Apostila Completa
Apostila Completa
DISTÂNCIA
PRÁTICA
PEDAGÓGICA
INTERDISCIPLINAR:
HISTÓRIA DO
BRASIL REPÚBLICA
TALITA SAUER MEDEIROS
1
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA I
TALITA SAUER MEDEIROS
1
FACULDADE ÚNICA EDITORIAL
1
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA I
1° edição
Ipatinga, MG
Faculdade Única
2020
2
3
LEGENDA DE
Ícones
Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do
conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones
ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado
trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a
seguir:
FIQUE ATENTO
Trata-se dos conceitos, definições e informações importantes nas
quais você precisa ficar atento.
VAMOS PENSAR?
Espaço para reflexão sobre questões citadas em cada unidade,
associando-os a suas ações.
FIXANDO O CONTEÚDO
Atividades de multipla escolha para ajudar na fixação dos
conteúdos abordados no livro.
GLOSSÁRIO
Apresentação dos significados de um determinado termo ou
palavras mostradas no decorrer do livro.
4
SUMÁRIO UNIDADE 1
A INSTAURAÇÃO DA REPÚBLICA
1.1 Introdução..........................................................................................................................................................................................8
1.2 A crise do império.........................................................................................................................................................................9
1.2.1 Insatisfações de vários grupos sociais com a monarquia...........................................................................9
1.2.2 Proclamação da República...........................................................................................................................................12
1.3 O manifesto republicano e os sentidos para a República...............................................................................13
1.4 A república: um novo tipo de governo político no Brasil.................................................................................14
UNIDADE 2
A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
2.1 Introdução........................................................................................................................................................................................21
2.2 As ideias republicanas: projetos vencedores e projetos derrotados......................................................23
2.3 A constituição brasileira de 1891......................................................................................................................................25
2.4 A república velha e os republicanos militares.......................................................................................................27
UNIDADE 3
A POLÍTICA DAS OLIGARQUIAS
3.1 Introdução.......................................................................................................................................................................................33
3.2 As oligarquias no Brasil.........................................................................................................................................................33
3.3 O coronelismo e a clientela política...............................................................................................................................35
3.4 A hegemonia cafeeira...........................................................................................................................................................38
UNIDADE 4
OS CONFLITOS NA PRIMEIRA REPÚBLICA
4.1 Introdução......................................................................................................................................................................................46
4.2 A revolta da armada (RJ) e a Revolução Federalista (RS).............................................................................48
4.3 Os protestos populares. As guerras de Canudos e do Contestado.........................................................52
4.4 Modernidade e urbanização.............................................................................................................................................56
UNIDADE 5
AS ORGANIZAÇÕES DOS TRABALHADORES
5.1 Introdução.......................................................................................................................................................................................63
5.2 A circulação de ideias: o socialismo, o comunismo e o anarquismo.....................................................64
5.3 As organizações dos trabalhadores urbanos..........................................................................................................65
5.4 O modernismo na arte brasileira....................................................................................................................................68
UNIDADE 6
O FIM DA PRIMEIRA REPÚBLICA
6.1 Introdução.......................................................................................................................................................................................73
6.2 A crise oligárquica....................................................................................................................................................................73
6.3 A crise dos anos 20...................................................................................................................................................................75
6.4 O tenentismo e a coluna prestes....................................................................................................................................77
6.5 O movimento de 1930............................................................................................................................................................79
Referências Bibliográficas..........................................................................................................................................................72
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UNIDADE 1
O Brasil do fim do século XIX e do início do XX passou por diversas transformações.
Um golpe pôs fim à monarquia e instaurou no país novo sistema político: a República.
Nessa Unidade veremos como se deu esse processo.
CONFIRA NO LIVRO
UNIDADE 2
Os ideais dos grupos de republicanos brasileiros e os projetos e modelos de República
desejados por eles. Assim como, a Constituição Republicana de 1891 são os temas da
nossa segunda Unidade.
UNIDADE 3
No foco da discussão da Unidade 3 estão as práticas políticas da Primeira República:
A política dos governadores. O coronelismo e a dominação oligárquica baseada no
forte controle local das populações.
UNIDADE 4
Os primeiros anos da República brasileira foram marcados por divergências e
disputas que geraram protestos populares e conflitos como a Revolta Armada, a
Revolução Federalista e as guerras de Canudos e do Contestado. Insubordinações
reprimidas duramente pelo governo republicano.
UNIDADE 5
Modernidade, urbanização, imigração e a industrialização marcaram os cenários
das cidades na primeira República. A demanda por mão de obra e as condições de
trabalho encontradas propiciaram a circulação de ideias socialistas, comunistas e
anarquistas no Brasil.
UNIDADE 6
Nessa Unidade veremos que crises como a dos anos de 1920 e a crise das oligarquias
e movimentos contestatórios como o Tenentismo, a Coluna Prestes e o movimento
de 1930 marcaram as primeiras décadas do século XX e puseram fim a primeira
República no Brasil.
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01
A INSTAURAÇÃO DA REPÚBLICA UNIDADE
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1.1 INTRODUÇÃO
Para começarmos nosso estudo, vamos analisar duas importantes formas de governo:
Monarquia e República. A Monarquia é caracterizada pelo poder político exercido por um monarca
(rei, imperador, príncipe), de modo hereditário e vitalício. Já a República, é uma forma de governo
representativo, cujo governante é eleito e permanece no poder por um tempo pré-determinado.
Ambas fazem parte da História do Brasil e marcam com o desenrolar de sua trajetória política, as
práticas políticas do país.
O período Monárquico no Brasil é convencionalmente dividido em três fases: O Primeiro
Reinado que vai da Independência do Brasil em 1822, à abdicação de Dom Pedro I em 1831. O Período
Regencial, de 1831 a 1840 e o Segundo Reinado que compreende da antecipação da maioridade de
Dom Pedro II em 1840, à Proclamação da República em 1889. Esta última é a fase que nos interessa
aqui, pois é nesse momento que o Império passa por profundas transformações que abalam a
ordem vigente.
É então que o país passa a ter um regime republicano de governo, dando início à Primeira
República, fruto de um golpe que pôs fim à Monarquia em 15 de novembro de 1889. A Primeira
República foi um período de muitos acontecimentos na História do Brasil, como o desenvolvimento
da industrialização, a vinda de muitos imigrantes, a formação de uma classe operária brasileira e
com ela, o surgimento das primeiras organizações sindicais e suas reivindicações trabalhistas. Foi
ainda nesse período que o Brasil consolidou seus limites territoriais. Tiveram também um grande
desenvolvimento o campo da cultura, das artes e das ideias.
Nesse novo regime em que ocorriam eleições para escolher os governantes do país,
fervilharam muitas ideias acerca do que se queria para o Brasil. Porém, na prática muitos dos ideais
republicanos, como a liberdade política, acabaram não sendo bem assim. A Primeira República foi
um período marcado pelo poder das elites locais, o que fez com que esse período ficasse conhecido
por denominações como República Oligárquica, República do Café com Leite, República dos
Coronéis.
Esse momento da experiência republicana no Brasil, de 1889 a 1930, a “Primeira República”,
tem a sua ruptura com a Revolução de 1930. O período pós 1930 é então marcado pela modernização
do país, pela intensificação da industrialização, ocorre a reorganização e a modernização do
aparelho de Estado, e é nesse período em que se dá a conquista dos direitos trabalhistas. Uma
Nova República teria surgido por oposição à anterior, que ganha então, mais uma denominação: a
República Velha.
GLOSSÁRIO
Hereditário: Que se transmite por sucessão, pela pessoa falecida aos seus herdeiros.
Exemplo: Príncipe que, por direito, deve herdar o poder, o rei.
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BUSQUE POR MAIS
Através desse livro você poderá se aprofundar mais nas transformações que ocor-
reram no Brasil no século XIX e início do XX. O contexto que levou ao fim do Império
e ao golpe que o derrubou. E também o que se passou no país nas primeiras déca-
das como uma república.
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GLOSSÁRIO
Obsoleta: fora de uso, ultrapassada.
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FIQUE ATENTO
O fim da escravidão no Brasil foi um processo gradual.
1870 – A guerra civil americana traz à tona a questão do escravo. Apenas o Brasil seguia num
regime escravista na América (conservando um regime social já universalmente condenado).
1871 – Lei do ventre livre, que declarou livre todos os filhos que nasceram de escravos.
1885 - Lei dos Sexagenários, a qual determinou a libertação dos escravos com mais de 60 anos.
1888 – Com a Lei Aurea de 13 de maio, a qual possuía apenas dois artigos: “Art. 1º É declarada
extinta, desde a data desta Lei, a escravidão no Brasil. Art. 2º Revogam-se as disposições em
contrário.” Finda a escravidão institucionalizada no Brasil. Tardiamente, pois, apesar de sofrer
pressões internacionais desde o início do século XIX, o Império brasileiro adiou a abolição do
trabalho cativo por quase 80 anos.
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Por muito tempo a escravatura foi uma viga mestre sobre a qual se sustentava toda a
economia brasileira. Portanto, é compreensível que a Abolição esteja atrelada ao processo que
conduziu o regime monárquico ao fim. A Abolição contribuiu para alterar o quadro brasileiro
(principalmente no Sul), contribuindo para as transformações do Brasil na última fase do século
XIX, estando ligada a expansão da cultura do café e a imigração europeia.
A partir de meados do século XIX destacou-se no país do cultivo de café, atividade voltada
para a exportação que gerou muitas riquezas e também muitas transformações sociais e políticas.
Com a cafeicultura, formaram-se as oligarquias rurais, principalmente nas províncias do centro-
oeste. Uma oligarquia é quando o poder se concentra na mão de um grupo de pessoas (nesse
caso, as elites agrárias). Durante o Império, São Paulo se tornou a região mais próspera na produção
de café, mas ainda assim, pelo regime monárquico concentrar o poder de forma centralizada, os
cafeicultores, por mais prósperos que fossem, não conseguiam fazer com que seus interesses
predominassem.
Na época a província São Paulo tornou-se a mais rica do Império por causa do café. Mas,
apesar de seu poder econômico tinha pouca autonomia em relação ao governo central. Os políticos
paulistas, que em sua maioria eram membros das elites rurais, passaram então a reivindicar maior
autonomia para administrar a província. Começam a surgir críticas quanto a centralização da
Monarquia, seu caráter hereditário, o poder excessivo nas mãos de D. Pedro II e o sistema político
em geral, que excluía a maioria da população.
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A questão da abolição da escravatura também pesava para muitos fazendeiros, pois, grande
parte era escravocrata e ficaram insatisfeitos por perder sua mão de obra, sem qualquer indenização.
Boa parte dos fazendeiros era extremamente dependente da mão de obra escrava. A Abolição em
1888 fez a Monarquia perder o apoio das elites agrárias que se sentiram prejudicadas e passaram
em benefício de seus interesses a apoiar o movimento republicano.
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Aos poucos os militares foram se colocando contra a Monarquia, aproximando-se daqueles
que já defendiam um regime político republicano. Costa problematiza e dimensiona a participação
dos militares na queda da Monarquia:
O que vemos, é que a Monarquia se isolava cada vez mais, perdendo suas forças de sustentação
(civil e militar). As ideias republicanas não constituíam aspecto novo no país, mas encontraram um
terreno fértil para se concretizar em 1889, devido a mudanças ocorridas na estrutura econômica
e social do país, que levaram uma parcela da nação a defender as ideias republicanas e outra a
aceitar com indiferença a queda da Monarquia. “Sem as mudanças ocorridas na estrutura, o partido
republicano provavelmente não teria conseguido atingir os seus objetivos” (COSTA, 1991, p.459).
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FIQUE ATENTO
A Proclamação da República do Brasil é uma das fases mais importantes de nossa história
recente, porém, em seu processo ela não contou com a participação popular.
Um dos fatores mais marcantes deste período, destacado pelo historiador José Murilo de Car-
valho em suas obras, foi a passividade do povo brasileiro durante esse processo. O autor res-
salta que o povo não participou das mudanças que levaram a passagem da Monarquia para
a República no Brasil, eles assistiram a tudo bestializados (CARVALHO, 1987).
GLOSSÁRIO
Laico: se refere ao que é separado e independente da influência da Igreja.
O Manifesto teve boa repercussão e muitos aderiram às ideias expostas por ele. Estudantes,
profissionais liberais membros das camadas urbanas e as elites cafeicultoras tornam-se fortes
representantes do republicanismo no Brasil. Surgem diversos clubes e Partidos Republicanos,
sendo o mais importe deles na época o Partido republicano Paulista (PRP).
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Manifesto Republicano de 1870 completo
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FIQUE ATENTO
REPÚPLICA NORTE-AMERICANA: prevalência da Constituição e dos direitos inalienáveis.
Nos Estados Unidos o republicanismo é o sistema de valores políticos que vem sendo a parte
principal do pensamento cívico dos EUA desde a Revolução Americana. Ela enfatiza a liber-
dade e os direitos inalienáveis como valores centrais, faz do povo, como um todo, soberano,
rejeita o poder herdado, espera que os cidadãos sejam independentes em sua atuação nos
deveres cívicos, e condena a corrupção política.
FIQUE ATENTO
REPÚBLICA - A palavra República tem como origem os termos latinos “res”, que quer dizer coi-
sa, e “pública”, do povo, ou seja, podemos conceituar República como coisa do povo.
ELEITORES - Aos eleitores cabe estudar com discernimento cada um dos candidatos antes de
votar e exigir dos eleitos que trabalhem voltados para o bem público. Por outro lado, aos ocu-
pantes de cargos públicos, sejam eles eletivos ou concursados, cabe observar que seus cargos
são públicos e é a população que devem destinar seus trabalhos.
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A partir da Proclamação da República se inicia um novo tipo de governo político até então
inédito na História do Brasil. O país ficava dividido em vários estados e reunido numa federação
desses estados.
Seguindo o modelo americano criou-se uma divisão em três poderes: executivo (que
executava as leis – encaminhava leis para o congresso), Legislativo (faz as leis), Judiciário (julga o
conflito entre os cidadãos, ou interpreta as leis, a Constituição).
Na República, temos uma organização de um governo que teoricamente deveria dar mais
autonomia aos estados e maior direito de participação política aos cidadãos do país. Todavia, o
período da Primeira República, que perdurou por 41 anos (1889 – 1930) foi marcado não só pela
mudança do regime político (fim do Império – início da Republica), mas em especial, por uma
forma de organização do poder que acabou sendo uma das principais características do período: o
poder das oligarquias regionais e a permanência do poder nas mãos das elites.
A República nesse momento estruturou um grande arranjo político que se manteve por
décadas e foi capaz de assegurar o poder nas mãos das elites econômicas latifundiárias. A mesma
elite que anteriormente concentrava a riqueza durante a época monárquica garantiu o poder na
República, e o controle em um regime político em tese democrático.
VAMOS PENSAR?
Atualmente no Brasil vivemos em um modelo de democracia representativa, onde a socieda-
de delega a um representante o direito de representá-los, e de tomar as decisões em favor dos
interesses de toda a população.
O voto é o mecanismo pelo qual os representantes são eleitos, mas, durante muitos anos o
direito ao voto foi negado a muitas pessoas, seja por cor, condição social, gênero ou grau de
instrução.
Aos poucos se pôde observar no Brasil a extensão deste direito a uma grande parcela popula-
cional mais ampla e diversa. Contudo, isso se dá em decorrência de muita luta e reinvindica-
ção de direitos civis e sociais.
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FIXANDO O CONTEÚDO
1 - (SEE-MG, com adaptações) WURFDURVLQDOGH
SRQWXDomRSRU
Leia o texto abaixo. GRLVSRQWRV
2 - Como episódio, a passagem do Império para a República foi quase um passeio. Os anos
posteriores a 15 de novembro se caracterizaram por uma grande incerteza.
(Fausto, Boris - História concisa do Brasil, São Paulo, Ed. Da Universidade de São Paulo, 2002).
16
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DOWHUQDWLYDVFRPOHWUD
d) Havia uma coesão de ideias entre os militares, inclusive o exército e a marinha, que
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compartilhavam das mesmas concepções. FRORFDUSRQWRILQDOQD
e) Havia uma grande pressão popular pela volta da Monarquia ~OWLPDDOWHUQDWLYD
4 - O termo oligarquia, tal como boa parte do léxico político ainda hoje disponível, tem sua
origem na linguagem desenvolvida pelos antigos gregos. Inventores da democracia, e do
termo usado para designá-la, cunharam os gregos a palavra oligarquia. O termo oligarquia,
no entanto, não era o único a designar uma forma de governo controlada por poucos.
Em grande medida, a aristocracia – outra forma nomeada pelos antigos gregos – também
pode ser definida como um modo no qual poucos governam. Contudo, o que, desde o
início, qualifica a aristocracia como forma de governo específica não é tanto esse último
traço – o de ser um governo de poucos –, e sim sua definição como governo no qual os
melhores (aristoi) detêm o poder (kratos).
Fonte: LESSA, Renato. Oligarquia. In: CPDOC. Fundação Getúlio Vargas (FGV). Dicionário da Elite Política Republicana
(1889-1930). Disponível: https://cpdoc.fgv.br/dicionario-primeira-republica Acesso em: 29 nov. 2020. (adaptado).
a) a abolição da escravidão foi contrária aos interesses dos novos setores agrários,
representados pelos cafeicultores do Oeste paulista.
b) as instituições monárquicas haviam se tornado incapazes de realizar as mudanças
necessárias para a dinamização da vida social e econômica do país.
c) os setores populares, como os trabalhadores do campo e da cidade, e as classes médias
atuaram ativamente para a mudança do regime monárquico.
d) o Exército brasileiro, após a Guerra do Paraguai, foi o único segmento da sociedade a
permanecer fiel à monarquia.
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e) apesar de o país atravessar uma série de mudanças, o poder econômico continuava nas
mãos dos antigos comerciantes portugueses.
O texto sustenta que a Primeira República brasileira foi caracterizada por permanências e
mudanças históricas.
De maneira geral, o período republicano, iniciado em 1889 e que se estendeu até 1930, foi
caracterizado
a) pela predominância dos interesses dos industriais, com a exportação de bens duráveis
e de capital.
b) por conflitos no campo, com o avanço do movimento de reforma agrária liderado pelos
antigos monarquistas.
c) pelo poder político da oligarquia rural e pela economia de exportação de produtos
primários.
d) pela instituição de uma democracia socialista graças à pressão exercida pelos operários
anarquistas
e) pelo planejamento econômico feito pelo Estado, que protegia os preços dos produtos
manufaturados.
O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava.
Muitos acreditavam sinceramente estar vendo uma parada.
Aristides Lobo, citado por Edgard Carone
UHWLUDURVGRLVSRQWRV
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a) Revolução de 1924.
b) Revolução de 1930.
c) Proclamação da República.
d) Revolução do Porto.
e) Revolução Constitucionalista
LQVHULUSRQWRILQDO
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02
A PROCLAMAÇÃO UNIDADE
DA REPÚBLICA
20
2.1 INTRODUÇÃO
GLOSSÁRIO
Polis: era o modelo das cidades gregas na Antiguidade. Eram Cidades-Estado.
Costa (1991) expõe que na província de São Paulo o partido contava não só com
representantes dos grupos urbanos, médicos, engenheiros, advogados, jornalistas,
comerciantes, que constituíam em geral o núcleo mais importante do partido republicano
21
em outras regiões do país, como também os fazendeiros do Oeste Paulista. Essa foi uma
característica importante, pois, nesse Estado, a preponderância de fazendeiros é o que
define em boa parte, a orientação assumida pelo partido paulista, como o fato de evitar
manifestar-se sobre a emancipação dos escravos ou vincular o movimento a questão
abolicionista. Com esse posicionamento o partido conservou a simpatia dos fazendeiros,
que em grande parte continuavam dependentes da mão de obra escrava.
Assim, o ideal republicano se tornou um instrumento na realização das aspirações de
mando dos membros representantes do meio rural do Oeste Paulista. São Paulo tornava-
se a região mais rica do país e com a República, esperava controlar o e poder participar do
poder de maneira mais eficaz.
As ideias republicanas se articulavam ao pioneirismo e as experiências
empreendedoras dos paulistas.
Figura 2: Capa da Revista Ilustrada, 1887. No centro da capa uma caricatura feita por Angelo Agostini mostrava o imperador cochilando
tranquilamente ao ler as notícias sobre o país nos jornais. Era uma crítica à passividade e à falta de ação da monarquia para lidar com
as dificuldades no país
Legenda embaixo da imagem: “El Rey, nosso senhor e amo, dorme o sono da...indiferença.
Os jornais que diariamente trazem os desmandos dessa situação parecem produzir o efeito de um narcótico
Bem aventurado senhor para vós o reino do céu e para o nosso povo.. o do inferno!”
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/2YNeJTT. Acesso em: 10 de jan. 2021
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A propaganda foi importante para a difusão das ideias, “a partir de 1870 contribuiu
para solapar as bases do sistema monárquico e preparar a nação para aceitar tranquila a
forma republicana de governo” (COSTA, 1991, p. 478). Nas últimas décadas do século XIX o
movimento republicano intensificou-se, vários jornais se converteram ao republicanismo e
as adesões aos ideais republicanos se multiplicaram.
Figura 3: Outro desenho de Angelo Agostini que circulou em 1888, pode ser visto como um exemplo das críticas a Monarquia e a difu-
são das ideias defendidas pelos republicanos.
Na imagem da “malhação do Judas”, o boneco do Judas dá lugar a um capitão do mato, que veste uma camisa escrita “escravismo”.
A imagem vinha acompanhada da legenda: “Hoje é o dia em que moleques enforcam o Judas, sejamos moleques! Enforquemos, tam-
bém, a mais hedionda das nossas instituições, representada por um capitão do mato”. Fazendo assim, a defesa da abolição.
Fonte: Disponível em: https://bit.ly/2MSnKs0. Acesso em: 10 de jan. 2021
Nesse livro você poderá se aprofundar acerca do desenvolvimento das ideias re-
publicanas no Brasil e como se consolidou o golpe que deu início ao período Re-
publicano.
LINK: https://bit.ly/3tCiIRs
23
FIQUE ATENTO
As ideias que serviram de base para o positivismo surgiram na França e na Inglaterra, duran-
te o século XVIII (aversão à religião e à metafísica, empirismo, busca de simplicidade, clareza,
representações exatas e precisas e uniformidade na metodologia de estudo de todas as ciên-
cias). O positivismo como filosofia surgiu ligado às transformações da sociedade europeia oci-
dental, na implantação de sua industrialização, Auguste Comte foi o filósofo que desenvolveu
essa corrente filosófica na qual o progresso social seria alcançado através da disciplina e da
ordem. (SANTOS; SANTOS, 2012).
Não se pense que o Exército agia coeso e unânime. Havia certamente entre os
militares profundas divergências, mas a adesão de uma facção de oficiais, mais
ou menos importantes, às ideias republicanas foi decisiva para a proclamação
da República. Quando os civis procuraram os oficiais para tramar a conspiração
e preparar o golpe, encontraram da parte deles a melhor acolhida, ligados que
estavam uns e outros pelo mesmo imperativo: alterar as instituições vigentes.
O Exército já manifestara apoio à causa abolicionista recusando-se a perseguir
escravos fugidos. Restava proclamar a República. O clube militar foi, a partir de
então, o principal núcleo da conspiração (COSTA, 1991, p. 485).
Houve uma aproximação das elites civis militares para o desfeche do golpe, mas
na disputa entre os modelos de República (Civis X Militares) por fim essa luta foi ganha
pelas elites civis. Embora nos primeiros anos os militares tenham predominado, com
dois governantes (Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto). Logo depois se formou uma
república civil.
A constituição aprovada mostra que a elite civil triunfou, porque era um modelo de
República Federativa. Definiu-se que o Brasil ficaria dividido em vários Estados e reunido
numa Federação desses Estados. Seguindo o modelo americano criou uma divisão de três
poderes: executivo (que executava as leis – encaminhava leis ao congresso). Legislativo (faz
as leis). Judiciário (julga o conflito entre os cidadãos, ou interpreta as leis, a constituição).
As elites regionais queriam acabar com a centralização de poder nas mãos da
Monarquia. Quanto mais prosperavam financeiramente, mais se tornavam influentes
politicamente e queriam defender seus interesses. Boa parte sentia-se ainda prejudicada
pela abolição e a perda de seus “bens”. Outro grupo que se sentia desvalorizado eram os
militares. Agregando setores descontentes, o movimento republicano foi crescendo e
conseguiu por fim ao período imperial. Um golpe que levou a Proclamação da República
em 15 de novembro de 1889 foi articulado pelos militares e contou com o apoio de civis.
24
Figura 4: A Proclamação da República. Quadro de Benedito Calixto, 1893.
Fonte: Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo
LINK: https://bit.ly/3rk9OWI
Figura 5: Jornal Diário Popular. São Paulo, 16 de novembro de 1889. Com a manchete “Viva a República!”
e o subtítulo “Eis a data que ficará consagrada como a mais solene e grandiosa de nossa vida política”.
Fonte: Arquivo Nacional.
25
Está adaptada a Constituição dos Estados Unidos do Brazil; resta sua promul-
gação que terá lugar hoje, que por semelhante motivo deve ser dia de festa
nacional. Depois de três meses de trabalho o Congresso apresenta ao paiz uma
Constituição que tem defeitos, é verdade, mas que muito honra os represen-
tantes da nação que a discutiram com patriotismo e a fizeram, senão tão liberal
em todos os seus artigos, ao menos bastante liberal na maioria d’elles, podendo
comparar-se com as constituições mais democráticas do mundo, excedendo a
dos Estados Unidos do Norte e a da Suíssa em muitos pontos...
Jornal Diário de Notícias edição nº 2.065 de 24 de fevereiro de 1891
FIQUE ATENTO
A CONSTITUIÇÃO é a lei maior do Brasil.
Ao longo da história, o Brasil teve 7 Constituições. Para saber mais sobre elas aces-
se o link.
LINK: https://bit.ly/2O8ja9N
26
VAMOS PENSAR?
“O texto final da Constituição de 1891 considerou eleitores ‘os cidadãos maiores de 21 anos’,
que se alistassem na forma da lei. João Barbalho julgou que o fato de não ter sido aprovada
qualquer das emendas dando direito de voto às mulheres importava na exclusão destas, em
definitivo, do eleitorado.”
(BARBALHO, João.Constituição Federal brasileira Rio de Janeiro: Lytho-Typographia, 1902. p. 291).
O voto feminino no Brasil – Foi apenas em 24 de fevereiro de 1932 que o Código Eleitoral passou
a assegurar o voto feminino; mas, apenas para as mulheres casadas, com autorização dos
maridos, e para viúvas com renda própria. Essas limitações deixaram de existir apenas em
1934, quando o voto feminino passou a ser previsto na Constituição Federal.
27
Floriano, diferentemente de Deodoro, conseguiu o apoio do exército, porém, seu
período no poder não foi menos conturbado do que o do seu antecessor. Sendo marcado
por várias crises políticas, econômicas e sociais. Durante seu período como presidente
enfrentou revoltas como a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul e a Revolta da
Armada, a forma dura como suprimiu esses conflitos e lidou com seus opositores lhe
rendeu o apelido de “Marechal de Ferro”.
Esse período governado por Deodoro e Floriano ficou conhecido como República da
Espada, e é marcado pela forma autoritária com que os dois presidentes se comportaram
e pelos conflitos que eclodiram em território nacional.
O fim do governo de Floriano se dá com as eleições de 1894, que tinha como principal
candidato um civil, representante dos cafeicultores: Prudente de Morais. Sua vitória põe
fim à oposição de parte do exército, e os cafeicultores puderam finalmente realizar os seus
anseios e assumir o poder no país com presidentes que os representavam. O sucessor de
Prudente de Morais foi Campos Sales, que consolidou o poder dos fazendeiros, dando início
à “política do café com leite”.
FIQUE ATENTO
OS PRESIDENTES DA PRIMEIRA REPÚBLICA
28
FIXANDO O CONTEÚDO
Devido ao padroado real, Igreja e Estado estiveram intimamente ligados no Brasil. Essa
ligação foi rompida no contexto
3-
29
Sobre a interpretação da tirinha, é possível afirmar que:
a) Campos Sales
b) Prudente de Morais
c) Hermes da Fonseca
d) Nilo Peçanha UHWLUDURVGRLVSRQWRV
e) Rodrigues Alves
6)
30
A charge faz referência: UHWLUDURVGRLVSRQWRV
a) bastante ampla.
b) proibida na constituição de 1891.
c) muito pequena.
d) importante para a diminuição das desigualdades.
e) o que tornou possível a instauração do novo regime político.
8 - (UECE-2007) “Havia no Brasil pelo menos três correntes que disputavam a definição da
natureza do novo regime: o liberalismo à americana, o jacobinismo à francesa e o positivismo
de Augusto Conte, defendido por Benjamin Constant. As três correntes combateram-se
intensamente nos anos iniciais da República até a vitória de uma delas”.
Fonte: CARVALHO, José Murilo. A Formação das Almas – O imaginário da República no Brasil. São Paulo, Companhia das
Letras, 1990, pp. 9-11.
31
03
A POLÍTICA DAS OLIGARQUIAS UNIDADE
32
3.1 INTRODUÇÃO
LINK: https://bit.ly/2YTVM1D
33
– sem grandes sutilezas e com boa dose de arbítrio efetivamente imprimiam direção à
sociedade brasileira” (NEVES, 2003, p.33).
Geralmente no Brasil as mudanças de regime político são fruto de uma dissidência
da Oligarquia. Embora tenha sido uma grande marca do período da Primeira República, as
oligarquias aparecem em outros ciclos históricos brasileiros posteriores, podemos citar os
industriais e os banqueiros. Comumente a elite é a oligarquia e isso trás consequência para
o país, como a acentuação da desigualdade.
Como pontuam Ferreira e Delgado (2003) as oligarquias são “antigas, mas ainda
usuais práticas de mandonismo local, que teimam em persistir, mesmo que possam
parecer ultrapassadas”.
FIQUE ATENTO
OLIGARQUIA é uma palavra grega que significa “governo de poucos”. A palavra se
referia a uma das formas possíveis de exercício do comando ou do poder.
Para um maior aprofundamento leia o verbete “Oligarquia” de Renato Lessa.
LINK: https://bit.ly/3rkopkM
LINK: https://bit.ly/3azbLb7
VAMOS PENSAR?
As práticas oligárquicas no Brasil atual
Entendendo que uma OLIGARQUIA é um regime político em que o poder se con-
centra em um pequeno grupo de pessoas, para uma reflexão acerca do cenário
político brasileiro faça uma leitura da reportagem: “Péssimos índices coincidem
com cinco décadas de reinado dos Sarney”.
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34
3.3 O CORONELISMO E A CLIENTELA POLÍTICA
O regime representativo foi um grande avanço, mas Leal (2012) defende que a
população, que em sua maioria era pertencente à zona rural, não estava preparada para
este salto. Por não possuir escolaridade, era dependente dos senhores de terra e assim,
acabava seguindo suas ordens.
Para o autor, as estruturas econômicas e sociais também não estavam “prontas” para
o recebimento do poder representativo e, por esse motivo, acabou se ligando ao poder dos
donos de terra, dando continuidade ao “coronelismo”.
A decadência do poder privado, ineficácia do poder público, o industrialismo precário
e um sistema agrário ultrapassado seriam razões para que na República, o “coronelismo”
continuasse cada vez mais consolidado nas entranhas do poder, fazendo o Estado “se
ajoelhar” aos interesses dos grandes senhores de terra.
• O que é coronelismo?
35
• Voto de cabresto
• A figura do coronel
FIQUE ATENTO
O termo “coronelismo” deriva dos coronéis que atuavam na Guarda Nacional. Basílio de Maga-
lhães (apud LEAL, 2012, p. 241) afirma que, “com efeito, além dos que realmente ocupavam nela
(Guarda Nacional) tal posto, o tratamento de ‘coronel’ começou desde logo a ser dado pelos
sertanejos a todo e qualquer chefe político, a todo e qualquer potentado”.
36
O coronelismo “se apresenta como um sistema político, uma complexa rede de
relações que permeia todos os níveis de atuação política” (CARVALHO, online). Como pontua
Nunes (2012), a reciprocidade é aspecto essencial na liderança do coronel. Pois, existe uma
dependência entre o poder público e o coronel (poder local). O critério de dependência
segue uma sequência lógica: o poder público depende do coronel para chegar à grande
parcela do eleitorado e o coronel depende do poder público para manter seu prestígio e
liderança.
O filme é baseado no livro de Jorge Amado, a trama acompanha Gabriela, uma re-
tirante que sai do Sertão nordestino, fugindo da seca, em direção ao Sul da Bahia.
Chegando em Ilhéus inicia um romance com Nacib. Ao assistir o filme observe o
contexto no qual se passa, a região de Ilhéus era próspera pelo cultivo de cacau. E
dominada pelos coronéis. Durante o desenrolar da trama é possível ver os bastido-
res da política local, muitas vezes resolvida na bala.
Observe também os personagens: Mundinho Falcão, um forasteiro, vindo do Rio
de Janeiro. Ele representa a modernidade, o progresso. Em contrapartida, o Coro-
nel Ramiro Bastos representante do poder local, o tradicionalismo.
LINK: https://bit.ly/2MVUD79
VAMOS PENSAR?
Infelizmente práticas da época do coronelismo ainda podem ser encontradas no Brasil atual.
Leia a reportagem de Gragnani para a BBC Brasil, publicada em 2020. Na qual expõe casos
que comprovam que a compra de votos no Brasil ainda resiste. Mostra relatos em que foram
acertados acordos para que se votasse em determinado candidato em troca de dinheiro, cesta
básica, gasolina e até mesmo cachaça.
37
3.4 A HEGEMONIA CAFEEIRA
Figura 7: Lata para armazenar café. Processo aperfeiçoado de fabricação de latas de fácil abertura e tampa suplementar. Lambert &
Cia., Rio de Janeiro, 1919.
Fonte: Fotografia Mauro Domingues.
O café tem uma grande importância na história do Brasil, como destaca Beltrão
(2010, online) esta relação começou muito antes do período republicano:
A versão mais conhecida e aceita sobre a introdução do café no Brasil é a atribu-
ída a Francisco de Melo Palheta (1670-?), que em 1727 trouxe mudas e sementes
da Guiana Francesa, plantando-as em Belém do Pará. Entretanto, existem in-
formações da existência do café no Maranhão antes dessa data. O cafeeiro não
se fixou na região amazônica por falta de boas condições naturais, não tendo
alcançado ali maior significado econômico. Da Amazônia parece ter vindo para
a cidade do Rio de Janeiro por volta de 1760, quando algumas mudas foram
plantadas pelos frades capuchinhos na rua. Dessas mudas saíram as que foram
formar novas culturas nos arredores do Rio de Janeiro (Jacarepaguá, Campo
Grande, Guaratiba e Santa Cruz) a cultura se irradiou pelo atual estado do Rio
de Janeiro. Ao mesmo tempo, de São Gonçalo o café atingiu Itaboraí e Maricá,
disseminando-se em direção a Campos e ao estado do Espírito Santo. Em Vas-
souras surgiu a capital do café brasileiro nas primeiras décadas do século XIX. De
São João Marcos e Resende, os cafeeiros foram levados para São Paulo. Espalha-
ram-se pelo vale do Paraíba, atingiram Lorena, Taubaté, Jacareí, Mogi das Cru-
zes, até Jundiaí, de onde teriam se originado os cafezais do oeste de São Paulo.
Em 1797, o porto de Santos registrou a exportação para Portugal de 1.924 arrobas
de café. Na Bahia, apontam-se pequenos cafezais em 1790. Em Minas Gerais, as
primeiras lavouras de café parecem ter surgido no final do século XVIII. Por volta
de 1800, havia cafezais em número reduzido no Triângulo Mineiro. Em 1809, to-
davia, já era apreciável a produção de Araxá. Entretanto, a região de Minas Gerais
onde a cultura do café se desenvolveu mais densamente foi a Zona da Mata,
pela sua maior proximidade com o Rio de Janeiro. Seguiram-se a região vizinha
do vale do Paraíba e os municípios de Mar de Espanha, Juiz de Fora, Leopoldina,
Cataguases e Ubá, mais tarde centros cafeeiros da maior importância, embora a
lavoura marchasse com êxito para o sul e oeste de Minas pelo vale do rio Preto,
alcançando Goiás.
Desde meados do século XIX, o café começou a ser o produto mais importante da
economia brasileira. Com a decadência da escravidão, o estímulo para a vinda de imigrantes
e o enriquecimento de um novo grupo social modifica-se todo o panorama brasileiro do
século XX.
Há um grande enriquecimento dos fazendeiros cafeeiros, em geral paulistas. Outro
grupo que também possuía força econômica no período eram os mineiros que produziam
leite. Esses dois produtos se eternizaram na história brasileira através de um acordo político
realizado na época. Em referência à produção de café (São Paulo) e de leite (Minas Gerais),
foi criado o esquema que ficou conhecido como: Política do café com leite.
38
Um sistema de alternância em cargos de poder, que funcionava da seguinte maneira:
em um mandato governava um presidente apoiado por São Paulo e na próxima gestão era
a vez de um candidato indicado por Minas Gerais ser presidente. Assim, surgem as grandes
oligarquias da política nacional, as quais dominam a cena política do Brasil até 1930.
Isso se tornou possível, pois eram esses dois estados que detinham a maioria dos
recursos do país, assim, caso os outros estados não se recusassem a essa prática, ficaram
a margem dos recursos vindos do governo federal. Isso gerou o que conhecemos como
Política dos Governadores.
A “política dos governadores” é considerada a última etapa da montagem do
sistema oligárquico ou liberalismo oligárquico, que permitiu, de forma duradou-
ra, o controle do poder central pela oligarquia cafeeira. Esse domínio se manifes-
tou na hegemonia política dos estados de São Paulo e Minas Gerais na indicação
dos presidentes da República, a chamada “política do café-com-leite”, que vigo-
rou até a Revolução de 1930 (DIAS, 2010, online).
Figura 8: Meme em referência a política do café-com-leite; acordo firmado entre as oligarquias estaduais e o governo federal durante
a República Velha para que os presidentes da República fossem escolhidos entre os políticos de São Paulo e Minas Gerais.
Fonte: História no Paint
Dias (2010) pontua que a Política dos Governadores estava baseada no compromisso
presidencial de não intervir nos conflitos regionais em troca da garantia do pleno controle
do Executivo sobre o Congresso. E selou o comprometimento da presidência da República
com as elites dominantes nos estados, estabelecendo um novo equilíbrio entre estes e o
poder central.
Nesse esquema, Minas Gerais e São Paulo, usavam dos recursos do governo
beneficiando as elites rurais que eram os seus representantes. Esse esquema favoreceu as
oligarquias rurais, mas com o tempo foi se desgastando. O país ficou bastante dependente
do mercado externo, e com dívidas.
39
BUSQUE POR MAIS
Café - Mario de Andrade
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40
FIXANDO O CONTEÚDO
1 - (SEEC/RN 2011 – CESGRANRIO) A federação de 1891 abriu as portas do paraíso para o
coronel. [...] Surgiu o coronelismo como sistema [...]. O coronel municipal apoiava o coronel
estadual que apoiava o coronel nacional, também chamado de presidente da República,
que apoiava o coronel estadual, que apoiava o coronel municipal. [...] Aumentou também
o dá-cá-toma-lá entre coronéis e governo. As nomeações de funcionários se faziam sob
consulta aos chefes locais. Surgiram o “juiz nosso” e o “delegado nosso”, para aplicar a lei
contra os inimigos e proteger os amigos. O clientelismo, isto é, a troca de favores com o uso
de bens públicos, sobretudo empregos, tornou-se a moeda de troca do coronelismo. [...] O
coronelismo, como sistema nacional de poder, acabou em 1930, mais precisamente [...] em
1937.
CARVALHO, José Murilo de. Metamorfoses do coronel. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6 maio 2001. Adaptado.
De acordo com o texto acima, ainda há clientelismo e coronéis no Brasil, mas o coronelismo,
como sistema político nacional, já deixou de existir há décadas. Ele surgiu na Primeira
República e não sobreviveu à Era Vargas.
Com base na definição apresentada no texto acima, que mecanismo político, presente na
“federação de 1891” e extinto em 1937, era responsável por articular os três níveis de governo
do país num sistema coronelista?
a) Clientelismo.
b) Voto censitário.
c) Política do café com leite.
d) Economia agroexportadora.
e) Eleição dos governadores estaduais.
2 - Rodrigo havia sido indicado pela oposição para fiscal duma das mesas eleitorais. Pôs
o revólver na cintura, uma caixa de balas no bolso seu posto. A chamada dos eleitores
começou às sete da manhã. Plantados junto da porta, os capangas do Trindade ofereciam
cédulas com o nome dos candidatos oficiais a todos os eleitores que entravam. Estes, eu sua
quase totalidade, tomavam docilmente dos papeluchos e depositavam-nos na urna, depois
de assinar a autêntica. Os que se recusavam a isso tinham seus nomes acintosamente
anotados.
VERISSIMO, E. O tempo e o vento. São Paulo: Globo, 2003 (adaptado).
Que aspecto característico da vida política durante a Primeira República é possível notar
na cena descrita no romance de Erico Veríssimo:
a) a liberdade democrática.
b) o controle dos votos da população.
c) o voto secreto.
d) o livre exercício da cidadania.
e) a grande participação popular. WURFDUSRUSRQWRGH
LQWHUURJDomRHLQLFLDU
WRGDVDVDOWHUQDWLYDV
FRPOHWUDPDL~VFXOD
41
3 - (ENEM 2014) O problema central a ser resolvido pelo Novo Regime era a organização
de outro pacto de poder que pudesse substituir o arranjo imperial com grau suficiente de
estabilidade. O próprio presidente Campos Sales resumiu claramente seu objetivo: “É de lá,
dos estados, que se governa a República, por cima das multidões que tumultuam agitadas
nas ruas da capital da União. A política dos estados é a política nacional”.
CARVALHO, J. M. Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987 (com
adaptações).
Nessa citação, o presidente do Brasil no período expressa uma estratégia política no sentido
de
O artifício político, citado no fragmento de texto acima, ficou conhecido pelo nome de
a) Coronelismo
b) Política do Café com Leite
c) Voto de Cabresto LQVHULUSRQWRILQDOHP
d) Política dos Governadores WRGDVDVDOWHUQDWLYDV
e) República Velha
5 - (MACK-2004) Exigia-se para a cidadania política uma qualidade que só o direito social
da educação poderia fornecer e, simultaneamente, desconhecia-se esse direito. Era
uma ordem liberal, mas profundamente antidemocrática e resistente aos esforços de
democratização.
UHWLUDURV José Murilo de Carvalho
GRLVSRQWRV
A República Velha (1894-1930), em relação à participação política dos cidadãos, determinou:
42
cidadãos, sem distinções, evidenciada na eliminação do voto censitário.
d) a perpetuação da injustiça social e dos privilégios de setores oligárquicos. O voto popular
era manipulado pelos grupos dominantes.
e) a eliminação do voto censitário e a adoção do voto universal, que ampliaram, de forma
significativa, a porcentagem de eleitores nesse período.
6-
A ilustração refere-se
O fenômeno sociopolítico, a que se alude no fragmento acima e que alcançou seu maior
vigor nas primeiras décadas do Brasil republicano, pode ser entendido como
43
a) a expressão do poder político dos empresários industriais, que, embora formassem
uma classe numericamente pequena, experimentavam desde o Império um significativo
crescimento de sua importância econômica.
b) o resultado da militarização das instituições políticas brasileiras em virtude de a liderança
do movimento republicano ter sido exercida por militares, como Deodoro da Fonseca e
Floriano Peixoto.
c) uma reação dos líderes políticos nos Estados à instituição do voto secreto pela Constituição
de 1891, inovação que reduziu drasticamente o poder dos grandes proprietários rurais.
d) uma forma de clientelismo em que chefes políticos locais (geralmente proprietários
rurais), dominando grupos de eleitores e lançando mão sistematicamente da fraude
eleitoral, sustentavam o poder das oligarquias no plano estadual e, indiretamente, no
federal.
e) a consequência da ascensão social — por meio das escolas militares — de membros das
classes médias urbanas, formando uma oficialidade coesa de tenentes, capitães, majores
e coronéis.
44
04
OS CONFLITOS NA PRIMEIRA UNIDADE
REPÚBLICA
45
4.1 INTRODUÇÃO
FIQUE ATENTO
[...] o governo provisório durou 15 meses, e suas preocupações imediatas se deram em torno
das questões federativas, especialmente com a manutenção da ordem pública. Em setembro
de 1890, foram realizadas eleições para o Congresso, que teria a incumbência de elaborar e
aprovar a primeira Constituição republicana e eleger o mandatário da nação, daí por diante
denominado de presidente da República. (FLORES, 2018, p.52).
46
criação de indústrias. Isso porque as apostas nas empresas eram feitas as cegas, daí vem o
termo encilhamento: uma alusão a encilhar (por arreio) num cavalo. Num paralelo entre as
apostas dos cavalos de corridas e as apostas do governo nos empreendimentos.
Ao crescimento da atividade econômica seguiu-se uma alta da inflação, especulação
na bolsa de valores, falências e desemprego. Isso porque como não havia uma correlação
entre os investimentos e a produção real, a ebulição financeira declinou. Muitos
investidores internacionais retiraram seus investimentos da Bolsa de valores brasileira e
como consequência, se deu uma queda dos preços das ações e a desvalorização da moeda
brasileira.
A grave inflação gerada pelo encilhamento fez com que os deputados quisessem
limitar os poderes do presidente. Insatisfeito, Deodoro ameaçou fechar o Congresso
Nacional, atitude que gerou muitas críticas ao seu governo. Deodoro já tinha problemas
para lidar com os partidos políticos contrários ao governo, sem conseguir negociar com as
bancadas dos estados, especialmente os produtores de café (São Paulo, Rio de Janeiro e
Minas Gerais), o que gerava frequentes atritos entre ele e o Congresso. Fechar o Congresso
foi visto como extremamente antidemocrático e acabou provocando a antipatia da
população e a reação da Marinha.
Com o governo em crise Deodoro renunciou em 23 de novembro de 1891, depois de
um governo curto e pouco feliz - foram apenas nove meses de gestão – período no qual
defendeu o centralismo e um Estado Forte.
[...] as tensões políticas tornaram-se insustentáveis. Deodoro decreta a dissolu-
ção do Congresso, mas, diante da pressão de grupos militares e civis, de uma
greve de ferroviários que explode no Rio de Janeiro, do aumento da tensão no
Rio Grande do Sul com a deposição de Júlio de Castilhos e, por fim, da revolta de
Custódio de Melo, que assesta os canhões dos navios da armada ancorados na
baía de Guanabara contra a capital da República, sem ter como lidar com uma
situação que se aproximava perigosamente da guerra civil, em 23 de novembro,
o proclamador da República transformado, depois de um breve governo consti-
tucional, em ditador passa o governo às mãos de Floriano Peixoto, o vice-presi-
dente eleito pela Assembleia Constituinte. (NEVES, 2018, p.35)
GLOSSÁRIO
Dissensões: Falta de entendimento; divergência de opiniões entre duas ou mais pessoas. [...]
Condição de disputa, litígio, desavença. [...] Qualidade daquilo que diverge, discorda.
47
4.2 A REVOLTA DA ARMADA (RJ) E A REVOLUÇÃO FEDERALISTA (RS)
Quando Deodoro renuncia, assume seu vice Floriano Peixoto, com o desafio de
conter a inflação e enfrentar os opositores. Na intenção de acabar com a inflação o novo
presidente tabelou os preços dos alimentos e dos aluguéis e incentivou a exportação de
café. Porém, a “substituição de Deodoro por Floriano Peixoto apenas aumentaria a crise
institucional e o radicalismo dos grupos envolvidos que se tornaria intenso até os contornos
da guerra civil” (FLORES, 2018, p.56).
Entre as revoltas ocorridas na Primeira República, Floriano em seu governo teve que
enfrentar duas bastante significativas: A Revolta da Armada e a Revolução Federalista.
Para não ter a sua autoridade ameaçada, Floriano utilizou de grande aparato militar o que
acabou fazendo com que esses conflitos fossem muito violentos.
FIQUE ATENTO
“Armada” era o nome como era conhecida a marinha brasileira.
• Revolta da Armada
O conflito conhecido como Revolta da Armada foi uma rebelião ocorrida entre setembro de
1893 e março de 1894 em unidades da Marinha. Como pontua Coelho (online) a revolta que
começou no Rio de Janeiro em 1983 teve seus antecedentes dois anos antes em 1891 com a
decisão de Deodoro da Fonseca de fechar o Congresso. Esse ato transgredia a Constituição
de 1981 e fez com que Unidades da Marinha se revoltassem e numa ação coletiva sob a
liderança do almirante Custódio José de Melo, ameaçassem bombardear a cidade do Rio
de Janeiro, então capital da República. Para evitar uma guerra civil Deodoro renunciou,
porém:
O vice-presidente, marechal Floriano Peixoto, assumiu seu lugar e não convocou
eleições presidenciais, conforme previa o artigo n° 42 da Constituição para o
caso de vacância do cargo em menos de dois anos após a posse do presidente.
Sua alegação era que tal norma valia para presidentes eleitos por voto direto, e
tanto Deodoro como ele próprio haviam sido eleitos indiretamente, pelo Con-
gresso Constituinte. (COELHO, 2016, online)
48
Flores (2018) diz que era um momento de agitação política e ideológica, no qual
os assuntos mais intensos giravam em torno dos militares na política e da reforma
constitucional, que permitiria a reeleição de Floriano Peixoto. Pois, esses eram dois pontos
defendidos pelas forças florianistas e duramente atacadas pelos opositores.
É importante ressaltar dois pontos nessa questão: a insatisfação da Marinha que
se sentia politicamente inferior ao Exército e o fato de haver entre os oficiais da Armada,
simpatizantes da monarquia.
Em 6 de setembro de 1893, um grupo de oficiais da Marinha voltou à carga. Eram
liderados pelo almirante Custódio de Melo, que ocupara os ministérios da Mari-
nha e da Guerra no governo de Floriano e pretendia candidatar-se a presidente
da República. No grupo estava também o almirante Eduardo Wandenkolk, mi-
nistro da Marinha no governo de Deodoro e senador pelo Distrito Federal, que
fora preso e reformado por ter assinado o manifesto dos 13 generais um ano
antes. No dia 7 de setembro, o diretor da Escola Naval, almirante Luís Filipe Sal-
danha da Gama, aderiu publicamente ao movimento, declarando- se favorável
à volta da monarquia. Além das denúncias contra a política florianista, que não
pacificava as rivalidades regionais, os oficiais da Marinha sentiam-se despresti-
giados diante do Exército, força de origem dos dois primeiros presidentes, Deo-
doro e Floriano. (COELHO, 2016, online).
FIQUE ATENTO
[...] com a adesão de milhares de jovens a batalhões de apoio ao presidente na capital federal
e nos estados. Esses soldados eram nacionalistas, republicanos e não refutavam a violência
na defesa de Floriano Peixoto, especialmente contra estrangeiros, a quem atribuíam conspira-
ções contra a República. (COELHO, 2016, online).
Sem conseguir tomar a capital, participantes da Revolta foram para o Sul do país,
onde estava ocorrendo a Revolução Federalista. Algumas tropas se aquartelaram em
Desterro (atual Florianópolis), buscando uma aliança com os federalistas do Sul, mas o
acordo não avançou.
Sem apoio popular ou do Exército, esse movimento foi duramente reprimido pelo
governo de Floriano. A revolta foi abafada em 1894 quando Floriano com o apoio do Partido
Republicano Paulista e com aparato militar suprimiu o movimento.
49
GLOSSÁRIO
Suprimir: Fazer alguma coisa com o propósito de acabar com; eliminar; causar a anulação de;
anular.
Vacância: vago, que não se encontra preenchido nem ocupado.
• A Revolução Federalista
50
FIQUE ATENTO
Os termos maragato e pica-pau surgiram no Rio Grande do Sul em 1893, durante a Revolução
Federalista, para definir as duas grandes correntes políticas gaúchas então em conflito. Os
maragatos representavam os federalistas, liderados por Gaspar Silveira Martins, e eram iden-
tificados pelo uso de lenços vermelhos. Os pica-pau representavam os republicanos, liderados
por Júlio de Castilhos, e sua identificação se dava pelo uso de lenços brancos. (Cf. NOLL, online)
51
VAMOS PENSAR?
Até hoje a questão levanta debates:
Muitas pessoas não aceitam o nome Florianópolis para a capital catarinense. Pelo fato dele
estar ligado aos atos de violência ocorridos na cidade durante o governo de Floriano, como o
massacre na fortaleza de Anhatomirim, e defendem a necessidade de uma mudança no nome
do município.
Outros defendem que essa discussão é irrelevante, pois, atualmente, o nome já estaria consoli-
dado, além do que uma mudança traria custos ao município.
Para acompanhar essa discussão sobre a repercussão de atos da república no momento atual,
acesse as reportagens:
LINK: https://bit.ly/2MUf5Fw
LINK: https://bit.ly/3jkGtZi
FIQUE ATENTO
Há diferença entre os conceitos de Revolta e Revolução: Revolução é uma mudança súbita na
estrutura, uma transformação radical (social, económico, cultural, religioso), enquanto Revolta
está ligada a um ato de indignação ou insatisfação, visando chegar a um acordo ou mudança.
Como pontua Fausto (online) em termos geográficos o Brasil do século XIX não era
muito diferente do Brasil atual, porém, haviam vastas regiões ainda habitadas apenas pela
população indígena, delimitadas no mapa como parte do território brasileiro, mas não
exploradas econômica ou habitacionalmente.
Vimos na Unidade 3 que o Brasil até o fim da Primeira República (1930), era bastante
agrícola, baseando suas atividades na agricultura de exportação (toda a produção focada
em determinados produtos para serem vendidos no exterior), como o café. Algumas
regiões se desenvolveram baseadas nessas atividades.
Do ponto de vista populacional, houve um grande impulso na região Centro Sul
por causa do café, no Sul pela instalação da pequena propriedade (muito característica
do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), na região Amazônica, pela produção de
borracha que trouxe uma grande transformação e mudou a paisagem do norte do país.
Fausto ressalta que algumas regiões progrediram muito, mas em contrapartida, amplas
regiões no campo permaneceram extremamente pobres, com populações que ficavam as
margens do progresso.
52
• Canudos (1896-1897)
A fase dos militares na presidência com Marechal Deodoro da Fonseca (1889 – 1891)
e Marechal Floriano Peixoto (1891-1894) termina com as eleições de 1894 que tinha como
principal candidato um civil, representante dos cafeicultores: Prudente de Morais (1894-
1898).
Com a vitória de Prudente de Morais chega ao fim à oposição entre partes do exército
e nesse momento os cafeicultores puderam assumir o poder com presidentes que os
representassem. Sem oposição e por voto direto, o presidente eleito em 1894 havia sido
derrotado nas eleições indiretas de 1891. Sua escolha como presidente marcou o fim da
influência do exército na presidência da República (exceção feita para a eleição de Hermes
da Fonseca) e o início dos governos civis.
Morais assumiu com o desafio da pacificação, a Revolução Federalista foi encerrada
com a assinatura de um acordo de paz e os revoltosos foram anistiados em 1895. Seu maior
desafio foi o enfrentamento da guerra travada entre 1896 e 1897 em Canudos, Sertão da
Bahia.
Isso porque, durante a Primeira República, boa parte dos estados do nordeste
passava por uma situação difícil, com as péssimas condições de vida da população, miséria
e opressão dos fazendeiros. A população que lá residia ou servia de mão de obra para
grandes proprietários ou viviam de um cultivo precário da terra. Essas condições fizeram
com que as pessoas buscassem outro tipo de vida. Dos movimentos no campo, o mais
conhecido foi o de Canudos, no norte da Bahia (1893-1897). Onde se formou um arraial que
tinha como figura central Antônio Conselheiro, uma espécie de missionário, que foi muito
hábil em reunir os sertanejos. Esse povo que sofria pela seca e pelas más condições de vida
encontrou em Canudos uma forma comunitária de melhorar suas condições.
Conselheiro agregou milhares de pessoas que o ajudaram a construir em 1893 um
povoado na região de Canudos, Bahia, ao qual deu o nome de Belo Monte. Seu povoado
fixou-se às margens rio Vaza Barris, no sertão baiano, longe de qualquer influência
do governo republicano, já que sua vontade era ter autonomia. Como o enorme arraial
construído por eles reunia cada vez mais pessoas, passou a representar uma ameaça
para a República e para as elites regionais. Porém, o povoado atraiu pessoas de diversas
regiões do nordeste. E os fazendeiros perdiam seus empregados que viam no arraial uma
possibilidade de rompimento dos laços de dependência. Conselheiro criticava o governo
republicano, e não aceitava as leis imposta por ele.
O movimento que tinha como causa principal a miséria do povo do Sertão foi
combatido com extrema dureza. Foi preciso cinco expedições militares para acabar com o
povoado, durante os conflitos Antônio Conselheiro é morto e todas as pessoas residentes
no arraial foram massacradas. O governo poderia tratar o problema de outra maneira, mas
resolveu liquidá-lo. Prudente de Morais, com o apoio dos latifundiários resolveu a questão
com o uso de força militar e muita repressão. Combatido por tropas militares, Canudos
resistiu até o esgotamento completo e foi liquidado em 1897.
53
BUSQUE POR MAIS
Filme: Guerra de Canudos, 1997. Direção: Sérgio Rezende.
LINK: https://bit.ly/3pWVQdc
VAMOS PENSAR?
AS FONTES HISTÓRICAS
“O historiador se vale de uma série de fontes que incluem desde documentos oficiais, até notí-
cias na imprensa ou mesmo coisas aparentemente inesperadas com o rótulo de um remédio.
Tudo depende do tipo e do tema de sua pesquisa”.
Bóris Fausto
No caso de Canudos, uma relevante fonte histórica é a obra literária Os Sertões (1902) – conside-
rado o primeiro livro reportagem brasileiro. Um relato histórico, misturado à literatura.
O escritor Euclides da Cunha presenciou parte da Guerra como correspondente do jornal Esta-
do de São Paulo e escreveu sobre sua experiência.
FIQUE ATENTO
Antônio Vicente Mendes era seu nome de batismo. Tinha sido comerciante, caixeiro-viajante,
amansador de cavalos e beato.
GLOSSÁRIO
Messiânico: relativo à Cristo, ao Messias, filho de Deus.
54
• Contestado (1912-1916)
Nas matas e faxinais da região “vivia uma população nacional, os chamados caboclos,
muitos indígenas destribalizados, descendentes de africanos e população mestiça, que
compunham a principal camada de trabalhadores pobres da região”. (MACHADO, 2018,
online). E circulavam pela região indivíduos que foram denominados como “monges” e
“profetas” pela população sertaneja. Dos quais o mais famoso foi o monge João Maria.
[...] um religioso leigo, que sinalizava determinadas fontes de águas, que logo
passaram a ser denominadas pela população como “águas santas” ou “águas
do monge”. O culto a João Maria passou a fazer parte do cotidiano de diferen-
tes camadas da população planaltina, o que implicava em seguir determinados
padrões de comportamento, atitudes de defesa das fontes de águas, restrições
às queimadas e noções anticapitalistas próprias de um catolicismo popular. Se-
gundo a tradição popular, João Maria profetizava sobre o futuro, criticava os no-
vos tempos e divulgava um discurso apocalíptico que era muito bem recebido
pela população pobre (MACHADO, 2018, online).
55
VAMOS PENSAR?
Devoção ainda na atualidade
Mesmo com o final da Guerra do Contestado as reuniões dos sertanejos não acabaram. As po-
lícias do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram chamadas diversas vezes nos anos
que se seguiram para reprimir novas reuniões em Mafra, SC (1921), Pitanga, PR (1922), Concórdia,
SC (1924-25), Soledade, RS (1935-38) e Timbó Grande, SC (1942). Outro ponto que perdurou (esse
até os dias de hoje) foi o culto a figura de João Maria. “A tradição de São João Maria ainda é
muito forte em várias comunidades do sul do Brasil, desde comunidades caboclas, indígenas,
quilombolas e, também, de descendentes de imigrantes que, com o tempo, também ‘acabocla-
ram-se’” (MACHADO, 2018, online).
GLOSSÁRIO
Compulsório: obrigatório, forçado.
Mas se nas áreas pobres rurais o progresso tão prometido pelos republicanos
dificilmente se fazia ver. Nos grandes centros urbanos o cenário era outro. As cidades se
esforçavam para exibir em suas ruas um ar de modernidade.
As construções fabris mudaram a fisionomia das cidades. Na primeira República, São Paulo
foi cenário de expansão econômica e urbanização. Onde antes eram chácaras observa-se o
surgimento de bairros operários. Além disso, em São Paulo a atividade cafeeira continuou
fortemente.
No norte, até a grande crise da borracha, por volta de 1910 (devido às plantações
inglesas na região da Malásia), a riqueza concentrada permitiu um desenvolvimento
econômico e uma mudança na fisionomia de cidades como Manaus e Belém.
Na presidência o sucessor de Prudente de Morais foi Campos Salles (1898-1902) e
este foi o responsável por consolidar o poder dos fazendeiros, dando início da política
café com leite. Após o seu mandato, o eleito foi Rodrigues Alves (1902-1906) cujo um
dos principais pontos de seu plano de governo era implementar um plano de reformas
urbanas e sanitárias na Capital Federal (RJ). Nesse plano estava previsto: a modernização
dos portos, o alargamento das ruas, a higienização do centro da cidade e a construção de
novos edifícios.
Para essa reforma deu amplos poderes para o então prefeito do Rio de Janeiro, o
engenheiro Pereira Passos, e ao diretor do serviço de saúde pública, o médico sanitarista
Oswaldo Cruz.
Com isso sua intenção era tornar a cidade mais limpa, moderna e atraente para
56
investidores estrangeiros e para trabalhadores imigrantes. Outra intenção era mudar
os costumes dos habitantes. Além de uma capital “moderna”, as elites desejavam que a
população fosse “civilizada”, comportando-se de acordo com valores europeus.
VAMOS PENSAR?
Cultura erudita X Cultura popular
A valorização apenas da cultura tida como erudita é uma visão pode causar o preconceito cul-
tural e reduzir o valor estético da cultura popular.
O Brasil é um país enorme e que recebeu ao longo de sua história, povos vindos de diferentes
locais do mundo. Essas interações produziram diferentes manifestações artísticas e culturais
que fazem parte de nosso patrimônio. A cultura popular é importante, pois, surge do repasse de
tradição, da construção coletiva e da pluralidade.
A cultura popular brasileira é bastante diversa, podemos citar manifestações como grafite, rap,
hip hop, funk, a capoeira, entre muitos outros.
As mudanças previstas no plano de reformas podem ser vistas nas obras da Avenida
Rio Branco no centro do Rio de Janeiro, que no início do século XX, teve suas ruas estreitas
e calçamento precário totalmente transformado em amplas e modernas vias, nas quais
poderia melhor circular.
É importante ressaltar que muitas transformações vindas com a reforma da cidade
envolveram sacrifícios das pessoas mais pobres que moravam no centro, que tiveram que
se deslocar ou para os subúrbios ou para as favelas que estavam começando a crescer nos
morros do Rio de Janeiro.
Bota abaixo – assim ficou conhecido esse momento da história do Rio de Janeiro.
Em referência a derrubada de cortiços para a construção de ruas largas e modernas.
Movidos pela intenção de embelezar e melhorar o tráfego de pessoas. Durante a reforma
de Pereira Passos muitos prédios antigos foram demolidos e milhares de pessoas ficaram
desabrigadas. As pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, porém, sem indenização ou
novo local. A população passou a ocupar o subúrbio ou os morros, onde as condições eram
precárias e não havia saneamento básico.
Na construção da Avenida central em 1904, todos os prédios em estilo colonial foram
demolidos e substituídos por edifícios em estilo neoclássico inspirados em Paris.
As obras foram construídas de maneira autoritária e com repressão policial, gerando
grande insatisfação popular.
• A Revolta da Vacina
57
lojas saqueadas.
As razões para esses atos foram uma soma de vários fatores: a população estava
cansada das medidas autoritárias do governo, da truculência e do clima de tensão causado
pelas reformas. Havia também uma falta de conscientização pela importância da vacina.
Quando tratamos desse período histórico do Brasil é notório tanto o fato de terem
havido muitos conflitos, da luta entre oposição e governo persistir durante todo o período
da Primeira República. Como a violência e a forma dura com que eram suprimidos.
No que diz respeito ao povo e aos movimentos sociais, em diversas regiões, e com
diferentes motivações, ocorreram revoltas e diferentes formas de atuação dos grupos
sociais que se organizam e buscaram melhorias na sua condição de vida. Realizados por
militares, operários ou pessoas com condições de vida ruins.
LINK: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788537813058/epubc-
fi/6/4%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dbody002%5D!/4/4%400.00:0
58
FIXANDO O CONTEÚDO
1 - (CESGRANRIO com adaptações) O governador Rodrigues Alves (1902-1906) foi responsável
pelos processos de modernização e urbanização da Capital Rio de Janeiro. Coube ao
prefeito Pereira Passos a urbanização da cidade e ao Oswaldo Cruz o saneamento, visando
a combater principalmente a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. Essa política de
urbanização saneamento público, encontrou forte oposição junto à população pobre da
cidade e à opinião pública por que: UHWLUDURVGRLVSRQWRV
a) mudava o perfil da cidade e acabava com os altos índices de mortalidade infantil entre
a população pobre.
b) desabrigava milhares de famílias, em virtude da desapropriação de suas residências, e
obrigava a vacinação antivariólica.
c) implantava uma política habitacional e de saúde para as novas áreas de expansão urbana,
em harmonia com o programa de ampliação dos transportes coletivos.
d) provocava o surgimento de novos bairros que receberiam, desde o início, energia elétrica
e saneamento básico.
e) transformava o centro da cidade em área exclusivamente comercial e financeira e
acabava com os infectos quiosques.
2-
A imagem acima é de uma estátua do monge João Maria. A qual movimento que desafiava
o poder republicano e acreditava no estabelecimento de um Reino sagrado na região esta
figura está relacionada:
59
c) Feira Cristã, São Vicente.
d) Santuário de Nossa Senhora Aparecida, Aparecida.
e) Monte Santo, Manaus.
5 - Movimento que se iniciou no Rio Grande do Sul em 1893 em oposição ao governo legal
de Floriano Peixoto.
a) Encilhamento
b) Revolta Armada
c) Guerra de Canudos
d) Revolução Federalista LQVHULUSRQWRILQDOQDV
e) Tenentismo DOWHUQDWLYDV
6 - Novo nome dado a Capital Catarinense em 1894, como uma homenagem ao então
presidente e com parte de um programa político-ideológico de legitimação do governo.
a) Florianópolis
b) Presidente Figueiredo
LQVHULUSRQWRILQDOQDV
c) João Pessoa DOWHUQDWLYDV
d) Presidente Prudente
e) Governador Celso Ramos
7 - Uma das medidas aplicadas à cidade do Rio de Janeiro a partir de 1903, que auxiliou as
práticas de higienismo que culminaram na Revolta da Vacina, em 1904, foi:
8 - A Revolta da Armada
a) foi uma revolta decorrente da insatisfação dos pilotos da aeronáutica brasileira com o
60
governo de Floriano Peixoto.
b) foi um conflito travado no Rio Grande do Sul entre duas forças que disputavam o poder
naquele estado.
c) foi uma rebelião de membros da marinha contra os castigos físicos dos escravos.
d) foi motivada pela insatisfação do exército com a violenta repressão a Canudos.
e) foi resultado da insatisfação da marinha com o governo do Marechal Floriano Peixoto.
61
05
AS ORGANIZAÇÕES DOS UNIDADE
TRABALHADORES
62
5.1 INTRODUÇÃO
• Imigração
• Campo
Muitos imigrantes que vieram para cá na primeira República foram trabalhar nos
cafezais em regime de colonato. Nesse tipo de contrato, todos os integrantes da família
deveriam trabalhar na lavoura de café. Em troca cada família recebia uma parte do café
colhido e uma pequena remuneração.
LINK: https://bit.ly/3aHc9UQ
• Cidades
Boa parte dos imigrantes se estabeleceu nos centros urbanos. Podemos tomar como
exemplo a cidade de São Paulo:
63
ferrovias estavam sendo modernizados. Também como ambulantes, ou abrindo seus
próprios negócios.
Nas indústrias a maior parte dos operários eram de imigrantes. Muitos eram mulheres
e crianças que ganhavam um salário inferior ao dos homens. Operários que trabalhavam
de 10 a 14 horas e geralmente em locais insalubres.
Com a Revolução Industrial ocorrida na Europa se modifica a maneira de se fabricar
as coisas: as ferramentas foram substituídas pelas máquinas, a energia humana por outras
fontes de energia mecânica e o modo de produção doméstico pelo sistema de produção
nas fábricas. Para o trabalhador isso tem um grande impacto: a introdução de máquinas nas
fábricas aumentou a produção e o rendimento do trabalho, mas as condições de trabalho
eram em geral muito precárias e exaustivas. Surgiram os bairros operários e formou-se
uma classe operária.
O desenvolvimento das sociedades industriais contribuiu para consolidar o capitalismo
como modo de produção dominante e marcou o surgimento de duas classes sociais: a
burguesia – classe social do regime capitalista, onde seus membros são proprietários do
capital, ou seja, comerciantes, industriais, proprietários de terras, possuidores de riqueza
e dos meios de produção (fábricas, máquinas) e do lado oposto, o proletariado – classe
operária, cujo único bem é a força de trabalho (vende sua força de trabalho em troca de um
salário).
Nesse modo de produção, o trabalhador produz a riqueza, mas não participa dela.
Na busca pelo lucro, a consequência direta do capitalismo é a desigualdade social entre
trabalhadores e capitalistas. A exploração dessa classe trabalhadora teve como reação o
surgimento no século XIX de teorias como o socialismo, comunismo e o anarquismo. Os
trabalhadores começaram a se organizar e se articular buscando melhorar suas condições
de vida e de trabalho.
FIQUE ATENTO
Sistema Capitalista:
O capitalismo é um modo de organizar a economia, isto é, a produção e a troca de bens e ser-
viços. Uma economia capitalista reúne três elementos-chave, que a definem: a propriedade
privada dos meios de produção, o mercado de trabalho e a troca de produtos num mercado
visando ao lucro. (PESCHANSKI, 2012, online)
Socialismo
Sistema econômico que procura alcançar a igualdade entre os membros da sociedade, man-
tendo os bens de produção como bens coletivos.
Comunismo
Sistema econômico e político que defende uma sociedade sem classes. Nele, os meios de pro-
dução e outros bens pertencem ao governo e a produção é dividida igualmente entre todos.
64
Durante as primeiras décadas do século XX, a indústria brasileira registrou alto índice
de expansão. O comércio internacional estava em declínio pelo contexto da Primeira Guerra
Mundial, o que ocasionou a necessidade de substituir as importações e produzir mais. Com
o aumento das atividades industriais, aumentou também o contingente de trabalhadores,
o que fortaleceu a organização dos operários. Dulles (1977, p. 19) relata que em 1990
aproximadamente 90% da força industrial de São Paulo era composta por imigrantes.
Na Europa o movimento de trabalhadores já era bastante desenvolvido e tinha traços
de maior organização. Parte dos imigrantes que vieram da Europa para cá tinham contato
direto com ideias que possuíam força entre os operários europeus, como o socialismo e o
anarquismo.
No Manifesto Comunista de 1848 é possível ver as preocupações que circulavam entre
os trabalhadores. O documento representa a luta pelos direitos sociais na Europa. É um
documento interessante porque narra como se constitui a sociedade industrial: avanços
tecnológicos, formação da burguesia, condições de trabalho. No qual Karl Marx defende
que “A história de todas as sociedades é a história da luta de classes” e a necessidade da
adesão a um sistema socialista/comunista para uma sociedade mais justa.
O socialismo é um sistema econômico e ideológico que defende a igualdade entre
os membros da sociedade, em resposta a exploração dos trabalhadores. O socialismo é um
sistema que procura alcançar a igualdade entre os membros da sociedade no qual toda a
propriedade privada é vista como um roubo e deve ser banida da sociedade (no momento
se contestava a propriedade da burguesia capitalista). O comunismo, por outro lado, seria
o resultado da implantação das ideias socialistas, a etapa final.
Essas ideias circularam também pelo Brasil, muitos trabalhadores eram socialistas.
Em 1902 é fundado o Partido Socialista Brasileiro. A presença de anarquistas também era
muito forte no movimento operário. Os anarquistas defendiam a eliminação do Estado e
de todo tipo de instituição como única forma de conseguir liberdade humana e acabar
com a alienação.
65
Um importante instrumento de protesto dos trabalhadores foi através das greves.
Entre 1917 e 1920 nos principais centros urbanos do país foram realizadas inúmeras greves.
A mais relevante delas, foi a greve geral de 1917, quando em São Paulo ocorreu uma
paralisação geral dos trabalhadores das fábricas de tecidos. Após essa greve foi sancionada
uma lei para expulsar os anarquistas do Brasil. Mais um passo na repressão aos anarquistas
no Brasil. “Entre 1907 e 1930, a perseguição aos anarquistas foi implacável. O governo não
dava trégua: prendia, torturava, deportava para o Acre e expulsava do país os elementos
mais ativos” (VALENTE, 1994, p.265).
Essas ações geraram uma reação do governo brasileiro que criou leis para punir ou
banir os estrangeiros que chegassem ao Brasil com intuito de mobilizar os trabalhadores.
A partir daí as questões reivindicatórias dos operários passaram a serem vistos como “caso
de polícia”, com a perseguição e punição de imigrantes que tivessem envolvimento nas
greves do período (ALVES, 2017).
FIQUE ATENTO
Lei Adolfo Gordo de 1904 /Lei Celerada de 1927.
66
Em 1922 criou-se no Brasil o Partido Comunista Brasileiro o PCB, organização que
teve grande relevância no processo da organização do movimento operário no Brasil. E aos
poucos começaram a ser tomadas algumas iniciativas para a criação de uma legislação
social no país e o controle dos contratos de trabalho. Contudo, foi só a partir de 1930 que
uma legislação relativa ao campo do trabalho foi realmente implementada. Sendo o direito
social brasileiro um grande mote da Era Vargas (ALVES, 2017).
VAMOS PENSAR?
Na imagem de 2014, uma greve de 10 mil operários da construção civil em Forta-
leza, cujas demandas eram por melhoria salarial, aumento no benefício do plano
de saúde, melhores condições de trabalho, aumento nos auxílios da cesta básica,
combustível e creche.
Podemos pensar que os movimentos sociais de trabalhadores ainda hoje utilizam
de méto-dos parecidos com o dos operários da Primeira República, como as greves
e a organização sindical. E que a luta pelos diretos trabalhistas no Brasil tem um
longo caminho e que ainda segue. Para refletir sobre o assunto, acesse:
LINK: https://bit.ly/2MUJKm6
LINK: https://bit.ly/2NaLFDm
67
5.4 O MODERNISMO NA ARTE BRASILEIRA
LINK: https://bit.ly/3tCiIRs
68
FIXANDO O CONTEÚDO
1 - (UNIFESP-2005) “Será exagero… dizer-se que os colonos se acham sujeitos a uma nova
espécie de escravidão, mais vantajosa para os patrões do que a verdadeira, pois recebem
os europeus por preços bem mais moderados do que os dos africanos… Sem falar no fato
do trabalho dos brancos ser mais proveitoso do que odos negros?”.
DAVATZ, Thomas, Memórias de um colono no Brasil, 1854-1857
2 - “A economia brasileira prosperou durante toda a segunda metade do século XIX. Esse
desenvolvimento desenvolveu-se principalmente, ao progresso continuado da cafeicultura.
Diante dos problemas criados pela expansão econômica sobressai a escassez de mão de
obra. Esse desenvolvimento traduz-se numa efetiva ‘fome de braços’”.
IANNI, Otavio. História geral da civilização brasileira. (com adaptações)
3 - (FGV-2005) [...] tem-se ressaltado o [seu] caráter espontâneo [...] e não há motivo para se
rever o fundo dessa qualificação. A ausência de um plano, de uma coordenação central,
de objetivos pré-definidos é patente. Os sindicatos têm restrito significado; o Comitê de
Defesa Proletária — expressão da liderança anarquista e em menor escala socialista —
não só se forma no curso do movimento como procura apenas canalizar reivindicações. O
padrão de agressividade da greve relaciona-se com o contexto sociocultural de São Paulo
e com a fraqueza dos órgãos que poderiam exercer funções combinadas de
representação e controle.
FAUSTO, Boris. Trabalho urbano e conflito social.
69
e) ao Levante Tenentista de 1924.
5 - (MACK-2004) Em poucos anos, entre o final do século XIX e início do XX, a capital paulista
consolidou-se como grande centro capitalista, integrador regional, mercado receptor e
distribuidor de produtos e serviços, fatores vinculados ao crescimento da produção cafeeira.
MATOS, Maria Izilda. A cidade em debate.
A respeito da cidade de São Paulo e da sua relação com a economia cafeeira, podemos
afirmar que:
UHWLUDURVGRLVSRQWRV
a) o café acumulou capitais para a indústria e atraiu a mão de-obra imigrante, favorecendo,
também, o crescimento da população urbana. UHWLUDUR
SDODYUD
b) a entrada de imigrantes foi um fator negativo para a diversificação da economia regional.
REUD
c) a Lei das Terras, de 1850, contribuiu para a acumulação de capitais pelo trabalhador
imigrante em São Paulo, possibilitando, a ele, ter amplo acesso à propriedade fundiária.
d) as fazendas de café do oeste paulista permaneceram utilizando trabalho escravo, ao
contrário da mentalidade empresarial da burguesia agrária do Vale do Paraíba.
e) embora a produção cafeeira fosse considerável, não suplantou, em fins do século XIX,
o açúcar no comércio de exportação e isso garantiu o poder político para os senhores de
engenho.
a) a Era Vargas.
b) a Primeira República no Brasil.
LQVHULUSRQWRILQDOHD
c) a Guerra do Contestado.
~OWLPDDOWHUQDWLYD
d) o Período Regencial no Brasil HVFUHYHUFRPOHWUD
e) A Republica da Cisplatina. PLQ~VFXOD
70
c) aprovaram resoluções com o objetivo de unir os trabalhadores na luta por reivindicações
imediatas e de organizar a classe operária para a construção de uma sociedade igualitário.
d) proibiram a participação de estrangeiros na composição dos sindicatos por considerá-
los agentes radicais de organizações internacionais, descomprometidos com os brasileiros.
e) tiveram como ideólogos que representavam a corrente majoritária no interior do
movimento do dos trabalhadores naquele contexto histórico.
71
06
O FIM DA PRIMEIRA REPÚBLICA UNIDADE
72
6.1 INTRODUÇÃO
O contexto estava mudando, o poder das oligarquias paulista e mineira já não era tão
hegemônico. No Brasil na década de 1920 novos grupos sociais passaram a exercer influência
política e econômica no país. A sociedade urbana era formada por grupos distintos, tanto
industriais, quanto comerciantes, funcionários públicos e profissionais liberais. Ao alcançar
um maior poder aquisitivo, eles também passam a reivindicar maior participação política
e participar das decisões econômicas.
Com o desenvolvimento das indústrias no país, formou-se uma burguesia industrial.
Essa burguesia estava insatisfeita com a política econômica do governo que beneficiava
as oligarquias cafeeiras, isso porque era dominada por seus representantes. Os industriais
reivindicavam medidas que protegessem os produtos industrializados brasileiros
e dificultassem a importação de produtos de outros países. Os industriais além de
empréstimos para modernizar o maquinário, buscavam o apoio do governo para dinamizar
e incentivar a fabricação nacional de produtos como tecidos, calçados, chapéus, biscoitos,
implementos agrícolas, entre outros.
Outro ponto importante é que o país enfrentava uma grave crise econômica.
A década de 1920 foi marcada por tendências desagregadoras. Muitos grupos
estavam insatisfeitos com o governo oligárquico:
Militares – reivindicavam maior participação política e o reconhecimento de
sua importância na defesa do território. Muitos militares apoiavam a modernização e a
industrialização do país, contrariando a política agroexportadora adotada pelos primeiros
presidentes da Primeira República. Os levantes tenentistas também impactaram o poder
oligárquico, os militares que aderiram a esses movimentos viam no exército o agente
purificador do regime.
Operários – se organizaram em sindicatos para exigir melhorias nas condições de
trabalho. Passaram a promover greves para reivindicar a diminuição da jornada de trabalho,
melhores salários, férias, 13°, melhorias nas instalações das fábricas e regulamentação
do trabalho infantil. O movimento operário se desenvolvia e apesar de violentamente
reprimido, obteve conquistas e organizou sindicatos e partidos.
73
Os ex-escravos e seus descendentes após três décadas de abolição, ainda sofriam
discriminação. Nas cidades muitos faziam trabalhos domésticos nas casas de famílias
escravocratas. Também trabalhavam na construção, prestavam serviços nas ruas ou eram
ambulantes. Não costumavam trabalhar nas fábricas, onde a maioria dos empregados era
imigrantes europeus.
Enquanto nas cidades a sociedade urbana se modernizava, no campo, grandes áreas
do interior permaneciam organizadas com base na tradição rural e os coronéis dominavam
o cenário político (representantes da oligarquia). Assim como, dominavam a produção. Cana
de açúcar e cacau no Nordeste, no Centro Oeste eram grandes pecuaristas, produtores de
erva mate e charque. A mão de obra no interior no campo composta por camponeses,
seringueiros, mineiros, vaqueiros e sertanejos trabalhava muitas horas e recebia baixos
salários. Um contexto no qual líderes religiosos exerciam grande influência. No Nordeste
a população enfrentava ainda seca e a fome sem receber auxílio do governo. Para tentar
se livrar do jugo dos coronéis, os pobres rurais organizam movimentos contestatórios,
sobretudo no sertão nordestino.
FIQUE ATENTO
No Sertão uma das reações ao poder oligárquico e aos mandos dos coronéis foi o Cangaço
Nas primeiras décadas do século XX o domínio dos coronéis (grandes fazendeiros/ poder).
O cangaço adquiriu grande importância eram pessoas que se revoltavam, contra a opressão e
passavam a vida na ilegalidade – assaltos/ saques – nas fazendas e cidades do Sertão. Tinham
o apoio de boa parte da população pobre, possuíam um código de honra próprio e ajudavam
os necessitados. A figura mais emblemática desse contexto foi Virgulino Ferreira da Silva, o
Lampião que defendia os necessitados do Sertão da exploração.
A estratégia dos cangaceiros era usar a violência para gerar pânico. Governo e polícia tinham
dificuldade para combatê-los, pois eram bem armados e tinham conhecimento da região, e
muitas vezes contavam com o apoio da população local.
Fim do cangaço: com a melhoria na comunicação e transporte entre o Sertão e os grandes
núcleos urbanos e com a introdução de armas modernas pelo Estado, muitos cangaceiros
foram mortos e outros se entregaram. No final da década de 1930 com a morte de lampião, o
cangaço chega ao fim.
VAMOS PENSAR?
Cangaço Moderno?
Nos últimos anos, ações de bandos armados que agem especificamente assal-
tando instituições financeiras como agências bancárias e carros-fortes vêm sen-
do chamadas por alguns de “Cangaço moderno”.
Leia a reportagem e pense se o paralelo entre as ações de grupos armados no
momento atual podem ser associadas à ação dos cangaceiros na Primeira Repú-
blica.
LINK: https://bit.ly/3q4pwoO
74
6.3 A CRISE DOS ANOS 20
O início da República brasileira foi marcado pelo mecanismo estruturado pela política
dos governadores e pelos acordos que garantiam a autonomia aos grupos oligárquicos
dominantes nos estados, que retribuíam dando apoio político ao governo central através
de suas bancadas no Congresso. Um pacto que não deixou espaço para outros grupos
participarem politicamente, gerou muitas fraudes eleitorais e excluiu da política a maior
parte da população.
FIQUE ATENTO
Política dos Governadores: Nome com que ficou conhecido o arranjo político promovido pelo
presidente Campos Sales (1898-1902) e os governadores e presidentes estaduais com o objetivo
de superar as incertezas políticas que marcaram os primeiros governos da República. Baseado
no compromisso presidencial de não intervir nos conflitos regionais em troca da garantia do
pleno controle do Executivo sobre o Congresso, o acordo incluiu manobras políticas que per-
mitiram minimizar a influência das oposições e selou o comprometimento da presidência da
República com as oligarquias dominantes nos estados, estabelecendo um novo equilíbrio en-
tre estes e o poder central. A “política dos governadores” é considerada a última etapa da mon-
tagem do sistema oligárquico ou liberalismo oligárquico, que permitiu, de forma duradoura, o
controle do poder central pela oligarquia cafeeira. Esse domínio se manifestou na hegemonia
política dos estados de São Paulo e Minas Gerais na indicação dos presidentes da República, a
chamada “política do café-com-leite”, que vigorou até a Revolução de 1930. (DIAS, online).
Como vimos na Unidade 3, o fato do voto não ser secreto e pelos mecanismos
utilizados para reprimir a posse caso candidatos que não fizessem parte da política dos
governadores fossem eleitos, garantiram que o poder se mantivesse por anos nas mãos
das oligarquias. Oito dos treze presidentes da Primeira República vieram das principais
oligarquias, os estados mais influentes no momento (São Paulo e Minas Gerais), deixando
os estados com menor força política à margem da participação política. Mas na medida
em que ganhava importância no cenário nacional, estados como Rio Grande do Sul, Rio de
Janeiro e Bahia reivindicavam maior participação a fim de defender seus interesses.
Nas eleições de 1922 esses estados se uniram com a intenção de romper com o
revezamento de São Paulo e Minas na presidência. Criou-se um movimento de oposição
(a Reação Republicana), que lançou Nilo Peçanha como candidato, para concorrer com o
candidato de Minas, Arthur Bernardes. A Reação Republicana visava os votos das classes
médias urbanas.
Até aí não havia grandes novidades. Parecia que a lei de ferro das sucessões pre-
sidenciais na Primeira República iria se manter, isto é, a oposição iria concorrer,
perder e reclamar das fraudes sem resultado. A história, no entanto, foi um pou-
co diferente. Para começar porque pela primeira vez organizava-se uma chapa
de oposição forte com o apoio de importantes grupos regionais. Além disso, o
movimento contou com a adesão de diversos militares descontentes com o pre-
sidente Epitácio Pessoa, que nomeara um civil para a chefia do Ministério da
Guerra. Finalmente, a Reação Republicana conseguiu, em uma estratégia prati-
camente inédita na história brasileira, desenvolver uma campanha baseada em
comícios populares nos maiores centros do país. O mais importante deles foi o
comício na capital federal, quando Nilo Peçanha foi ovacionado pelas massas.
(CPDOC, online).
75
A campanha eleitoral foi bastante polêmica, circulou na imprensa cartas que se
diziam ser de Arthur Bernardes, nas quais desrespeitava os militares. Bernardes negou
a autoria, porém, o fato fez com que aumentasse a oposição dos militares a sua eleição.
Durante essa campanha a imagem de Arthur Bernardes ficou marcada como político
antimilitar por causa de cartas falsas e das supostas críticas feitas por ele aos militares.
Posteriormente, foi divulgado que as cartas eram falsas, mas não adiantou. A situação se
agravou quando eleito: Arthur Bernardes fechou o clube militar – a partir daí iniciou-se
revolta e contestação dentro do exército.
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76
6.4 O TENENTISMO E A COLUNA PRESTES
• Movimento Tenentista
Entre os anos de 1922 e 1924 ocorreram vários levantes pelo Brasil. Devido a
grande participação de jovens oficiais (tenentes e capitães) que estavam insatisfeitos
com o governo e com o poder das oligarquias, esses levantes ficaram conhecidos como
movimentos tenentistas, ou tenentismo. O surgimento do tenentismo contribuiu para a
desestabilização da ordem política do momento.
Os participantes do movimento tenentista eram contrários à forma de como se fazia
política no Brasil. Os tenentes criticavam o sistema eleitoral brasileiro, o fato de todos os
recursos da economia brasileira se direcionarem as elites oligárquicas, o privilégio dado
aos grupos agroexportadores por meio das políticas protecionistas do governo federal, o
poder dos coronéis que usavam o estado brasileiro em benefício próprio, o descontrole das
finanças públicas, o crescimento da dívida externa e defendiam a ideia de eleições diretas,
secretas e democráticas.
Tinham como objetivos: destituir as oligarquias do poder, pois as consideravam
corruptas e atrasadas e realizar reformas políticas. Desejavam reformar as instituições
republicanas (principalmente através da centralização do poder e do nacionalismo), eles
consideravam os grupos oligárquicos dominantes como representantes do imperialismo.
Outro ponto era o desejo de modernizar o exército, que no começo dos anos 1920 vivia
uma situação difícil, com falta de armamento, cavalos, medicamentos, e outros recursos.
Os oficiais brasileiros se ressentiam politicamente e estavam descontentes com os baixos
salários. “Esta situação afetava particularmente os tenentes. Havia um grande número
deles, e as promoções eram muito lentas. Um segundo-tenente podia demorar dez anos
para alcançar a patente de capitão” (CPDOC, online).
Num contexto de insatisfação com a forma como a política brasileira era feita e a
frustração com as condições do Exército, foram realizados diversos levantes militares, os
“movimentos tenentistas”. Sendo os principais eventos do tenentismo transcorridos na
década de 1920: os 18 do Forte, os levantes de 1924, e a Coluna Prestes.
• 18 do Forte
O primeiro grande movimento feito pelos tenentes ficou conhecido com “os 18 do
forte” e ocorreu em 1922. Quando revoltosos realizaram um levante no forte de Copacabana
no Rio de Janeiro, disparando canhões em redutos do Exército. As forças legais reagiram
bombardeando o forte, E várias tentativas propondo uma rendição foram feitas, porém,
em vão.
Apósc essa tentativa de organizar um movimento para derrubar o governo, que
acabou não tendo êxito, e diante a impossibilidade de prosseguir com a revolta. Os
membros do levante decidiram não se render e marcharam pela Avenida Atlântica de
encontro às forças legalistas. Assim, 18 jovens saíram pelas ruas para desafiar as forças
federais. Em marcha, travaram um tiroteio com as forças legais, cujo saldo foi que apenas
dois sobreviveram ao confronto: os tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes.
Pouco tempo cdepois Artur Bernardes assumiu a presidência da República,
decretando estado de sítio em razão do levante ocorrido no forte de Copacabana.
77
• Levantes de 1924
• Coluna Prestes
Com a repressão dos levantes de 1924 em São Paulo e os avanços das forças legais
na cidade, os revoltosos deixaram a capital paulista e em marcha seguiram pelo interior
do estado na direção sudoeste. Eclodiam no período, outros movimentos de grupos de
tenentes que organizavam seus motins.
Duas figuras muito importantes desses movimentos foram Miguel Couto e Luiz
Carlos Prestes, líderes de uma nova forma de resistência. Prestes usava como estratégia
não lutar diretamente contra o governo do Presidente Arthur Bernardes, Seu modo de agir
era seguir em marcha, percorrendo todo o país, aglutinado homens dispostos a se juntar-
se a seu grupo no combater as formas de organização da Primeira República. Assim, o
grupo percorreu mais de 25000 Km em três anos de caminhada.
Apesar de não terem conseguido vitórias expressivas, foi importante, pois instaurou
um novo formato de resistência no Brasil. A Coluna Prestes, como ficou conhecida a
marcha, chegou ao fim na Bolívia. O movimento não alcançou o seu objetivo principal que
era acabar com o poder das oligarquias, mas contribuiu para a criação de uma conjuntura
que encaminharia ao fim a república oligárquica.
78
6.5 O MOVIMENTO DE 1930
• A Era Vargas
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GLOSSÁRIO
Estado de sítio: instrumento utilizado pelo Chefe de Estado em que se suspende temporaria-
mente os direitos e as garantias dos cidadãos e os Poderes Legislativo e Judiciário ficam sub-
metidos ao Executivo, tendo em vista a defesa da ordem pública.
79
FIXANDO O CONTEÚDO
1 - (FUVEST-2009) Em um balanço sobre a Primeira República no Brasil, Júlio de Mesquita
Filho escreveu: “... a política se orienta não mais pela vontade popular livremente manifesta,
mas pelos caprichos de um número limitado de indivíduos sob cuja proteção se acolhem
todos quantos pretendem um lugar nas assembleias estaduais e federais”.
a) garantiu a vitória da oposição, fazendo com que Reação Republicana alcançasse seus
objetivos.
b) ajudou na eleição de Deodoro da Fonseca, pelo conteúdo militar.
c) não impediu que Arthur Bernardes fosse eleito, porém, manchou sua imagem como um
político antimilitar.
d) fez com que fosse criada a primeira lei contra o uso de notícias falsas para influenciar
eleições.
e) fez com que se fortalecesse a política dos governadores.
4 - (MACK-2003) “A Revolução de 1930 seria inexplicável sem o jogo das forças estaduais
e regionais em luta para reequacionarem sua posição e influência no âmbito do Estado
Nacional”
IANNI, Octávio. A ideia do Brasil Moderno
Podemos justificar o pensamento do autor por que: UHWLUDURVGRLVS
80
a) além do interesse em criar novas perspectivas capitalista, havia, sem dúvida, a revolta
dos estados periféricos contra o monopólio do poder de São Paulo e Minas Gerais sobre a
nação.
b) a Revolução de 1930 foi somente a expressão dos interesses das camadas médias, que se
manifestavam por meio do Tenentismo.
c) o Estado Oligárquico permanecia forte e homogêneo na composição das forças políticas
em 1930.
d) a crise de 1929 não teve relação com a eclosão revolucionária.
e) a cisão das oligarquias não enfraqueceu as forças políticas no poder e não contribuiu
para a queda de Washington Luís.
5 - A Revolução de 1930
a) fez com que Washington Luiz permanecesse no poder para um, segundo mandato.
b) derrubou o então presidente Washington Luiz e foi o momento no qual Getúlio Vargas
assumiu o poder.
c) levou Luiz Carlos Prestes ao poder e a instauração de um governo comunista no Brasil.
d) foi deflagrada pelos cangaceiros para levar melhores condições aos sertanejos pobres.
e) iniciou o movimento tenentista e o combate da hegemonia das oligarquias no Brasil.
6 - (ESPCEX (AMAN) 2014) No dia 5 de julho de 1922, três dias depois de ter sido decretada
a prisão de Hermes da Fonseca, 302 jovens militares do Forte de Copacabana, no Rio de
Janeiro, se sublevaram. Para reprimi-los, o governo enviou para lá cerca de 3 mil soldados,
que cercaram a fortaleza. Numericamente inferiorizados, a grande maioria dos amotinados
se rendeu, mas poucos militares, mesmo sem condições de enfrentar as tropas legalistas,
saíram pelas ruas de Copacabana de armas em punho. No meio do caminho, alguns rebeldes
debandaram [...]. Nos tiroteios que se seguiram, apenas dois rebeldes sobreviveram.
(AZEVEDO & SERIACOPI, 2007).
7 - (MACK-1998) “Em julho de 1924, a elite paulista buscava fugir da capital, bombardeada
a esmo pelas forças legalistas [...]. Os misteriosos tenentes, dos quais toda a gente falava,
tinham ocupado a cidade”.
Boris Fausto
81
O trecho se reporta a um dos movimentos tenentistas dos anos 20, cujo objetivo era:
8-
a) O presidente Washington Luiz foi deposto do governo e o poder foi entregue a Getúlio
Vargas.
b) Getúlio Vargas assumiu a presidência do Brasil após uma longa batalha com as oligarquias
rurais.
c) Getúlio Vargas, com o apoio das oligarquias de Minas e São Paulo, chegou a presidência.
d) Washington Luiz foi derrotado nas eleições presidenciais pelo candidato Getúlio Vargas.
e) a expulsão dos legalistas de Manaus.
82
RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO
UNIDADE 1 UNIDADE 2
QUESTÃO 1 A QUESTÃO 1 D
QUESTÃO 2 C QUESTÃO 2 A
QUESTÃO 3 A QUESTÃO 3 E
QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 B
QUESTÃO 5 B QUESTÃO 5 D
QUESTÃO 6 E QUESTÃO 6 A
QUESTÃO 7 C QUESTÃO 7 C
QUESTÃO 8 C QUESTÃO 8 B
UNIDADE 3 UNIDADE 4
QUESTÃO 1 E QUESTÃO 1 B
QUESTÃO 2 B QUESTÃO 2 E
QUESTÃO 3 B QUESTÃO 3 B
QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 D
QUESTÃO 5 D QUESTÃO 5 D
QUESTÃO 6 A QUESTÃO 6 A
QUESTÃO 7 C QUESTÃO 7 D
QUESTÃO 8 D QUESTÃO 8 E
UNIDADE 5 UNIDADE 6
QUESTÃO 1 C QUESTÃO 1 D
QUESTÃO 2 B QUESTÃO 2 C
QUESTÃO 3 A QUESTÃO 3 A
QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 A
QUESTÃO 5 A QUESTÃO 5 B
QUESTÃO 6 B QUESTÃO 6 D
QUESTÃO 7 C QUESTÃO 7 D
QUESTÃO 8 A QUESTÃO 8 A
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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