Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade 171
Questões na documentação do TDAH
como transtorno em conformidade com o
Ato dos Americanos com Incapacidades
(Americans with Disabilities Act)
Nome do paciente _____________________________________________________________ Data ____________________
Instruções para o clínico: Você vai encontrar a seguir uma lista de questões que
freqüentemente devem ser tratadas nos relatos e avaliações de adultos com TDAH se
você está apresentando esses relatórios como documentação do transtorno de acordo
com o Ato dos Americanos com Incapacidades (Americans with Disabilities Act – ADA).
Tratar dessas questões na sua documentação irá diminuir a probabilidade de esta docu-
mentação ser rejeitada pelos examinadores, o que lhe garantirá um exame mais rápido
e possivelmente uma determinação mais favorável da deficiência potencial para seus
clientes. Use este checklist para preparar sua documentação para cada paciente e o
arquive junto com a pasta do paciente.
√ Questão
Possuo as credenciais adequadas como clínico para avaliar pacientes para
transtornos mentais (por exemplo, diploma de psicólogo clínico, psiquia-
tra, assistente social, etc.). Se você é médico de família ou clínico geral,
pediatra, neurologista, especialista em medicina internas ou outro especia-
lista não rotineiramente treinado no diagnóstico diferencial de transtornos
mentais, não deixe de apresentar alguma evidência de qualquer treinamento
avançado que tenha recebido nesse diagnóstico diferencial.
Empreguei os critérios atuais do DSM para o diagnóstico de TDAH, tendo
como base os sintomas e o funcionamento atuais (Manual diagnóstico e
estatístico de transtornos mentais, American Psychiatric Association).
Empreguei os critérios atuais do DSM para o diagnóstico de TDAH uma
segunda vez, tendo como base a lembrança retrospectiva do paciente de
seus sintomas e funcionamento na infância, entre os 5 e os 12 anos. Ob-
serve a exceção para a idade do início. O DSM-IV-TR especifica o início dos
sintomas que produzem o transtorno aos 7 anos, mas Barkley e Biederman
(1997) mostraram que este critério é injustificado e têm recomendado um
início na puberdade ou aproximadamente aos 12-14 anos.
Obtive corroboração dos sintomas e do funcionamento atuais do pacien-
te, por intermédio de alguém que conhece bem o paciente (cônjuge, par-
ceiro, pai/mãe, irmãos).
(continua)
172 Russell Barkley & Kevin R. Murphy
√ Questão
Obtive corroboração dos sintomas e do funcionamento do paciente na
infância, por meio de alguém que o conheceu bem quando criança ou pelo
registro da escola ou outro tipo de registro que possa refletir esses sinto-
mas e deficiência.
Documentei uma história de sintomas de TDAH produzindo deficiência
que remonta à infância (antes dos 12-14 anos).
Documentei que os sintomas do paciente parecem ter sido crônicos e
contínuos, exceto durante períodos de tratamento do transtorno.
Documentei que o paciente está atualmente prejudicado em uma ou mais
atividades (autocuidado, relações sociais, casamento ou co-habitação com
parceiro, educação, ocupação, manejo do dinheiro, dirigir carro, cuidar de
criança ou conduta legal).
Documentei que esse prejuízo estende-se no tempo a antes de o paciente
ter 18 anos. Observe que o transtorno, segundo o ADA, é definido como
um desempenho abaixo do normal ou abaixo da média com relação à média
das pessoas na população, e não com relação ao QI do indivíduo ou a
algum grupo de pares especial com alto funcionamento, assim como ou-
tros alunos universitários.
Descartei outros transtornos ou condições como possíveis explicações
para os sintomas do paciente.
Expliquei que tratamentos anteriores o paciente recebeu e que acomoda-
ções anteriores ele/ela já pode ter recebido com relação a este requisito do
ADA.
Expliquei por que o tratamento não melhorou suficientemente o fun-
cionamento atual do paciente, e por isso as acomodações requisitadas
são necessárias (isto é, expliquei por que os tratamentos costumeiros, como
medicação, não resultaram em um controle suficiente dos sintomas, de tal
forma que o paciente ainda requer acomodações em conformidade com o
ADA).
Listei as acomodações específicas que acredito que o paciente requeira e
expliquei brevemente por que elas são necessárias.
Nota. Citação concernente à idade do início (ver acima): Barkley, R.A., e Biederman, J. (1997). Towards a
broader definition of the age of onset criterion for attention deficit hyperactivity disorder. Journal of the
American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, 36, 1204-1210.
Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade 173
Conselhos práticos para lidar com TDAH em adultos
• Tome medicação para TDAH em dias letivos ou de trabalho (ou mais freqüentemente).
• Encontre um “treinador” ou “mentor” (por apenas 15 minutos por dia).
• Encontre-se com esta pessoa duas ou três vezes ao dia por 5 minutos para rever seu
progresso rumo a seus objetivos naquele dia.
• A responsabilidade no tempo é a chave para o sucesso.
• Identifique uma “ligação do TDAH” no trabalho ou em serviços de incapacidade uni-
versitários, e use freqüentemente os serviços dessa pessoa.
• Use um calendário das atribuições diárias, ou um diário – escreva ali tudo o que você
precisa fazer e o carregue sempre com você.
• Use cartões de relatório do comportamento diários ou semanais que os supervisores
podem pontuar para você a fim de que tenha uma revisão freqüente do seu trabalho.
• Use um processador de texto em vez de escrever à mão relatórios longos.
• Grave em fita aulas ou reuniões importantes.
• Use quaisquer anotações escritas extras, materiais de curso ou outros documentos
para ajudá-lo a se lembrar do conteúdo das reuniões e das aulas.
• Use sistemas de organização de cadernos, planejadores diários e/ou assistentes de
dados pessoais (palm pilots, blackberries).
• Programe as aulas/reuniões/trabalho mais difíceis para o período da manhã, quando
você está mais atento.
• Alterne trabalho ou cursos aborrecidos, porém requeridos, com trabalho interessante
ou aulas da sua escolha.
• Tempo extra em testes com tempo marcado podem não funcionar ou podem não ser
o bastante; até hoje não há nada que evidencie que isso ajuda as pessoas que têm
TDAH. É melhor providenciar lugares de teste sem fatores de distração.
• Exercite-se antes das provas ou de aulas ou reuniões aborrecidas.
• Use anotações contínuas para estimular a concentração em aulas ou reuniões pesa-
das.
• Use um dispositivo de dicas tácteis, o MotivAider (disponível em http://
addwarehouse.com, em “Treinamento”), para freqüentemente reativar seu senso de
alerta ou autoconsciência e seu foco no seu objetivo.
• Aprenda o “SQ4R” para a compreensão da leitura de qualquer texto longo a ser feito:
• Primeiro, examine o material e as perguntas esboçadas.
• Depois leia, recite, escreva e após reveja cada parágrafo.
• Encontre um amigo, colega ou companheiro de trabalho que possa tutorá-lo em ques-
tões difíceis.
• Trabalhe como parte de uma equipe com pessoas mais organizadas.
• Encontre companheiros de trabalho e colegas de faculdade com os quais você possa
trocar telefone, e-mail e fax para ocasiões em que possa ter perdido as atribuições,
para poder recuperá-las quando estiver fora do trabalho ou da classe.
• Freqüente sessões de ajuda após a aula (ou após o trabalho) sempre que oferecidas.
• Programe reuniões freqüentes de revisão com professores universitários ou
supervisores – a cada 3-6 semanas (mas não no final do período de avaliação).
• Observe o uso de cafeína e nicotina – de início estes podem ajudar sua atenção, mas
os adultos com TDAH são mais propensos a usá-los em excesso e a se tornarem
dependentes destas substâncias.
174 Russell Barkley & Kevin R. Murphy
• Experimente administrar melhor seu uso de outras substâncias legais, como o álcool,
e evitar completamente as ilegais.
• Desenvolva padrões de exercícios regulares (três ou mais vezes por semana) para
melhorar a atenção, a saúde, o manejo do estresse, etc.
• Procure conselhos e informações sobre o TDAH.
• Considere a terapia cognitivo-comportamental para ajudá-lo a desenvolver auto-afirma-
ções mais construtivas.
• Procure conselhos, ajuda e livros sobre o manejo e a organização do tempo (consulte
especialistas nessa área, se disponíveis).
• Torne-se publicamente responsável por outras pessoas, mais freqüentemente para o
estabelecimento de objetivos pessoais e programas de automudança (dieta, perda
de peso, economia de dinheiro, administração das finanças, conduta social, etc.).
• Procure avaliação vocacional e/ou aconselhamento na carreira para obter um melhor
ajuste entre você e seu ambiente de trabalho.
• Procure um profissional para conversar com seu empregador, se necessário (para
proteções e acomodações em conformidade com o Americans with Disabilities Act).
• Procure aconselhamento conjugal ou familiar, se necessário.
• Procure tratamento para outros transtornos, se necessário (depressão, ansiedade,
etc.).
• Procure tratamento para abuso de substância, se necessário.
• Tem um problema para resolver? Tente o seguinte com uma folha de papel e um
lápis:
• Seis passos para uma resolução de problema efetiva:
1. Defina o problema: escreva-o e se mantenha ligado a ele.
2. Gere uma lista de todas as soluções possíveis. Não são permitidas críticas
neste estágio.
3. Depois das soluções serem listadas, critique brevemente cada possibilidade.
4. Selecione a opção mais agradável.
5. Transforme este em um contrato de comportamento (assine-o).
6. Estabeleça penalidades pelo rompimento do contrato.