Direito Civil das obrigações
Profº Bruno Happner
05/08
O direito das obrigações está previsto no Código Civil do Art. 233 ao Art 420, e trata-se
do ramo do direito que cuida das relações patrimoniais disponíveis estabelecidas
entre um credor e um devedor em razão de um vínculo jurídico originado pela lei,
pelo contrato ou pelo ato ilícito.
- Disponíveis
- Patrimoniais
- Credor (Ácciperis)
- Devedor (Solides)
- Vínculo Jurídico (inadimplemento)
- Execução ou cobrança (inadimplemento)
Fontes do direito das obrigações/ Formas de originar-se uma obrigação:
1) Lei;
2) Contrato;
3) Ato Ilícito
Provas: confissão, testemunha, perícia…
Em caso de descumprimento da obrigação, nasce para um credor o direito de exigir
judicialmente o seu complemento, acrescentando além dos prejuízos juros,
correção monetária e honorários advocatícios.
07/08
DIREITOS PESSOAIS: OBRIGAÇÕES
● Dos sujeitos;
● Responsabilidade patrimonial;
Os direitos pessoais são aqueles que exigem a presença de dois ou mais
sujeitos que diante de um vínculo jurídico estabeleceram uma relação obrigacional (de
dar, fazer ou não fazer). Nestas relações de direitos pessoais, é o patrimônio do
devedor que assegura o direito do credor, de modo que, se aquele não cumprir com a
prestação que lhe é devida, a este caberá o direito de buscar a sua responsabilidade
patrimonial.
Não se pode perder de vista que a relação existe somente entre o credor e
o devedor.
DIREITOS REAIS:
● Bem real;
● Responsabilidade real;
● Sequela;
- Os direitos reais são oponíveis contra todos, e não somente contra o
credor e devedor. O Direito de ir atrás de quem for chama-se sequela.
Direitos reais disciplinam a relação do homem com a coisa de modo que ele pode
persegui-la aonde se encontre a coisa que lhe foi dado em garantia porque ela
possui um efeito contra todos. “Erga Omnes”.
OBRIGAÇÕES “PROPTER REM”
● Da própria coisa;
- Dívida própria da coisa, recai sobre a coisa. EX: IPTU, condomínio, IPVA…
As obrigações propter rem são aquelas vinculadas a coisa que as originou, siga-se
como exemplo o IPVA, o IPTU, o ITR ou o condomínio. São obrigações que o
proprietário tem pela mera circunstância de ser o proprietário, de ser o dono da
coisa, e que acaba-se sendo obrigado a pagar.
14/08
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA OBRIGAÇÃO
1) Pessoal/subjetivo;
● Credor
● Devedor
2) Material;
● Objeto da obrigação: positiva, negativa ↓
● Positiva: dar e fazer
● Negativa: não fazer
3) Prestação;
● Lícita;
● Possível
● Determinada/determinável
● Patrimonial
Segundo a doutrina, a obrigação é um vínculo jurídico transitório estabelecido entre um
credor e um devedor, que consiste numa prestação pessoal positiva ou negativa que,
se não cumprida ensejará uma responsabilidade patrimonial. Para que exista um
vínculo jurídico regular e válido, se faz necessário que todos os elementos constitutivos
da obrigação estejam presentes, quais sejam: o pessoal ou subjetivo (credor e
devedor); o material ou objetivo (dar, fazer ou não fazer); e uma prestação que seja
lícita, possível de ser realizada, determinada ou determinável e suscetível de
conversão patrimonial.
CLASSIFICAÇÃO:
● Vínculo:
- Civil (obrigação que pode ser exigida judicialmente/ existe coercibilidade)
- Moral (obrigação moral não pode ser exigida/ não tem coercibilidade)
- Natural (obrigação que já foi passível de ser exigida/ perdeu a
coercibilidade)
-
Classificação quanto ao vínculo: As obrigações civis são aquelas que sujeitam
o devedor a uma prestação de realização de obrigação sob pena de ser exigido
judicialmente. A obrigação moral é um mero dever de consciência cumprida por
questões de princípios, sua execução do plano judicial é juridicamente impossível.
Obrigação natural é aquela que perdeu a coercibilidade, ou seja, embora tenham
vínculo jurídico, e não o dever de consciência, não existe também a coercibilidade
porque perdeu-se o direito de ação.
● Objeto:
- Dar
- Fazer
- Não fazer
19/08
→ OBRIGAÇÃO DE DAR:
● Art. 233, CC → “A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela
embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das
circunstâncias do caso”.
Quando se fala na obrigação de dar coisa certa, é porque o objeto já está certo e
determinado, de modo que o devedor só se liberará da obrigação se oferecer a coisa
devida, pois o credor não é obrigado a receber coisa diferente ainda que mais valiosa.
Se não tiver o objeto, se resolve em perdas e ganhos.
● Art. 234, CC → “se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem
culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva,
fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de
culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e
danos”.
Artigo 234 fala sobre a perda da coisa, sobre o perecimento da coisa antes da entrega
seguindo a regra de que a coisa perde para o seu dono; além disso, fala a respeito da
culpa do devedor exonerando o devedor isento de culpa.
→ Condição suspensiva (tipo promessa) pode ser a termo (data certa) ou sem termo.
● Art 235, CC → “deteriorada a coisa não sendo o devedor culpado, poderá
o credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o
valor que perde”
Deterioração nada mais é do que a danificação da coisa; como o credor não está
obrigado a receber coisa diversa do que é devida, a ele, e a somente ele, caberá o
direito de aceitar a coisa deteriorada, com o respectivo abatimento.
● Art 236, CC → “sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o
equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito a
reclamar, em um ou em outro caso, indenização das perdas e danos”.
O artigo 236 adverte que se a deterioração se deu por culpa do devedor, o seu prejuízo
será ainda maior porque além da devolução do dinheiro ou da entrega da coisa com o
abatimento do preço, ainda deverá pagar por perdas e danos.
● Art 237, CC → “até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus
melhoramentos e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento no preço;
se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação”.
O artigo 237 fala que havendo acréscimos e melhoramentos na coisa, antes da
deterioração, poderá o devedor exigir um aumento no preço. Isso porque é fato a
obrigação de suportar os prejuízos em caso de deterioração, também terá o direito de
perceber os benefícios em casos de melhoramento.
21/08
Até a transferência, os frutos são do devedor. Após a transferência, os frutos são do
credor.
Acessório segue o principal.
● Art 238, CC → “Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do
devedor, se perder antes da devolução, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se
resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda”.
Obrigação de restituir, devolver.
A obrigação de dar é o gênero; a obrigação de restituir é uma das espécies. A
obrigação de restituir nada mais é do que aquela de devolver ao seu legítimo dono
determinada coisa que foi emprestada ou entregue a outro. O proprietário é o credor, e
o devedor é o mero detentor ou possuidor. A coisa perece para o dono (o prejuízo é do
dono).
● Art 239, CC → “Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este
pelo equivalente, mais perdas e danos”.
● Art 240, CC → “Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor,
recebe-la-á o credor, tal qual se ache, sem direito a indenização; se por
culpa do devedor, observar-se-á o disposto no art. 239”.
O comportamento culposo, a desídia (culpa) é o elemento caracterizador do dever de
indenizar não só nas obrigações de dar e de restituir como também em qualquer outra
relação obrigacional.
● Art 241, CC → “Se, no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou
acréscimo à coisa, sem despesa ou trabalho do devedor, lucrará o credor,
desobrigado de indenização”
Ex: Se o inquilino alugar uma casa e reformá-la sem contrato de que quando rescindir,
o dono deverá indenizar o inquilino, este não terá direito de indenização. “Fez porque
quis”.
● Art 242, CC → “Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor
trabalho ou dispêndio, o caso se regulará pelas normas deste Código
atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-fé”.
Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo
modo, o disposto neste Código, acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé.
● Art 243, CC → “A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela
quantidade”.
Obrigação de dar coisa incerta.
De acordo com o art 243 a obrigação de dar coisa incerta deverá ao menos estar
indicada pelo gênero a que pertence e pela quantidade, isso porque é de fato
indiferente ao credor receber esta ou aquela identificação.
● Art 244, CC → “Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a
escolha pertence ao devedor, se o contrário não resultar do título da
obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a prestar a
melhor”.
Pela lei o direito de escolha é do devedor, e caso o credor insista pelo direito de
escolher, deverá prever no contrato. Não pode o devedor escolher o pior e nem estará
obrigado a entregar o melhor, havendo sempre uma linha média. A partir do momento
em que for realizada a escolha a obrigação automaticamente se converterá de coisa
incerta para coisa certa. O ato de escolha, indiferentemente se for realizado pelo
devedor ou pelo credor, o ato de escolha é chamado de concentração.
Antes da escolha ou da concentração o devedor não pode alegar perda ou
deterioração pois O GÊNERO NUNCA PERECE.
26/08
OBRIGAÇÃO DE FAZER
Art 247, CC
● Aquilo que for personalíssimo, chama-se infungível.
- Só aquela pessoa que executa.
● Aquilo que for não personalíssimo, chama-se fungível.
- Qualquer pessoa que executa.
Art. 247, CC → “Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que
recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exequível”.
O artigo 247 refere-se às obrigações personalíssimas ou infungíveis. Por se tratar de
uma obrigação personalíssima e, portanto, intransferível se o devedor não a cumpriu,
a obrigação está resolvida, suportando ele as perdas e danos. As obrigações
personalíssimas também são chamadas de infungíveis justamente pelo fato de não
poderem ser executadas por outra
Se você não adotar algo para minimizar o seu prejuízo, não terá direito de indenizar (no
caso onde não tiver outra pessoa para fazer o mesmo serviço)
● Só vou indenizar se houver dano.
● Nenhum credor é obrigado a receber bem que não lhe é devido, ainda que
mais valioso.
Art 248, CC → “Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do
devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa dele, responderá por perdas e
danos”.
Art 249, CC → “Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor
mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem
prejuízo da indenização cabível”.
- “Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente
de autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois
ressarcido”.
O artigo 249 fala sobre as obrigações fungíveis ou não personalíssimas, explicando as
possibilidades de o credor mandar executar por outro. A lei apenas diferencia o caso
urgente do caso não urgente: o urgente, segundo a lei, pode ser executado por um
terceiro imediatamente (parágrafo único); o não urgente, somente poderá ser
executado por um terceiro em caso de mora (atraso) ou recusa do devedor (caput, art
249).
28/08
OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER
A obrigação de não fazer é a obrigação negativa que impõe ao devedor a abstenção
de um determinado ato. Ela decorre da lei ou do contrato e o devedor somente se
exonera de responsabilidade caso se torne impossível a abstenção do ato por fato de
terceiro. Os exemplos da doutrina estão dentro da servidão e da vizinhança.
Art 250, CC → “Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do
devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar”.
Art 251, CC → “Praticado pelo devedor o ato, a cuja abstenção se obrigará, o
credor pode exigir dele que o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa,
ressarcindo o culpado pelas perdas e danos”.
“Parágrafo único: em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar
desfazer, independentemente de autorização judicial, sem prejuízo do
ressarcimento devido”.
A urgência é a necessidade premente de que aquele fato que esteja acontecendo seja
feito imediatamente.
Somente em caso de urgência é que o credor pode desfazer o ato independentemente
de autorização judicial, caso contrário, deverá pedir asilo em juízo antes do
desfazimento do ato praticado pelo devedor.
02/09
DAS OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS
E/OU
(E: OBRIGAÇÃO DEFINITIVA) | (OU: OBRIGAÇÃO ALTERNATIVA)
Ex: 10 mil e uma bicicleta / 10 mil ou uma bicicleta
Direitos de indenização caso de perda de todas as alternativas, após verificar o quesito
culpa sem nenhuma responsabilidade do devedor.
Art 252, CC → “Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra
coisa não se estipulou”.
● § 1º “Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma
prestação e parte em outra”.
● § 2º “Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de
opção poderá ser exercida em cada período”.
● § 3º “No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime
entre eles, decidirá o juiz, findo o prazo por este assinado para a
deliberação”.
● § 4º “Se o título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder
exercê-la, caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes”.
Diz-se alternativa a obrigação quando contemplar duas prestações distintas e
independentes, extinguindo-se a obrigação pelo cumprimento de qualquer uma delas
(são obrigações conjugadas com OU). Em regra a escolha cabe ao devedor.
Quando existir duas ou mais prestações linkadas/unidas pela conjunção E, significa
que o devedor somente se liberará da obrigação se entregar os dois objetos ou as duas
prestações (obrigações cumulativas ou conjuntivas).
Feita a escolha, que é irredatável, a obrigação transforma-se de alternativa em simples,
e a prestação passa a ser uma só.
Art 253, CC → “Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação
ou se tornada inexequível, subsistirá o débito quanto à outra”.
Se uma das prestações se impossibilita, quer jurídica quer naturalmente, com culpa ou
não do devedor, a solução será uma só: a obrigação se consertará no remanescente.
Art 254, CC → “Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das
prestações, não competindo ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar
o valor da que por último se impossibilitou, mais as perdas e danos que o caso
determinar”.
Sempre que houver culpa, haverá perdas e danos, e se ambas as obrigações se
perderem por culpa do devedor, a solução adotada pelo legislador é de que ele deverá
pagar o valor daquela que por último se perdeu. Isto porque, o artigo antecedente já
determina que na primeira perda, a obrigação recaia na segunda remanescente.
Art 255, CC → “Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações
tornar-se impossível por culpa do devedor, o credor terá direito de exigir a
prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos; se, por culpa do
devedor, ambas as prestações se tornarem inexequíveis, poderá o credor
reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização por perdas e danos”.
Se a escolha couber ao credor, este decidirá o que vai pretender receber, se aquilo que
remanesceu ou o valor daquilo que se perdeu por culpa do devedor.
Art 256, CC → “Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do
devedor, extinguir-se-á a obrigação”.