto, na profissão policial, a inferência pode ser prejudicial
porque se trata de uma função que trabalha com fatos comprovados. Na falta de provas,
muitas vezes as pessoas inferem e tiram suas próprias conclusões sobre determinado
episódio, mas esse não deve ser o papel do policial. O policial não tira suas próprias
conclusões baseadas no que parece ser, de acordo com suas experiências. O policial
imparcial possível. A inferência pode até ser permitida ao policial, desde que esse servidor
reconheça que se trata de uma conclusão plausível, e não de um fato em si. Para que isso
seja possível, esse profissional deve saber diferenciar o evento da inferência e deve
população (Hays, 1963, Stigler, 1986, Pasquali, no prelo). Dessa forma, a suscetibilidade à
na população. A maioria das pessoas está sujeita a incluir inferências e crenças ao recordar
um fato, num grau considerado mediano. Também existe uma minoria que estará menos
sujeita a esse tipo de distorção de memória, e outra minoria que estará sujeita ao mesmo
atributo num grau acentuado. Aqueles sujeitos que conseguem diferenciar uma inferência
29
de um fato e são menos propensos ao processo de inferência, certamente são aqueles que,
o passar do tempo. A idéia de que os registros de memória simplesmente perdem força com
primeiro dos sete motivos pelos quais esquecemos, ou pecados da memória, como nomeia o
No entanto, ocorre que as pessoas não conseguem recordar determinado evento, mas
conseguem recuperar fatos relacionados e assim inferir o evento original em função desses
fatos relacionados (Anderson, 2004). Quando inferimos, não percebemos que fazemos isso
reconstruções de fatos que desejamos lembrar pode levar a recordações incorretas, sem que
percebamos (Bransford & Franks, 1971, Sulin & Dooling, 1974). Estudos indicam que, na
medida em que os sujeitos elaboram sobre as informações que serão recordadas, tendem a
recordar inferências que não estudaram (Owens, Bower & Black, 1979).
Elizabeth Loftus iniciou toda uma linha de pesquisa sobre os efeitos da interferência
na memória de informações reais. Seu trabalho se iniciou com estudos sobre como a
30
maneira de realizar uma pergunta pode alterar a resposta das pessoas. De acordo com essa
autora, a forma como a pergunta é apresentada faz com que o sujeito reinterprete o evento,
perguntou-se qual a velocidade do carro quando bateu no poste. Para outro grupo
velocidade obtida pelas respostas do grupo que recebeu a pergunta com a palavra
sujeitos haviam visto estilhaços de vidro no vídeo, o grupo que recebeu a palavra
“esmagou” respondeu positivamente com maior freqüência, apesar de não haver sido
mostrado nenhum estilhaço de vidro no filme. Dessa forma, a memória original do evento
desapareceria e seria formada uma nova memória na qual estaria inserido algo sobre a
Loftus também estudou como a memória das pessoas pode ser alterada por falsos
evento original. Por exemplo, considere um grupo de sujeitos assistindo a um vídeo, que
pergunta: “A pessoa que liderava os quatro manifestantes que entraram na sala era do sexo
manifestantes que entraram na sala era do sexo masculino?”. Uma semana depois os
sala de aula”. O grupo que recebeu a falsa proposição de que havia doze manifestantes na
número real de pessoas que viram no vídeo (Loftus, 1975). Essa metodologia foi utilizada
em diversos estudos, nos quais os resultados indicam que uma falsa proposição torna a
resposta dos sujeitos tendenciosa (Loftus & Hoffman, 1989; Greene, 1992).
Mostraram que o relato do que as testemunhas viram pode ser influenciado não apenas por
como a pergunta é feita, mas também por como expressões anteriores e questões
pergunta. Os resultados mostraram não existir diferença significativa entre os dois grupos, o
que sugere que indivíduos que tiveram sua memória “contaminada”, não ficam inseguros
ao responder.
Uma vez que essa interferência foi estabelecida, a atenção se concentrou nas
condições em que essas interferências ocorrem. Foi constatado que a discrepância entre o
evento original e o falso pressuposto subseqüente não deve ser grande, mas deve ser
lêem o texto mais devagar e mais cuidadosamente são menos propensos a qualquer falsa
das informações subseqüentes que adquirimos sobre o evento; 2): alguns aspectos do
memória original proposta por Loftus foi imediata. A maioria dos psicólogos e não
psicólogos acredita, como já foi explicitado anteriormente, que uma vez que a informação é
armazenada, ela não desaparece. O esquecimento não seria a perda da informação, mas a
impossibilidade de acessar a informação desejada. Essa teoria se sustenta nos casos em que
mas em outras circunstâncias eles conseguem, tais como a mudanças no ambiente físico
na recuperação não significa que todos os casos de esquecimentos se devam por esse fator.
evento original quando o sujeito se depara com uma falsa proposição. Ainda que os sujeitos
não conseguiram fazê-lo (pagava-se mais de 85 dólares pela precisão). Permitir que os
sujeitos dessem um segundo palpite dentre três opções também não foi suficiente.
aprendidas estão guardadas na memória. Para Loftus, seus experimentos seriam uma
evidência contra a noção de armazenamento permanente. Entretanto, uma vez que a teoria
33
da substituição de Loftus ia contra a opinião dominante sobre memória, seria natural que
proposição não tinha efeito na memória do sujeito, mas sim na estratégia que ele utilizava
quando não conseguia se lembrar do evento original e era forçado a chutar. Nesse sentido,
parecia haver para o sujeito uma competição entre duas possíveis respostas e a falsa
apresentado à falsa proposição, parece se lembrar dela e chuta essa alternativa. Dessa
forma, esses autores propuseram novos delineamentos de pesquisa, nos quais eliminavam a
competição entre possíveis respostas. Para McCloskey e Zaragoza (1985), se não houvesse
uma competição entre o evento original e a falsa proposição, não deveria haver diferença
nas respostas entre o grupo “enviesado” e o grupo controle. Uma série de experimentos foi
realizada com esse novo delineamento, os quais levaram aos resultados previstos por
McCloskey e Zaragoza, ou seja, não houve diferença entre os dois grupos (Greene, 1992).
Não se pode dizer que há evidências fortes contrárias à idéia de que os traços de
memória são permanentes. Porém, também não há evidências fortes de que a memória não
McCloskey e Zaragoza (1985), o fato de haver duas lembranças plausíveis na memória dos
sujeitos parece fazer com que, pelo menos boa parte deles, julgue a lembrança falsa como
34
sendo a original. Se não há esse efeito de interferência de competição entre respostas, não
ou até mesmo a forma com uma pergunta é feita, tudo isso possui um efeito dramático na
maneira como a testemunha relata um evento. Essa área de estudo ganhou tanta notoriedade
que até mesmo estudiosos se dedicam para especializar a nomenclatura para o tipo de erro
de memória, tornando-a mais específica (DePrince, Allard, Oh, & Freyd, 2004). No
seus relatos, ou relatarão fatos baseados não no evento original, mas influenciados por
O fato de os sujeitos que foram enviesados com falsas proposições serem tão seguros
preocupante. Isso significa que pessoas (tais como juízes) que avaliam a veracidade de um
relato, não devem se basear exclusivamente na confiança apresentada pelo relator como um
indicador de sua confiabilidade. Isso porque uma pessoa pode estar absolutamente
confiante de seu relato, justamente porque não faz idéia de que seu relato é cheio de
imprecisões.
de episódios e preenchendo esses elementos faltosos com detalhes da sua experiência. Já foi
demonstrado que as testemunhas muitas vezes são bastante inexatas nos depoimentos
prestados, embora se atribua grande importância a esses relatos (Neisser, 1981). Um dos
motivos dessa pouca exatidão é o fato de que as pessoas confundem o que realmente
observam sobre um incidente com o que ouvem de outras fontes, ou produzem inferências
35
sobre o evento (Ceci, Loftus, Leichtman & Bruck, 1995; Loftus, 1975; Loftus, Miller &
Burns, 1978; Loftus & Pickerall, 1995; Wright & Loftus, 1998).
inferências possíveis.
OBJETIVO DO ESTUDO
para cargos de segurança pública, faz-se necessária a construção de testes específicos que
possam ser utilizados na seleção de pessoal para este cargo. Sendo a memória de relatos de
MÉTODO
capacidade dos indivíduos de diferenciarem fatos de inferências. O referido teste pode ser
sujeitos que possam ler e escrever, embora seja possível que o aplicador anote as respostas
teste uma escala para analisar a suscetibilidade dos sujeitos à produção de inferências, a
qual é composta de itens com afirmações que, embora pudessem ser conclusões razoáveis,
não foram citadas na história. Tratam-se de itens falsos, porque são afirmações que, embora
possam ser concluídas a partir das informações narradas na história, não foram ditas na
narração.
das instruções iniciais, narração de uma história, inserção de uma tarefa interpolada,
narração das instruções finais e preenchimento da folha de respostas contendo itens que se
referem ao conteúdo da história que foi narrada. Cada uma dessas etapas será detalhada
posteriormente.
foram corrigidas, formando-se uma segunda versão do instrumento. Foi feita uma aplicação
instrumento. Uma terceira versão do instrumento foi elaborada para que fossem realizadas
as adequações necessárias. Essa terceira versão passou por uma cuidadosa análise de sua
validade e fidedignidade para que se chegasse à versão final do instrumento. Todas as fases
pesquisa foram informados de que se tratava de uma pesquisa acadêmica, de que sua
participação era absolutamente voluntária, de que eles não teriam qualquer tipo de
Também foi informado que o único benefício que teriam ao participar do estudo seria terem
Também é importante explicitar que o teste construído não será mostrado nesse
trabalho, tendo em vista que foi construído para ser utilizado em seleções de pessoal e sua
suas aplicações1.
1
Contatos com a autora podem ser estabelecidos por meio do endereço eletrônico [email protected]
38
Buscando conhecer melhor as características da função policial para que o teste fosse
adequado à realidade dessa profissão, foi realizada uma entrevista livre com um grupo focal
de policiais. Participaram dessa entrevista quatro policiais que executam funções distintas,
recuperação livre seria a forma que mais se aproxima da atividade policial. De acordo com
por exemplo, o policial é solicitado a indicar, dentre várias pessoas que lhe são
apresentadas, aquela que foi vista por ele em determinado episódio. Também ocorre que,
quando os policiais vão redigir seus relatórios, muitas vezes utilizam algumas anotações
reconhecimento.
Nesta entrevista também foram verificados quais estímulos sensoriais seriam mais
procedimento se justifica porque conforme uma mensagem seja fornecida por meio de
estímulos verbais ou por meio de estímulos visuais, haverá efeitos diferentes no que se
39
presenciaram. Assim, durante a entrevista, foi verificado que a maior parte das informações
que garantem o exercício da profissão é de natureza auditiva, para todos os cargos policiais.
crime no momento de sua consumação, sendo apenas acionados após o crime já ter
ocorrido e, assim, buscam elucidar o fato com as provas existentes. Uma das provas mais
como já foi dito, uma boa memória de relatos é fundamental para o bom exercício da
profissão policial, civil e federal. Já o policial militar é mais sujeito a presenciar fatos
criminosos já que é responsável pelo trabalho ostensivo e, por conseguinte, trabalha mais
tempo nas ruas que os policiais civis e federais. Porém, isso não diminui a importância da
memória de relatos nessa profissão, visto que o policial militar também ouve e reproduz
um processo.
explícita ou implícita, novas questões foram apresentadas ao grupo focal. De acordo com os
entrevistados, o policial sabe claramente que as informações que estão sendo narradas a ele
poderão ser evocadas posteriormente para fins das investigações ou para prestar
das possíveis conseqüências que são passíveis de ocorrer quando a informação que lhe foi
confiada não é reproduzida com a devida precisão, conseqüências essas que vão desde o
fracasso das investigações até ser condenado por falso testemunho, cuja pena pode chegar a
40
até 4 anos de reclusão2. O policial sabe que precisa estar com sua atenção focada nas
informações que lhe são passadas. Entende-se, portanto, que a memória mais utilizada por
temporal significativo variando de alguns minutos até dias depois. Um policial pode ser
chamado em Juízo para explicar detalhes de investigações até mesmo anos depois de ter
prazo.
foram dispostos em duas folhas e entregues aos sujeitos, além de uma terceira folha, que
2
Art. 342 do Decreto-Lei n. 3.914, de 9 de dezembro de 1941 (Código Penal).
41
as partes da história nos itens. Foi observado que os itens construídos não cobriam toda a
extensão da história, havendo partes da história que eram privilegiadas por diversos itens,
itens, o que dificultava o manuseio do teste por parte dos testandos, apontando uma
psicométrico dos itens. De acordo com Pasquali (2001), a dificuldade dos itens deve ser
distribuída de tal maneira que haja um equilíbrio entre eles, de forma que se tenha uma
curva normal de dificuldade dos itens. Assim, ter-se-ia alguns itens com graus de
primeira versão do teste apresentou uma assimetria na distribuição da dificuldade dos itens,
100
90
80
Porcentagem de acertos
70
60
50
40
30
20
10
0
1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39
Itens
dos 40 itens do instrumento. Observa-se que a maior parte dos itens possui uma
porcentagem de acertos maior que 80%. Na verdade apenas dois itens são acertados menos
que 50% das vezes. Esse resultado mostra que os sujeitos tiveram facilidade para acertar os
itens. Com esses itens, o instrumento traria pouca informação na discriminação entre os
ocupar apenas uma folha, utilizando fonte Arial Narrow, tamanho 11,5. A diminuição do
número de folhas a ser utilizado pelo teste, além de trazer benefícios econômicos e
A construção dos itens da segunda versão do instrumento não foi realizada de forma
aleatória, como na primeira versão. Desta vez, foram obedecidas as orientações dos estudos
(Anderson, 2004).
complexo, que é a história contada, buscou-se um tipo de notação que fizesse essa
teste. Dessa forma, toda a história do teste foi decomposta em 17 frases. Cada frase gerou
70 unidades proposicionais e cada unidade proposicional resultou num ou mais itens que
compuseram um protótipo do teste com 105 itens. Essa técnica também garantiu a validade
de conteúdo do teste, visto que todas as partes da história estão representadas nos itens, o
Como foi mencionado, a decomposição da história gerou 105 itens. Esse número de
itens em um teste poderia ser insuficiente para compor uma amostra satisfatória do
dos testandos. Entretanto, esse mesmo número poderia ser demasiado grande e levar os
testandos à exaustão. Há que se considerar que a recuperação das informações citadas numa
história e o julgamento das afirmações dos itens são tarefas que demandam processos
Solicitou-se, então, que alguns sujeitos respondessem a uma amostra de 94 itens para
avaliar possíveis efeitos de cansaço. Esses sujeitos informaram que, quando estavam
respondendo entre o 50º e 70º item, começaram a sentir os efeitos do cansaço. Dessa forma,
foi estabelecido que o número de itens que compõem o teste deveria ser próximo de 50.
fidedignidade do instrumento, por permitir que o mesmo sujeito seja submetido mais de
controle nas tentativas explícitas de fraudes quando o instrumento estiver sendo utilizado
em seleção de pessoal.
Cada forma respeitou o número limite de itens estabelecido, bem como a equivalência
Assim, foi feita uma classificação dos itens em duas categorias: aqueles que se referem ao
separação dos itens nas duas formas buscou uma equivalência de dificuldade de acordo
com essa classificação. Além disso, os itens também foram classificados quanto à ordem
apresentação das informações é uma variável que interfere na memorização (Pergher &
mensagens narradas e que se referisse ao início da história, tomava-se um outro item nas
garantir que cada frase estivesse igualmente representada em cada uma das formas. Cinco
frases só produziram um item cada e, portanto, tais itens participam das duas formas do
ambas as formas.
Cada uma das formas possuía 53 itens. Esse número de itens está de acordo com o
que propõe Pasquali (1999). De acordo com esse autor, não há regras para estabelecer o
número de itens de um instrumento, mas a experiência indica que cerca de 20 itens seriam
46
número superior àquele desejado ao final, visto que na fase de validação possivelmente
alguns itens se perderão. Portanto, considera-se que 53 itens é um número adequado para
estímulo para que a história se repetisse mentalmente para o indivíduo, facilitando, assim, a
4. 2 Tipos de respostas
cada item. Os itens cujo conteúdo correspondia ao que foi dito na história deveriam ser
julgados como “fato real”. Já os itens cujo conteúdo era diferente da história narrada,
deveriam ser julgados como “fato irreal”. Os itens com conteúdo inferencial deveriam ser
“não lembro”. Dos 53 itens, 18 eram verdadeiros, 24 eram falsos e 11 eram, na verdade,
inferências.
47
A análise teórica dos itens é composta pela análise semântica e pela análise de juízes
(Pasquali, 2003).
que não se perca a elegância de tal escrita. A elegância da escrita não se trata apenas de um
cuidado estético já que sua ausência interfere na validade aparente de um teste e em sua
O teste construído foi desenvolvido para ser aplicado em população com nível de
escolaridade que vai desde o ensino médio completo até a pós-graduação completa.
teste respeitam as características dessa população alvo. Dessa forma, todo o material do
adequação, tanto pelo extrato mais alto da população alvo do teste, bem como pelo extrato
mais baixo. Seis sujeitos com grau de escolaridade ensino médio completo foram
48
individualmente, bem como dentro de uma perspectiva contextual. A mesma análise foi
realizada por indivíduos com pós-graduação completa. Após essa análise, algumas palavras
e estruturas oracionais foram modificadas de acordo com a análise dos sujeitos para
cognição para avaliação de sua pertinência quanto ao construto memória de relatos. Essa
inferencial. A análise dos juízes se fez necessária visto que há uma aproximação entre o que
juízes para a conclusão do gabarito. Esse gabarito foi o norteador para a correção das
49
análises estatísticas que foram realizadas neste estudo. Todos os juízes possuíam
escolaridade pós-graduação, por entender-se que indivíduos nessa condição possuem senso
objetiva garantir a validade ecológica3 do teste, tendo em vista que a função policial utiliza
bem como as instruções iniciais, foram gravadas em um Compact Disc – CD. Assim, todas
as pessoas testadas estiveram sob as mesmas condições de estímulo auditivo para que o tipo
Três vozes foram testadas para selecionar aquela que fosse mais clara e que tivesse
uma entonação mais agradável aos ouvidos dos testandos. Foram realizadas gravações em
estúdio de três vozes diferentes, sendo uma delas masculina e duas femininas. As três
masculino e foi solicitado que os sujeitos indicassem a voz de sua preferência. Mais de 78%
3
Validade ecológica refere-se à proximidade entre o desempenho avaliado pelo instrumento de medida e o
desempenho em situação real.
50
dos sujeitos (51 casos) preferiram a primeira voz feminina. Os resultados desse estudo são
mostrados na tabela 1.
7 Estrutura do Teste
policial, as instruções do teste deixam claro que a tarefa dos sujeitos é ouvir e memorizar o
que está sendo narrado, e, dessa forma, está se avaliando memória explícita e não memória
implícita.
A instrução inicial do teste tem o objetivo de dar uma visão geral da atividade a ser
narradora. A instrução inicial foi construída de forma que o testando possa ter uma visão
geral das tarefas a serem desempenhadas ao longo da atividade, sem, no entanto, ocupar
demasiadamente sua memória nessa parte do teste. Dessa forma, tentou-se garantir não
51
sobrecarregar a memória dos sujeitos com instruções de tarefas que poderiam ser melhor
presentes ouviam com clareza as informações narradas e ainda para verificar se havia
alguma dúvida quanto às instruções. O volume era então ajustado para que não ficasse
baixo e prejudicasse a audição de todos, mas também para que não ficasse alto ao ponto de
incomodar os sujeitos.
seu ponto inicial e deixava que as instruções fossem narradas novamente, até que não
houvesse qualquer dúvida por parte dos testandos. Esse procedimento objetiva garantir que,
executada.
7.2 História
A história escolhida para elaboração do teste é simples e narrada com uma entonação
de que não fosse tão neutra ao ponto de cansar os ouvintes e nem tão empolgante que
A história contém sete personagens e possui poucos diálogos (ao todo são dez frases
em que os personagens falam). Cada objeto da história, o episódio em si, bem como os
despertassem o quanto menos possível de conteúdos emocionais, já que tal variável poderia
afetar de forma diferenciada os testandos (Pergher, Grassi-Oliveira, Ávila & Stein, 2006).
aplicadores foram previamente orientados a, nesse momento, ficar o mais quieto possível,
buscando não desviar a atenção dos testandos para sua pessoa. Ao mesmo tempo, os
Essa etapa se faz necessária já que, como foi explicitado, a memória de longo prazo
seria a mais utilizada na função policial e é essa memória que o teste deve avaliar. A tarefa
interpolada busca, por um período superior a 30 segundos, evitar que os testandos repitam
53
mentalmente a história narrada, garantindo, assim, que o construto avaliado seja memória
de longo prazo.
bem como de perguntas sobre a percepção que o indivíduo tem sobre sua memória. Os
tempo máximo de sua aplicação. Numa situação real de testagem, os candidatos de uma
seleção normalmente estão sob uma condição ansiogênica pela concorrência pelas vagas.
Se algum deles não conseguir realizar a tarefa interpolada por completo no tempo previsto,
pode erroneamente supor que não teve um bom desempenho e que isso lhe trará
desvantagens em relação aos outros candidatos. Essa extra-ansiedade, trazida pela não
conclusão da tarefa interpolada poderia interferir em todas as respostas dadas aos itens do
teste. Portanto, foi estipulado o tempo de 1 minuto para realização da atividade porque se
observou durante as aplicações piloto que era suficiente para garantir que todos os
eram avisados de que, caso ainda não tivessem terminado de responder ao questionário,
introdutor da questão. Uma vez que o objetivo era desviar a atenção dos respondentes para
textos introdutórios para responder às questões. As questões foram elaboradas com graus de
dificuldade relativamente baixos a fim de não gerar ansiedade nos respondentes, pelos
entanto, empiricamente observou-se que o tempo para responder a tais questões extrapolava
o previsto para a realização da tarefa. Optou-se, então, por elaborar questões de percepção
contribuíram para as análises dos resultados dos dados coletados a partir da resposta aos
itens.
Mais especificamente, as instruções finais deixam claro para os testandos a diferença entre
finais foram narradas pela locutora e acompanhadas pelos testandos, que receberam uma
cópia das instruções e permaneceram com ela até o final da atividade. A leitura das
instruções tem um tempo total de 2 minutos e 46 segundos. Após a leitura, caso houvesse
alguma dúvida, o psicólogo aplicador deveria permitir a releitura das instruções pela
locutora. Foi elaborado, ainda, um exemplo adicional, o qual seria lido pelo psicólogo
aplicador caso a releitura das instruções não fosse suficiente para sanar todas as dúvidas,
duas colunas. Optou-se por essa estrutura em detrimento de distribuir os itens em duas
folhas, por entender-se que essa foi a forma mais ergonômica e esteticamente adaptada,
A. Foi realizada uma análise exploratória utilizando o método dos Componentes Principais
e tratando os casos omissos pelo método pairwise. A análise do KMO mostrou um índice
Esse resultado, aliado ao registro informal de verbalizações dos sujeitos de que o teste
era muito difícil, apontou a possibilidade de os sujeitos não terem compreendido a tarefa do
teste. A análise desses dados preliminares, portanto, sugere uma confusão dos sujeitos ao
Diante dos resultados mostrados na primeira versão do instrumento, foi realizada uma
pequena, mas fundamental, alteração nas instruções do teste para facilitar a tarefa dos
sujeitos. A partir de então, os sujeitos não tiveram mais que escolher entre 4 tipos de
respostas (“fato real”, “fato irreal”, “inferência” e “não lembro”), mas sim entre 3. A nova
versão das instruções retira a possibilidade de responder “inferência” e, para tornar a tarefa
mais clara, solicita que os sujeitos indiquem apenas se o item é falso, verdadeiro ou se não
Portanto, as instruções passam a atentar para o fato de que se o que está escrito no item, na
sua totalidade, for exatamente igual ao que o sujeito ouviu na história, então ele será
verdadeiro. Dessa forma, os itens inferenciais se tornam itens falsos, visto que não estão
propostas, optou-se por trabalhar-se a partir de então somente a forma A, podendo a forma
RESULTADOS e DISCUSSÃO
Os dados foram analisados pelo pacote estatístico para Ciências Sociais –SPSS
(Statistic Package for Social Science), versão 11.5, bem como pelo programa AMOS
Uma nova coleta de dados foi realizada para avaliação da adequação da terceira
áudio. Os dados dessa amostra foram desconsiderados das análises, resultando num total de
319 sujeitos. De acordo com Pasquali (1999), o número de sujeitos necessários para a
possui 53 itens, o que requer um mínimo de 265 sujeitos. Os 319 sujeitos que restaram
estrutural.
1 Características da Amostra
dados, a amostra demonstra uma distribuição igualitária no que se refere à variável sexo. A
58
maioria dos sujeitos possui nível de escolaridade ensino médio (54,5%). Quanto ao fato de
os sujeitos trabalharem ou não, a maioria deles não trabalha (55,2%). Finalmente quanto à
as análises estatísticas. Uma análise dos componentes principais mostra que a fatorabilidade
Em seguida foi feita uma análise dos componentes principais para definir o número
literatura mostra que a Análise Paralela é um critério relativamente preciso, havendo pouca
eigenvalues de uma matriz composta por dados aleatórios. Dessa forma, foram retidos
tantos componentes quantos foram aqueles que explicaram maior variância do que o fator
principais. Optou-se por esse método em detrimento da análise fatorial uma vez que se trata
hipóteses a priori, o que torna a análise dos componentes principais mais recomendada. Os
foram rodadas análises com os seis componentes, em seguida com cinco, quatro, três e dois
que os fatos aconteceram na história. Quanto ao tempo dos acontecimentos dos fatos na
história, existem dois blocos temporais. Um que se refere ao início da história até o meio
dela e outro que se refere aos acontecimentos do meio para o fim da história. No corpo do
teste ainda havia questões que não se referiam ao tempo dos fatos em si e nem à inferência,
mas a questões gerais da história, de sua estrutura, tais como o número de personagens que
compõem a história, contudo não foi separado um componente para esse tipo de itens.
Os resultados das análises mostraram que a extração com seis, cinco e quatro
(maiores que 0,32, de acordo com Tabachnick e Fidell, 1996) em mais de um fator, além de
itens com cargas negativas. A interpretação dos agrupamentos de itens ficou prejudicada
61
nessas análises, sendo que a análise da confiabilidade dos componentes foi considerada
Estruturas mais simples foram obtidas com extrações de três e dois fatores. A
interpretação dos componentes com essas estruturas ficou bastante clara. Na estrutura com
trata-se dos itens inferenciais e o terceiro componente com itens cujo conteúdo expressa o
está de acordo com o que a teoria sobre memória afirma. A literatura mostra que, numa
fornecidas por último, caindo o desempenho para lembrar das informações que foram
fornecidas inicialmente e piorando ainda mais para as informações que foram dadas
(Pergher & Stein, 2003). Esse, talvez, seja o motivo pelo qual foram separados dois
componentes, um para itens que medem as últimas informações apresentadas e outro com
itens que medem as primeiras informações apresentadas. Não foi separado um componente
Foi rodada uma nova extração com dois fatores. Inicialmente, o método de rotação
componentes. A rotação produziu componentes com uma correlação de 0,34. Esse resultado
indica que os componentes possuem uma dependência entre eles tornando uma rotação
pela extração de 2 componentes. Com base nessa decisão, foi rodada uma nova extração
eliminação dos itens justifica-se porque, em razão de sua carga muito baixa, é possível que
respondentes. Além disso, também foi retirado um item do segundo componente, cuja carga
era negativa, para tornar a estrutura ainda mais simples, já que sua ausência não interfere na
confiabilidade do instrumento.
0,73 para 0,81; 2) o total de variância explicada pelos 2 componentes que antes era de
mais os componentes, tornando mais clara a recomendação para dois fatores, conforme
mostra figura 3.
6
5
4
4
3
3
2 2
Eigenvalue
Eigenvalue
1
1
0
1 7 13 19 25 31 37 43 49 0
4 10 16 22 28 34 40 46 52 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27
Os resultados das análises eliminando os itens com cargas baixas são mostrados na
Nº de itens 20 12
3 Fidedignidade do Instrumento
primeiro componente possui Alfa de 0,83 e Lambda de 0,84, o segundo componente 0,66 e
segundo componente indicarem que seus resultados devem ser analisados com cautela.
Foi realizada a análise dos escores dos sujeitos nos 2 componentes extraídos. O
tem-se uma medida de validade do teste, uma vez que os construtos psicológicos são
Dessa forma, a maioria das pessoas terá uma capacidade mediana para determinado
atributo, com uma pequena parcela se destacando com superdotação ou subdotação daquela
MEMÓRIA INFERÊNCIA
70
100
60
80
50
40 60
30
40
20
Frequência
Frequência
10 20
0
0,0 4,0 8,0 12,0 16,0 20,0 0
2,0 6,0 10,0 14,0 18,0 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0
escores relativamente bem distribuídos. A média dos escores dos sujeitos no componente
memória foi 13,45 (Dp= 4,46), sendo que o valor máximo que se poderia atingir seria 20,
caso o sujeito acertasse todos os itens. Isso significa que a maioria dos sujeitos mais acertou
escores dos sujeitos foi 4,45 (Dp = 2,59), sendo que o valor máximo desse componente
seria 12. Dessa forma, a maioria dos sujeitos mais errou do que acertou as respostas dos
itens desse componente, sendo que ninguém acertou todos os itens. Assim, os dados
67
sugerem que os sujeitos têm mais facilidade para responder aos itens de memória do que
aos itens de inferência. Esses dados corroboram a literatura, mostrando que diferenciar uma
inferência dos eventos originais é uma tarefa difícil, tendo em vista que o natural seria
tomar a inferência como um fato (Anderson, 2004; Sulin & Dooling, 1974; Owens, Bower
& Black, 1979; Loftus & Palmer, 1974; Loftus, 1975; Loftus & Hoffman, 1989; Greene,
1992).
O tempo que cada sujeito levou para preencher a folha de respostas foi contabilizado
forma, concluiu-se que esse deve ser o tempo máximo que os futuros testandos devem
6 Análise de Regressão
Avaliou-se cada um dos dois componentes levando-se em conta dados das variáveis
resultados, a maioria dos sujeitos percebe que possui boa memória, tanto geral, quanto
icônica ou ecóica.
f= freqüência absoluta.
componente memória explica 9% da variância (R²= 0,09), quase toda ela devido à variável
componente inferência explica 13% da variância (R²= 0,13), sendo que, como no
acreditam possuir boa memória geral demonstram um desempenho inferior para os itens do
7 Tabela de Normas
Uma vez que o Teste de Memória de Relatos foi construído para utilização em
seleção de pessoal, foi realizada uma análise dos percentis a fim de estabelecerem-se
normas para avaliação dos escores do teste. Cabe ressaltar que outras pesquisas são
sugeridas para estabelecer uma tabela de normas com valores mais fidedignos. As normas
são expressas em escores percentílicos os valores encontrados são mostrados na tabela 10.
71
CONCLUSÃO
dados produzidos pelo fator inferência devam ser avaliados com cautela.
de Relatos representa uma medida válida e fidedigna desse construto, avaliando memória e
inferência.
recente (com itens que se referem às informações fornecidas no final da história) e memória
tardia (com itens que se referem às informações fornecidas no início da história). Esse
resultado está de acordo com a literatura, que demonstra a existência de uma curva teórica
do efeito de posição serial para nossa memória, ou seja, temos mais facilidade para
memorizar as informações fornecidas por último e menos facilidade para as que foram
fidedignidade não satisfatórios. Isso tornou a estrutura com os três componentes não
recomendada. Futuros estudos podem ser realizados objetivando melhorar os itens que se
referem à memória tardia, que foi o componente com menor índice de confiabilidade.
O teste construído foi idealizado para melhorar as seleções de policiais. Dessa forma,
garantir uma equivalência entre a medida e o contexto real de trabalho demonstra uma
“não lembro”. A inclusão dessa coluna foi uma estratégia para tentar tornar os dados mais
“limpos”, porém, é possível que os tenha tornado mais confusos. A introdução da coluna
“não lembro” foi uma tentativa de diminuir as respostas de chute dos sujeitos e deixar que
entanto, é possível hipotetizar que a coluna “não lembro” pode ter produzido inclusão de,
tenderam a responder com maior freqüência “não lembro” quando não tiveram absoluta
certeza daquela resposta, ao passo que pessoas mais seguras possivelmente tendiam a
responder aquilo que lhes parecia o certo, visto que confiariam mais em sua memória. Se
sujeitos, a memória e a inferência não seriam os únicos construtos atuando quando o sujeito
A coluna “não lembro” sequer impediu as respostas em branco. Mesmo tendo a opção
de dizer que não se lembra e com a instrução para responder a todos os itens, a maioria dos
item.
De acordo com os resultados da análise de regressão, a maioria dos sujeitos que acreditava
ter uma boa memória teve um desempenho inferior no teste construído e vice-versa. Talvez
uma boa capacidade para reter o significado geral da história e isso lhe é suficiente no dia-
a-dia, sendo plausível auto-atribuir-se uma boa memória. No entanto, quando lhe é exigida
maneira e com tanto rigor que lhe permita diferenciar o que realmente ouviu de uma
inferência plausível, isso se torna mais difícil e o desempenho na tarefa não é tão bom
quanto ele acredita que seria. Já os sujeitos que, em princípio, são mais cuidadosos em
auto-atribuir-se uma boa percepção de memória, parecem ser mais criteriosos também ao
analisar a história que lhes foi contada. Dessa forma, esses sujeitos demonstram um
desempenho melhor ao responder os itens, porque, uma vez que são mais criteriosos,
conseguem diferenciar melhor o evento original de uma inferência. Ainda assim, outras
livre seja a que mais se aproxima da realidade policial em termos de freqüência, a forma de
reconhecimento também faz parte do cotidiano de seu trabalho. Neste estudo, optou-se pela
financeiros, quase que inviabilizando o processo, numa situação real. Ademais, a avaliação
75
Quanto aos aspectos práticos dos resultados encontrados, embora não tenham sido
memória de relatos em detrimento daquelas esquecidas. Um estudo para verificar esse tipo
de relação foi conduzido por Mandler e Ritchey (1977). Esses autores argumentam que
assim como acontece com os estímulos ecóicos, para os estímulos icônicos os detalhes
seus estudos constataram que, dada uma figura com vários objetos, as informações
espaciais ou a relação de espaço entre os objetos são esquecidas mais rapidamente do que
informações inventariais. Para esses autores, é razoável supor que as informações visuais
que são mantidas ou perdidas refletem sua utilidade para ação. Informações espaciais ou a
relação dos objetos são importantes temporariamente quando queremos, por exemplo,
sentar numa cadeira. Entretanto, parece mais crucial para antecipar futuras interações saber
se uma sala contém determinado móvel e(ou) onde ele está localizado. De forma análoga
entende-se que as informações verbais que são mantidas ou esquecidas podem ser um
pena investigar se o mesmo ocorre com informações fornecidas por estímulos ecóicos.
memória icônica.
Considera-se que a metodologia utilizada no presente estudo foi adequada, visto que
expõe o sujeito a uma narração complexa, rica em detalhes em sua seqüência de fatos e
cheia de inferências possíveis, o que garante uma maior proximidade com a realidade da
profissão policial.
Sugere-se que, quando o Teste de Memória de Relatos for utilizado numa bateria de
testes, seja um dos primeiros, senão o primeiro da bateria, uma vez que os esforços
cognitivos de testes anteriores poderão prejudicar a validade deste teste. Também deve ser
aplicado antes de testes projetivos porque, por ser psicométrico, não gera tanta ansiedade
testagem.
devem-se ressaltar dois pontos: primeiro que é recomendável que sejam feitos outros
estudos antes de sua sujeição ao Conselho Federal de Psicologia para averiguação de sua
qualidade técnica, conforme resolução n. 002/2003 do CFP. Segundo que, mesmo que o
há que se considerar a sua correta aplicação e interpretação, bem como sua constante
sugere Anastasi (2000). Também deve ser advertido que nos últimos anos observou-se a
dados obtidos de forma conjunta, não estabelecendo relações cegas entre os resultados e a
realidade.
78
LIMITAÇÕES DO ESTUDO
despertar o quanto menos de conteúdo emocional nos testandos, numa tentativa de controle
Uma outra crítica que pode ser feita ao teste é quanto às instruções. Estas deixam
claro que “se o que está escrito, na sua totalidade, é exatamente igual ao que você ouviu na
história, então o item é verdadeiro”. No entanto, nenhum item é exatamente igual ao que se
ouve na história, mas são, sim, afirmações sobre o que se ouviu na história. Dessa forma,
coube ao testando concluir que, na verdade, o item verdadeiro é aquele cujo conteúdo
informações implícitas. Esse pode ter sido um componente que gerou alguma confusão para
análises estatísticas.
Também pode ser criticado o fato de que o teste, tendo sido feito para avaliações em
seleções, deixa a desejar no sentido de evitar fraudes, uma vez que, ouvida a história, um
79
serem obtidas. Esse ponto pode ser mais bem trabalhado com a constante construção de
novas histórias equivalentes e adaptações dos itens a esses novos estímulos. Embora não
seja uma solução definitiva, essa alternativa pode dificultar as tentativas de fraudes na
aplicação do teste. Cabe ressaltar, no entanto, que nenhum teste está livre de fraudes,
mesmo aqueles que são menos suscetíveis a elas, como os projetivos. As tentativas
tentando controlar, embora não haja, até o momento, soluções absolutamente seguras.
80
COMENTÁRIOS FINAIS
literatura que aponta dificuldades dos sujeitos na distinção entre realidade e inferências.
Também foi verificado que a memória de relatos não pode ser entendida sem a avaliação do
componente inferência. Além disso, os dados desse estudo corroboram a literatura que
Sugere-se que sejam realizadas novas pesquisas com a Forma B do instrumento para
avaliar se a estrutura das análises estatísticas será semelhante à apresentada pela forma A.
apresentados neste estudo a fim de que seja verificada a possível influência desse estímulo
nas respostas dos sujeitos. A partir desses resultados seria possível vislumbrar formas
seleções.
Estudos posteriores podem ser realizados para melhorar os itens que se referem à
memória tardia, a fim de possibilitar uma estrutura com três componentes do instrumento,
validade de critério, os quais não foram contemplados nessa pesquisa. Outros estudos de
validade de construto devem ser realizados como, por exemplo, a avaliação das mudanças
81
Por fim, é sugerido também que seja avaliada a funcionalidade das informações que
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