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Apostila Completa

1. O documento descreve o livro didático "História do Brasil República I" dividido em 6 unidades que abordam a instauração e os primeiros anos da República Brasileira entre 1889 e 1930. 2. A primeira unidade trata da crise do Império e da Proclamação da República em 1889. A segunda analisa os projetos republicanos e a Constituição de 1891. 3. A terceira unidade aborda a política das oligarquias e o coronelismo na Primeira República. A quarta descreve os confl

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Adriano Lopes
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1. O documento descreve o livro didático "História do Brasil República I" dividido em 6 unidades que abordam a instauração e os primeiros anos da República Brasileira entre 1889 e 1930. 2. A primeira unidade trata da crise do Império e da Proclamação da República em 1889. A segunda analisa os projetos republicanos e a Constituição de 1891. 3. A terceira unidade aborda a política das oligarquias e o coronelismo na Primeira República. A quarta descreve os confl

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FACULDADE ÚNICA EDUCAÇÃO A

DISTÂNCIA

PRÁTICA
PEDAGÓGICA
INTERDISCIPLINAR:
HISTÓRIA DO
BRASIL REPÚBLICA
TALITA SAUER MEDEIROS

1
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA I
TALITA SAUER MEDEIROS

1
FACULDADE ÚNICA EDITORIAL

Diretor Geral: Valdir Henrique Valério


Diretor Executivo: William José Ferreira
Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Cristiane Lelis dos Santos
Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Gilvânia Barcelos Dias Teixeira
Revisão Gramatical e Ortográfica: Izabel Cristina da Costa
Revisão/Diagramação/Estruturação: Bárbara Carla Amorim O. Silva
Carla Jordânia G. de Souza
Rubens Henrique L. de Oliveira
Design: Brayan Lazarino Santos
Élen Cristina Teixeira Oliveira
Maria Luiza Filgueiras

© 2020, Faculdade Única.


Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autorização escrita do Editor.

NEaD – Núcleo de Educação as Distancia FACULDADE ÚNICA


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Anexo 03 – Bairro Bethânia – CEP: 35164-779 – Ipatinga/MG
Tel (31) 2109 -2300 – 0800 724 2300
www.faculdadeunica.com.br

1
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA I
1° edição

Ipatinga, MG
Faculdade Única
2020
2
3
LEGENDA DE

Ícones
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conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones
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associando-os a suas ações.

FIXANDO O CONTEÚDO
Atividades de multipla escolha para ajudar na fixação dos
conteúdos abordados no livro.

GLOSSÁRIO
Apresentação dos significados de um determinado termo ou
palavras mostradas no decorrer do livro.

4
SUMÁRIO UNIDADE 1
A INSTAURAÇÃO DA REPÚBLICA

1.1 Introdução..........................................................................................................................................................................................8
1.2 A crise do império.........................................................................................................................................................................9
1.2.1 Insatisfações de vários grupos sociais com a monarquia...........................................................................9
1.2.2 Proclamação da República...........................................................................................................................................12
1.3 O manifesto republicano e os sentidos para a República...............................................................................13
1.4 A república: um novo tipo de governo político no Brasil.................................................................................14

UNIDADE 2
A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
2.1 Introdução........................................................................................................................................................................................21
2.2 As ideias republicanas: projetos vencedores e projetos derrotados......................................................23
2.3 A constituição brasileira de 1891......................................................................................................................................25
2.4 A república velha e os republicanos militares.......................................................................................................27

UNIDADE 3
A POLÍTICA DAS OLIGARQUIAS
3.1 Introdução.......................................................................................................................................................................................33
3.2 As oligarquias no Brasil.........................................................................................................................................................33
3.3 O coronelismo e a clientela política...............................................................................................................................35
3.4 A hegemonia cafeeira...........................................................................................................................................................38

UNIDADE 4
OS CONFLITOS NA PRIMEIRA REPÚBLICA

4.1 Introdução......................................................................................................................................................................................46
4.2 A revolta da armada (RJ) e a Revolução Federalista (RS).............................................................................48
4.3 Os protestos populares. As guerras de Canudos e do Contestado.........................................................52
4.4 Modernidade e urbanização.............................................................................................................................................56

UNIDADE 5
AS ORGANIZAÇÕES DOS TRABALHADORES

5.1 Introdução.......................................................................................................................................................................................63
5.2 A circulação de ideias: o socialismo, o comunismo e o anarquismo.....................................................64
5.3 As organizações dos trabalhadores urbanos..........................................................................................................65
5.4 O modernismo na arte brasileira....................................................................................................................................68

UNIDADE 6
O FIM DA PRIMEIRA REPÚBLICA

6.1 Introdução.......................................................................................................................................................................................73
6.2 A crise oligárquica....................................................................................................................................................................73
6.3 A crise dos anos 20...................................................................................................................................................................75
6.4 O tenentismo e a coluna prestes....................................................................................................................................77
6.5 O movimento de 1930............................................................................................................................................................79

Referências Bibliográficas..........................................................................................................................................................72

5
UNIDADE 1
O Brasil do fim do século XIX e do início do XX passou por diversas transformações.
Um golpe pôs fim à monarquia e instaurou no país novo sistema político: a República.
Nessa Unidade veremos como se deu esse processo.
CONFIRA NO LIVRO

UNIDADE 2
Os ideais dos grupos de republicanos brasileiros e os projetos e modelos de República
desejados por eles. Assim como, a Constituição Republicana de 1891 são os temas da
nossa segunda Unidade.

UNIDADE 3
No foco da discussão da Unidade 3 estão as práticas políticas da Primeira República:
A política dos governadores. O coronelismo e a dominação oligárquica baseada no
forte controle local das populações.

UNIDADE 4
Os primeiros anos da República brasileira foram marcados por divergências e
disputas que geraram protestos populares e conflitos como a Revolta Armada, a
Revolução Federalista e as guerras de Canudos e do Contestado. Insubordinações
reprimidas duramente pelo governo republicano.

UNIDADE 5
Modernidade, urbanização, imigração e a industrialização marcaram os cenários
das cidades na primeira República. A demanda por mão de obra e as condições de
trabalho encontradas propiciaram a circulação de ideias socialistas, comunistas e
anarquistas no Brasil.

UNIDADE 6
Nessa Unidade veremos que crises como a dos anos de 1920 e a crise das oligarquias
e movimentos contestatórios como o Tenentismo, a Coluna Prestes e o movimento
de 1930 marcaram as primeiras décadas do século XX e puseram fim a primeira
República no Brasil.

6
01
A INSTAURAÇÃO DA REPÚBLICA UNIDADE

7
1.1 INTRODUÇÃO

Para começarmos nosso estudo, vamos analisar duas importantes formas de governo:
Monarquia e República. A Monarquia é caracterizada pelo poder político exercido por um monarca
(rei, imperador, príncipe), de modo hereditário e vitalício. Já a República, é uma forma de governo
representativo, cujo governante é eleito e permanece no poder por um tempo pré-determinado.
Ambas fazem parte da História do Brasil e marcam com o desenrolar de sua trajetória política, as
práticas políticas do país.
O período Monárquico no Brasil é convencionalmente dividido em três fases: O Primeiro
Reinado que vai da Independência do Brasil em 1822, à abdicação de Dom Pedro I em 1831. O Período
Regencial, de 1831 a 1840 e o Segundo Reinado que compreende da antecipação da maioridade de
Dom Pedro II em 1840, à Proclamação da República em 1889. Esta última é a fase que nos interessa
aqui, pois é nesse momento que o Império passa por profundas transformações que abalam a
ordem vigente.
É então que o país passa a ter um regime republicano de governo, dando início à Primeira
República, fruto de um golpe que pôs fim à Monarquia em 15 de novembro de 1889. A Primeira
República foi um período de muitos acontecimentos na História do Brasil, como o desenvolvimento
da industrialização, a vinda de muitos imigrantes, a formação de uma classe operária brasileira e
com ela, o surgimento das primeiras organizações sindicais e suas reivindicações trabalhistas. Foi
ainda nesse período que o Brasil consolidou seus limites territoriais. Tiveram também um grande
desenvolvimento o campo da cultura, das artes e das ideias.
Nesse novo regime em que ocorriam eleições para escolher os governantes do país,
fervilharam muitas ideias acerca do que se queria para o Brasil. Porém, na prática muitos dos ideais
republicanos, como a liberdade política, acabaram não sendo bem assim. A Primeira República foi
um período marcado pelo poder das elites locais, o que fez com que esse período ficasse conhecido
por denominações como República Oligárquica, República do Café com Leite, República dos
Coronéis.
Esse momento da experiência republicana no Brasil, de 1889 a 1930, a “Primeira República”,
tem a sua ruptura com a Revolução de 1930. O período pós 1930 é então marcado pela modernização
do país, pela intensificação da industrialização, ocorre a reorganização e a modernização do
aparelho de Estado, e é nesse período em que se dá a conquista dos direitos trabalhistas. Uma
Nova República teria surgido por oposição à anterior, que ganha então, mais uma denominação: a
República Velha.

GLOSSÁRIO
Hereditário: Que se transmite por sucessão, pela pessoa falecida aos seus herdeiros.
Exemplo: Príncipe que, por direito, deve herdar o poder, o rei.

Vitalício: Que dura até o final da vida.

8
BUSQUE POR MAIS
Através desse livro você poderá se aprofundar mais nas transformações que ocor-
reram no Brasil no século XIX e início do XX. O contexto que levou ao fim do Império
e ao golpe que o derrubou. E também o que se passou no país nas primeiras déca-
das como uma república.

LINK: https://bit.ly/3p0MICX

1.2 A CRISE DO IMPÉRIO


Em 15 de novembro de 1889 um golpe derrubou a Monarquia e deu início à República,
um evento de aparente tranquilidade em seus acontecimentos, sem confrontos armados ou
derramamento de sangue. Costa (1991) pontua que para entender esse processo histórico de
transição entre o período monárquico a e proclamação da república é importante considerar
as tensões econômicas e sociais existentes nos fins do Segundo Reinado. É preciso conhecer as
mudanças que se operam na sociedade e que propiciaram a solução revolucionária e o golpe.
Já que nesse período o país passava por mudanças políticas, econômicas e sociais que
contribuíram para o declínio da Monarquia e para Proclamação da República. A decadência da
Monarquia criou condições para a implantação de um Regime Republicano no Brasil.
No momento da independência do Brasil, a Monarquia se apresentava como a solução mais
viável para o entendimento entre os interesses da Inglaterra e dos grandes proprietários de terras
e de escravos, e foi nesse momento que se consolidou uma classe senhorial no Brasil.
Porém, com o passar do tempo, foi ficando evidente a impossibilidade de a estrutura imperial
durar por muito tempo. E no momento da Proclamação da República a Monarquia já se mostrava
obsoleta.

GLOSSÁRIO
Obsoleta: fora de uso, ultrapassada.

1.2.1 Insatisfações de vários grupos sociais com a monarquia


O Brasil Imperial era escravista e tinha uma sociedade hierarquizada, na qual a maioria da
população era excluída das decisões políticas. Os anos finais do Império foram marcados pelas
discussões abolicionistas. Nas décadas de 1860 -70 e principalmente na de 1880 o movimento
pela abolição da escravatura no Brasil ganhou força. “O movimento abolicionista foi impulsionado
em função do discurso cada vez mais frequente, principalmente na imprensa, sobre o atraso
econômico e humanitário que a escravidão trazia consigo” (NUNES, 2020, p.7). E também por outros
movimentos que questionavam a ordem da Monarquia e propunham outras formas de governo.

9
FIQUE ATENTO
O fim da escravidão no Brasil foi um processo gradual.

A abolição do tráfico negreiro em 1850 – estanca progressivamente a mão de obra escrava, e


o Império estava estabelecido sobre o trabalho escravo.

1870 – A guerra civil americana traz à tona a questão do escravo. Apenas o Brasil seguia num
regime escravista na América (conservando um regime social já universalmente condenado).

1871 – Lei do ventre livre, que declarou livre todos os filhos que nasceram de escravos.

1885 - Lei dos Sexagenários, a qual determinou a libertação dos escravos com mais de 60 anos.

1888 – Com a Lei Aurea de 13 de maio, a qual possuía apenas dois artigos: “Art. 1º É declarada
extinta, desde a data desta Lei, a escravidão no Brasil. Art. 2º Revogam-se as disposições em
contrário.” Finda a escravidão institucionalizada no Brasil. Tardiamente, pois, apesar de sofrer
pressões internacionais desde o início do século XIX, o Império brasileiro adiou a abolição do
trabalho cativo por quase 80 anos.

BUSQUE POR MAIS


Nas décadas que antecedem a Proclamação da República surgiram muitas cam-
panhas, jornais, intelectuais, partidos políticos e associações abolicionistas. Eles
defendiam a abolição dos escravos no Brasil e contribuíram para o seu fim.
Para saber mais sobre as discussões e ações abolicionistas:

LINK: https://bit.ly/3rjmJYU

Por muito tempo a escravatura foi uma viga mestre sobre a qual se sustentava toda a
economia brasileira. Portanto, é compreensível que a Abolição esteja atrelada ao processo que
conduziu o regime monárquico ao fim. A Abolição contribuiu para alterar o quadro brasileiro
(principalmente no Sul), contribuindo para as transformações do Brasil na última fase do século
XIX, estando ligada a expansão da cultura do café e a imigração europeia.
A partir de meados do século XIX destacou-se no país do cultivo de café, atividade voltada
para a exportação que gerou muitas riquezas e também muitas transformações sociais e políticas.
Com a cafeicultura, formaram-se as oligarquias rurais, principalmente nas províncias do centro-
oeste. Uma oligarquia é quando o poder se concentra na mão de um grupo de pessoas (nesse
caso, as elites agrárias). Durante o Império, São Paulo se tornou a região mais próspera na produção
de café, mas ainda assim, pelo regime monárquico concentrar o poder de forma centralizada, os
cafeicultores, por mais prósperos que fossem, não conseguiam fazer com que seus interesses
predominassem.
Na época a província São Paulo tornou-se a mais rica do Império por causa do café. Mas,
apesar de seu poder econômico tinha pouca autonomia em relação ao governo central. Os políticos
paulistas, que em sua maioria eram membros das elites rurais, passaram então a reivindicar maior
autonomia para administrar a província. Começam a surgir críticas quanto a centralização da
Monarquia, seu caráter hereditário, o poder excessivo nas mãos de D. Pedro II e o sistema político
em geral, que excluía a maioria da população.

10
A questão da abolição da escravatura também pesava para muitos fazendeiros, pois, grande
parte era escravocrata e ficaram insatisfeitos por perder sua mão de obra, sem qualquer indenização.
Boa parte dos fazendeiros era extremamente dependente da mão de obra escrava. A Abolição em
1888 fez a Monarquia perder o apoio das elites agrárias que se sentiram prejudicadas e passaram
em benefício de seus interesses a apoiar o movimento republicano.

Figura 1: Pessoas escravizadas eram a principal força de


trabalho nas fazendas de café no Império
Fonte: Christiano Junior, 1865
Pensando nas mudanças pelas quais passava o Brasil e que colaboraram para o declínio do
período Imperial, do ponto de vista econômico é notório o grande fortalecimento dos cafeicultores
do Oeste paulista e o fato de que a perda de apoio político dessas elites regionais contribuiu para o
fim do império. Mas é preciso ponderar acerca dos motivos dessa oposição.
Segundo Costa (1991), o que se passou foi que a Abolição veio dar o golpe de morte numa
estrutura colonial de produção que já sofria para se manter perante as novas condições surgidas
no país, a partir de 1850. Com a Lei Áurea, a Monarquia enfraqueceu suas próprias bases, perdendo
o apoio da classe senhorial, ligada ao modo tradicional de produção, uma classe rural, incapaz de
se adaptar as necessidades de modernização. Por sua vez, a nova oligarquia que se formava onde
se modernizavam os métodos de produção, foi quem assumiu a liderança com a Proclamação da
República Federativa, a qual, realizou os anseios de autonomia que o sistema monárquico unitário
e centralizado não satisfazia.
Como pontua a autora, a Abolição não é propriamente a causa da República. Para ela,
“ambas, Abolição e República, são sintomas de uma mesma realidade; ambas são repercussões,
no nível institucional, de mudanças ocorridas na estrutura econômica do país que provocaram a
destruição dos esquemas tradicionais” (COSTA, 1991, p.455).
A perda de outro apoio também pesou na crise monárquica: os militares. Além da oligarquia
cafeeira, os militares também estavam descontentes com o regime monárquico. Entre os
republicanos havia muitos militares, especialmente oficiais do que achavam que o Exército não era
devidamente valorizado pela Monarquia.
O Exército saiu fortalecido da Guerra do Paraguai, conflito ocorrido entre os anos de 1864
a 1870, no qual, Brasil, Uruguai e Argentina como aliados, enfrentaram o Paraguai que pretendia
expandir seu território, e os militares estavam decididos a participar da política do país.
Oficiais de alta patente passaram a criticar abertamente o imperador (acusando-o de
negligência com o exército e de interferências indevidas em questões militares). Outro ponto, é
que exército estava cada vez mais “popular” em sua composição, passando a estar em contradição
com o elitismo que sempre caracterizou o período monárquico.

11
Aos poucos os militares foram se colocando contra a Monarquia, aproximando-se daqueles
que já defendiam um regime político republicano. Costa problematiza e dimensiona a participação
dos militares na queda da Monarquia:

A proclamação da República não é um ato fortuito, nem obra do acaso, como


chegaram a insinuar os monarquistas; não é tampouco o fruto inesperado de
uma parada militar. Os militares não foram meros instrumentos dos civis, nem
foi um ato de indisciplina que os levou a liderar o movimento da manhã de 15 de
novembro, como tem sido dito às vezes. Alguns deles tinham sólidas convicções
republicanas e já vinham conspirando há algum tempo, sob a liderança de Ben-
jamin Constant, Serzedelo Correia, Solon e outros. Imbuídos de ideias republi-
canas, estavam convencidos de que resolveriam os problemas brasileiros liqui-
dando a Monarquia e instalando a República. A ideia de que aos militares cabia
a salvação da pátria generalizara-se no Exército a partir da Guerra do Paraguai,
à medida que o Exército se institucionalizava. É claro que os militares estiveram
em todos os tempos divididos entre várias opções e seria um grande equívoco
imaginá-los como um todo. A ideia republicana contava, ao que parece, maior
número de adesões entre os oficiais de patentes inferiores e alunos da Escola
Militar, enquanto a Monarquia tinha o apoio dos escalões superiores (COSTA,
1991, p. 459).

O que vemos, é que a Monarquia se isolava cada vez mais, perdendo suas forças de sustentação
(civil e militar). As ideias republicanas não constituíam aspecto novo no país, mas encontraram um
terreno fértil para se concretizar em 1889, devido a mudanças ocorridas na estrutura econômica
e social do país, que levaram uma parcela da nação a defender as ideias republicanas e outra a
aceitar com indiferença a queda da Monarquia. “Sem as mudanças ocorridas na estrutura, o partido
republicano provavelmente não teria conseguido atingir os seus objetivos” (COSTA, 1991, p.459).

1.2.2 Proclamação da República


Um golpe militar articulado por civis e militares pôs fim a Monarquia. Setores do exército
se aliaram aos republicanos paulistas e deram um golpe de Estado. Assim, em 15 de novembro de
1889 foi proclamada a República.
Como pontua Costa (1991) o movimento foi o resultado da união de três forças: uma parcela
do Exército, os fazendeiros do Oeste Paulista e representantes das classes médias urbanas. Contudo,
o golpe só foi possível porque puderam contar com o desprestígio pelo qual passava a Monarquia
e com o enfraquecimento das oligarquias tradicionais. Esses grupos momentaneamente unidos
em torno do ideal republicano conservavam, entretanto, profundas divergências, que logo ficaram
evidentes na organização do novo regime. Período no qual as contradições eclodiram em numerosos
conflitos, abalando a estabilidade dos primeiros anos da República.
Os dois primeiros presidentes da República foram militares, porém, depois quem triunfou
foram as elites civis.

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UNIVESP. Especial Proclamação da República. Nele a socióloga Ângela Alonso e
o historiador Marcos Napolitano discutem como o Brasil se tornou uma república
federativa depois de 389 anos de colonização portuguesa e 67 anos de Império.

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12
FIQUE ATENTO
A Proclamação da República do Brasil é uma das fases mais importantes de nossa história
recente, porém, em seu processo ela não contou com a participação popular.

Um dos fatores mais marcantes deste período, destacado pelo historiador José Murilo de Car-
valho em suas obras, foi a passividade do povo brasileiro durante esse processo. O autor res-
salta que o povo não participou das mudanças que levaram a passagem da Monarquia para
a República no Brasil, eles assistiram a tudo bestializados (CARVALHO, 1987).

1.3 O MANIFESTO REPUBLICANO E


OS SENTIDOS PARA A REPÚBLICA

Há tempos, vários grupos discutiam as ideias republicanas no Brasil. Principalmente em São


Paulo cresciam os defensores da República. Mas, os pensamentos dos republicanos brasileiro só
aparecem sistematizados no Manifesto Republicano, publicado no jornal A República, na edição de
3 de dezembro de 1870.
Inspirado pela república norte americana, o “documento almejava que o país se transformasse
em uma República federativa para se adequar à realidade dos demais países do continente e
garantir uma relativa autonomia das províncias em relação ao governo central” (CASTRO, 2019, p.4).
Embora houvesse tendências políticas e filosóficas diferentes dentro do movimento republicano,
as ideias de federação e de progresso eram comuns a todas elas. Assim foi possível uma união para
a escrita do Manifesto Republicano de 1870.
A ideia de Federação previa que cada uma das províncias teria liberdade, tanto de escolher
seus líderes, quanto de tomar decisões sobre seu território. Era uma ideia que defendia a autonomia
das províncias (ainda não eram estados) e que interessava particularmente aos cafeicultores de
São Paulo, pois assim eles poderiam garantir a liberdade e negociar com o mercado externo.
No Manifesto a centralização política do Império é bastante criticada, afirmando que devido a
centralização, o governo imperial não dava conta de resolver os problemas regionais.
As ideias republicanas expressas no Manifesto expunham a associação que muitos faziam
da Monarquia com o atraso e da República com o progresso. Estes consideravam um atraso
haver monarquia na América. Vendo na República o Regime político do progresso. Essa visão está
atrelada ao contexto da época, pois em alguns lugares do país, se vivia uma grande modernização,
e também um crescimento das cidades e das indústrias.
No Manifesto estava previsto ainda o ensino laico, a separação entre o Estado e a Igreja e a
renovação do Senado.

GLOSSÁRIO
Laico: se refere ao que é separado e independente da influência da Igreja.

O Manifesto teve boa repercussão e muitos aderiram às ideias expostas por ele. Estudantes,
profissionais liberais membros das camadas urbanas e as elites cafeicultoras tornam-se fortes
representantes do republicanismo no Brasil. Surgem diversos clubes e Partidos Republicanos,
sendo o mais importe deles na época o Partido republicano Paulista (PRP).

13
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Manifesto Republicano de 1870 completo

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FIQUE ATENTO
REPÚPLICA NORTE-AMERICANA: prevalência da Constituição e dos direitos inalienáveis.

Nos Estados Unidos o republicanismo é o sistema de valores políticos que vem sendo a parte
principal do pensamento cívico dos EUA desde a Revolução Americana. Ela enfatiza a liber-
dade e os direitos inalienáveis como valores centrais, faz do povo, como um todo, soberano,
rejeita o poder herdado, espera que os cidadãos sejam independentes em sua atuação nos
deveres cívicos, e condena a corrupção política.

1.4 A REPÚBLICA: UM NOVO TIPO DE


GOVERNO POLÍTICO NO BRASIL

FIQUE ATENTO
REPÚBLICA - A palavra República tem como origem os termos latinos “res”, que quer dizer coi-
sa, e “pública”, do povo, ou seja, podemos conceituar República como coisa do povo.

As principais características dessa forma de governo:


• Elegibilidade dos representantes (as autoridades chegam ao poder pela eleição).
• Temporariedade mandato (existe um tempo pré-determinado no qual permanecerá no car-
go)
• Responsabilidade dos governantes (Devem prestar contas).
• Cabe ao povo o exercício soberano do poder (através da escolha dos seus líderes).

ELEIÇÃO – A eleição pode ser direta ou indireta.


Eleição direta se dá quando o eleitor vota diretamente no seu representante.
Eleição indireta se dá quando o povo escolhe um colégio eleitoral e este, por sua vez, escolhe o
dirigente supremo do Estado e/ou do governo.

ELEITORES - Aos eleitores cabe estudar com discernimento cada um dos candidatos antes de
votar e exigir dos eleitos que trabalhem voltados para o bem público. Por outro lado, aos ocu-
pantes de cargos públicos, sejam eles eletivos ou concursados, cabe observar que seus cargos
são públicos e é a população que devem destinar seus trabalhos.

14
A partir da Proclamação da República se inicia um novo tipo de governo político até então
inédito na História do Brasil. O país ficava dividido em vários estados e reunido numa federação
desses estados.
Seguindo o modelo americano criou-se uma divisão em três poderes: executivo (que
executava as leis – encaminhava leis para o congresso), Legislativo (faz as leis), Judiciário (julga o
conflito entre os cidadãos, ou interpreta as leis, a Constituição).
Na República, temos uma organização de um governo que teoricamente deveria dar mais
autonomia aos estados e maior direito de participação política aos cidadãos do país. Todavia, o
período da Primeira República, que perdurou por 41 anos (1889 – 1930) foi marcado não só pela
mudança do regime político (fim do Império – início da Republica), mas em especial, por uma
forma de organização do poder que acabou sendo uma das principais características do período: o
poder das oligarquias regionais e a permanência do poder nas mãos das elites.
A República nesse momento estruturou um grande arranjo político que se manteve por
décadas e foi capaz de assegurar o poder nas mãos das elites econômicas latifundiárias. A mesma
elite que anteriormente concentrava a riqueza durante a época monárquica garantiu o poder na
República, e o controle em um regime político em tese democrático.

VAMOS PENSAR?
Atualmente no Brasil vivemos em um modelo de democracia representativa, onde a socieda-
de delega a um representante o direito de representá-los, e de tomar as decisões em favor dos
interesses de toda a população.
O voto é o mecanismo pelo qual os representantes são eleitos, mas, durante muitos anos o
direito ao voto foi negado a muitas pessoas, seja por cor, condição social, gênero ou grau de
instrução.
Aos poucos se pôde observar no Brasil a extensão deste direito a uma grande parcela popula-
cional mais ampla e diversa. Contudo, isso se dá em decorrência de muita luta e reinvindica-
ção de direitos civis e sociais.

15
FIXANDO O CONTEÚDO
1 - (SEE-MG, com adaptações) WURFDURVLQDOGH
SRQWXDomRSRU
Leia o texto abaixo. GRLVSRQWRV

Enfermo a 14 de novembro, na segunda-feira o velho Lima voltou ao trabalho, ignorando


que no entretempo caíra o regime. Sentou-se, e viu que tinham tirado da parede a velha
litografia representando D. Pedro de Alcântara. Como na ocasião passasse um contínuo,
perguntou-lhe:

- Por que tiraram da parede o retrato de sua majestade?


O contínuo respondeu, num tom lentamente desdenhoso:
- Ora, cidadão, que fazia ali a figura do Pedro Banana?
- Pedro Banana! - repetiu raivoso o velho Lima.
E sentando-se, pensou com tristeza:
- Não dou três anos para que isto seja uma república!
(Arthur de Azevedo. Vidas Alheias (1901). In: Lilia Moritz Schwarcz. As barbas do imperador: D. Pedro II, um monarca nos
trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 470)

Este texto literário indica

a) os conflitos de uma sociedade em transição, que passava por mudanças na configuração


da mão de obra e no cenário econômico, assim como intensa disputa entre as elites pelo
controle do poder governamental.
b) as mudanças sociais trazidas pela guerra contra o Paraguai, com a vitória brasileira
fortalecendo a monarquia e ampliando o apoio ao imperador, inclusive entre setores
populares.
c) a intensa participação popular no golpe militar que marcou o final da monarquia e o
início da república, bastante valorizada pelos intelectuais do período.
d) os conflitos que deram origem a denominação do Brasil como uma “República das
bananas”.
e) as dinâmicas que caracterizaram esse período de transição, com as mudanças políticas
acontecendo desvinculadas do cenário social e econômico.

2 - Como episódio, a passagem do Império para a República foi quase um passeio. Os anos
posteriores a 15 de novembro se caracterizaram por uma grande incerteza.
(Fausto, Boris - História concisa do Brasil, São Paulo, Ed. Da Universidade de São Paulo, 2002).

No início do período republicano no Brasil: UHWLUDURVLQDOGH


SRQWXDomR
a) Havia divergências entre os partidos políticos como o Partido Republicano e o Partido
Novo Imperial.
b) Os representantes políticos da classe dominante de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande
do Sul, defendiam a ideia de República centralizada e parlamentar.
c) Os militares tiveram bastante influência nos primeiros anos da república.

16
,QLFLDUWRGDVDV
DOWHUQDWLYDVFRPOHWUD
d) Havia uma coesão de ideias entre os militares, inclusive o exército e a marinha, que
PLQ~VFXODHDLQGD
compartilhavam das mesmas concepções. FRORFDUSRQWRILQDOQD
e) Havia uma grande pressão popular pela volta da Monarquia ~OWLPDDOWHUQDWLYD

3 - Com relação a mão de obra nas fazendas de café no Império:

a) Escravos eram a principal força de trabalho.


b) Os povos indígenas colaboravam nas plantações.
c) Os imigrantes italianos e árabes constituíam a principal força de trabalho.
d) Desde o início predominou a mão de obra assalariada.
e) A produção passava por um período de modernização, com a substituição dos
trabalhadores por máquinas.

4 - O termo oligarquia, tal como boa parte do léxico político ainda hoje disponível, tem sua
origem na linguagem desenvolvida pelos antigos gregos. Inventores da democracia, e do
termo usado para designá-la, cunharam os gregos a palavra oligarquia. O termo oligarquia,
no entanto, não era o único a designar uma forma de governo controlada por poucos.
Em grande medida, a aristocracia – outra forma nomeada pelos antigos gregos – também
pode ser definida como um modo no qual poucos governam. Contudo, o que, desde o
início, qualifica a aristocracia como forma de governo específica não é tanto esse último
traço – o de ser um governo de poucos –, e sim sua definição como governo no qual os
melhores (aristoi) detêm o poder (kratos).
Fonte: LESSA, Renato. Oligarquia. In: CPDOC. Fundação Getúlio Vargas (FGV). Dicionário da Elite Política Republicana
(1889-1930). Disponível: https://cpdoc.fgv.br/dicionario-primeira-republica Acesso em: 29 nov. 2020. (adaptado).

De acordo com o texto, podemos afirmar que:

a) Oligarquia e Aristocracia são sinônimos.


b) Aristocracia e as Oligarquias são as bases de um regime parlamentar, voltado para o
usufruto privado.
c) Tanto a Aristocracia quanto a Oligarquia são marcadas pelo poder exercido de forma
democrática.
d) Embora oligarquia e aristocracia tenham em comum sua oposição ao governo de todos,
distinguem-se entre si de modo claro por suas finalidades. UHWLUDUR
e) Oligarquia e Aristocracia são formas de governo ditatoriais.

5 - (MACK-2004) A Proclamação da República, em novembro de 1889, apontou para a crise


decorrente das transformações econômicas e sociais verificadas no país desde a segunda
metade do século XIX. Com relação a essas transformações, podemos afirmar que:

a) a abolição da escravidão foi contrária aos interesses dos novos setores agrários,
representados pelos cafeicultores do Oeste paulista.
b) as instituições monárquicas haviam se tornado incapazes de realizar as mudanças
necessárias para a dinamização da vida social e econômica do país.
c) os setores populares, como os trabalhadores do campo e da cidade, e as classes médias
atuaram ativamente para a mudança do regime monárquico.
d) o Exército brasileiro, após a Guerra do Paraguai, foi o único segmento da sociedade a
permanecer fiel à monarquia.

17
e) apesar de o país atravessar uma série de mudanças, o poder econômico continuava nas
mãos dos antigos comerciantes portugueses.

6 - (PREFEITURA DE ITABAIANA, PROFESSOR DE HISTÓRIA, 2010). No final do século XIX,


setores do Exército brasileiro tiveram sérios atritos com o governo imperial, num momento
que culminou com o golpe de 15 de novembro de 1889. Contribuiu para isso:

a) A origem oligárquica dos oficiais que defendiam a autonomia das províncias.


b) A influência das repúblicas latino-americanas governadas por ditadores militares.
c) A oposição do Exército brasileiro ao regime absolutista de D. Pedro II.
d) As constantes intervenções dos militares no governo, após a Guerra do Paraguai.
e) A influência das ideias positivistas associadas à reivindicação de melhoria profissional
dos militares.

7 - (VUNESP-2010) Na Primeira República (1889-1930) houve a reprodução de muitos


aspectos da estrutura econômica e social constituída nos séculos anteriores.
Noutros termos, no final do século XIX e início do XX conviveram, simultaneamente,
transformações e permanências históricas.
Francisco de Oliveira. Herança econômica do Segundo Império, 1985.

O texto sustenta que a Primeira República brasileira foi caracterizada por permanências e
mudanças históricas.
De maneira geral, o período republicano, iniciado em 1889 e que se estendeu até 1930, foi
caracterizado

a) pela predominância dos interesses dos industriais, com a exportação de bens duráveis
e de capital.
b) por conflitos no campo, com o avanço do movimento de reforma agrária liderado pelos
antigos monarquistas.
c) pelo poder político da oligarquia rural e pela economia de exportação de produtos
primários.
d) pela instituição de uma democracia socialista graças à pressão exercida pelos operários
anarquistas
e) pelo planejamento econômico feito pelo Estado, que protegia os preços dos produtos
manufaturados.

8 - (MACK-2005) ____________ resultou da conjugação de três forças: uma parcela do Exército,


fazendeiros do oeste paulista e representantes das classes médias urbanas que, para a
obtenção dos seus desígnios, contaram indiretamente com o desprestígio da monarquia e
o enfraquecimento das oligarquias tradicionais.
Emila Viotti da Costa

O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava.
Muitos acreditavam sinceramente estar vendo uma parada.
Aristides Lobo, citado por Edgard Carone

Os fragmentos de textos acima estão relacionados à:

UHWLUDURVGRLVSRQWRV
18
a) Revolução de 1924.
b) Revolução de 1930.
c) Proclamação da República.
d) Revolução do Porto.
e) Revolução Constitucionalista
LQVHULUSRQWRILQDO

19
02
A PROCLAMAÇÃO UNIDADE
DA REPÚBLICA

20
2.1 INTRODUÇÃO

Quando a proclamação da República ocorreu foi um marco para o processo de


constituição da república brasileira, porém, é importante ressaltar que o ideal republicano
não surgiu no país em torno da Proclamação. Ele não era novo no país.
As ideias sobre o país se tornar uma república federativa circulavam desde longa
data. Desde que o Brasil se tornou um país independente, já no Primeiro Reinado (1822-
1831) e no período das regências (1831-1840) circulavam ideias sobre o assunto. A República
no Brasil República já vinha sendo pensada bem antes de 1889.
Como pontua Fonseca (2007) a palavra República possuía significados diferentes na
primeira metade do século XIX:
- Por vezes, era pensando na concepção grega de República, entendida como uma
forma alternativa da noção de democracia. República numa concepção mais antiga seria
uma das formas possíveis de organização da polis , um território regido pelas mesmas leis,
pelo mesmo governante, independente da forma de governo.
- Segundo a autora, República também era entendida como a precedência do
bem comum e a prevalência da lei e da Constituição sobre os interesses individuais. Ideia
baseada na concepção de República surgida a partir dos Estados Livres na Renascença.
Com o desenvolvimento de um ideal republicano pelos humanistas, ligado a conceitos
como liberdade, virtude, cidadania, autonomia, entre outros.
- Em terceiro lugar, uma concepção de República desenvolvida no século XVIII,
momento no qual o foco se centrou na legitimidade, pretendendo substituir a dominação
de alguns homens sobre outros, pela lei. Defendia um governo eletivo e temporário.
Como pontua Costa (1991) o fim do período colonial, significou a revolta contra a
metrópole, a negação do estatuto colonial. Com a Independência a ideia de República
passou a significar oposição ao governo. “A primeira fase poderia ser considerada a do
republicanismo utópico, pois não havia propriamente uma ação organizada, um partido
republicano e muito menos um planejamento revolucionário” (COSTA, 1991, P. 478).

GLOSSÁRIO
Polis: era o modelo das cidades gregas na Antiguidade. Eram Cidades-Estado.

Essa situação se modifica a partir de 1870 quando novas condições sociais e


econômicas se instauram progressivamente. A ideia de república ganha prestígio e
começam a constituir-se partidos políticos, clubes e jornais republicanos.
[...] em 1870, no mesmo ano em que se instalava a Terceira República na França,
criou-se o partido republicano no Brasil. [...] surgiu o Partido Republicano do Rio
de Janeiro, seguindo-se logo após a criação do núcleo de São Paulo. De 1870 até
1889, o partido republicano ampliou sua influência. Criaram-se clubes republica-
nos em várias regiões. Surgiram jornais republicanos por todo o país. Concentra-
vam-se de preferência no Sul do país (principalmente São Paulo, Rio de Janeiro
e Rio Grande do Sul) (COSTA, 1991, p. 478).

Costa (1991) expõe que na província de São Paulo o partido contava não só com
representantes dos grupos urbanos, médicos, engenheiros, advogados, jornalistas,
comerciantes, que constituíam em geral o núcleo mais importante do partido republicano

21
em outras regiões do país, como também os fazendeiros do Oeste Paulista. Essa foi uma
característica importante, pois, nesse Estado, a preponderância de fazendeiros é o que
define em boa parte, a orientação assumida pelo partido paulista, como o fato de evitar
manifestar-se sobre a emancipação dos escravos ou vincular o movimento a questão
abolicionista. Com esse posicionamento o partido conservou a simpatia dos fazendeiros,
que em grande parte continuavam dependentes da mão de obra escrava.
Assim, o ideal republicano se tornou um instrumento na realização das aspirações de
mando dos membros representantes do meio rural do Oeste Paulista. São Paulo tornava-
se a região mais rica do país e com a República, esperava controlar o e poder participar do
poder de maneira mais eficaz.
As ideias republicanas se articulavam ao pioneirismo e as experiências
empreendedoras dos paulistas.

O fazendeiro dessa área distinguia-se pelo espírito progressista: procurava aper-


feiçoar os métodos de beneficiamento do café, tentava substituir o escravo pelo
imigrante, subscrevia capitais para ampliação da rede ferroviária e para a criação
de organismos de crédito (COSTA, 1991, p. 478).

Também na área urbana, os grupos republicanos começaram a crescer, entre os anos


1850-70 cidades como São Paulo e Rio de Janeiro passam por uma grande modernização
– estradas de ferro, telégrafo, primeiras indústrias – e a associação da monarquia com o
atraso e da República com o progresso se evidenciava. A República era defendida como
um regime político do progresso, os republicanos achavam que era um atraso haver uma
monarquia na América.
Enquanto em São Paulo os fazendeiros formavam o núcleo mais importante do
partido republicano, no Rio de Janeiro e nas demais províncias a grande maioria era
constituída por representantes das camadas urbanas.

Figura 2: Capa da Revista Ilustrada, 1887. No centro da capa uma caricatura feita por Angelo Agostini mostrava o imperador cochilando
tranquilamente ao ler as notícias sobre o país nos jornais. Era uma crítica à passividade e à falta de ação da monarquia para lidar com
as dificuldades no país
Legenda embaixo da imagem: “El Rey, nosso senhor e amo, dorme o sono da...indiferença.
Os jornais que diariamente trazem os desmandos dessa situação parecem produzir o efeito de um narcótico
Bem aventurado senhor para vós o reino do céu e para o nosso povo.. o do inferno!”
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/2YNeJTT. Acesso em: 10 de jan. 2021

22
A propaganda foi importante para a difusão das ideias, “a partir de 1870 contribuiu
para solapar as bases do sistema monárquico e preparar a nação para aceitar tranquila a
forma republicana de governo” (COSTA, 1991, p. 478). Nas últimas décadas do século XIX o
movimento republicano intensificou-se, vários jornais se converteram ao republicanismo e
as adesões aos ideais republicanos se multiplicaram.

Figura 3: Outro desenho de Angelo Agostini que circulou em 1888, pode ser visto como um exemplo das críticas a Monarquia e a difu-
são das ideias defendidas pelos republicanos.
Na imagem da “malhação do Judas”, o boneco do Judas dá lugar a um capitão do mato, que veste uma camisa escrita “escravismo”.
A imagem vinha acompanhada da legenda: “Hoje é o dia em que moleques enforcam o Judas, sejamos moleques! Enforquemos, tam-
bém, a mais hedionda das nossas instituições, representada por um capitão do mato”. Fazendo assim, a defesa da abolição.
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/2MSnKs0. Acesso em: 10 de jan. 2021

Por fim, com o terreno propício desencadeou-se a Proclamação da República.

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Cláudia M Viscardi. R.; José Almiro de Alencar. A República revisitada: construção e
consolidação do projeto republicano brasileiro.

Nesse livro você poderá se aprofundar acerca do desenvolvimento das ideias re-
publicanas no Brasil e como se consolidou o golpe que deu início ao período Re-
publicano.

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2.2 AS IDEIAS REPUBLICANAS: PROJETOS


VENCEDORES E PROJETOS DERROTADOS
Carvalho (1990) destaca que havia no Brasil pelo menos três correntes que disputavam
a definição da natureza do novo regime: o liberalismo à americana, o jacobinismo à francesa
e o positivismo de Auguste Comte , defendido por Benjamin Constant. As três correntes
combateram-se intensamente nos anos iniciais da República até a vitória de uma delas.

23
FIQUE ATENTO
As ideias que serviram de base para o positivismo surgiram na França e na Inglaterra, duran-
te o século XVIII (aversão à religião e à metafísica, empirismo, busca de simplicidade, clareza,
representações exatas e precisas e uniformidade na metodologia de estudo de todas as ciên-
cias). O positivismo como filosofia surgiu ligado às transformações da sociedade europeia oci-
dental, na implantação de sua industrialização, Auguste Comte foi o filósofo que desenvolveu
essa corrente filosófica na qual o progresso social seria alcançado através da disciplina e da
ordem. (SANTOS; SANTOS, 2012).

Divergiam quanto aos métodos a serem empregados para a conquista do poder


e no modelo de República a ser adotado. Dentre os projetos republicanos, o Projeto
Republicano liberal, era defendido pelas elites agrárias e pelos partidos regionais (dentre
eles o principal era o Partido Republicano Paulista). Essas elites estavam preocupadas com
os seus interesses em cada região. O modelo de República desejado pelas grandes elites
regionais era o de uma República descentralizada, ou seja, que o poder dos estados se
tornasse mais amplo.
O Projeto Jacobino de tendência mais Radical estava ligado aos setores urbanos e o
Projeto Positivista, aos Oficiais do exército e o seu desejo de um Estado centralizado que
organiza a nação e garante os direitos civis. No modelo de República deste último grupo,
prevalecia à ideia de uma República centralizada, de tendência mais autoritária, pois, os
militares demonstravam preocupação com a unidade nacional.

Não se pense que o Exército agia coeso e unânime. Havia certamente entre os
militares profundas divergências, mas a adesão de uma facção de oficiais, mais
ou menos importantes, às ideias republicanas foi decisiva para a proclamação
da República. Quando os civis procuraram os oficiais para tramar a conspiração
e preparar o golpe, encontraram da parte deles a melhor acolhida, ligados que
estavam uns e outros pelo mesmo imperativo: alterar as instituições vigentes.
O Exército já manifestara apoio à causa abolicionista recusando-se a perseguir
escravos fugidos. Restava proclamar a República. O clube militar foi, a partir de
então, o principal núcleo da conspiração (COSTA, 1991, p. 485).

Houve uma aproximação das elites civis militares para o desfeche do golpe, mas
na disputa entre os modelos de República (Civis X Militares) por fim essa luta foi ganha
pelas elites civis. Embora nos primeiros anos os militares tenham predominado, com
dois governantes (Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto). Logo depois se formou uma
república civil.
A constituição aprovada mostra que a elite civil triunfou, porque era um modelo de
República Federativa. Definiu-se que o Brasil ficaria dividido em vários Estados e reunido
numa Federação desses Estados. Seguindo o modelo americano criou uma divisão de três
poderes: executivo (que executava as leis – encaminhava leis ao congresso). Legislativo (faz
as leis). Judiciário (julga o conflito entre os cidadãos, ou interpreta as leis, a constituição).
As elites regionais queriam acabar com a centralização de poder nas mãos da
Monarquia. Quanto mais prosperavam financeiramente, mais se tornavam influentes
politicamente e queriam defender seus interesses. Boa parte sentia-se ainda prejudicada
pela abolição e a perda de seus “bens”. Outro grupo que se sentia desvalorizado eram os
militares. Agregando setores descontentes, o movimento republicano foi crescendo e
conseguiu por fim ao período imperial. Um golpe que levou a Proclamação da República
em 15 de novembro de 1889 foi articulado pelos militares e contou com o apoio de civis.

24
Figura 4: A Proclamação da República. Quadro de Benedito Calixto, 1893.
Fonte: Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo

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Para saber melhor acerca das articulações e o desfecho dos acontecimentos ocor-
ridos na Proclamação da República.

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Figura 5: Jornal Diário Popular. São Paulo, 16 de novembro de 1889. Com a manchete “Viva a República!”
e o subtítulo “Eis a data que ficará consagrada como a mais solene e grandiosa de nossa vida política”.
Fonte: Arquivo Nacional.

2.3 A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1891

A Proclamação da República aconteceu em 15 de novembro de 1889, levando à


formação de um Governo Provisório. Somente em junho de 1890 foram convocadas eleições
para a assembleia Constituinte e, em 24 de fevereiro de 1891 a nova Constituição brasileira
foi promulgada e trouxe várias mudanças para o Brasil.
A promulgação da primeira Constituição Republicana do Brasil foi narrada na coluna
“O Congresso”, do Jornal Diário de Notícias do mesmo dia, que ressaltava ser um “dia de
festa nacional”:

25
Está adaptada a Constituição dos Estados Unidos do Brazil; resta sua promul-
gação que terá lugar hoje, que por semelhante motivo deve ser dia de festa
nacional. Depois de três meses de trabalho o Congresso apresenta ao paiz uma
Constituição que tem defeitos, é verdade, mas que muito honra os represen-
tantes da nação que a discutiram com patriotismo e a fizeram, senão tão liberal
em todos os seus artigos, ao menos bastante liberal na maioria d’elles, podendo
comparar-se com as constituições mais democráticas do mundo, excedendo a
dos Estados Unidos do Norte e a da Suíssa em muitos pontos...
Jornal Diário de Notícias edição nº 2.065 de 24 de fevereiro de 1891

De forte inspiração na carta constitucional norte–americana, a nova Constituição


tornava o país: uma República Federativa (os estados teriam autonomia econômica e
administrativa), uma República representativa (o povo seria representado por cidadãos
eleitos pelo povo) e uma República presidencialista (poder exercido por um presidente).
Estabelecia a divisão dos poderes (Executivo, o Legislativo e o Judiciário) e estabelecia várias
mudanças: criação do casamento civil; as antigas províncias passaram a ser chamados
estados; o Estado passou a ser independente da igreja e a partir de então, homens maiores
de 21 anos e alfabetizados podiam votar.
Contudo, embora fosse uma república representativa, a definição do critério
da alfabetização como elemento de qualificação dos que teriam direito a voto causa a
marginalização política de grande parte da população.
A Constituição de 1981 expõe a natureza excludente da República. Além de impor
uma grave barreira no que tange a participação política da população: a exigência da
alfabetização acabou garantindo a cidadania a poucos. Em seu texto, dentre as várias
diretrizes, não existe nenhuma que se preocupe com o povo na época.
A República tem a sua Constituição, mas acaba sendo excludente, ao mesmo tempo
em que descentralizou o poder, não favoreceu a criação de um sistema eleitoral sem vícios
e controlado pelo poder público. Além de nem todos poderem participar, também há a
questão de que o voto não era secreto o que possibilitava a fraude eleitoral.
Na Primeira República o voto é transformado em mercadoria, manipulado e
controlado pelos chefes da política de estados e municípios. Há uma distância entre o que
está definido na teoria (uma República – “coisa pública”) e a realidade – a elite é quem dá
as cartas no regime representativo.

FIQUE ATENTO
A CONSTITUIÇÃO é a lei maior do Brasil.

Ao longo da história, o Brasil teve 7 Constituições. Para saber mais sobre elas aces-
se o link.

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26
VAMOS PENSAR?
“O texto final da Constituição de 1891 considerou eleitores ‘os cidadãos maiores de 21 anos’,
que se alistassem na forma da lei. João Barbalho julgou que o fato de não ter sido aprovada
qualquer das emendas dando direito de voto às mulheres importava na exclusão destas, em
definitivo, do eleitorado.”
(BARBALHO, João.Constituição Federal brasileira Rio de Janeiro: Lytho-Typographia, 1902. p. 291).

O voto feminino no Brasil – Foi apenas em 24 de fevereiro de 1932 que o Código Eleitoral passou
a assegurar o voto feminino; mas, apenas para as mulheres casadas, com autorização dos
maridos, e para viúvas com renda própria. Essas limitações deixaram de existir apenas em
1934, quando o voto feminino passou a ser previsto na Constituição Federal.

2.4 A REPÚBLICA VELHA E OS REPUBLICANOS MILITARES

Os primeiros anos da República são marcados pela atuação dos republicanos


militares, pois é desse grupo social que derivam os dois primeiros presidentes do Brasil: os
Marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.
Após a Proclamação da República Deodoro da Fonseca assume o governo provisório.
No provisório atuou como presidente de 15 de novembro de 1889 a 24 de fevereiro de 1891,
após esse período, assumiu outro mandato, dessa vez eleito, que durou de 25 de fevereiro de
1891 a 23 de novembro de 1891. Na Constituição de 1891 estava previsto que os governantes
seriam eleitos pelo voto direto, ou seja, pelos eleitores, pelo povo. Contudo, estabelecia que
o primeiro presidente seria escolhido pelo Congresso Nacional. Assim, a eleição de Deodoro
foi indireta.

No dia seguinte ao da promulgação da primeira Constituição republicana, foi


realizada a eleição presidencial, indireta, votando os membros da Assembleia
Constituinte. Contabilizaram-se 234 eleitores, e os resultados do pleito demons-
tram a tensão e a instabilidade desses primeiros tempos republicanos. Defron-
taram-se duas candidaturas, a primeira, da situação, formada pelo marechal De-
odoro da Fonseca e pelo almirante Eduard Wandenkolk e a segunda composta
por Prudente de Morais, paulista que havia presidido a Constituinte, e por Flo-
riano Peixoto, militar de geração e formação distintas daquelas de Deodoro. Os
resultados foram eloquentes: para a Presidência, é eleito Deodoro com 129 votos,
contra 97 dados a Prudente de Morais. Para vice-presidente, no entanto – os dois
cargos, nessa eleição não estavam vinculados -, Floriano recebeu 129 votos, en-
quanto Wanderkolk teve apenas 57 (NEVES, 2003, p. 35)

Bastante atuante como militar, Deodoro lutou na Guerra do Paraguai e participou do


cerco a Montevidéu, e foi comandante das Armas do Rio Grande do Sul. Como presidente,
suas medidas não tiveram profundas influências na estrutura do Brasil. Das quais podemos
destacar a ordem de exílio da família real; a naturalização de estrangeiros e principalmente,
a convocação de eleições para uma Assembleia Constituinte. Deodoro era um homem de
temperamento forte e acabou tendo dificuldades para governar. Após a promulgação da
Constituição de 1891, a sua situação fica insustentável e ele deixa o governo.
Quem assume o poder é o seu vice: Floriano Peixoto, que acabou fazendo um
governo nacionalista, austero e centralizador. Entre seus atos, estatizou a moeda, estimulou
a indústria, repreendeu movimentos monarquistas e proibiu o Jornal do Brasil, na época
com inclinações monarquistas.

27
Floriano, diferentemente de Deodoro, conseguiu o apoio do exército, porém, seu
período no poder não foi menos conturbado do que o do seu antecessor. Sendo marcado
por várias crises políticas, econômicas e sociais. Durante seu período como presidente
enfrentou revoltas como a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul e a Revolta da
Armada, a forma dura como suprimiu esses conflitos e lidou com seus opositores lhe
rendeu o apelido de “Marechal de Ferro”.
Esse período governado por Deodoro e Floriano ficou conhecido como República da
Espada, e é marcado pela forma autoritária com que os dois presidentes se comportaram
e pelos conflitos que eclodiram em território nacional.
O fim do governo de Floriano se dá com as eleições de 1894, que tinha como principal
candidato um civil, representante dos cafeicultores: Prudente de Morais. Sua vitória põe
fim à oposição de parte do exército, e os cafeicultores puderam finalmente realizar os seus
anseios e assumir o poder no país com presidentes que os representavam. O sucessor de
Prudente de Morais foi Campos Sales, que consolidou o poder dos fazendeiros, dando início
à “política do café com leite”.

FIQUE ATENTO
OS PRESIDENTES DA PRIMEIRA REPÚBLICA

Marechal Deodoro da Fonseca (1889 – 1891)


Marechal Floriano Peixoto (1891-1894)
Prudente de Morais (1894-1898)
Campos Salles (1898-1902)
Rodrigues Alves (1902-1906)
Afonso Pena (1906-1909)
Nilo Peçanha (1909-1910)
Marechal Hermes da Fonseca (1910-1914)
Venceslau Brás (1914-1918)
Delfim Moreira (1919)
Epitácio Pessoa (1919-1922)
Artur Bernardes (1922-1926)
Washington Luís (1926-1930)

28
FIXANDO O CONTEÚDO

1 – (SEE/SP 2012 - VUNESP - Professor II – História)


Na história do mundo ocidental, as relações entre Estado e Igreja variaram muito de país a
país e não foram uniformes no âmbito de cada país, ao longo do tempo. No caso português,
ocorreu uma subordinação da Igreja ao Estado através de um mecanismo conhecido
como padroado real. O padroado consistiu em uma ampla concessão da Igreja de Roma
ao Estado português, em troca da garantia de que a Coroa promoveria e asseguraria os
direitos e a organização da Igreja em todas as terras descobertas.
Fonte: Boris Fausto, História do Brasil.

Devido ao padroado real, Igreja e Estado estiveram intimamente ligados no Brasil. Essa
ligação foi rompida no contexto

a) do Primeiro Reinado, quando D. Pedro I outorgou a Constituição de 1824, fazendo do


Brasil um país laico.
b) da Regência, em que uma das principais reivindicações em várias rebeliões era a laicidade
do Estado.
c) do Estado Novo, em que Getúlio Vargas perseguiu e combateu a Igreja visando a
centralização do poder.
d) da República Velha, quando foi promulgada a Constituição de 1891 que estabelecia a
separação entre o Estado e a Igreja.
e) do Segundo Reinado, devido à “questão religiosa”, enfrentamento entre a Igreja e a
maçonaria que se tornou questão de Estado.

2 - A Proclamação da República aconteceu em 15 de novembro de 1891, levando à formação


de um Governo Provisório. A nova Constituição brasileira foi promulgada em 1891 e implantou
grandes mudanças no Brasil. A respeito dessa Constituição podemos afirmar que

a) implantou o voto universal masculino para todos os homens maiores de 21 anos,


alfabetizados e que não fossem mendigos ou soldados rasos.
b) estipulava que todos s nascidos em território brasileiro teriam direito ao voto.
c) o presidente foi determinado como o chefe do Judiciário, e a sua escolha ocorreria a
partir de eleições diretas para um mandato de quatro anos.
d) estipulava a realização de eleições diretas para a escolha de um novo presidente em 1910.
e) implantou o militarismo no Brasil, um sistema político que concedia certo grau de
autonomia para os estados em relação à União.

3-

29
Sobre a interpretação da tirinha, é possível afirmar que:

a) A tirinha se refere a grande participação popular na Proclamação da República.


b) A tirinha aborda a forma o impacto que as notícias tiveram nos jornais na época a
Proclamação da República.
c) A tirinha não se utiliza de dados da realidade para construir o humor.
d) A tirinha demonstra estar descontextualizada acerca do que simbolizam as redes sociais
nos dias de hoje e critica o excesso de informação.
e) A tirinha produz uma ironia acerca dos hábitos atuais e satiriza um acontecimento
passado a partir dos dias de hoje.

4 - República da Espada estendeu-se de 1889 a 1894 com dois presidentes militares: os


marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. A partir de 1894, iniciou-se o período
caracterizado pelo domínio das oligarquias e dos presidentes civis. O primeiro presidente
civil eleito foi:

a) Campos Sales
b) Prudente de Morais
c) Hermes da Fonseca
d) Nilo Peçanha UHWLUDURVGRLVSRQWRV
e) Rodrigues Alves

5 - A primeira Constituição republicana (1891) concedia o direito de voto aos brasileiros


masculinos com mais de 21 anos, excetuando-se, entre outros, os praças militares e os
analfabetos. Estabeleceu o voto direto e universal, suprimindo-se o censo econômico. Em
decorrência dessa norma e de outros mecanismos constitucionais, a Primeira República
brasileira caracterizou-se pela

a) vigência de um processo democrático abrangente, favorecendo o acesso eleitoral à


maioria da população.
b) eleição do presidente da República em dois turnos, observando-se a presença de eleitores
culturalmente qualificados.
c) liberdade efetiva concedida aos votantes.
d) marginalização política de grande parte da população.
e) adoção do regime parlamentarista, ampliando o peso do voto popular na constituição
moderador.

6)

30
A charge faz referência: UHWLUDURVGRLVSRQWRV

a) a discrepância entre a ideia de República como “coisa do povo” e a manutenção do


poder nas mãos das elites.
b) ao período republicano como um período igualitário.
c) ao início do período de regência do monarca Deodoro da Fonseca.
d) a Guerra de Canudos e a revoltas populares.
e) as grandes mudanças e a melhoria de vida da população pobre que ocorreram com a
instauração do regime republicano.

7 - O fato é que a transição do Império para a República, proclamada em 1889, constituiu


a primeira grande mudança de regime político ocorrida desde a Independência.
Republicanistas “puros”, como Silva Jardim, defendiam uma mudança de regime que, a
exemplo da França, tivesse como resultado maior participação da população na vida política
nacional. Mas, vitoriosos, os republicanos conservadores, como Campos Sales, mantiveram
o modelo de exclusão política e sociocultural sob nova fachada. Ao “parlamentarismo sem
povo” do Segundo Reinado, sucedeu uma República praticamente “sem povo”, ou seja,
sem cidadania democrática.
LOPEZ, Adriana; MOTA, Carlos Guilherme. História do Brasil: uma interpretação. São Paulo: Ed. SENAC São Paulo, 2008,
p. 552.

A participação do povo na Primeira República foi

a) bastante ampla.
b) proibida na constituição de 1891.
c) muito pequena.
d) importante para a diminuição das desigualdades.
e) o que tornou possível a instauração do novo regime político.

8 - (UECE-2007) “Havia no Brasil pelo menos três correntes que disputavam a definição da
natureza do novo regime: o liberalismo à americana, o jacobinismo à francesa e o positivismo
de Augusto Conte, defendido por Benjamin Constant. As três correntes combateram-se
intensamente nos anos iniciais da República até a vitória de uma delas”.
Fonte: CARVALHO, José Murilo. A Formação das Almas – O imaginário da República no Brasil. São Paulo, Companhia das
Letras, 1990, pp. 9-11.

A corrente vencedora foi:

a) A corrente Positivista de Benjamin Constant.


b) A corrente Liberal Americana. UHWLUDURVGRLVSRQWRV
c) A corrente Jacobina Francesa. HHVFUHYHURLQtFLR
d) Um misto das correntes Positivista e Jacobina. GDVDOWHUQDWLYDVFRP
e) A corrente Inconfidente. OHWUDPLQ~VFXOD

31
03
A POLÍTICA DAS OLIGARQUIAS UNIDADE

32
3.1 INTRODUÇÃO

Quando pensamos no período da primeira fase da República brasileira (1889-1930),


é importante considerarmos o contexto no qual do país naquela época, um Brasil ainda
bastante rural, no qual a elite cafeeira liderava a economia no país e controlava o governo.
Predominava uma economia basicamente agrária, o emprego de mão de obra livre por
assalariamento ou arrendamento, e um setor industrial em início de desenvolvimento.
Conforme Neves (2003) em novembro de 1889 a República foi apenas proclamada.
Só anos mais tarde, sob o comando de Manuel Ferraz de Campos Sales (1898-1902), que
se tornaria o grande arquiteto e o executor da obra de engenharia política que faria
funcionar as engrenagens da Primeira República, acalmaria a turbulência da primeira
hora republicana no Brasil. “Só então o terreno movediço e ainda indefinido da República
brasileira se assentaria para que as bases de um equilíbrio político complexo, frágil, mas
eficiente até a década de 1930, fossem lançadas” (NEVES, 2003, p.33).

BUSQUE POR MAIS


“História do Brasil por Bóris Fausto”. Episódio 3: “República Velha “.

Nesse episódio da série documental você vai poder observar o desenvolvimento


do Brasil no Século XX: a borracha (Norte), a pequena propriedade no Sul, o café
(Centro-oeste) O café trouxe expansão econômica, mercado para os produtos in-
dustriais, imigração, organizações de trabalhadores. Cidades como São Paulo, Rio
de Janeiro e Salvador, passaram por transformações urbanas e pela instalação de
várias fábricas. O nordeste ficou a margem desse processo.

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3.2 AS OLIGARQUIAS NO BRASIL

Uma Oligarquia é um regime político em que o poder é exercido por um pequeno


grupo. Nas oligarquias o poder político se concentra nas mãos de um grupo de pessoas
que podem ser pertencentes de uma família, partido político ou grupo econômico.
A História do Brasil está permeada de práticas oligárquicas. As Oligarquias regionais
tem presença marcante no aparelho público institucional brasileiro. Apropriando-se
do poder público em prol de interesses de grupos privados, os quais exercem em vários
períodos e/ou localidades o controle político e econômico no Brasil.
Durante muitos séculos o povo ficou praticamente ausente do poder político no
Brasil, em sucessivos ciclos históricos é possível identificar o poder das oligarquias. É o
caso do regime colonial no início do século XVI e a doação de terras públicas para senhores
privados: as capitanias, e pela mercantilização dos cargos públicos. Dos senhores dos
engenhos de açúcar e dos grandes comerciantes que negociavam para trazer africanos
como escravos – as principais fortunas de suas épocas.
Também na República com o poder longe das mãos da coroa formou-se um
estruturado regime oligárquico. “as rédeas do poder do Estado, sem a mediação da coroa
metropolitana ou da coroa imperial, estariam direta e exclusivamente nas mãos dos que

33
– sem grandes sutilezas e com boa dose de arbítrio efetivamente imprimiam direção à
sociedade brasileira” (NEVES, 2003, p.33).
Geralmente no Brasil as mudanças de regime político são fruto de uma dissidência
da Oligarquia. Embora tenha sido uma grande marca do período da Primeira República, as
oligarquias aparecem em outros ciclos históricos brasileiros posteriores, podemos citar os
industriais e os banqueiros. Comumente a elite é a oligarquia e isso trás consequência para
o país, como a acentuação da desigualdade.
Como pontuam Ferreira e Delgado (2003) as oligarquias são “antigas, mas ainda
usuais práticas de mandonismo local, que teimam em persistir, mesmo que possam
parecer ultrapassadas”.

FIQUE ATENTO
OLIGARQUIA é uma palavra grega que significa “governo de poucos”. A palavra se
referia a uma das formas possíveis de exercício do comando ou do poder.
Para um maior aprofundamento leia o verbete “Oligarquia” de Renato Lessa.

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BUSQUE POR MAIS


Para saber mais sobre o poder exercido pelas elites no Brasil e a formação das
oligarquias.

Renato M. Perissinotto, Luiz D. Costa, Lucas Massimo. As elites políticas: questões


de teoria e método.

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VAMOS PENSAR?
As práticas oligárquicas no Brasil atual
Entendendo que uma OLIGARQUIA é um regime político em que o poder se con-
centra em um pequeno grupo de pessoas, para uma reflexão acerca do cenário
político brasileiro faça uma leitura da reportagem: “Péssimos índices coincidem
com cinco décadas de reinado dos Sarney”.

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34
3.3 O CORONELISMO E A CLIENTELA POLÍTICA

O regime representativo foi um grande avanço, mas Leal (2012) defende que a
população, que em sua maioria era pertencente à zona rural, não estava preparada para
este salto. Por não possuir escolaridade, era dependente dos senhores de terra e assim,
acabava seguindo suas ordens.
Para o autor, as estruturas econômicas e sociais também não estavam “prontas” para
o recebimento do poder representativo e, por esse motivo, acabou se ligando ao poder dos
donos de terra, dando continuidade ao “coronelismo”.
A decadência do poder privado, ineficácia do poder público, o industrialismo precário
e um sistema agrário ultrapassado seriam razões para que na República, o “coronelismo”
continuasse cada vez mais consolidado nas entranhas do poder, fazendo o Estado “se
ajoelhar” aos interesses dos grandes senhores de terra.

• O que é coronelismo?

O coronelismo foi um fenômeno que aconteceu durante toda a Primeira República


e que vai refletir diretamente na política brasileira. Os motivos dessas práticas estavam
relacionados à questão do café. Como Minas Gerais e São Paulo eram quem comandava
toda a estrutura política do Brasil durante o início do século XIX tiveram um papel importante
na escolha dos representantes políticos da Primeira República.
O coronelismo é um sistema de barganha entre um poder público e um poder
privado. Leal (2012, p.20) classifica o coronelismo como “resultado da superposição de
formas desenvolvidas do regime representativo a uma estrutura econômica e social
inadequada”. Leal (2012) expõe que no coronelismo os grandes latifúndios, os senhores
de terra ou os coronéis atuam com muita autonomia, sendo a estrutura agrária brasileira
o pilar de sustentação desse poder privado. A dominação oligárquica baseava-se no forte
controle local das populações, pelos meios que julgavam cabíveis os chefes estaduais. Ou
seja, os poderosos (poder local) tinham o controle da população.

Figura 6: Meme em referência ao coronelismo


Fonte: História no Paint

35
• Voto de cabresto

Na Primeira República, o poder de voto se torna muito importante. Os coronéis,


comandando uma população sem escolaridade e analfabeta, possuíam em suas mãos um
enorme poder político. O voto direcionado pelos coronéis ficou conhecido como “voto de
cabresto”.

• A figura do coronel

É importante perceber o papel do coronel na estrutura da sociedade brasileira nesse


momento. Nesse cenário, a figura do coronel foi muito importante, “dono da vontade dos
eleitores e senhores dos currais eleitorais” (NEVES, 2003, p. 38). Todas as relações sociais
estavam vinculadas a ele, que era o detentor do poder local e responsável pela criação
de escolas, obras, empregos; e até mesmo pela Igreja que estava subordinada aos seus
interesses. Para realizar essas obras ele usava o poder do Estado.
Essa força eleitoral “[...] empresta-lhe prestígio político, natural coroamento de sua
privilegiada situação econômica e social de dono de terras” (LEAL, 2012, p. 45).
Os coronéis tinham ampla autonomia em suas ações, favorecendo e desfavorecendo
quem eles bem entendessem e servindo de salvação nos momentos de dificuldade dos
seus subordinados devido a precária situação em que estes viviam no âmbito rural.

FIQUE ATENTO
O termo “coronelismo” deriva dos coronéis que atuavam na Guarda Nacional. Basílio de Maga-
lhães (apud LEAL, 2012, p. 241) afirma que, “com efeito, além dos que realmente ocupavam nela
(Guarda Nacional) tal posto, o tratamento de ‘coronel’ começou desde logo a ser dado pelos
sertanejos a todo e qualquer chefe político, a todo e qualquer potentado”.

Clientelismo e o Mandonismo são dois mecanismos básicos para que o coronel


exerça seu poder. A estrutura social era dirigida diretamente pelo coronel. Ele possuía
meios para que o indivíduo fizesse aquilo que ele desejasse (exemplo: homens armados
que o auxiliam, os capangas). Desafiar as ordens levava as pessoas mais simples a correm
vários tipos de riscos ou sofrer represálias.
Essa força se consolida nas eleições com o voto de cabresto. Nessa forma de eleição
o indivíduo recebia a ordem do coronel em quem ele iria votar. Como o voto ainda não
era secreto, não era difícil pressionar e comandar as eleições. Que eram muitas vezes
organizadas pelos próprios chefes locais. Nesse cenário, cédulas de votação poderiam
já vir preenchidas, pessoas mortas votavam e muitas vezes existiam mais eleitores que
habitantes nos municípios. Essa forma de eleições vigorou, e era a estrutura que organizava
toda a política do Brasil.
Um aspecto fundamental do coronelismo era a reciprocidade:

[...] o sistema de reciprocidade: de um lado, os chefes municipais e os ‘coronéis’,


que conduzem magotes de eleitores como quem toca tropa de burros; de outro
lado, a situação política dominante no Estado, que dispõe do erário, dos empre-
gos, dos favores e da força policial, que possui, em suma, o cofre das graças e do
poder da desgracia (LEAL, 2012, p. 63).

36
O coronelismo “se apresenta como um sistema político, uma complexa rede de
relações que permeia todos os níveis de atuação política” (CARVALHO, online). Como pontua
Nunes (2012), a reciprocidade é aspecto essencial na liderança do coronel. Pois, existe uma
dependência entre o poder público e o coronel (poder local). O critério de dependência
segue uma sequência lógica: o poder público depende do coronel para chegar à grande
parcela do eleitorado e o coronel depende do poder público para manter seu prestígio e
liderança.

BUSQUE POR MAIS


Filme “Gabriela, Cravo e Canela” (Bruno Barreto, 1983).

O filme é baseado no livro de Jorge Amado, a trama acompanha Gabriela, uma re-
tirante que sai do Sertão nordestino, fugindo da seca, em direção ao Sul da Bahia.
Chegando em Ilhéus inicia um romance com Nacib. Ao assistir o filme observe o
contexto no qual se passa, a região de Ilhéus era próspera pelo cultivo de cacau. E
dominada pelos coronéis. Durante o desenrolar da trama é possível ver os bastido-
res da política local, muitas vezes resolvida na bala.
Observe também os personagens: Mundinho Falcão, um forasteiro, vindo do Rio
de Janeiro. Ele representa a modernidade, o progresso. Em contrapartida, o Coro-
nel Ramiro Bastos representante do poder local, o tradicionalismo.

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Como ressalta Neves (2003) a Primeira República teve um federalismo bastante


peculiar, a política dos governadores garantia ao governo federal o apoio necessário, em
especial, fornecendo uma base eleitoral, e o governo federal garantia em troca as verbas
necessárias para a manutenção do prestígio da situação nos estados e municípios e para
casos de necessidade, a Comissão de Verificação de Poderes, a qual se encarregava de
corroborar os resultados eleitorais. E caso necessário, impedir a titulação dos eleitos, caso
as rédeas da eleição lhes escapassem das mãos. Esses aspectos, introduzidos por Campos
Sales como um arranjo para viabilizar o seu governo, - pois, em sua concepção, é dos
estados que se governa a República - acabaram por se constituir na política real da Primeira
República Brasileira,
Esse panorama vai permanecer até 1930 quando a Revolução liderada por Getúlio
Vargas transformou radicalmente toda a estrutura social, econômica, política e cultural do
Brasil.

VAMOS PENSAR?
Infelizmente práticas da época do coronelismo ainda podem ser encontradas no Brasil atual.
Leia a reportagem de Gragnani para a BBC Brasil, publicada em 2020. Na qual expõe casos
que comprovam que a compra de votos no Brasil ainda resiste. Mostra relatos em que foram
acertados acordos para que se votasse em determinado candidato em troca de dinheiro, cesta
básica, gasolina e até mesmo cachaça.

37
3.4 A HEGEMONIA CAFEEIRA

Figura 7: Lata para armazenar café. Processo aperfeiçoado de fabricação de latas de fácil abertura e tampa suplementar. Lambert &
Cia., Rio de Janeiro, 1919.
Fonte: Fotografia Mauro Domingues.

O café tem uma grande importância na história do Brasil, como destaca Beltrão
(2010, online) esta relação começou muito antes do período republicano:
A versão mais conhecida e aceita sobre a introdução do café no Brasil é a atribu-
ída a Francisco de Melo Palheta (1670-?), que em 1727 trouxe mudas e sementes
da Guiana Francesa, plantando-as em Belém do Pará. Entretanto, existem in-
formações da existência do café no Maranhão antes dessa data. O cafeeiro não
se fixou na região amazônica por falta de boas condições naturais, não tendo
alcançado ali maior significado econômico. Da Amazônia parece ter vindo para
a cidade do Rio de Janeiro por volta de 1760, quando algumas mudas foram
plantadas pelos frades capuchinhos na rua. Dessas mudas saíram as que foram
formar novas culturas nos arredores do Rio de Janeiro (Jacarepaguá, Campo
Grande, Guaratiba e Santa Cruz) a cultura se irradiou pelo atual estado do Rio
de Janeiro. Ao mesmo tempo, de São Gonçalo o café atingiu Itaboraí e Maricá,
disseminando-se em direção a Campos e ao estado do Espírito Santo. Em Vas-
souras surgiu a capital do café brasileiro nas primeiras décadas do século XIX. De
São João Marcos e Resende, os cafeeiros foram levados para São Paulo. Espalha-
ram-se pelo vale do Paraíba, atingiram Lorena, Taubaté, Jacareí, Mogi das Cru-
zes, até Jundiaí, de onde teriam se originado os cafezais do oeste de São Paulo.
Em 1797, o porto de Santos registrou a exportação para Portugal de 1.924 arrobas
de café. Na Bahia, apontam-se pequenos cafezais em 1790. Em Minas Gerais, as
primeiras lavouras de café parecem ter surgido no final do século XVIII. Por volta
de 1800, havia cafezais em número reduzido no Triângulo Mineiro. Em 1809, to-
davia, já era apreciável a produção de Araxá. Entretanto, a região de Minas Gerais
onde a cultura do café se desenvolveu mais densamente foi a Zona da Mata,
pela sua maior proximidade com o Rio de Janeiro. Seguiram-se a região vizinha
do vale do Paraíba e os municípios de Mar de Espanha, Juiz de Fora, Leopoldina,
Cataguases e Ubá, mais tarde centros cafeeiros da maior importância, embora a
lavoura marchasse com êxito para o sul e oeste de Minas pelo vale do rio Preto,
alcançando Goiás.

Desde meados do século XIX, o café começou a ser o produto mais importante da
economia brasileira. Com a decadência da escravidão, o estímulo para a vinda de imigrantes
e o enriquecimento de um novo grupo social modifica-se todo o panorama brasileiro do
século XX.
Há um grande enriquecimento dos fazendeiros cafeeiros, em geral paulistas. Outro
grupo que também possuía força econômica no período eram os mineiros que produziam
leite. Esses dois produtos se eternizaram na história brasileira através de um acordo político
realizado na época. Em referência à produção de café (São Paulo) e de leite (Minas Gerais),
foi criado o esquema que ficou conhecido como: Política do café com leite.

38
Um sistema de alternância em cargos de poder, que funcionava da seguinte maneira:
em um mandato governava um presidente apoiado por São Paulo e na próxima gestão era
a vez de um candidato indicado por Minas Gerais ser presidente. Assim, surgem as grandes
oligarquias da política nacional, as quais dominam a cena política do Brasil até 1930.
Isso se tornou possível, pois eram esses dois estados que detinham a maioria dos
recursos do país, assim, caso os outros estados não se recusassem a essa prática, ficaram
a margem dos recursos vindos do governo federal. Isso gerou o que conhecemos como
Política dos Governadores.
A “política dos governadores” é considerada a última etapa da montagem do
sistema oligárquico ou liberalismo oligárquico, que permitiu, de forma duradou-
ra, o controle do poder central pela oligarquia cafeeira. Esse domínio se manifes-
tou na hegemonia política dos estados de São Paulo e Minas Gerais na indicação
dos presidentes da República, a chamada “política do café-com-leite”, que vigo-
rou até a Revolução de 1930 (DIAS, 2010, online).

Figura 8: Meme em referência a política do café-com-leite; acordo firmado entre as oligarquias estaduais e o governo federal durante
a República Velha para que os presidentes da República fossem escolhidos entre os políticos de São Paulo e Minas Gerais.
Fonte: História no Paint

Dias (2010) pontua que a Política dos Governadores estava baseada no compromisso
presidencial de não intervir nos conflitos regionais em troca da garantia do pleno controle
do Executivo sobre o Congresso. E selou o comprometimento da presidência da República
com as elites dominantes nos estados, estabelecendo um novo equilíbrio entre estes e o
poder central.
Nesse esquema, Minas Gerais e São Paulo, usavam dos recursos do governo
beneficiando as elites rurais que eram os seus representantes. Esse esquema favoreceu as
oligarquias rurais, mas com o tempo foi se desgastando. O país ficou bastante dependente
do mercado externo, e com dívidas.

39
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Café - Mario de Andrade

O romance inacabado de Mario de Andrade é interessante para nosso estudo, pois


se passa em São Paulo, no contexto da expansão cafeeira. Chico Antônio, o pro-
tagonista, passa pela capital paulista antes de seguir para uma fazenda de café,
assim, podemos acompanhar o cenário desse cultivo que gerou muita riqueza aos
paulistas.
Outro ponto a se observar é que o próprio Mário de Andrade era um escritor mo-
dernista da época, os manuscritos que compõem o livro foram escritos entre o
início dos anos de 1920 e 1940. O romance não foi finalizado por ocasião de sua
morte.

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40
FIXANDO O CONTEÚDO
1 - (SEEC/RN 2011 – CESGRANRIO) A federação de 1891 abriu as portas do paraíso para o
coronel. [...] Surgiu o coronelismo como sistema [...]. O coronel municipal apoiava o coronel
estadual que apoiava o coronel nacional, também chamado de presidente da República,
que apoiava o coronel estadual, que apoiava o coronel municipal. [...] Aumentou também
o dá-cá-toma-lá entre coronéis e governo. As nomeações de funcionários se faziam sob
consulta aos chefes locais. Surgiram o “juiz nosso” e o “delegado nosso”, para aplicar a lei
contra os inimigos e proteger os amigos. O clientelismo, isto é, a troca de favores com o uso
de bens públicos, sobretudo empregos, tornou-se a moeda de troca do coronelismo. [...] O
coronelismo, como sistema nacional de poder, acabou em 1930, mais precisamente [...] em
1937.
CARVALHO, José Murilo de. Metamorfoses do coronel. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6 maio 2001. Adaptado.

De acordo com o texto acima, ainda há clientelismo e coronéis no Brasil, mas o coronelismo,
como sistema político nacional, já deixou de existir há décadas. Ele surgiu na Primeira
República e não sobreviveu à Era Vargas.

Com base na definição apresentada no texto acima, que mecanismo político, presente na
“federação de 1891” e extinto em 1937, era responsável por articular os três níveis de governo
do país num sistema coronelista?

a) Clientelismo.
b) Voto censitário.
c) Política do café com leite.
d) Economia agroexportadora.
e) Eleição dos governadores estaduais.

2 - Rodrigo havia sido indicado pela oposição para fiscal duma das mesas eleitorais. Pôs
o revólver na cintura, uma caixa de balas no bolso seu posto. A chamada dos eleitores
começou às sete da manhã. Plantados junto da porta, os capangas do Trindade ofereciam
cédulas com o nome dos candidatos oficiais a todos os eleitores que entravam. Estes, eu sua
quase totalidade, tomavam docilmente dos papeluchos e depositavam-nos na urna, depois
de assinar a autêntica. Os que se recusavam a isso tinham seus nomes acintosamente
anotados.
VERISSIMO, E. O tempo e o vento. São Paulo: Globo, 2003 (adaptado).

Que aspecto característico da vida política durante a Primeira República é possível notar
na cena descrita no romance de Erico Veríssimo:

a) a liberdade democrática.
b) o controle dos votos da população.
c) o voto secreto.
d) o livre exercício da cidadania.
e) a grande participação popular. WURFDUSRUSRQWRGH
LQWHUURJDomRHLQLFLDU
WRGDVDVDOWHUQDWLYDV
FRPOHWUDPDL~VFXOD
41
3 - (ENEM 2014) O problema central a ser resolvido pelo Novo Regime era a organização
de outro pacto de poder que pudesse substituir o arranjo imperial com grau suficiente de
estabilidade. O próprio presidente Campos Sales resumiu claramente seu objetivo: “É de lá,
dos estados, que se governa a República, por cima das multidões que tumultuam agitadas
nas ruas da capital da União. A política dos estados é a política nacional”.
CARVALHO, J. M. Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987 (com
adaptações).

Nessa citação, o presidente do Brasil no período expressa uma estratégia política no sentido
de

a) governar com a adesão popular.


b) atrair o apoio das oligarquias regionais.
c) conferir maior autonomia às prefeituras.
d) democratizar o poder do governo central.
e) ampliar a influência da capital no cenário nacional.

4 - (MACK-2005) Com a implantação da República Oligárquica, isto é, com o poder nas


mãos dos civis, instala se a hegemonia dos grandes estados, propiciada pela representação
proporcional no governo. Os estados enfraquecidos opunham-se ao governo federal. Para
por fim a essa situação, o presidente Campos Sales criou, em 1900, um artifício político,
através do qual os governadores estaduais apoiariam irrestritamente o governo federal
em troca da eleição de deputados federais apoiados por ambos, ficando os partidos de
oposição sem apoio político.
Luís César Amad Costa & Leonel Itaussu A. Mello

O artifício político, citado no fragmento de texto acima, ficou conhecido pelo nome de

a) Coronelismo
b) Política do Café com Leite
c) Voto de Cabresto LQVHULUSRQWRILQDOHP
d) Política dos Governadores WRGDVDVDOWHUQDWLYDV
e) República Velha

5 - (MACK-2004) Exigia-se para a cidadania política uma qualidade que só o direito social
da educação poderia fornecer e, simultaneamente, desconhecia-se esse direito. Era
uma ordem liberal, mas profundamente antidemocrática e resistente aos esforços de
democratização.
UHWLUDURV José Murilo de Carvalho
GRLVSRQWRV
A República Velha (1894-1930), em relação à participação política dos cidadãos, determinou:

a) a escolha de um modelo republicano pautado nos moldes norte-americanos, que


garantiam a defesa da liberdade individual, expressa no voto censitário.
b) o projeto de uma república liberal dos cafeicultores, que, para se efetivar, necessitou do
apoio das demais classes sociais. O voto era extensivo a todo o povo brasileiro.
c) a formulação de uma república que garantisse os direitos individuais de todos os seus

42
cidadãos, sem distinções, evidenciada na eliminação do voto censitário.
d) a perpetuação da injustiça social e dos privilégios de setores oligárquicos. O voto popular
era manipulado pelos grupos dominantes.
e) a eliminação do voto censitário e a adoção do voto universal, que ampliaram, de forma
significativa, a porcentagem de eleitores nesse período.

6-

A ilustração refere-se

a) à prática dos grupos oligárquicos, que controlavam o voto de seus dependentes e


agregados.
b) ao elevado índice de eleitores no campo e a liberdade de escolha.
c) ao controle do governo central sobre os governadores.
d) a prática da punição pela distribuição de cédulas eleitorais falsas.
e) ao alto grau de abstenção dos eleitores na Primeira República.

7 - A chamada política do “café-com-leite”, existente na República Velha, pode ser


caracterizada como

a) a aliança entre Getúlio Vargas e os cafeicultores do Estado de São Paulo.


b) a reação monarquista através do incentivo aos produtores rurais.
c) os Estados de São Paulo e Minas Gerais a fim de controlar a política em nível nacional,
revezando-se na Presidência da República.
d) a aliança entre o Estado de São Paulo e os estados do Nordeste, em que o primeiro
escolhia o presidente da República enquanto o vice deveria ser nordestino.
e) a exportação de café do Paraná e de Minas Gerais, aliada à exportação de leite por parte
do Rio Grande do Sul.

8 - (MACK-2007) [...] A pergunta “Quem é você?” recebia invariavelmente a resposta: “Sou


gente do coronel Fulano”. Essa maneira de redarguir dava imediatamente a quem ouvia as
coordenadas necessárias para conhecer o lugar socioeconômico do interlocutor, além de
sua posição política.
Maria I. P. de Queiroz - História Geral da Civilização Brasileira

O fenômeno sociopolítico, a que se alude no fragmento acima e que alcançou seu maior
vigor nas primeiras décadas do Brasil republicano, pode ser entendido como

43
a) a expressão do poder político dos empresários industriais, que, embora formassem
uma classe numericamente pequena, experimentavam desde o Império um significativo
crescimento de sua importância econômica.
b) o resultado da militarização das instituições políticas brasileiras em virtude de a liderança
do movimento republicano ter sido exercida por militares, como Deodoro da Fonseca e
Floriano Peixoto.
c) uma reação dos líderes políticos nos Estados à instituição do voto secreto pela Constituição
de 1891, inovação que reduziu drasticamente o poder dos grandes proprietários rurais.
d) uma forma de clientelismo em que chefes políticos locais (geralmente proprietários
rurais), dominando grupos de eleitores e lançando mão sistematicamente da fraude
eleitoral, sustentavam o poder das oligarquias no plano estadual e, indiretamente, no
federal.
e) a consequência da ascensão social — por meio das escolas militares — de membros das
classes médias urbanas, formando uma oficialidade coesa de tenentes, capitães, majores
e coronéis.

44
04
OS CONFLITOS NA PRIMEIRA UNIDADE
REPÚBLICA

45
4.1 INTRODUÇÃO

Por se tratar de uma fase de profundas transformações no país, não é de se estranhar


que os primeiros anos da República tenham sido um período marcado por dissensões,
divergências e disputas em torno do caminho a se seguir. Assim como, um momento de
conciliações entre os diferentes interesses das forças que sustentavam novo Regime. Os
primeiros anos republicanos foram anos de adaptação e marcados por conflitos.

• Deodoro da Fonseca, o Encilhamento e o Congresso Nacional.

No mesmo ano em que foi proclamada a República, se constituiu um governo


provisório, no qual a presidência ficou a cargo do Marechal Manuel Deodoro da Fonseca,
formou-se um Ministério do qual faziam parte Campos Salles, Benjamin Constant, Quintino
Bocaiuva, Floriano Peixoto e Rui Barbosa. Após esse período de governo provisório , Deodoro
foi eleito para um novo mandato pelos deputados que elaboraram a primeira Constituição
Republicana em 1891.

FIQUE ATENTO
[...] o governo provisório durou 15 meses, e suas preocupações imediatas se deram em torno
das questões federativas, especialmente com a manutenção da ordem pública. Em setembro
de 1890, foram realizadas eleições para o Congresso, que teria a incumbência de elaborar e
aprovar a primeira Constituição republicana e eleger o mandatário da nação, daí por diante
denominado de presidente da República. (FLORES, 2018, p.52).

Quanto à política econômica, Deodoro decidiu modernizar a economia, facilitando


o acesso ao crédito. Barbosa foi ministro da fazenda durante o governo provisório de
Deodoro, sua política financeira se caracterizava pela facilitação do crédito e estímulo à
criação de bancos, empresas e ao processo de industrialização. O encilhamento foi uma
crise econômica que atingiu o Brasil como fruto dessa política econômica praticada por
Rui Barbosa, que se mostrou bastante desastrada. No Império, Dom Pedro II já havia
tentado executar uma reforma no sistema bancário, na qual os bancos recebiam dinheiro
do Estado, sem juros, e passavam a emprestar para o setor agrário com juros de 6% ao
ano. Esses bancos tiveram uma lucratividade cada vez maior, passando a ser o modelo
para outros bancos que queriam fazer a mesma operação em outros setores da economia.
Essa medida causou uma onda de empreendimentos no Brasil, onda que a República
procurou aproveitar. A ideia de Barbosa era dar condições para que os empreendimentos,
através de uma maior circulação de dinheiro impresso. O objetivo era estimular novos
negócios e também a industrialização. Essa política econômica se baseava na crença de
que o progresso econômico se daria com a aceleração da indústria e com o abandono do
agrarismo do Império.
A princípio as medidas de Barbosa levaram a um crescimento da atividade econômica,
contudo, logo essas medidas acabaram gerando resultados negativos. O Banco dos Estados
Unidos do Brasil emitia o dinheiro, o resultado dessa inundação de dinheiro no mercado
foi a criação de um grande número de empresas, porém, muitas delas eram empresas
fantasmas. Muitos empréstimos foram feitos, só que nem sempre eram usados para a

46
criação de indústrias. Isso porque as apostas nas empresas eram feitas as cegas, daí vem o
termo encilhamento: uma alusão a encilhar (por arreio) num cavalo. Num paralelo entre as
apostas dos cavalos de corridas e as apostas do governo nos empreendimentos.
Ao crescimento da atividade econômica seguiu-se uma alta da inflação, especulação
na bolsa de valores, falências e desemprego. Isso porque como não havia uma correlação
entre os investimentos e a produção real, a ebulição financeira declinou. Muitos
investidores internacionais retiraram seus investimentos da Bolsa de valores brasileira e
como consequência, se deu uma queda dos preços das ações e a desvalorização da moeda
brasileira.
A grave inflação gerada pelo encilhamento fez com que os deputados quisessem
limitar os poderes do presidente. Insatisfeito, Deodoro ameaçou fechar o Congresso
Nacional, atitude que gerou muitas críticas ao seu governo. Deodoro já tinha problemas
para lidar com os partidos políticos contrários ao governo, sem conseguir negociar com as
bancadas dos estados, especialmente os produtores de café (São Paulo, Rio de Janeiro e
Minas Gerais), o que gerava frequentes atritos entre ele e o Congresso. Fechar o Congresso
foi visto como extremamente antidemocrático e acabou provocando a antipatia da
população e a reação da Marinha.
Com o governo em crise Deodoro renunciou em 23 de novembro de 1891, depois de
um governo curto e pouco feliz - foram apenas nove meses de gestão – período no qual
defendeu o centralismo e um Estado Forte.
[...] as tensões políticas tornaram-se insustentáveis. Deodoro decreta a dissolu-
ção do Congresso, mas, diante da pressão de grupos militares e civis, de uma
greve de ferroviários que explode no Rio de Janeiro, do aumento da tensão no
Rio Grande do Sul com a deposição de Júlio de Castilhos e, por fim, da revolta de
Custódio de Melo, que assesta os canhões dos navios da armada ancorados na
baía de Guanabara contra a capital da República, sem ter como lidar com uma
situação que se aproximava perigosamente da guerra civil, em 23 de novembro,
o proclamador da República transformado, depois de um breve governo consti-
tucional, em ditador passa o governo às mãos de Floriano Peixoto, o vice-presi-
dente eleito pela Assembleia Constituinte. (NEVES, 2018, p.35)

Com a renúncia de Deodoro, assume como presidente Floriano Peixoto, personagem


que devido à tomada de medidas severas na repressão das Revoltas ocorridas no período,
ficou conhecido como Marechal de Ferro e como o Consolidador da República.

GLOSSÁRIO
Dissensões: Falta de entendimento; divergência de opiniões entre duas ou mais pessoas. [...]
Condição de disputa, litígio, desavença. [...] Qualidade daquilo que diverge, discorda.

Encilhamento: Ato ou efeito de encilhar.


Período de agitação financeira logo após a implantação da república no Brasil, caracterizado
pelo grande movimento de especulações bolsistas e negócios arriscados.

47
4.2 A REVOLTA DA ARMADA (RJ) E A REVOLUÇÃO FEDERALISTA (RS)

Quando Deodoro renuncia, assume seu vice Floriano Peixoto, com o desafio de
conter a inflação e enfrentar os opositores. Na intenção de acabar com a inflação o novo
presidente tabelou os preços dos alimentos e dos aluguéis e incentivou a exportação de
café. Porém, a “substituição de Deodoro por Floriano Peixoto apenas aumentaria a crise
institucional e o radicalismo dos grupos envolvidos que se tornaria intenso até os contornos
da guerra civil” (FLORES, 2018, p.56).
Entre as revoltas ocorridas na Primeira República, Floriano em seu governo teve que
enfrentar duas bastante significativas: A Revolta da Armada e a Revolução Federalista.
Para não ter a sua autoridade ameaçada, Floriano utilizou de grande aparato militar o que
acabou fazendo com que esses conflitos fossem muito violentos.

FIQUE ATENTO
“Armada” era o nome como era conhecida a marinha brasileira.

• Revolta da Armada

O conflito conhecido como Revolta da Armada foi uma rebelião ocorrida entre setembro de
1893 e março de 1894 em unidades da Marinha. Como pontua Coelho (online) a revolta que
começou no Rio de Janeiro em 1983 teve seus antecedentes dois anos antes em 1891 com a
decisão de Deodoro da Fonseca de fechar o Congresso. Esse ato transgredia a Constituição
de 1981 e fez com que Unidades da Marinha se revoltassem e numa ação coletiva sob a
liderança do almirante Custódio José de Melo, ameaçassem bombardear a cidade do Rio
de Janeiro, então capital da República. Para evitar uma guerra civil Deodoro renunciou,
porém:
O vice-presidente, marechal Floriano Peixoto, assumiu seu lugar e não convocou
eleições presidenciais, conforme previa o artigo n° 42 da Constituição para o
caso de vacância do cargo em menos de dois anos após a posse do presidente.
Sua alegação era que tal norma valia para presidentes eleitos por voto direto, e
tanto Deodoro como ele próprio haviam sido eleitos indiretamente, pelo Con-
gresso Constituinte. (COELHO, 2016, online)

Ao assumir o governo, Floriano Peixoto reabriu o Congresso Nacional e nomeou como


seus ministros vários representantes dos cafeicultores paulistanos, visando obter apoio
desse influente setor político. Iniciou um tabelamento dos preços a fim de conter a inflação
e assim ganhar apoio popular. Mas ele não tinha apoio de todos os setores militares, alguns
o acusavam de ocupar a presidência ilegalmente, com a alegação de que seu governo era
inconstitucional.
Coelho (2016, online) ressalta que:
[...] o primeiro movimento de oposição veio em março de 1892, quando 13 ofi-
ciais-generais divulgaram um manifesto exigindo a convocação de novas elei-
ções. O manifesto acusava Floriano Peixoto de armar “brasileiros contra brasi-
leiros” e denunciava desvio de dinheiro público para uma política de suborno e
corrupção.

48
Flores (2018) diz que era um momento de agitação política e ideológica, no qual
os assuntos mais intensos giravam em torno dos militares na política e da reforma
constitucional, que permitiria a reeleição de Floriano Peixoto. Pois, esses eram dois pontos
defendidos pelas forças florianistas e duramente atacadas pelos opositores.
É importante ressaltar dois pontos nessa questão: a insatisfação da Marinha que
se sentia politicamente inferior ao Exército e o fato de haver entre os oficiais da Armada,
simpatizantes da monarquia.
Em 6 de setembro de 1893, um grupo de oficiais da Marinha voltou à carga. Eram
liderados pelo almirante Custódio de Melo, que ocupara os ministérios da Mari-
nha e da Guerra no governo de Floriano e pretendia candidatar-se a presidente
da República. No grupo estava também o almirante Eduardo Wandenkolk, mi-
nistro da Marinha no governo de Deodoro e senador pelo Distrito Federal, que
fora preso e reformado por ter assinado o manifesto dos 13 generais um ano
antes. No dia 7 de setembro, o diretor da Escola Naval, almirante Luís Filipe Sal-
danha da Gama, aderiu publicamente ao movimento, declarando- se favorável
à volta da monarquia. Além das denúncias contra a política florianista, que não
pacificava as rivalidades regionais, os oficiais da Marinha sentiam-se despresti-
giados diante do Exército, força de origem dos dois primeiros presidentes, Deo-
doro e Floriano. (COELHO, 2016, online).

Em 1893 um grupo da Marinha brasileira rebelou-se contra o governo de Floriano


Peixoto, tomaram vários navios de guerra, apontaram os canhões e bombardearam a
cidade do Rio de Janeiro, capital do país. “Devido ao bombardeio dos sete fortes de Niterói,
capital do estado do Rio de Janeiro, a sede do governo foi transferida para a cidade de
Petrópolis, na serra, fora do alcance dos canhões da Marinha. A capital só voltaria para o
litoral em 1903” (COELHO, 2016, online).
Na Marinha, os revoltosos eram maioria, porém, não contavam com o apoio popular e
enfrentavam forte oposição no Exército e das elites estaduais que apoiavam o presidente,
especialmente em São Paulo, onde era forte o Partido Republicano Paulista (PRP).

FIQUE ATENTO
[...] com a adesão de milhares de jovens a batalhões de apoio ao presidente na capital federal
e nos estados. Esses soldados eram nacionalistas, republicanos e não refutavam a violência
na defesa de Floriano Peixoto, especialmente contra estrangeiros, a quem atribuíam conspira-
ções contra a República. (COELHO, 2016, online).

Sem conseguir tomar a capital, participantes da Revolta foram para o Sul do país,
onde estava ocorrendo a Revolução Federalista. Algumas tropas se aquartelaram em
Desterro (atual Florianópolis), buscando uma aliança com os federalistas do Sul, mas o
acordo não avançou.
Sem apoio popular ou do Exército, esse movimento foi duramente reprimido pelo
governo de Floriano. A revolta foi abafada em 1894 quando Floriano com o apoio do Partido
Republicano Paulista e com aparato militar suprimiu o movimento.

49
GLOSSÁRIO
Suprimir: Fazer alguma coisa com o propósito de acabar com; eliminar; causar a anulação de;
anular.
Vacância: vago, que não se encontra preenchido nem ocupado.

• A Revolução Federalista

A Revolução Federalista, ou também como é conhecida, Revolução Farroupilha


iniciou-se no Rio Grande do Sul, envolvendo dois grupos políticos:
- Partido Federalista: partido liberal, comandado por Gaspar da Silveira Martins,
do qual faziam parte, federalistas que queriam um sistema parlamentar (gasparitas/
maragatos).
- Partido Republicano Rio Grandense: do qual faziam parte adeptos da República,
dirigidos por Júlio de Castilhos, então governador (castilhistas/ pica-paus).
Esse conflito transcorreu no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná entre
fevereiro de 1893 e agosto de 1895 e envolveu forças militares locais e alguns remanescentes
da Revolta da Armada, aliados dos federalistas e forças governamentais, em apoio aos
republicanos.
Pesavento (2015) destaca que esta foi uma disputa de elites. Entre a classe dominante
rural, desalojada do poder em 1889, e a classe dominante agregada no Partido Republicano
RioGrandense (PRR) e outros segmentos sociais. Nesse sentido, Coelho (2016) nos faz pensar
sobre o uso da palavra revolução, já que os revolucionários, principalmente os líderes civis
e militares do movimento, não lutavam pensando numa mudança estrutural profunda,
e sim em mudanças específicas, como a de alguns pontos constitucionais. Para ela, teria
sido uma guerra civil e não uma revolução.
A luta no Sul foi uma típica disputa entre elites dos anos iniciais da República,
pois o presidente do Rio Grande do Sul, Júlio de Castilhos, chefe do Partido Re-
publicano RioGrandense (PRR) e um dos poucos que tinham a seu lado a ban-
cada de seu estado no Congresso, apoiara o marechal Deodoro da Fonseca em
1891. Floriano Peixoto, ao assumir a presidência, destituíra todos os presidentes
e governadores estaduais ligados a seu antecessor, atingindo Júlio de Castilhos.
Logo se instalou a luta pelo poder entre os partidários de Castilhos e os aliados
de Gaspar Silveira Martins, que formaram o Partido Federalista. Defensores do
parlamentarismo e da revogação da Constituição estadual positivista, os fede-
ralistas e os dissidentes do PRR não se conformaram com a reconciliação entre
Floriano e Castilhos e, com a volta deste ao governo estadual em janeiro de 1893,
e optaram pelo confronto armado. (COELHO, 2016, online)

A revolução federalista foi derrotada em 24 de junho de 1895. O confronto se


encerrou com a vitória dos republicanos, que contavam com as forças militares do governo.

50
FIQUE ATENTO
Os termos maragato e pica-pau surgiram no Rio Grande do Sul em 1893, durante a Revolução
Federalista, para definir as duas grandes correntes políticas gaúchas então em conflito. Os
maragatos representavam os federalistas, liderados por Gaspar Silveira Martins, e eram iden-
tificados pelo uso de lenços vermelhos. Os pica-pau representavam os republicanos, liderados
por Júlio de Castilhos, e sua identificação se dava pelo uso de lenços brancos. (Cf. NOLL, online)

Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3732qaH


Figura 9: Pica-paus e maragatos

Acesso em 30 dez. 2020


• Florianópolis

Após a proclamação da república, Nossa Senhora do Desterro foi elevada a categoria


de unidade federativa, porém, o governador Lauro Müller aderiu a Revolução Federalista em
1893, contrária ao governo central. Por um tempo, Desterro foi transformada em base naval
da Armada e tornou-se por sete meses sede do governo revolucionário que convergia os
revoltosos da Revolta da Armada e da Revolução Federalista.
Lutas expandiram-se por toda Santa Catariana, porém, por ordem de Floriano e
pressão para que fossem delatados, os revoltosos foram presos e muitos fuzilados, como
uma demonstração de força do Estado que buscava se legitimar. Durante o conflito, os
revolucionários foram seriamente castigados e houve uma grande execução dos opositores
do governo legal, realizada na Fortaleza de Anhatomirim. Pela dureza com que tratava
seus opositores o marechal Floriano Peixoto foi visto como o homem forte da República,
capaz de consolidar seus ideais.
Em 1894, Hercílio Luz é escolhido por voto popular como governador de Santa
Catarina e elabora uma política para pacificar a região e para reparar os problemas que o
estado sofreu. Uma de suas medidas é fazer uma homenagem a Floriano Peixoto. Para isso
troca o nome da cidade de Desterro para Florianópolis. “Cidade de Floriano”, numa junção
entre Floriano, o nome do presidente e a palavra grega polis (cidade).
Além da homenagem ao presidente, novo nome da capital catarinense teve a
característica de contribuir para a construção do programa político-ideológico de legitimação
do regime. Outro ponto, é que muitos tinham a expectativa de que o regime republicano
traria modernização para a capital catarinense. Vidal (1984) em uma reportagem de 1894
do Jornal da República em Desterro diz: “Florianópolis significa cidade de Floriano, imortal
cidadão, e ainda mais a República brasileira. Só este nome pode substituir aquele, a fim de
varrer da mente catarinense a ideia monárquica, consubstanciada na palavra Desterro”.

51
VAMOS PENSAR?
Até hoje a questão levanta debates:
Muitas pessoas não aceitam o nome Florianópolis para a capital catarinense. Pelo fato dele
estar ligado aos atos de violência ocorridos na cidade durante o governo de Floriano, como o
massacre na fortaleza de Anhatomirim, e defendem a necessidade de uma mudança no nome
do município.
Outros defendem que essa discussão é irrelevante, pois, atualmente, o nome já estaria consoli-
dado, além do que uma mudança traria custos ao município.

Para acompanhar essa discussão sobre a repercussão de atos da república no momento atual,
acesse as reportagens:

PLEBISCITO PARA MUDAR O NOME DE FLORIANÓPOLIS, 2014.

LINK: https://bit.ly/2MUf5Fw

MEMÓRIA DE FLORIANÓPOLIS: UM NOME, MUITAS MÁGOAS

LINK: https://bit.ly/3jkGtZi

FIQUE ATENTO
Há diferença entre os conceitos de Revolta e Revolução: Revolução é uma mudança súbita na
estrutura, uma transformação radical (social, económico, cultural, religioso), enquanto Revolta
está ligada a um ato de indignação ou insatisfação, visando chegar a um acordo ou mudança.

4.3 OS PROTESTOS POPULARES. AS GUERRAS


DE CANUDOS E DO CONTESTADO.

Como pontua Fausto (online) em termos geográficos o Brasil do século XIX não era
muito diferente do Brasil atual, porém, haviam vastas regiões ainda habitadas apenas pela
população indígena, delimitadas no mapa como parte do território brasileiro, mas não
exploradas econômica ou habitacionalmente.
Vimos na Unidade 3 que o Brasil até o fim da Primeira República (1930), era bastante
agrícola, baseando suas atividades na agricultura de exportação (toda a produção focada
em determinados produtos para serem vendidos no exterior), como o café. Algumas
regiões se desenvolveram baseadas nessas atividades.
Do ponto de vista populacional, houve um grande impulso na região Centro Sul
por causa do café, no Sul pela instalação da pequena propriedade (muito característica
do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), na região Amazônica, pela produção de
borracha que trouxe uma grande transformação e mudou a paisagem do norte do país.
Fausto ressalta que algumas regiões progrediram muito, mas em contrapartida, amplas
regiões no campo permaneceram extremamente pobres, com populações que ficavam as
margens do progresso.

52
• Canudos (1896-1897)

A fase dos militares na presidência com Marechal Deodoro da Fonseca (1889 – 1891)
e Marechal Floriano Peixoto (1891-1894) termina com as eleições de 1894 que tinha como
principal candidato um civil, representante dos cafeicultores: Prudente de Morais (1894-
1898).
Com a vitória de Prudente de Morais chega ao fim à oposição entre partes do exército
e nesse momento os cafeicultores puderam assumir o poder com presidentes que os
representassem. Sem oposição e por voto direto, o presidente eleito em 1894 havia sido
derrotado nas eleições indiretas de 1891. Sua escolha como presidente marcou o fim da
influência do exército na presidência da República (exceção feita para a eleição de Hermes
da Fonseca) e o início dos governos civis.
Morais assumiu com o desafio da pacificação, a Revolução Federalista foi encerrada
com a assinatura de um acordo de paz e os revoltosos foram anistiados em 1895. Seu maior
desafio foi o enfrentamento da guerra travada entre 1896 e 1897 em Canudos, Sertão da
Bahia.
Isso porque, durante a Primeira República, boa parte dos estados do nordeste
passava por uma situação difícil, com as péssimas condições de vida da população, miséria
e opressão dos fazendeiros. A população que lá residia ou servia de mão de obra para
grandes proprietários ou viviam de um cultivo precário da terra. Essas condições fizeram
com que as pessoas buscassem outro tipo de vida. Dos movimentos no campo, o mais
conhecido foi o de Canudos, no norte da Bahia (1893-1897). Onde se formou um arraial que
tinha como figura central Antônio Conselheiro, uma espécie de missionário, que foi muito
hábil em reunir os sertanejos. Esse povo que sofria pela seca e pelas más condições de vida
encontrou em Canudos uma forma comunitária de melhorar suas condições.
Conselheiro agregou milhares de pessoas que o ajudaram a construir em 1893 um
povoado na região de Canudos, Bahia, ao qual deu o nome de Belo Monte. Seu povoado
fixou-se às margens rio Vaza Barris, no sertão baiano, longe de qualquer influência
do governo republicano, já que sua vontade era ter autonomia. Como o enorme arraial
construído por eles reunia cada vez mais pessoas, passou a representar uma ameaça
para a República e para as elites regionais. Porém, o povoado atraiu pessoas de diversas
regiões do nordeste. E os fazendeiros perdiam seus empregados que viam no arraial uma
possibilidade de rompimento dos laços de dependência. Conselheiro criticava o governo
republicano, e não aceitava as leis imposta por ele.
O movimento que tinha como causa principal a miséria do povo do Sertão foi
combatido com extrema dureza. Foi preciso cinco expedições militares para acabar com o
povoado, durante os conflitos Antônio Conselheiro é morto e todas as pessoas residentes
no arraial foram massacradas. O governo poderia tratar o problema de outra maneira, mas
resolveu liquidá-lo. Prudente de Morais, com o apoio dos latifundiários resolveu a questão
com o uso de força militar e muita repressão. Combatido por tropas militares, Canudos
resistiu até o esgotamento completo e foi liquidado em 1897.

53
BUSQUE POR MAIS
Filme: Guerra de Canudos, 1997. Direção: Sérgio Rezende.

LINK: https://bit.ly/3pWVQdc

VAMOS PENSAR?
AS FONTES HISTÓRICAS

“O historiador se vale de uma série de fontes que incluem desde documentos oficiais, até notí-
cias na imprensa ou mesmo coisas aparentemente inesperadas com o rótulo de um remédio.
Tudo depende do tipo e do tema de sua pesquisa”.
Bóris Fausto

No caso de Canudos, uma relevante fonte histórica é a obra literária Os Sertões (1902) – conside-
rado o primeiro livro reportagem brasileiro. Um relato histórico, misturado à literatura.
O escritor Euclides da Cunha presenciou parte da Guerra como correspondente do jornal Esta-
do de São Paulo e escreveu sobre sua experiência.

O que ocorreu em Canudos é também conhecido como um Movimento Messiânico,


pois seu líder pregava valores religiosos como uma maneira de superar a miséria e
desenvolver a comunidade. No sertão da Bahia a figura carismática chamada de Antônio
Conselheiro lançava profecias como “o sertão vai virar mar”, tornando-se uma mistura de
líder espiritual, profeta e líder político.

FIQUE ATENTO
Antônio Vicente Mendes era seu nome de batismo. Tinha sido comerciante, caixeiro-viajante,
amansador de cavalos e beato.

O messianismo encontrou terreno fértil em áreas rurais e pobres do Brasil que


reagiam à miséria. A religiosidade, a revolta contra a omissão do governo, o repúdio à
opressão e às injustiças da república dos coronéis ou elites, fizeram com que líderes
messiânicos ganhassem seguidores. Outro caso, no período da Primeira República foi a
Guerra do Contestado e o monge João Maria.

GLOSSÁRIO
Messiânico: relativo à Cristo, ao Messias, filho de Deus.

Arraial: povoado, lugarejo.

54
• Contestado (1912-1916)

A Guerra do Contestado teve início em outubro de 1912 na região Sul do país. Um


conflito armado no qual se enfrentaram as forças do governo (federal e estadual) e
sertanejos que viviam na região das terras que estavam sendo disputada pelos estados de
Santa Catarina e do Paraná. O conflito se estendeu por quatro anos e deixou mais de dez
mil mortos.
Machado (2018, online) relata que na região de fronteira entre Santa Catarina e
Paraná alguns grupos formados por oficiais da Guarda Nacional, grandes fazendeiros e
empresários estrangeiros (como os proprietários da Companhia Estrada de Ferro São Paulo
– Rio Grande e da madeireira de Três Barras) e chefes políticos locais chamaram as forças
militares.
O autor aponta que entre as razões do conflito estava a luta pela terra, a resistência
ao Coronelismo e a reação ao deslocamento compulsório de populações que lá residiam
para que fosse construída uma linha férrea passando pelo local. O nome de Guerra do
Contestado se dá, pois a área onde se desenrolou o embate era disputada e sua posse
contestada há tempos:
Inicialmente havia a disputa entre Brasil e Argentina sobre os Campos de Pal-
mas, porção de mais de 30 mil km² localizada entre os rios Uruguai e Iguaçu.
Em 1895, através da arbitragem do Presidente Cleveland, dos Estados Unidos, o
Brasil venceu esta questão. Localmente, permanecia a disputa dos Campos de
Palmas entre os Estados de Santa Catarina e Paraná. Os catarinenses se base-
avam em documentos judiciários e militares do período colonial, que definiam
como divisa ao norte de sua Capitania os leitos dos rios Negro e Iguaçu. Já os
paranaenses, recém emancipados (em 1853) da Província de São Paulo, argu-
mentavam pela ocupação efetiva do território, [...] já que foram os paulistas que
haviam estabelecido as primeiras fazendas e os primeiros núcleos urbanos. [...]
No início da República os catarinenses ingressaram com uma ação no Supremo
Tribunal Federal e, em 1904, conseguiram uma sentença favorável aos limites
pleiteados junto ao Estado do Paraná. Os paranaenses entraram com recursos
e embargos, mas nos anos de 1909 e 1910 Santa Catarina teve sua sentença fa-
vorável confirmada pelo STF. Apesar da vitória na justiça, o governo paranaense
não se submeteu ao resultado, arguindo a inconstitucionalidade da decisão e
colocando todo o peso político do Estado para evitar a execução da sentença.
Permanecia o impasse sobre a jurisdição sobre os territórios contestados. (MA-
CHADO, 2018, online)

Nas matas e faxinais da região “vivia uma população nacional, os chamados caboclos,
muitos indígenas destribalizados, descendentes de africanos e população mestiça, que
compunham a principal camada de trabalhadores pobres da região”. (MACHADO, 2018,
online). E circulavam pela região indivíduos que foram denominados como “monges” e
“profetas” pela população sertaneja. Dos quais o mais famoso foi o monge João Maria.

[...] um religioso leigo, que sinalizava determinadas fontes de águas, que logo
passaram a ser denominadas pela população como “águas santas” ou “águas
do monge”. O culto a João Maria passou a fazer parte do cotidiano de diferen-
tes camadas da população planaltina, o que implicava em seguir determinados
padrões de comportamento, atitudes de defesa das fontes de águas, restrições
às queimadas e noções anticapitalistas próprias de um catolicismo popular. Se-
gundo a tradição popular, João Maria profetizava sobre o futuro, criticava os no-
vos tempos e divulgava um discurso apocalíptico que era muito bem recebido
pela população pobre (MACHADO, 2018, online).

55
VAMOS PENSAR?
Devoção ainda na atualidade

Mesmo com o final da Guerra do Contestado as reuniões dos sertanejos não acabaram. As po-
lícias do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram chamadas diversas vezes nos anos
que se seguiram para reprimir novas reuniões em Mafra, SC (1921), Pitanga, PR (1922), Concórdia,
SC (1924-25), Soledade, RS (1935-38) e Timbó Grande, SC (1942). Outro ponto que perdurou (esse
até os dias de hoje) foi o culto a figura de João Maria. “A tradição de São João Maria ainda é
muito forte em várias comunidades do sul do Brasil, desde comunidades caboclas, indígenas,
quilombolas e, também, de descendentes de imigrantes que, com o tempo, também ‘acabocla-
ram-se’” (MACHADO, 2018, online).

GLOSSÁRIO
Compulsório: obrigatório, forçado.

Faxinais: sistema de produção camponês tradicional, característico da região Centro-Sul do


Paraná baseado no uso coletivo da terra para produção animal e a conservação ambiental.
Os animais são criados soltos em criadouros comunitários; é feita uma produção agrícola para
consumo e comercialização; e é extraído da floresta produtos como a erva-mate e outras es-
pécies nativas.

4.4 MODERNIDADE E URBANIZAÇÃO

Mas se nas áreas pobres rurais o progresso tão prometido pelos republicanos
dificilmente se fazia ver. Nos grandes centros urbanos o cenário era outro. As cidades se
esforçavam para exibir em suas ruas um ar de modernidade.
As construções fabris mudaram a fisionomia das cidades. Na primeira República, São Paulo
foi cenário de expansão econômica e urbanização. Onde antes eram chácaras observa-se o
surgimento de bairros operários. Além disso, em São Paulo a atividade cafeeira continuou
fortemente.
No norte, até a grande crise da borracha, por volta de 1910 (devido às plantações
inglesas na região da Malásia), a riqueza concentrada permitiu um desenvolvimento
econômico e uma mudança na fisionomia de cidades como Manaus e Belém.
Na presidência o sucessor de Prudente de Morais foi Campos Salles (1898-1902) e
este foi o responsável por consolidar o poder dos fazendeiros, dando início da política
café com leite. Após o seu mandato, o eleito foi Rodrigues Alves (1902-1906) cujo um
dos principais pontos de seu plano de governo era implementar um plano de reformas
urbanas e sanitárias na Capital Federal (RJ). Nesse plano estava previsto: a modernização
dos portos, o alargamento das ruas, a higienização do centro da cidade e a construção de
novos edifícios.
Para essa reforma deu amplos poderes para o então prefeito do Rio de Janeiro, o
engenheiro Pereira Passos, e ao diretor do serviço de saúde pública, o médico sanitarista
Oswaldo Cruz.
Com isso sua intenção era tornar a cidade mais limpa, moderna e atraente para

56
investidores estrangeiros e para trabalhadores imigrantes. Outra intenção era mudar
os costumes dos habitantes. Além de uma capital “moderna”, as elites desejavam que a
população fosse “civilizada”, comportando-se de acordo com valores europeus.

VAMOS PENSAR?
Cultura erudita X Cultura popular

Durante as reformas urbanas no Rio de Janeiro na Primeira República, serenatas, capoeira e


outros costumes considerados “perturbadores da ordem” foram reprimidos.
Nesse momento no Brasil havia uma grande valorização da cultura considerada erudita, tida
supostamente como superior. Nesse contexto, erudito era aquilo que era produzido pela elite
intelectual europeia. As elites brasileiras valorizavam e se espelhavam na moda, literatura, mú-
sica, a pintura e o teatro produzidos na Europa, em especial da França.

A valorização apenas da cultura tida como erudita é uma visão pode causar o preconceito cul-
tural e reduzir o valor estético da cultura popular.
O Brasil é um país enorme e que recebeu ao longo de sua história, povos vindos de diferentes
locais do mundo. Essas interações produziram diferentes manifestações artísticas e culturais
que fazem parte de nosso patrimônio. A cultura popular é importante, pois, surge do repasse de
tradição, da construção coletiva e da pluralidade.
A cultura popular brasileira é bastante diversa, podemos citar manifestações como grafite, rap,
hip hop, funk, a capoeira, entre muitos outros.

As mudanças previstas no plano de reformas podem ser vistas nas obras da Avenida
Rio Branco no centro do Rio de Janeiro, que no início do século XX, teve suas ruas estreitas
e calçamento precário totalmente transformado em amplas e modernas vias, nas quais
poderia melhor circular.
É importante ressaltar que muitas transformações vindas com a reforma da cidade
envolveram sacrifícios das pessoas mais pobres que moravam no centro, que tiveram que
se deslocar ou para os subúrbios ou para as favelas que estavam começando a crescer nos
morros do Rio de Janeiro.
Bota abaixo – assim ficou conhecido esse momento da história do Rio de Janeiro.
Em referência a derrubada de cortiços para a construção de ruas largas e modernas.
Movidos pela intenção de embelezar e melhorar o tráfego de pessoas. Durante a reforma
de Pereira Passos muitos prédios antigos foram demolidos e milhares de pessoas ficaram
desabrigadas. As pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, porém, sem indenização ou
novo local. A população passou a ocupar o subúrbio ou os morros, onde as condições eram
precárias e não havia saneamento básico.
Na construção da Avenida central em 1904, todos os prédios em estilo colonial foram
demolidos e substituídos por edifícios em estilo neoclássico inspirados em Paris.
As obras foram construídas de maneira autoritária e com repressão policial, gerando
grande insatisfação popular.

• A Revolta da Vacina

Em meados de 1904 estourou uma revolta no Rio de Janeiro, em protesto contra a


obrigatoriedade então decretada da vacinação contra a varíola. Durante uma semana se
levantou barricadas nas ruas, houve depredação de edifícios, bondes foram queimados e

57
lojas saqueadas.
As razões para esses atos foram uma soma de vários fatores: a população estava
cansada das medidas autoritárias do governo, da truculência e do clima de tensão causado
pelas reformas. Havia também uma falta de conscientização pela importância da vacina.

Figura 10: Charge publicada no jornal Tagarela em


1904, em referência a obrigatoriedade da vacina e a

Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3axv7gI


Acesso em 15 jan. 2021
reação do povo.
Após a revolta, a vacinação deixou de ser obrigatória e tornou-se voluntária (mas
a campanha continuou). Apesar da Revolta, a campanha foi um sucesso e dentro de
poucos anos a varíola estava erradicada na cidade. O programa foi sendo expandido até a
erradicação completa da varíola no Brasil na década de 1970.

• Os conflitos na Primeira República e a violência

Quando tratamos desse período histórico do Brasil é notório tanto o fato de terem
havido muitos conflitos, da luta entre oposição e governo persistir durante todo o período
da Primeira República. Como a violência e a forma dura com que eram suprimidos.
No que diz respeito ao povo e aos movimentos sociais, em diversas regiões, e com
diferentes motivações, ocorreram revoltas e diferentes formas de atuação dos grupos
sociais que se organizam e buscaram melhorias na sua condição de vida. Realizados por
militares, operários ou pessoas com condições de vida ruins.

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Através do livro A República cantada você poderá acompanhar a República brasi-
leira em seu processo histórico - desde a queda da monarquia aos tempos atuais
- através de músicas. Além de informações históricas, verá a relação entre a Repú-
blica e a música popular.

LINK: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788537813058/epubc-
fi/6/4%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dbody002%5D!/4/4%400.00:0

58
FIXANDO O CONTEÚDO
1 - (CESGRANRIO com adaptações) O governador Rodrigues Alves (1902-1906) foi responsável
pelos processos de modernização e urbanização da Capital Rio de Janeiro. Coube ao
prefeito Pereira Passos a urbanização da cidade e ao Oswaldo Cruz o saneamento, visando
a combater principalmente a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. Essa política de
urbanização saneamento público, encontrou forte oposição junto à população pobre da
cidade e à opinião pública por que: UHWLUDURVGRLVSRQWRV

a) mudava o perfil da cidade e acabava com os altos índices de mortalidade infantil entre
a população pobre.
b) desabrigava milhares de famílias, em virtude da desapropriação de suas residências, e
obrigava a vacinação antivariólica.
c) implantava uma política habitacional e de saúde para as novas áreas de expansão urbana,
em harmonia com o programa de ampliação dos transportes coletivos.
d) provocava o surgimento de novos bairros que receberiam, desde o início, energia elétrica
e saneamento básico.
e) transformava o centro da cidade em área exclusivamente comercial e financeira e
acabava com os infectos quiosques.

2-

A imagem acima é de uma estátua do monge João Maria. A qual movimento que desafiava
o poder republicano e acreditava no estabelecimento de um Reino sagrado na região esta
figura está relacionada:

a) Ao anarquismo em São Paulo.


b) A Guerra de Canudos. UHWLUDURVGRLVSRQWRV
c) Guerra do Paraguai. UDFUVFHQWDUSRQWR
d) A Revolução Farroupilha. ILQDOQD~OWLPD
e) A Guerra do Contestado DOWHUQDWLYD

3 - A violência contra o homem do campo, na República Velha (1889-1930) gerou tensões


sociais que explodiram em movimentos de resistência de caráter religioso e místico. Dentre
eles está o exemplo do:

a) Cidade da Barra do Monte, Pará. DFHUHVFHQWDUGR D H


b) Povoado de Bela Vista, Canudos. UHWLUDURVGRLVSRQWRV

59
c) Feira Cristã, São Vicente.
d) Santuário de Nossa Senhora Aparecida, Aparecida.
e) Monte Santo, Manaus.

4 - (ESPM-2007) No Rio Grande do Sul, a violência atingiu um grau de sofisticado barbarismo,


tendo até matadores profissionais, como Adão Latorre, homem que trabalhava para os
‘maragatos’ executando ‘pica-paus’. Durante a luta, tanto ‘pica-paus’ como ‘maragatos’
praticaram atos de extrema violência e barbarismo.
(MOCELLIN, Renato. A Revolução da Degola)

O texto deve ser relacionado com:

a) A Revolução Farroupilha. UHWLUDURVGRLVSRQWRV


b) A Revolução Praieira. ,QLFLDUDVDOWHUQDWLYDV
FRPOHWUDPLQ~VFXOD
c) A Confederação do Equador.
d) A Revolução Federalista.
e) A Guerra do Contestado.

5 - Movimento que se iniciou no Rio Grande do Sul em 1893 em oposição ao governo legal
de Floriano Peixoto.

a) Encilhamento
b) Revolta Armada
c) Guerra de Canudos
d) Revolução Federalista LQVHULUSRQWRILQDOQDV
e) Tenentismo DOWHUQDWLYDV

6 - Novo nome dado a Capital Catarinense em 1894, como uma homenagem ao então
presidente e com parte de um programa político-ideológico de legitimação do governo.

a) Florianópolis
b) Presidente Figueiredo
LQVHULUSRQWRILQDOQDV
c) João Pessoa DOWHUQDWLYDV
d) Presidente Prudente
e) Governador Celso Ramos

7 - Uma das medidas aplicadas à cidade do Rio de Janeiro a partir de 1903, que auxiliou as
práticas de higienismo que culminaram na Revolta da Vacina, em 1904, foi:

a) a criação do aterro do Flamengo.


b) a construção da ponte Rio-Niterói. UHWLUDURVGRLVSRQWRV
c) a deportação de imigrantes.
d) a reforma urbana de Pereira Passos.
e) a criação de campos de concentração para doentes de varíola.

8 - A Revolta da Armada

a) foi uma revolta decorrente da insatisfação dos pilotos da aeronáutica brasileira com o

60
governo de Floriano Peixoto.
b) foi um conflito travado no Rio Grande do Sul entre duas forças que disputavam o poder
naquele estado.
c) foi uma rebelião de membros da marinha contra os castigos físicos dos escravos.
d) foi motivada pela insatisfação do exército com a violenta repressão a Canudos.
e) foi resultado da insatisfação da marinha com o governo do Marechal Floriano Peixoto.

61
05
AS ORGANIZAÇÕES DOS UNIDADE
TRABALHADORES

62
5.1 INTRODUÇÃO
• Imigração

No início da República ocorreu uma grande imigração vinda para o Brasil,


principalmente de europeu (italianos, portugueses, espanhóis, alemães), mas também de
povos de outras nacionalidades como japoneses, libaneses e sírios.
Desde a época da proibição do tráfico de escravos africanos (1850), diversos grupos
da elite brasileira defendiam a ideia de trazer imigrantes para o país para suprir a demanda
de mão de obra. Com a abolição em 1988, essa ideia ganhou mais amplitude. O governo
Republicano deu incentivos à imigração, investindo em subsídios de viagem (ajuda em
dinheiro) para as famílias que quisessem vir ao Brasil.

• Campo

Muitos imigrantes que vieram para cá na primeira República foram trabalhar nos
cafezais em regime de colonato. Nesse tipo de contrato, todos os integrantes da família
deveriam trabalhar na lavoura de café. Em troca cada família recebia uma parte do café
colhido e uma pequena remuneração.

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Colonos do Café - Maria Sílvia Beozzo Bassanezi

LINK: https://bit.ly/3aHc9UQ

• Cidades

Boa parte dos imigrantes se estabeleceu nos centros urbanos. Podemos tomar como
exemplo a cidade de São Paulo:

A partir de 1890, a cidade de São Paulo começou a crescer em ritmo acelerado


[...] Mas a grande arrancada se deu entre 1890 -1900, período em que a popula-
ção paulistana passou de 64.934 habitantes para 239.820, registrando uma ele-
vação de 268% em dez anos, a uma taxa geométrica de 14% de crescimento
anual. [...] O crescimento da cidade deveu-se não só à sua consolidação como
grande mercado distribuidor, mas também ao influxo da massa de imigrantes.
Apesar da escassez de dados, há indícios de que imigrantes subvencionados ou
não permaneceram na cidade, onde as oportunidades de ascensão eram maio-
res. É provável também que o fluxo rural-urbano no Estado tenha ocorrido já na
última década do século, logo após o fim dos primeiros contratos de formação
de café. (FAUSTO, 1976, p.8).

No início o século XX aumentaram as oportunidades de emprego nas cidades


brasileiras. O aumento do número de indústrias trouxe a necessidade de mais mão de obra.
Também reformas urbanas e modernização de muitas cidades provocaram a demanda
por trabalhadores para obras públicas e construção civil. Outra possibilidade era trabalhar
nos comércios, setor que crescia, principalmente naquelas cidades em que os postos e

63
ferrovias estavam sendo modernizados. Também como ambulantes, ou abrindo seus
próprios negócios.
Nas indústrias a maior parte dos operários eram de imigrantes. Muitos eram mulheres
e crianças que ganhavam um salário inferior ao dos homens. Operários que trabalhavam
de 10 a 14 horas e geralmente em locais insalubres.
Com a Revolução Industrial ocorrida na Europa se modifica a maneira de se fabricar
as coisas: as ferramentas foram substituídas pelas máquinas, a energia humana por outras
fontes de energia mecânica e o modo de produção doméstico pelo sistema de produção
nas fábricas. Para o trabalhador isso tem um grande impacto: a introdução de máquinas nas
fábricas aumentou a produção e o rendimento do trabalho, mas as condições de trabalho
eram em geral muito precárias e exaustivas. Surgiram os bairros operários e formou-se
uma classe operária.
O desenvolvimento das sociedades industriais contribuiu para consolidar o capitalismo
como modo de produção dominante e marcou o surgimento de duas classes sociais: a
burguesia – classe social do regime capitalista, onde seus membros são proprietários do
capital, ou seja, comerciantes, industriais, proprietários de terras, possuidores de riqueza
e dos meios de produção (fábricas, máquinas) e do lado oposto, o proletariado – classe
operária, cujo único bem é a força de trabalho (vende sua força de trabalho em troca de um
salário).
Nesse modo de produção, o trabalhador produz a riqueza, mas não participa dela.
Na busca pelo lucro, a consequência direta do capitalismo é a desigualdade social entre
trabalhadores e capitalistas. A exploração dessa classe trabalhadora teve como reação o
surgimento no século XIX de teorias como o socialismo, comunismo e o anarquismo. Os
trabalhadores começaram a se organizar e se articular buscando melhorar suas condições
de vida e de trabalho.

5.2 A CIRCULAÇÃO DE IDEIAS: O SOCIALISMO,


O COMUNISMO E O ANARQUISMO.

FIQUE ATENTO
Sistema Capitalista:
O capitalismo é um modo de organizar a economia, isto é, a produção e a troca de bens e ser-
viços. Uma economia capitalista reúne três elementos-chave, que a definem: a propriedade
privada dos meios de produção, o mercado de trabalho e a troca de produtos num mercado
visando ao lucro. (PESCHANSKI, 2012, online)

Socialismo
Sistema econômico que procura alcançar a igualdade entre os membros da sociedade, man-
tendo os bens de produção como bens coletivos.

Comunismo
Sistema econômico e político que defende uma sociedade sem classes. Nele, os meios de pro-
dução e outros bens pertencem ao governo e a produção é dividida igualmente entre todos.

64
Durante as primeiras décadas do século XX, a indústria brasileira registrou alto índice
de expansão. O comércio internacional estava em declínio pelo contexto da Primeira Guerra
Mundial, o que ocasionou a necessidade de substituir as importações e produzir mais. Com
o aumento das atividades industriais, aumentou também o contingente de trabalhadores,
o que fortaleceu a organização dos operários. Dulles (1977, p. 19) relata que em 1990
aproximadamente 90% da força industrial de São Paulo era composta por imigrantes.
Na Europa o movimento de trabalhadores já era bastante desenvolvido e tinha traços
de maior organização. Parte dos imigrantes que vieram da Europa para cá tinham contato
direto com ideias que possuíam força entre os operários europeus, como o socialismo e o
anarquismo.
No Manifesto Comunista de 1848 é possível ver as preocupações que circulavam entre
os trabalhadores. O documento representa a luta pelos direitos sociais na Europa. É um
documento interessante porque narra como se constitui a sociedade industrial: avanços
tecnológicos, formação da burguesia, condições de trabalho. No qual Karl Marx defende
que “A história de todas as sociedades é a história da luta de classes” e a necessidade da
adesão a um sistema socialista/comunista para uma sociedade mais justa.
O socialismo é um sistema econômico e ideológico que defende a igualdade entre
os membros da sociedade, em resposta a exploração dos trabalhadores. O socialismo é um
sistema que procura alcançar a igualdade entre os membros da sociedade no qual toda a
propriedade privada é vista como um roubo e deve ser banida da sociedade (no momento
se contestava a propriedade da burguesia capitalista). O comunismo, por outro lado, seria
o resultado da implantação das ideias socialistas, a etapa final.
Essas ideias circularam também pelo Brasil, muitos trabalhadores eram socialistas.
Em 1902 é fundado o Partido Socialista Brasileiro. A presença de anarquistas também era
muito forte no movimento operário. Os anarquistas defendiam a eliminação do Estado e
de todo tipo de instituição como única forma de conseguir liberdade humana e acabar
com a alienação.

5.3 AS ORGANIZAÇÕES DOS TRABALHADORES URBANOS.

Enquanto o processo de industrialização se acelerava, os trabalhadores procuravam


formas de obter dos empresários e políticos, algo que lhes assegurassem melhores
condições, alguma proteção como trabalhadores que pudesse levar a criação de direitos
sociais relativos ao trabalho.
Os operários reivindicavam seus direitos e passaram a se organizar. Em 1906 foi
realizado o primeiro Congresso Operário Brasileiro.

Congresso realizado entre 15 e 20 de abril de 1906 na sede do Centro Galego, na


rua da Constituição, nº 30 e 32, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. O Pri-
meiro Congresso Operário Brasileiro foi um evento importante para o movimen-
to operário, tendo sido o primeiro esforço de luta coordenada dos trabalhadores
de várias partes do país. Nele foi evidente a influência do sindicalismo revolucio-
nário, teoria e prática que caracterizou grande parte do movimento sindical em
várias partes do mundo naquele momento, com a defesa entusiasta da ação di-
reta. No Brasil, a ação direta predominava no movimento operário de São Paulo,
e tinha também forte influência no movimento do Rio de Janeiro e em outras
partes do país. Os trabalhadores reunidos no congresso revelaram sentir-se par-
te do movimento sindicalista internacional. O operariado francês foi apontado
como modelo a ser seguido. (TOLEDO, online).

65
Um importante instrumento de protesto dos trabalhadores foi através das greves.
Entre 1917 e 1920 nos principais centros urbanos do país foram realizadas inúmeras greves.
A mais relevante delas, foi a greve geral de 1917, quando em São Paulo ocorreu uma
paralisação geral dos trabalhadores das fábricas de tecidos. Após essa greve foi sancionada
uma lei para expulsar os anarquistas do Brasil. Mais um passo na repressão aos anarquistas
no Brasil. “Entre 1907 e 1930, a perseguição aos anarquistas foi implacável. O governo não
dava trégua: prendia, torturava, deportava para o Acre e expulsava do país os elementos
mais ativos” (VALENTE, 1994, p.265).

Figura 11: Primeira greve geral de trabalhadores do Brasil, 1917


Fonte: Disponível em: https://bit.ly/39Sk4zt Acesso em 30 dez. 2020

Devido as péssimas condições de vida dos trabalhadores, e a expansão das ideias


socialistas na Europa, as articulações dos trabalhadores cresciam. Como podemos ver no
trecho abaixo, as reinvindicações eram por melhores condições e por direitos.
No dia 4 de maio [de 1919] o Conselho-Geral dos Operários, constituído de repre-
sentantes de todas as fábricas da cidade, formulou uma lista de reivindicações
na sede da União Operária do Brás. Estava em primeiro lugar o dia de oito horas.
Os trabalhadores novamente pediram a proibição do trabalho de menores de 14
anos e do trabalho noturno das mulheres (DULLES, 1973, p. 74).

Essas ações geraram uma reação do governo brasileiro que criou leis para punir ou
banir os estrangeiros que chegassem ao Brasil com intuito de mobilizar os trabalhadores.
A partir daí as questões reivindicatórias dos operários passaram a serem vistos como “caso
de polícia”, com a perseguição e punição de imigrantes que tivessem envolvimento nas
greves do período (ALVES, 2017).

FIQUE ATENTO
Lei Adolfo Gordo de 1904 /Lei Celerada de 1927.

66
Em 1922 criou-se no Brasil o Partido Comunista Brasileiro o PCB, organização que
teve grande relevância no processo da organização do movimento operário no Brasil. E aos
poucos começaram a ser tomadas algumas iniciativas para a criação de uma legislação
social no país e o controle dos contratos de trabalho. Contudo, foi só a partir de 1930 que
uma legislação relativa ao campo do trabalho foi realmente implementada. Sendo o direito
social brasileiro um grande mote da Era Vargas (ALVES, 2017).

VAMOS PENSAR?
Na imagem de 2014, uma greve de 10 mil operários da construção civil em Forta-
leza, cujas demandas eram por melhoria salarial, aumento no benefício do plano
de saúde, melhores condições de trabalho, aumento nos auxílios da cesta básica,
combustível e creche.
Podemos pensar que os movimentos sociais de trabalhadores ainda hoje utilizam
de méto-dos parecidos com o dos operários da Primeira República, como as greves
e a organização sindical. E que a luta pelos diretos trabalhistas no Brasil tem um
longo caminho e que ainda segue. Para refletir sobre o assunto, acesse:

LINK: https://bit.ly/2MUJKm6

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Para saber mais acerca do início do processo de industrialização no Brasil e da
penetração das ideias anarquistas entre os trabalhadores através da imigração
estrangeira - principalmente portugueses, italianos e espanhóis, e a forma como o
governo brasileiro lidou com isso

LINK: https://bit.ly/2NaLFDm

67
5.4 O MODERNISMO NA ARTE BRASILEIRA

Outro ponto efervescente nas primeiras décadas do século XX no Brasil era a


preocupação em se discutir a identidade e os rumos da nação.

Todos tinham algo a dizer - políticos, militares, empresários, trabalhadores, mé-


dicos, educadores, mas também artistas e intelectuais. Como deveria ser o Brasil
moderno? Através da literatura, das artes plásticas, da música, e mesmo de ma-
nifestos, os artistas e intelectuais modernistas buscaram compreender a cultura
brasileira e sintonizá-la com o contexto internacional. (CPDOC, online)

Do ponto de vista cultural foi um momento bastante produtivo. Partindo da vontade


de criar uma identidade nacional através da arte, artistas como Oswald de Andrade,
Mário de Andrade e Tarsila do Amara, buscaram fazer uma arte genuinamente brasileira.
Trabalhos que puderam ser vistos na Semana de Arte Moderna que ocorreu em 1922 em
São Paulo, evento que foi um marco do movimento modernista brasileiro.

Figura 12: Vários trabalhos da arte modernista de Tarsila do Amaral


Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3p0D0R4 Acesso em 30 dez. 2020

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A República revisitada: construção e consolidação do projeto republicano brasilei-
ro de Cláudia M. R. Viscardi, José Almiro de Alencar.

LINK: https://bit.ly/3tCiIRs

68
FIXANDO O CONTEÚDO
1 - (UNIFESP-2005) “Será exagero… dizer-se que os colonos se acham sujeitos a uma nova
espécie de escravidão, mais vantajosa para os patrões do que a verdadeira, pois recebem
os europeus por preços bem mais moderados do que os dos africanos… Sem falar no fato
do trabalho dos brancos ser mais proveitoso do que odos negros?”.
DAVATZ, Thomas, Memórias de um colono no Brasil, 1854-1857

Do texto pode-se afirmar que: UHWLUDURVGRLVSRQWRV

a) denuncia por igual a escravidão de negros e brancos.


b) revela a tentativa do governo de estimular a escravidão branca.
c) indica a razão pela qual fracassou o sistema de parceria.
d) defende que o trabalho escravo é mais produtivo que o livre.
e) ignora o enorme prejuízo que os fazendeiros tiveram com a contratação dos colonos.

2 - “A economia brasileira prosperou durante toda a segunda metade do século XIX. Esse
desenvolvimento desenvolveu-se principalmente, ao progresso continuado da cafeicultura.
Diante dos problemas criados pela expansão econômica sobressai a escassez de mão de
obra. Esse desenvolvimento traduz-se numa efetiva ‘fome de braços’”.
IANNI, Otavio. História geral da civilização brasileira. (com adaptações)

No contexto do texto acima, qual o significado da expressão “fome de braços”?

a) significa falta de comida para os trabalhadores da agricultura cafeeira. LQLFLDUWRGDV


b) significa a falta de trabalhadores para a agricultura cafeeira. DOWHUQDWLYDVFRP
c) significa que no século XIX ainda havia tribos de canibais no Brasil. PDL~VFXOD
d) significa o excesso de oferta de trabalhadores na agricultura cafeeira.
e) significa falta de comida por excesso de trabalhadores.

3 - (FGV-2005) [...] tem-se ressaltado o [seu] caráter espontâneo [...] e não há motivo para se
rever o fundo dessa qualificação. A ausência de um plano, de uma coordenação central,
de objetivos pré-definidos é patente. Os sindicatos têm restrito significado; o Comitê de
Defesa Proletária — expressão da liderança anarquista e em menor escala socialista —
não só se forma no curso do movimento como procura apenas canalizar reivindicações. O
padrão de agressividade da greve relaciona-se com o contexto sociocultural de São Paulo
e com a fraqueza dos órgãos que poderiam exercer funções combinadas de
representação e controle.
FAUSTO, Boris. Trabalho urbano e conflito social.

O texto faz referência:

a) à Greve Geral de 1917. UHWLUDURVGRLVSRQWRV


b) à Greve pelas oito horas de 1907.
c) à Intentona Comunista de 1935.
d) à Revolução Constitucionalista de 1932.

69
e) ao Levante Tenentista de 1924.

5 - (MACK-2004) Em poucos anos, entre o final do século XIX e início do XX, a capital paulista
consolidou-se como grande centro capitalista, integrador regional, mercado receptor e
distribuidor de produtos e serviços, fatores vinculados ao crescimento da produção cafeeira.
MATOS, Maria Izilda. A cidade em debate.

A respeito da cidade de São Paulo e da sua relação com a economia cafeeira, podemos
afirmar que:
UHWLUDURVGRLVSRQWRV

a) o café acumulou capitais para a indústria e atraiu a mão de-obra imigrante, favorecendo,
também, o crescimento da população urbana. UHWLUDUR
SDODYUD
b) a entrada de imigrantes foi um fator negativo para a diversificação da economia regional.
REUD
c) a Lei das Terras, de 1850, contribuiu para a acumulação de capitais pelo trabalhador
imigrante em São Paulo, possibilitando, a ele, ter amplo acesso à propriedade fundiária.
d) as fazendas de café do oeste paulista permaneceram utilizando trabalho escravo, ao
contrário da mentalidade empresarial da burguesia agrária do Vale do Paraíba.
e) embora a produção cafeeira fosse considerável, não suplantou, em fins do século XIX,
o açúcar no comércio de exportação e isso garantiu o poder político para os senhores de
engenho.

6 - Nas primeiras décadas do século XX aceleraram-se a industrialização, a urbanização, o


crescimento do proletariado e do empresariado. De outro lado, permaneceram a tradição
colonialista, os latifúndios, o sistema oligárquico e o desenvolvimento desigual das regiões.
CPDOC.
Disponível em: http://cpdoc.fgv.br/ Acesso em: 30 dez. 2020.

O contexto a que refere o texto é

a) a Era Vargas.
b) a Primeira República no Brasil.
LQVHULUSRQWRILQDOHD
c) a Guerra do Contestado.
~OWLPDDOWHUQDWLYD
d) o Período Regencial no Brasil HVFUHYHUFRPOHWUD
e) A Republica da Cisplatina. PLQ~VFXOD

7 - (FATEC-2009 – com adaptações) Considere o texto.


Entre 1906 e 1920, [...] foram realizadas três Congressos operários no Brasil, que reuniram
sindicatos e associações de todo o pais. Realizados no rio de Janeiro, tais Congressos
contaram com praticamente todos os estados brasileiros.
DECCA, maria Auxiliadora Guzzo de. Industria, trabalho e cotidiano: Brasil – 1889 a 1930. São Paulo: Atual, 1991, p.83.

Os Congressos, a que o texto se refere,

a) legitimaram as associações beneficentes, reconhecendo-as como as únicas capazes


de trazer benefícios sociais e econômicos aos trabalhadores rurais e, principalmente, aos
operários.
b) foram organizados pelo Partido Comunista do Brasil, que conseguiu aprovar resoluções
iguais as estabelecidas pelas Internacionais Sociedades, realizada após a Revolução Rússia.

70
c) aprovaram resoluções com o objetivo de unir os trabalhadores na luta por reivindicações
imediatas e de organizar a classe operária para a construção de uma sociedade igualitário.
d) proibiram a participação de estrangeiros na composição dos sindicatos por considerá-
los agentes radicais de organizações internacionais, descomprometidos com os brasileiros.
e) tiveram como ideólogos que representavam a corrente majoritária no interior do
movimento do dos trabalhadores naquele contexto histórico.

8 - (UNIFESP-2007) Em tempos de forte turbulência republicana, o ano de 1922 converteu-


se em marco simbólico de grandes rupturas e da vontade de mudança. Eventos como a
Semana de Arte Moderna, o levante tenentista, a criação do Partido Comunista e ainda
a conturbada eleição presidencial sepultaram simbolicamente a Velha República e
inauguraram uma nova época.
CAMARGO, Aspásia. “Federalismo e Identidade Nacional”, Brasil, um século de transformações. 2001.

Pode-se afirmar que a situação descrita decorre, sobretudo,

a) do forte crescimento urbano e das classes médias.


b) do descontentamento generalizado dos oficiais do Exército.
c) da postura progressista das elites carioca e paulista.
d) do crescimento vertiginoso da industrialização e da classe operária.
e) da influência das vanguardas artísticas europeias e norte- americanas.

71
06
O FIM DA PRIMEIRA REPÚBLICA UNIDADE

72
6.1 INTRODUÇÃO

A Primeira República (1889-1930) tinha suas bases na aliança entre as oligarquias (a


política do café com leite) que para a manutenção do poder se alternavam através de seus
representantes na presidência do país. Contudo, a partir de 1920 esse cenário começa a se
modificar.
Grupos das elites de outros estados estavam descontentes por não participar das
principais decisões do país. Era o caso das oligarquias do Rio Grande do Sul, Bahia e Rio de
Janeiro que em 1922 indicam como candidato Nilo Peçanha (que acabou perdendo), em
oposição ao mineiro Arthur Bernardes.
No exército também havia insatisfações que deram origem ao movimento tenentista.
Nos anos de 1930, a oligarquia mineira se junta a oposição que lança o nome de Getúlio
Vargas ao poder. Sua derrota para o paulista Júlio Prestes está no cerne da Revolução
de 1930. O descontentamento de vários grupos sociais e uma grave crise econômica
provocaram o colapso da primeira República.

6.2 A CRISE OLIGÁRQUICA

O contexto estava mudando, o poder das oligarquias paulista e mineira já não era tão
hegemônico. No Brasil na década de 1920 novos grupos sociais passaram a exercer influência
política e econômica no país. A sociedade urbana era formada por grupos distintos, tanto
industriais, quanto comerciantes, funcionários públicos e profissionais liberais. Ao alcançar
um maior poder aquisitivo, eles também passam a reivindicar maior participação política
e participar das decisões econômicas.
Com o desenvolvimento das indústrias no país, formou-se uma burguesia industrial.
Essa burguesia estava insatisfeita com a política econômica do governo que beneficiava
as oligarquias cafeeiras, isso porque era dominada por seus representantes. Os industriais
reivindicavam medidas que protegessem os produtos industrializados brasileiros
e dificultassem a importação de produtos de outros países. Os industriais além de
empréstimos para modernizar o maquinário, buscavam o apoio do governo para dinamizar
e incentivar a fabricação nacional de produtos como tecidos, calçados, chapéus, biscoitos,
implementos agrícolas, entre outros.
Outro ponto importante é que o país enfrentava uma grave crise econômica.
A década de 1920 foi marcada por tendências desagregadoras. Muitos grupos
estavam insatisfeitos com o governo oligárquico:
Militares – reivindicavam maior participação política e o reconhecimento de
sua importância na defesa do território. Muitos militares apoiavam a modernização e a
industrialização do país, contrariando a política agroexportadora adotada pelos primeiros
presidentes da Primeira República. Os levantes tenentistas também impactaram o poder
oligárquico, os militares que aderiram a esses movimentos viam no exército o agente
purificador do regime.
Operários – se organizaram em sindicatos para exigir melhorias nas condições de
trabalho. Passaram a promover greves para reivindicar a diminuição da jornada de trabalho,
melhores salários, férias, 13°, melhorias nas instalações das fábricas e regulamentação
do trabalho infantil. O movimento operário se desenvolvia e apesar de violentamente
reprimido, obteve conquistas e organizou sindicatos e partidos.

73
Os ex-escravos e seus descendentes após três décadas de abolição, ainda sofriam
discriminação. Nas cidades muitos faziam trabalhos domésticos nas casas de famílias
escravocratas. Também trabalhavam na construção, prestavam serviços nas ruas ou eram
ambulantes. Não costumavam trabalhar nas fábricas, onde a maioria dos empregados era
imigrantes europeus.
Enquanto nas cidades a sociedade urbana se modernizava, no campo, grandes áreas
do interior permaneciam organizadas com base na tradição rural e os coronéis dominavam
o cenário político (representantes da oligarquia). Assim como, dominavam a produção. Cana
de açúcar e cacau no Nordeste, no Centro Oeste eram grandes pecuaristas, produtores de
erva mate e charque. A mão de obra no interior no campo composta por camponeses,
seringueiros, mineiros, vaqueiros e sertanejos trabalhava muitas horas e recebia baixos
salários. Um contexto no qual líderes religiosos exerciam grande influência. No Nordeste
a população enfrentava ainda seca e a fome sem receber auxílio do governo. Para tentar
se livrar do jugo dos coronéis, os pobres rurais organizam movimentos contestatórios,
sobretudo no sertão nordestino.

FIQUE ATENTO
No Sertão uma das reações ao poder oligárquico e aos mandos dos coronéis foi o Cangaço
Nas primeiras décadas do século XX o domínio dos coronéis (grandes fazendeiros/ poder).
O cangaço adquiriu grande importância eram pessoas que se revoltavam, contra a opressão e
passavam a vida na ilegalidade – assaltos/ saques – nas fazendas e cidades do Sertão. Tinham
o apoio de boa parte da população pobre, possuíam um código de honra próprio e ajudavam
os necessitados. A figura mais emblemática desse contexto foi Virgulino Ferreira da Silva, o
Lampião que defendia os necessitados do Sertão da exploração.
A estratégia dos cangaceiros era usar a violência para gerar pânico. Governo e polícia tinham
dificuldade para combatê-los, pois eram bem armados e tinham conhecimento da região, e
muitas vezes contavam com o apoio da população local.
Fim do cangaço: com a melhoria na comunicação e transporte entre o Sertão e os grandes
núcleos urbanos e com a introdução de armas modernas pelo Estado, muitos cangaceiros
foram mortos e outros se entregaram. No final da década de 1930 com a morte de lampião, o
cangaço chega ao fim.

VAMOS PENSAR?
Cangaço Moderno?
Nos últimos anos, ações de bandos armados que agem especificamente assal-
tando instituições financeiras como agências bancárias e carros-fortes vêm sen-
do chamadas por alguns de “Cangaço moderno”.
Leia a reportagem e pense se o paralelo entre as ações de grupos armados no
momento atual podem ser associadas à ação dos cangaceiros na Primeira Repú-
blica.

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74
6.3 A CRISE DOS ANOS 20

O início da República brasileira foi marcado pelo mecanismo estruturado pela política
dos governadores e pelos acordos que garantiam a autonomia aos grupos oligárquicos
dominantes nos estados, que retribuíam dando apoio político ao governo central através
de suas bancadas no Congresso. Um pacto que não deixou espaço para outros grupos
participarem politicamente, gerou muitas fraudes eleitorais e excluiu da política a maior
parte da população.

FIQUE ATENTO
Política dos Governadores: Nome com que ficou conhecido o arranjo político promovido pelo
presidente Campos Sales (1898-1902) e os governadores e presidentes estaduais com o objetivo
de superar as incertezas políticas que marcaram os primeiros governos da República. Baseado
no compromisso presidencial de não intervir nos conflitos regionais em troca da garantia do
pleno controle do Executivo sobre o Congresso, o acordo incluiu manobras políticas que per-
mitiram minimizar a influência das oposições e selou o comprometimento da presidência da
República com as oligarquias dominantes nos estados, estabelecendo um novo equilíbrio en-
tre estes e o poder central. A “política dos governadores” é considerada a última etapa da mon-
tagem do sistema oligárquico ou liberalismo oligárquico, que permitiu, de forma duradoura, o
controle do poder central pela oligarquia cafeeira. Esse domínio se manifestou na hegemonia
política dos estados de São Paulo e Minas Gerais na indicação dos presidentes da República, a
chamada “política do café-com-leite”, que vigorou até a Revolução de 1930. (DIAS, online).

Como vimos na Unidade 3, o fato do voto não ser secreto e pelos mecanismos
utilizados para reprimir a posse caso candidatos que não fizessem parte da política dos
governadores fossem eleitos, garantiram que o poder se mantivesse por anos nas mãos
das oligarquias. Oito dos treze presidentes da Primeira República vieram das principais
oligarquias, os estados mais influentes no momento (São Paulo e Minas Gerais), deixando
os estados com menor força política à margem da participação política. Mas na medida
em que ganhava importância no cenário nacional, estados como Rio Grande do Sul, Rio de
Janeiro e Bahia reivindicavam maior participação a fim de defender seus interesses.
Nas eleições de 1922 esses estados se uniram com a intenção de romper com o
revezamento de São Paulo e Minas na presidência. Criou-se um movimento de oposição
(a Reação Republicana), que lançou Nilo Peçanha como candidato, para concorrer com o
candidato de Minas, Arthur Bernardes. A Reação Republicana visava os votos das classes
médias urbanas.
Até aí não havia grandes novidades. Parecia que a lei de ferro das sucessões pre-
sidenciais na Primeira República iria se manter, isto é, a oposição iria concorrer,
perder e reclamar das fraudes sem resultado. A história, no entanto, foi um pou-
co diferente. Para começar porque pela primeira vez organizava-se uma chapa
de oposição forte com o apoio de importantes grupos regionais. Além disso, o
movimento contou com a adesão de diversos militares descontentes com o pre-
sidente Epitácio Pessoa, que nomeara um civil para a chefia do Ministério da
Guerra. Finalmente, a Reação Republicana conseguiu, em uma estratégia prati-
camente inédita na história brasileira, desenvolver uma campanha baseada em
comícios populares nos maiores centros do país. O mais importante deles foi o
comício na capital federal, quando Nilo Peçanha foi ovacionado pelas massas.
(CPDOC, online).

75
A campanha eleitoral foi bastante polêmica, circulou na imprensa cartas que se
diziam ser de Arthur Bernardes, nas quais desrespeitava os militares. Bernardes negou
a autoria, porém, o fato fez com que aumentasse a oposição dos militares a sua eleição.
Durante essa campanha a imagem de Arthur Bernardes ficou marcada como político
antimilitar por causa de cartas falsas e das supostas críticas feitas por ele aos militares.
Posteriormente, foi divulgado que as cartas eram falsas, mas não adiantou. A situação se
agravou quando eleito: Arthur Bernardes fechou o clube militar – a partir daí iniciou-se
revolta e contestação dentro do exército.

Clube Militar afirmando ser o responsável pela falsificação das


Figura 13: Carta de Oldemar Lacerda aos diretores do

cartas atribuídas a Arthur Bernardes, 1921.


Fonte: Disponível em: http://cpdoc.fgv.br/
Acesso em 30 dez. 2020
A conspiração das cartas falsas não impediu que a eleição ocorresse e que Bernardes
fosse eleito, mas nem a oposição, nem os militares aceitaram o resultado. E a tensão
perdurou durante todo o mandato de Bernardes. Houve alguns levantes que foram
derrotados. Contudo, era o início do movimento tenentista.

BUSQUE POR MAIS


Para se aprofundar acerca dos fatos que levaram a crise ocorrida no Brasil em
1920 e o seu desenrolar.

A República revisitada: construção e consolidação do projeto republicano brasilei-


ro de Cláudia M. R. Viscardi e José Almiro de Alencar.

LINK: https://bit.ly/3tCiIRs

76
6.4 O TENENTISMO E A COLUNA PRESTES

• Movimento Tenentista

Entre os anos de 1922 e 1924 ocorreram vários levantes pelo Brasil. Devido a
grande participação de jovens oficiais (tenentes e capitães) que estavam insatisfeitos
com o governo e com o poder das oligarquias, esses levantes ficaram conhecidos como
movimentos tenentistas, ou tenentismo. O surgimento do tenentismo contribuiu para a
desestabilização da ordem política do momento.
Os participantes do movimento tenentista eram contrários à forma de como se fazia
política no Brasil. Os tenentes criticavam o sistema eleitoral brasileiro, o fato de todos os
recursos da economia brasileira se direcionarem as elites oligárquicas, o privilégio dado
aos grupos agroexportadores por meio das políticas protecionistas do governo federal, o
poder dos coronéis que usavam o estado brasileiro em benefício próprio, o descontrole das
finanças públicas, o crescimento da dívida externa e defendiam a ideia de eleições diretas,
secretas e democráticas.
Tinham como objetivos: destituir as oligarquias do poder, pois as consideravam
corruptas e atrasadas e realizar reformas políticas. Desejavam reformar as instituições
republicanas (principalmente através da centralização do poder e do nacionalismo), eles
consideravam os grupos oligárquicos dominantes como representantes do imperialismo.
Outro ponto era o desejo de modernizar o exército, que no começo dos anos 1920 vivia
uma situação difícil, com falta de armamento, cavalos, medicamentos, e outros recursos.
Os oficiais brasileiros se ressentiam politicamente e estavam descontentes com os baixos
salários. “Esta situação afetava particularmente os tenentes. Havia um grande número
deles, e as promoções eram muito lentas. Um segundo-tenente podia demorar dez anos
para alcançar a patente de capitão” (CPDOC, online).
Num contexto de insatisfação com a forma como a política brasileira era feita e a
frustração com as condições do Exército, foram realizados diversos levantes militares, os
“movimentos tenentistas”. Sendo os principais eventos do tenentismo transcorridos na
década de 1920: os 18 do Forte, os levantes de 1924, e a Coluna Prestes.

• 18 do Forte

O primeiro grande movimento feito pelos tenentes ficou conhecido com “os 18 do
forte” e ocorreu em 1922. Quando revoltosos realizaram um levante no forte de Copacabana
no Rio de Janeiro, disparando canhões em redutos do Exército. As forças legais reagiram
bombardeando o forte, E várias tentativas propondo uma rendição foram feitas, porém,
em vão.
Apósc essa tentativa de organizar um movimento para derrubar o governo, que
acabou não tendo êxito, e diante a impossibilidade de prosseguir com a revolta. Os
membros do levante decidiram não se render e marcharam pela Avenida Atlântica de
encontro às forças legalistas. Assim, 18 jovens saíram pelas ruas para desafiar as forças
federais. Em marcha, travaram um tiroteio com as forças legais, cujo saldo foi que apenas
dois sobreviveram ao confronto: os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes.
Pouco tempo cdepois Artur Bernardes assumiu a presidência da República,
decretando estado de sítio em razão do levante ocorrido no forte de Copacabana.

77
• Levantes de 1924

Em 1923 os envolvidos no levante do forte de Copacabana foram julgados e punidos,


sob a acusação de promover um golpe de Estado. Com essas medidas, se agravaram as
relações entre o Exército e o governo federal. Uma tensão crescente que eclodiu com uma
rebelião militar em São Paulo e os levantes de 1924.
Os revoltosos ocuparam pontos da capital paulista como as estações da Luz, da
Estrada de Ferro Sorocabana e do Brás, além dos quartéis da Força Pública, entre outros.
Ao que as tropas legalistas reagiram com um forte bombardeio em São Paulo. Essa ação
provocou o caos generalizado na cidade, com a população em pânico, assaltos, saques e
muita correria.
Após o enfrentamento, os rebeldes decidem deixar a cidade e ir em direção ao interior,
seguindo em luta. Paralelamente aos levantes em São Paulo, ocorriam insurgências em
outros locais do país, como Paraná e Rio Grande do Sul. Assim, os rebeldes de São Paulo
juntaram-se a outros em Foz do Iguaçu - PR formando o contingente que deu início à
marcha da Coluna Prestes.

• Coluna Prestes

Figura 14: Parte do mapa do percurso da coluna - setor oeste,


1925/1927.
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/3q2rJki
Acesso em 30 dez. 2020

Com a repressão dos levantes de 1924 em São Paulo e os avanços das forças legais
na cidade, os revoltosos deixaram a capital paulista e em marcha seguiram pelo interior
do estado na direção sudoeste. Eclodiam no período, outros movimentos de grupos de
tenentes que organizavam seus motins.
Duas figuras muito importantes desses movimentos foram Miguel Couto e Luiz
Carlos Prestes, líderes de uma nova forma de resistência. Prestes usava como estratégia
não lutar diretamente contra o governo do Presidente Arthur Bernardes, Seu modo de agir
era seguir em marcha, percorrendo todo o país, aglutinado homens dispostos a se juntar-
se a seu grupo no combater as formas de organização da Primeira República. Assim, o
grupo percorreu mais de 25000 Km em três anos de caminhada.
Apesar de não terem conseguido vitórias expressivas, foi importante, pois instaurou
um novo formato de resistência no Brasil. A Coluna Prestes, como ficou conhecida a
marcha, chegou ao fim na Bolívia. O movimento não alcançou o seu objetivo principal que
era acabar com o poder das oligarquias, mas contribuiu para a criação de uma conjuntura
que encaminharia ao fim a república oligárquica.

78
6.5 O MOVIMENTO DE 1930

O sucessor de Arthur Bernardes foi Washington Luiz, em seu governo a situação se


acalmou um pouco. O presidente levantou o estado de sítio visando reduzir a repressão
política. Entretanto, quando chegam as eleições de 1930, a crise política se acirra novamente.
Em especial porque ao contrário do que se esperava, Washington Luiz indica para sua
sucessão Júlio Prestes e não como se esperava, o mineiro Antônio Carlos. Com isso rompeu-
se a aliança que havia dominado por décadas a política brasileira.
Essa decisão ocasionou o rompimento da política do café com leite, o pacto entre as
oligarquias de Minas e São Paulo se rompe e a oposição forma a Aliança Liberal. Contando
agora com o apoio da oligarquia mineira, do Partido Democrático, e de diversos setores
civis e militares, lançam a candidatura do gaúcho Getúlio Vargas para a presidência.
Ainda assim, vence Júlio Prestes, derrotando o candidato da oposição, Getúlio Vargas,
desencadeando uma crise política no país. Denúncias de fraude circulam pela imprensa e
grupos oposicionistas civis e militares começaram a conspirar. Seguem-se meses de tensão
política que acabam tendo como desfecho a derrubada de Washington Luiz na Revolução
de 1930.

• A Era Vargas

Após comandar a Revolução de 1930 que derrubou o então presidente Washington


Luiz, Getúlio Vargas assumiu o poder. A chamada Era Vargas, é o nome que se dá ao
período em que Vargas governou o Brasil por 15 anos ininterruptos, de 1930 a 1945. Um
período significativo da história brasileira no qual Vargas realizou inúmeras alterações
sociais e econômicas no país. Seus 15 anos de governo caracterizaram pelo nacionalismo e
populismo.

BUSQUE POR MAIS


O Museu da República é sediado no Palácio do Catete no Rio de Janeiro, na antiga
sede do governo federal, mas pode ser visitado virtualmente através do site.

LINK: https://bit.ly/2YUdUbI

GLOSSÁRIO
Estado de sítio: instrumento utilizado pelo Chefe de Estado em que se suspende temporaria-
mente os direitos e as garantias dos cidadãos e os Poderes Legislativo e Judiciário ficam sub-
metidos ao Executivo, tendo em vista a defesa da ordem pública.

Hegemonia: influência absoluta, liderança ou superioridade. Supremacia que algo ou alguém


exerce em relação aos demais.

79
FIXANDO O CONTEÚDO
1 - (FUVEST-2009) Em um balanço sobre a Primeira República no Brasil, Júlio de Mesquita
Filho escreveu: “... a política se orienta não mais pela vontade popular livremente manifesta,
mas pelos caprichos de um número limitado de indivíduos sob cuja proteção se acolhem
todos quantos pretendem um lugar nas assembleias estaduais e federais”.

A crise nacional, 1925. De acordo com o texto, o autor

a) critica a autonomia excessiva do poder legislativo.


b) propõe limites ao federalismo.
c) defende o regime parlamentarista.
d) critica o poder oligárquico.
e) defende a supremacia política do sul do país.

2 - O episódio das cartas falsas durante as eleições presidenciais de 1922 no Brasil

a) garantiu a vitória da oposição, fazendo com que Reação Republicana alcançasse seus
objetivos.
b) ajudou na eleição de Deodoro da Fonseca, pelo conteúdo militar.
c) não impediu que Arthur Bernardes fosse eleito, porém, manchou sua imagem como um
político antimilitar.
d) fez com que fosse criada a primeira lei contra o uso de notícias falsas para influenciar
eleições.
e) fez com que se fortalecesse a política dos governadores.

3 - (UFSCAR-2008) Em julho de 1924, a elite paulista buscava fugir da capital bombardeada


a esmo pelas forças legalistas, descendo a serra em seus automóveis ou em táxis. [...]
O bombardeio desencadeado pelas forças legais ao governo constituía o principal motivo
do pânico. Situadas em uma posição elevada do Alto da Penha, um bairro ainda periférico,
lançavam tiros de canhão contra a cidade, com uma imprecisão espantosa.
FAUSTO, Boris. Negócios e ócios. Histórias da imigração, 1997.

Os acontecimentos descritos no texto referem-se à:

a) Revolta dos Tenentes.


UHWLUDURVGRLVSRQWRV
b) Revolução Constitucionalista.
c) Deposição de Washington Luís.
d) Intentona Comunista.
e) Revolta da Armada.

4 - (MACK-2003) “A Revolução de 1930 seria inexplicável sem o jogo das forças estaduais
e regionais em luta para reequacionarem sua posição e influência no âmbito do Estado
Nacional”
IANNI, Octávio. A ideia do Brasil Moderno
Podemos justificar o pensamento do autor por que: UHWLUDURVGRLVS

80
a) além do interesse em criar novas perspectivas capitalista, havia, sem dúvida, a revolta
dos estados periféricos contra o monopólio do poder de São Paulo e Minas Gerais sobre a
nação.
b) a Revolução de 1930 foi somente a expressão dos interesses das camadas médias, que se
manifestavam por meio do Tenentismo.
c) o Estado Oligárquico permanecia forte e homogêneo na composição das forças políticas
em 1930.
d) a crise de 1929 não teve relação com a eclosão revolucionária.
e) a cisão das oligarquias não enfraqueceu as forças políticas no poder e não contribuiu
para a queda de Washington Luís.

5 - A Revolução de 1930

a) fez com que Washington Luiz permanecesse no poder para um, segundo mandato.
b) derrubou o então presidente Washington Luiz e foi o momento no qual Getúlio Vargas
assumiu o poder.
c) levou Luiz Carlos Prestes ao poder e a instauração de um governo comunista no Brasil.
d) foi deflagrada pelos cangaceiros para levar melhores condições aos sertanejos pobres.
e) iniciou o movimento tenentista e o combate da hegemonia das oligarquias no Brasil.

6 - (ESPCEX (AMAN) 2014) No dia 5 de julho de 1922, três dias depois de ter sido decretada
a prisão de Hermes da Fonseca, 302 jovens militares do Forte de Copacabana, no Rio de
Janeiro, se sublevaram. Para reprimi-los, o governo enviou para lá cerca de 3 mil soldados,
que cercaram a fortaleza. Numericamente inferiorizados, a grande maioria dos amotinados
se rendeu, mas poucos militares, mesmo sem condições de enfrentar as tropas legalistas,
saíram pelas ruas de Copacabana de armas em punho. No meio do caminho, alguns rebeldes
debandaram [...]. Nos tiroteios que se seguiram, apenas dois rebeldes sobreviveram.
(AZEVEDO & SERIACOPI, 2007).

O texto acima, descreve o(a): UHWLUDURVGRLVSRQWRV

a) Intentona Comunista, movimento desencadeado a partir de alguns quartéis do Rio de


Janeiro, Recife e Natal, e que seguindo o exemplo do que ocorria na Rússia, objetivava a
implantação do comunismo no Brasil.
b) revolta dos 302 do Forte, tentativa de golpe de Estado que tinha como intuito colocar o
Marechal Hermes da Fonseca na presidência do País.
c) Intentona Integralista, tentativa de tomada de poder por forças de extrema direita, com
o objetivo de introduzir um governo centralizado com fortalecimento do Poder Executivo.
d) episódio que ficou conhecido como os 18 do Forte, e que marca o início do movimento
conhecido como Tenentismo.
e) Revolta da Armada, iniciada no Rio de Janeiro e disseminada por todo o sul do Brasil,
unindo forças com os integrantes da Revolta Federalista.

7 - (MACK-1998) “Em julho de 1924, a elite paulista buscava fugir da capital, bombardeada
a esmo pelas forças legalistas [...]. Os misteriosos tenentes, dos quais toda a gente falava,
tinham ocupado a cidade”.
Boris Fausto

81
O trecho se reporta a um dos movimentos tenentistas dos anos 20, cujo objetivo era:

a) Defender o setor cafeeiro em detrimento dos demais produtos nacionais.


UHWLU
b) Apoiar o governo de Artur Bernardes, representante de seus ideais. HLQL
c) Introduzir um governo esquerdista, apoiando as reivindicações anarco-sindicalistas. DOWHU
d) Estabelecer o voto secreto e a derrubada da oligarquia paulista, expressão dos piores OHWUD
vícios do regime.
e) Restabelecer o governo monárquico, considerado politicamente mais estável.

8-

A imagem satiriza um acontecimento histórico no qual:

a) O presidente Washington Luiz foi deposto do governo e o poder foi entregue a Getúlio
Vargas.
b) Getúlio Vargas assumiu a presidência do Brasil após uma longa batalha com as oligarquias
rurais.
c) Getúlio Vargas, com o apoio das oligarquias de Minas e São Paulo, chegou a presidência.
d) Washington Luiz foi derrotado nas eleições presidenciais pelo candidato Getúlio Vargas.
e) a expulsão dos legalistas de Manaus.

82
RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO

UNIDADE 1 UNIDADE 2
QUESTÃO 1 A QUESTÃO 1 D
QUESTÃO 2 C QUESTÃO 2 A
QUESTÃO 3 A QUESTÃO 3 E
QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 B
QUESTÃO 5 B QUESTÃO 5 D
QUESTÃO 6 E QUESTÃO 6 A
QUESTÃO 7 C QUESTÃO 7 C
QUESTÃO 8 C QUESTÃO 8 B

UNIDADE 3 UNIDADE 4
QUESTÃO 1 E QUESTÃO 1 B
QUESTÃO 2 B QUESTÃO 2 E
QUESTÃO 3 B QUESTÃO 3 B
QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 D
QUESTÃO 5 D QUESTÃO 5 D
QUESTÃO 6 A QUESTÃO 6 A
QUESTÃO 7 C QUESTÃO 7 D
QUESTÃO 8 D QUESTÃO 8 E

UNIDADE 5 UNIDADE 6
QUESTÃO 1 C QUESTÃO 1 D
QUESTÃO 2 B QUESTÃO 2 C
QUESTÃO 3 A QUESTÃO 3 A
QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 A
QUESTÃO 5 A QUESTÃO 5 B
QUESTÃO 6 B QUESTÃO 6 D
QUESTÃO 7 C QUESTÃO 7 D
QUESTÃO 8 A QUESTÃO 8 A

83
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABREU, Alzira Alves de. Revolução Federalista. In: CPDOC. Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Dicionário da Elite Política Republicana (1889-1930). Disponível em: http://cpdoc.fgv.br/
sites/default/files/verbetes/primeira-republica/REVOLTA%20DA%20ARMADA.pdf Acesso
em 30 dez. 2020.

ALVES, H. A. B. História. Varginha: Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais,


2017. Disponível em: http://www.varginha.cefetmg.br/wp-content/uploads/sites/11/2016/11/
Apostila-Hist%C3%B3ria.pdf. Acesso em 30 dez. 2020.

BELTRÃO. Alexandre Fontana. Café. In: CPDOC. Fundação Getúlio Vargas (FGV). Dicionário
da Elite Política Republicana (1889-1930). Disponível: https://cpdoc.fgv.br/dicionario-
primeira-republica Acesso em: 29 nov. 2020.

CARVALHO, J. M. Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo:
Companhia das Letras, 1987.

CARVALHO, José Murilo de. Coronelismo. In: CPDOC. Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Dicionário da Elite Política Republicana (1889-1930). Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/
dicionario-primeira-republica Acesso em: 29 nov. 2020.

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