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Villain and The Geek (The Wolf's Mate #7) Jsjs

Hsjsnsjsjajnsnsksks

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© © All Rights Reserved
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ESSA TRADUÇÃO FOI EFETUADA PELO GRUPO BASTET

GODDESS; REVISÃO AMADORA, SEM FINS LUCRATIVOS.

TODOS OS DIREITOS DESSA OBRA PERTENCEM


EXCLUSIVAMENTE AO AUTOR(A).

RECONHECIMENTO DEVIDO AOS AUTORES, AVALIEM OS LIVROS


EM PLATAFORMAS APROPRIADAS, E SE PUDEREM COMPREM A
OBRA ORIGINAL.

REVISÃO FEITA DE FÃS PARA FÃS, PODE CONTER ERROS;


ALGUMAS PALAVRAS FORAM MODIFICADAS PARA MELHOR
COMPREENSÃO, MAS NADA QUE ALTERE O TRABALHO DO
AUTOR(A).
ESSE ARQUIVO DESTINA-SE PURAMENTE AO USO PESSOAL.
PROIBIDO VENDER OU COMPARTILHAR ABERTAMENTE EM
REDES SOCIAIS.
SINOPSE

Trocado por seu irmã o como o recém-reivindicado companheiro do


implacá vel alfa Constantine, o nerd leitor á vido Devon está muito além
de sua cabeça. Constantine é uma tempestade de gelo em forma humana
- e animal, e Devon só teve namorados de livros. No entanto, sempre que
tem a certeza de que se está a afogar, encontra-se seguro no forte abraço
de Constantine.

Mas Constantine tem certeza de que é perigoso acreditar que o vínculo


deles signifique outra coisa senã o um tratado de paz entre os lobos
Grayridge e Stone Hollow. Nã o apenas para sua matilha, mas para o
pró prio ô mega inocente e vulnerá vel. Devon quer – precisa – que
Constantine o ame, mas amor nã o é algo de que uma fera como ele seja
capaz.

Entã o, novamente, o medo também nã o.

E pela primeira vez na vida, Constantine está com medo.


VILLAIN AND THE GEEK
THE WOLF’S MATE
PARTE 2
CAPÍTULO UM
DEVON

Eu acordei assustado, piscando contra a forte luz do sol que entrava


pelas janelas. Por um momento desorientador, nã o tenho certeza de
onde estou. Mas entã o tudo volta à tona.
Tudo isso.
Porra... nã o é à toa que estou dolorido.
Estendo a mã o, esperando encontrar o corpo musculoso de Constantine
ao meu lado, mas os lençó is estã o frios. Ele já se levantou e foi embora.
Meu coraçã o afunda quando a realidade me atinge como um soco no
estô mago. As dú vidas e inseguranças persistentes com as quais sempre
lutei voltam.
A noite passada significou alguma coisa para ele? Eu era apenas mais um
ô mega para ser usado e descartado? Um peã o político para trazer a
matilha, mas nada mais?
Fecho os olhos com força, afastando os pensamentos ansiosos. Nã o, tinha
que ser real. A maneira como ele me segurou, a estranha suavidade
naqueles intensos olhos dourados... isso nã o era falso.
Ou era?
Meu estô mago se revira enquanto espero Constantine retornar. Os
minutos passam em um ritmo angustiante. Onde ele está ? Ele está tendo
dú vidas? Ele percebeu que afinal nã o sou bom o suficiente?
Ele nunca me marcou, nunca quebrou minha pele com os dentes para nos
unir. Inferno, ele nã o conseguia nem colocar todo o seu pau dentro de
mim, muito menos o seu nó .
Lá grimas ardem em meus olhos.
Claro que ele nã o me marcou.
Esfrego a pele lisa e sem marcas do pescoço e engulo em seco contra o nó
na garganta. A noite passada pareceu um sonho do qual eu nunca quis
acordar, mas acho que é hora de voltar à realidade.
Chega de pensar que finalmente encontramos uma maneira de nos
conectarmos no mundo desperto do jeito que fizemos em meus sonhos.
Eu levanto minha bunda exausta da cama e visto um roupã o antes de me
levantar para explorar a cabana, já que estava distraído na noite passada,
para dizer o mínimo. A porta se abre atrá s de mim enquanto estou
vasculhando a geladeira abastecida como uma espécie de gambá de lixo.
Eu me viro, esperança e medo guerreando em meu peito, mas nã o é
Constantine.
Um jovem servo ô mega se curva na porta. Só o reconheço porque está
usando o mesmo uniforme dos outros, embora nunca o tenha visto em
casa.
— Alpha Constantine foi chamado para tratar de assuntos urgentes da
matilha, — o servo diz suavemente, com os olhos desviados. — Ele me
pediu para cuidar de você até seu retorno esta noite.
O alívio toma conta de mim. Se isso for verdade, entã o talvez ele nã o
tenha ido embora porque ficou desapontado. Isso, ou ele está tentando
poupar meus sentimentos, e isso já seria um alívio por si só .
Isso significa que ele se importa pelo menos tanto , eu acho.
— Obrigado, mas está tudo bem. Nã o preciso de nada —, garanto a ele.
Prefiro mancar pela cabana do que lidar com a humilhaçã o de ser
inspecionado das mã os aos pés.
Especialmente porque percebi que eu estava cansado demais para me
preocupar em me limpar ontem à noite.
O servo se curva novamente, mas nã o sai da porta.
— Alpha Constantine foi muito insistente. Por favor, permita-me
preparar um banho para você e preparar o café da manhã .
Minhas bochechas queimam quando percebo que esse ô mega
provavelmente sabe exatamente o que aconteceu aqui ontem à noite.
Esfrego a nuca conscientemente, como se pudesse de alguma forma
apagar a falta de uma marca de acasalamento apenas por pura vontade.
— Hum. Ok, claro, — eu digo sem jeito, nã o querendo o colocar em
apuros. Por mais raros que sejam os ô megas, tenho certeza de que ele
geralmente nã o é um servo, mas faz sentido que Constantine nã o envie
um beta ou um alfa para cuidar de seu companheiro.
O criado sorri gentilmente e me leva até o banheiro enquanto liga a á gua.
Entro no chuveiro para me enxaguar, estremecendo quando a á gua
quente arde na carne macia entre minhas pernas. Olho para baixo e vejo
manchas de gozo seco - e um pouco de sangue - deslizando pelas minhas
coxas e caindo no ralo, e meu rosto fica ainda mais quente.
Quando saio, o criado aponta para a grande banheira agora cheia de á gua
fumegante e com aroma de rosas. Pétalas de flores flutuam
sedutoramente na superfície.
— Esta mistura ajudará a acalmar e curar a pele apó s o acasalamento.
Por favor, relaxe e aproveite, — diz ele, se curvando novamente antes de
fechar a porta atrá s de si.
Reprimo um gemido de vergonha com suas palavras, mas a ideia de um
banho quente e relaxante é muito atraente para deixar passar, entã o
afundo na banheira com um suspiro, a á gua quente aliviando
instantaneamente meus mú sculos doloridos. Dó i um pouco, mas no bom
sentido.
Logo, é simplesmente reconfortante. Meus olhos se fecham enquanto o
delicado aroma floral flutua ao meu redor e, por um momento, quase
posso esquecer que ainda estou em um espaço liminar quando se trata
do meu acasalamento.
Balanço a cabeça, afugentando o pensamento. Eu nem sei onde estamos
agora. O acasalamento deveria nos unir, mas me sinto mais à deriva do
que nunca.
Uma batida na porta me tira dos meus pensamentos.
— O café da manhã está pronto. Vou mantê-lo aquecido para você até
que você esteja pronto para descer.
— Obrigado —, eu digo de volta suavemente. Pelo menos sei que serei
bem cuidado na ausência de Constantine, mesmo que nã o tenha certeza
do que esperar na presença dele.
Eventualmente, eu me arrasto para fora do banho, me sentindo
revigorado, mas como se ainda tivesse sido atropelado por um caminhã o
Mack.
E isso nã o está muito longe da verdade.
Constantine é ridiculamente enorme. Eu esperava isso, mas vivenciar isso
é outra questã o. Parecia que ele estava tentando me cortar ao meio.
E ainda assim, eu gostei. Mais do que quero admitir.
Especialmente porque nem tenho certeza se ele vai querer fazer isso de
novo.
A vida seria muito mais fá cil se eu fosse apenas um maldito ô mega
normal. Eu sei que o lobo de Brad demorou um pouco para aparecer, mas
ele entrou no cio quase assim que chegou aqui, entã o por que o meu está
demorando tanto?
Por outro lado, eu também comecei tarde na puberdade humana.
Inferno, considerando o fato de que ainda sou magro como o inferno, as
partes boas me ignoraram completamente.
Sempre soube que sou inadequado, principalmente porque passei a vida
inteira sendo comparado ao meu irmã o. À s vezes sinto como se o
universo dissesse a si mesmo: “Uau, esse Brad, que acabei de fazer, parece
e age como o maldito Hércules. Eu deveria pegar as sobras e torná-lo um
gêmeo chato de merda, para que fique ainda mais óbvio que ele é
totalmente incrível.”
Ah, e entã o o cotovelo do universo bateu no pote de Inseguranças e
Mudanças de Humor e derramou no meu tanque de DNA.
Fodida sorte.
Quando finalmente chego à mesa, tentando nã o mancar obviamente na
frente do criado que é pelo menos gentil o suficiente para fingir que nã o
percebe, minha boca começa a salivar com a colcha colocada na minha
frente. Torrada francesa, suco de laranja espremido na hora, bacon,
ovos… tudo bem.
Talvez eu pudesse me acostumar com a vida do ô mega da matilha.
Pelo menos o aspecto de mimos.
— Obrigado. Isso parece delicioso —, eu digo antes de começar.
— Obrigado —, diz o servo com um aceno de cabeça. — Estou feliz que
você gostou.
— A propó sito, meu nome é Devon, mas... acho que você já sabia disso —,
digo. — Qual o seu nome?
Ele parece surpreso com a pergunta.
— Eu sou Paul. É um prazer conhecê-lo formalmente, Mestre Devon.
Eu me pergunto brevemente por que alguns dos lobos têm nomes durõ es
como o meu companheiro, e alguns deles têm nomes como Paul e Bob.
Acho que Luna queria guardar os melhores nomes para caras gostosos
em livros futuros.
— Por favor, apenas Devon —, digo a ele. — Entã o, há quanto tempo
você trabalha para Constantine?
— Nã o muito tempo, — ele responde. — Fui escolhido para atendê-lo
como seu companheiro.
Isso confirma o que eu já suspeitava, que Constantine contratou
especificamente um ô mega para cuidar de mim.
— Sinto muito —, eu digo. — Tenho certeza que você prefere fazer outra
coisa.
— De jeito nenhum —, diz ele, e mesmo que suas palavras pareçam
genuínas, tenho dificuldade em acreditar nelas. — Estou feliz por ter a
oportunidade. Caso contrá rio, estaria apenas treinando.
— Treinamento?— Eu ecoo. — Para que?
— Treinamento Ô mega —, diz ele, piscando para mim como se estivesse
confuso. — Onde aprendemos coisas como etiqueta social, aninhamento,
como lidar com os vá rios aspectos da biologia ô mega e como cuidar de
uma família um dia. Tudo o que você precisa saber antes de acasalar.
— Ah. Certo —, eu digo rigidamente.
Como uma espécie de aula de economia doméstica omegaverse invertida.
Para ser honesto, porém, eu provavelmente poderia usá -lo. Nã o tenho
ideia do que diabos estou fazendo na metade do tempo. Nunca pensei
que veria as coisas dessa maneira, mas na verdade estou meio grato por
ter que me preocupar com Elaine. Talvez suas aulas nã o sejam tã o ruins.
Volto a tomar meu café da manhã , pois posso dizer que Paul nã o está tã o
tagarela. E acho que é estranho para ele conversar com o companheiro
do alfa quando ele nem me conhece.
A verdade é que eu realmente nã o conheço a matilha fora da família de
Constantine. Eles compareceram à minha cerimô nia de acasalamento,
mas nã o conheci nenhum deles pessoalmente, e durante o tempo que
morei na mansã o Grayridge, nã o posso dizer que vi os membros da
família interagirem com eles. qualquer.
Nã o posso deixar de me perguntar se é isso que realmente significa ser
companheiro de Constantine. Se eu vou passar minha vida sentado em
uma torre metafó rica, completamente separado do resto da matilha, e do
meu pró prio companheiro na metade do tempo.
O pensamento é mais preocupante do que quero admitir, entã o, depois
do café da manhã , decido me distrair lendo novamente. É o meu
mecanismo de enfrentamento e ainda estou muito dolorido para fazer
qualquer outra coisa. É melhor do que me torturar imaginando o que
Constantine realmente está pensando ou quando ele vai voltar.
Consegui guardar alguns dos livros que Brad trouxe na minha bolsa
antes da cerimô nia, entã o pego um, me enrolo no assento da janela e
aprecio a vista da floresta verde que cerca a cabana enquanto leio.
É lindo aqui, pelo menos.
A histó ria é um romance shifter, que geralmente é o meu favorito, mas
tenho mais dificuldade em entrar nele do que esperava. O fato de a
heroína ser uma shifter que quer escapar de seu mundo é algo com o
qual eu deveria me identificar, e provavelmente teria feito isso antes de
ter a experiência em primeira mã o de ser um estranho que só quer se
encaixar nele.
Ó timo. Nã o só minha lua de mel de lobisomem nã o está indo como
planejado, mas agora estou em uma crise de livros.
A porta da frente range e Paul se materializa do nada, parado perto da
porta e fazendo uma reverência quando a porta se abre. Eu pulo da
cadeira e coloco meu livro sob um cobertor, mas quando vejo a enorme
moldura de Dan preenchendo a porta, em vez de Constantine, meu
coraçã o acelerado afunda em confusã o.
— Olá —, Dan diz, acenando para Paul antes de se virar para mim. Ele
olha ao redor da cabana e parece um pouco confuso, como se estivesse
entrando em algo íntimo, embora nã o haja realmente nada na cabana
arrumada - graças a Paul - que grite que acabei de ser criticado aqui
ontem à noite. — Desculpe interromper. Eu sei que nã o sou o cara que
você gostaria de ver agora, mas Constantine me enviou para lhe dar uma
mensagem.
— Uma mensagem? — Eu ecoo, saindo para cumprimentá -lo e puxando
meu roupã o para mais perto. Tenho quase certeza de que estou violando
algum protocolo ô mega só de ficar aqui, mas essa é a menor das minhas
preocupaçõ es. — Está tudo bem?
— Constantine está bem, — Dan diz rapidamente, levantando a mã o. —
Mas ele foi chamado para tratar de assuntos urgentes e nã o retornará à
cabana esta noite. — Ele deve ver o pâ nico passando pelo meu rosto
porque acrescenta: — Ele nã o queria deixar você tã o logo apó s o seu
acasalamento, mas era inevitá vel. Ele envia suas desculpas.
— Oh —, é tudo que consigo dizer. Olho para Paul, que está olhando para
mim com pena nos olhos antes de eles se afastarem rapidamente, como
se ele reconhecesse a desculpa de Dan como frá gil também. — Ok. Hum.
Obrigado por me contar. Você sabe quando ele estará de volta?
Dan hesita. — Ele nã o disse, mas... pode demorar um pouco, — diz ele,
esfregando a nuca. — Você pode ficar aqui o tempo que quiser, mas
quando estiver pronto para voltar para casa, eu irei buscá -lo.
Eu engulo em seco. Acho que a lua de mel acabou, entã o.
Algo já me disse que isso estava por vir, mas isso nã o torna mais fá cil
aceitar agora que realmente está aqui. Tudo o que posso fazer é tentar
manter uma atitude calma, mesmo tendo certeza de que é tã o ó bvio para
eles quanto para mim que estou à beira das lá grimas.
— Está tudo bem. É melhor voltar agora —, digo. — Eu só preciso de
alguns minutos para arrumar minhas coisas, se estiver tudo bem.
Agora Dan está me observando com aquele mesmo olhar de pena, mas
balança a cabeça.
— Claro. Vou esperar aqui —, diz ele, encostado na parede perto da
porta. —Leve o tempo que precisar.
Forço um sorriso e um aceno de cabeça antes de desaparecer no
banheiro para pegar meus produtos de higiene pessoal e jogá -los na
bolsa que trouxe comigo. Nã o demora muito para arrumar o resto das
minhas coisas e colocar meus livros novos na sacola, mas é uma desculpa
muito necessá ria para ocupar minhas mã os e tentar me recompor.
Como se isso nã o fosse uma causa perdida quando meu companheiro me
abandonou na noite seguinte à nossa cerimô nia de acasalamento com
alguma desculpa esfarrapada sobre “negó cios” da matilha.
Inferno, tenho certeza que Brad e Raul ainda nem foram para casa.
E por mais que eu precisasse de um ombro amigo para chorar agora, nã o
tenho certeza se quero que meu irmã o gêmeo esteja aqui para ver isso.
CAPÍTULO DOIS
CONSTANTINE

Se eu soubesse que no momento em que a notícia do meu acasalamento


se espalhasse por toda a regiã o – e a nossa aliança com a matilha de
Stone Hollow, por procuraçã o – haveria problemas. Nã o tenho escassez
de inimigos, e há muitos lobos por aí que erroneamente veriam isso
como se eu estivesse ficando mole.
Como uma fraqueza que eles podem explorar.
Eu só nã o esperava que a notícia de uma invasã o em nossa linha
territorial mais ao norte chegasse na maldita manhã seguinte à minha
noite de acasalamento.
Embora sair para lidar com isso nã o fosse uma questã o de pura
necessidade, para ser honesto comigo mesmo. Foi covardia.
Nã o, nã o senti um pingo de medo enquanto passei as ú ltimas horas
atravessando a floresta - através das gargantas de cada inimigo que
encontro em minha busca interminá vel para expurgar nossas extensas
terras de matilha de intrusos dispersos - mas eu tenho medo mesmo
assim.
Nã o do derramamento de sangue da batalha, é claro.
Tenho medo do pequeno ô mega indefeso que está esperando por mim
em casa.
Aquele que deixei dormindo pacificamente, depois de passar quase uma
hora o observando, me convencendo de que a tentativa de marcá -lo, à
qual mal consegui resistir na noite passada, foi tã o imprudente quanto
qualquer outra coisa.
Nã o posso ficar longe para sempre e, mesmo agora, esse medo está
perdendo espaço para o impulso avassalador de retornar e concluir o
que havia começado. Mas é esse instinto avassalador que me assusta pra
caralho.
Devon é meu companheiro predestinado.
Meu ô mega.
Os acontecimentos da noite passada apenas confirmaram isso, e meu
desejo por ele é mais intenso e avassalador do que nunca. Mas também o
é a convicçã o de que ele é uma fraqueza que nã o posso permitir.
Ainda mais agora que sei o que significa prová -lo.
Se eu ceder, nã o estou convencido de que conseguirei evitar que essa
paixã o nos engula inteiros.
E assim, quando tive a oportunidade de fazer a ú nica coisa que nunca
tive motivos para questionar a minha capacidade de fazer – travar a
guerra – fui embora.
Infelizmente, levou muito menos tempo para eliminar os inimigos dentro
das nossas fronteiras do que eu esperava. Eu nã o me importaria tanto
com as invasõ es se os pequenos filhos da puta fossem realmente capazes
de resistir a uma aparência de luta.
Lutar na minha forma de lobo de quatro patas, em vez da monstruosa
forma alfa, o torna um pouco mais esportivo, mas nã o muito. No
momento em que termino de eliminar o ú ltimo grupo de invasores, meu
pelo branco está banhado em sangue, mas embora o derramamento de
sangue geralmente sacie a fera interior, tudo o que meu lobo quer é
retornar para nosso companheiro.
Mesmo que eu ainda nã o tenha marcado Devon, posso dizer que a noite
passada mudou alguma coisa entre nó s.
Algo irreversível.
Quando ouço um galho estalar na floresta, eu me viro, um rosnado
saindo da minha boca ensanguentada. Quando vejo a forma familiar de
urso do meu irmã o sair da floresta, meu pelo se arrepia de agitaçã o.
Dan? Eu rosno. O que diabos você está fazendo aqui?
Achei que você poderia precisar de alguns reforços, ele anuncia, galopando
em minha direçã o de quatro. Considerando que a situação era tão terrível,
você teve que deixar seu ninho de acasalamento para cuidar dela.
Eu rosno, o desafio atingindo seu alvo. Eu disse para você ficar aí. Para
ficar de olho nele.
Devon está bem, ele me garante. Pelo menos, além do óbvio.
E o que isso quer dizer?
O que você acha? ele pressiona. Você o deixou, Constantine. Sem marcação,
na noite seguinte ao primeiro acasalamento. Que porra você acha que isso
vai fazer com ele? Os ômegas são frágeis, ele mais que a maioria.
Cerro os maxilares, o sangue ainda escorrendo do meu pelo para a terra
abaixo. Ele tem razã o, e o fato de minha besta interior estar furiosa de
acordo torna isso ainda menos bem-vindo.
Eu tenho um dever.
Para ele, Dan desafia. Mais do que nada.
Eu rosno novamente. Eu não pedi seu conselho.
Não, mas você claramente precisa disso, ele retruca.
A frustraçã o ricocheteia em mim como uma bala perdida. A pior coisa
sobre a família é que você nã o pode rasgar suas gargantas. Nã o sem mais
justificativas do que as que meu irmã o está me fornecendo atualmente.
Eu me viro, galopando na direçã o oposta antes que possa ser tentado.
Você não pode fugir disso para sempre, grita Dan, sua voz profunda
reverberando nas á rvores ao nosso redor. Os deuses lhe deram um
presente. Não seja um idiota e perca o controle.
Se você vai se esconder, o mínimo que pode fazer é me ajudar a limpar a
área, murmuro.
Estou rastreando você há horas. A julgar pelo mar de corpos que você
deixou, não acho que tenha sobrado nada vivo em toda a maldita floresta
além dos esquilos, ele zomba, me alcançando. Ele é mais rá pido do que
parece, mesmo que seu andar habitual seja pesado.
Reviro os olhos. Eu não sou um cachorrinho. Não preciso de
acompanhante.
Ele bufa. Você claramente o fará se tiver um exército inteiro à sua
disposição e decidir gastar seu tempo fazendo isso em vez de delegar.
Ele está me irritando, mas nã o está errado. Eu sei que ir embora foi um
erro, mas nã o tive muita escolha. Por que enviar um subordinado para
fazer algo que posso fazer melhor?
Porque um subordinado não pode liderar a nossa matilha, ele revida.
Percebendo que ele nã o vai ceder, paro e me viro para encará -lo. Ele fica
tenso, o pelo de seu corpo grosso eriçado enquanto ele se prepara, como
se achasse que poderíamos estar prestes a ter uma briga total.
Você deixou claro seu ponto, eu rosno.
Não exatamente, responde Dan, teimoso como sempre. Tenho que
admitir que respeito o fato de ele estar disposto a me enfrentar, por mais
que eu me ressinta com isso da mesma forma. Ele não é Andrew, Con.
Você percebe isso, não é?
Há um nome que nã o ouço há muito tempo.
Um nome que eu ficaria feliz em nunca mais ouvir.
Meu coraçã o dá um solavanco no peito, os espinhos da traiçã o
penetrando mais profundamente no que havia sido transformado em
pedra há tantos anos.
Parece que Devon já começou a desfazer esse feitiço, embora
inadvertidamente. O que o torna ainda mais perigoso.
Ele não tem nada a ver com isso.
Ele não? Dan pergunta. Eu sei que isso é difícil para você. Confiando em
outro ômega, mas ele não é Andrew. Ele não é.
Eu sei disso , eu rosno.
Oh sério? Ele faz uma pausa. Seu companheiro pelo menos sabe o que
aconteceu?
Claro que não. Eu estreito meus olhos. E vai continuar assim.
Dan sustenta meu olhar e posso praticamente ver a discussã o que ele
está construindo em sua cabeça. Ele é quase tã o teimoso quanto eu, mas
por fim desvia o olhar com um suspiro pesado.
Ele não vai ouvir isso de mim, ele finalmente diz em tom de derrota. Mas
ele é seu companheiro. Não importa o quão pouco você pense que isso
significa, vocês dois estão conectados – quer ele use sua marca no pescoço
ou não. Você pode começar a agir assim. Quem sabe? Talvez ele seja
especial o suficiente para atravessar aquela parede de tijolos de três
metros que você chama de cabeça.
Vá para casa, Dan , digo com firmeza. Estarei lá quando terminar.
Seus olhos dourados me avaliam cuidadosamente, e posso ver a
preocupaçã o escrita claramente em suas orelhas e cauda abaixadas, mas
finalmente ele cede. Com uma sacudida de seu corpo peludo, ele sai
trotando.
Finalmente.
Estou sozinho.
Mas o silêncio da floresta pouco me acalma. A sede de sangue do meu
lobo está saciada por enquanto, mas o desejo de voltar ao nosso ô mega
está cada vez mais forte.
Quanto mais tempo eu ficar longe, melhor.
Está claro que esta é uma tentaçã o à qual terei que aprender a resistir.
CAPÍTULO TRÊS
DEVON

Eu enfiei a agulha no tecido esticado na moldura de madeira em minhas


mã os, imaginando espetada no rosto de Constantine. Outro ponto para
acrescentar à minha obra-prima: um travesseiro bordado com minha
frase favorita em uma caligrafia elegante.
Vá se foder.
A maldiçã o flui da minha agulha em um ritmo suave, uma distraçã o bem-
vinda durante meus dias solitá rios na mansã o praticamente vazia de
Constantine.
Algo me diz que criar travesseiros profanos nã o era o que Elaine tinha
em mente quando me disse para adotar um hobby “aprovado pelo
ô mega”. Mas as ú nicas outras opçõ es que ela me deu foram assar do zero
usando farinha moída à mã o e limpar com uma fantasia de empregada
doméstica que parece que o Spirit Halloween tentou e falhou em atrair
os cosplayers do Black Butler.
De qualquer forma, eu meio que adoro que isso horrorize a sensibilidade
dela. E tenho que admitir que foi mais divertido do que eu imaginava.
Comecei a costurar na marquise da mansã o, aproveitando o brilho
quente do entardecer apó s as aulas. Elaine nã o tem sido arrogante e
hipercrítica como sempre, mas o fato de que até ela parece ter pena de
mim depois do abandono de Constantine nã o é exatamente um conforto.
Constantine está fora há mais de uma semana. Mas quando Dan voltou
com a notícia de que estava bem, deixei de ter medo de que ele apenas...
doesse.
Tenho evitado falar com Brad, mesmo por telefone, pois sei que ele será
capaz de descobrir que algo está errado e nã o estou em condiçõ es de
esconder minhas emoçõ es agora.
Mesmo que eu nã o tenha certeza do que estou sentindo.
— Em que você está trabalhando?
Eu me assusto, quase espetando meu dedo quando a voz de Melody soa
atrá s de mim. Agarro o travesseiro contra o peito para escondê-lo antes
de lentamente me virar para encarar a prima de Constantine. Seus olhos
estã o brilhando de diversã o, entã o acho que nã o escondi isso a tempo.
— Acho que isso responde à minha pergunta sobre como você está se
sentindo —, diz ela com uma risada divertida. — Muito artístico.
Meu rosto queima. Forço um sorriso, sem saber se estou aliviado pela
companhia ou envergonhado pela minha criaçã o infantil.
— Estou sentindo muito mais do que isso —, admito com um suspiro
resignado. — Mas nã o caberia em um travesseiro.
O sorriso de Melody desaparece quando ela se acomoda na cadeira à
minha frente, inclinando a cabeça pensativamente.
— Nenhuma palavra ainda? — ela pergunta, embora nó s dois saibamos a
resposta.
Encolho os ombros sem entusiasmo, incapaz de evitar que a amargura
penetre na minha voz enquanto respondo.
— Claro que nã o. Por que ele se incomodaria em se comunicar comigo?
Eu sou apenas seu companheiro.
Companheiro.
A palavra tem um gosto tã o amargo na minha língua.
Os olhos de Melody brilham com uma raiva incomum, seus lá bios se
franzem em uma linha fina.
— Ele está sendo um completo idiota, — ela retruca. Eu pisco em choque
quando ela balança a mã o levianamente. — Oh, por favor, nã o fique tã o
surpreso. Você nã o é o ú nico que se distraiu durante as aulas de etiqueta
de Elaine.
Sinto meus lá bios se curvarem em um sorriso genuíno pela primeira vez
em dias. Melody sempre teve um jeito de me deixar à vontade, mesmo
quando meu companheiro nã o consegue lidar com isso. Eu só queria que
ela estivesse por perto com mais frequência.
— Ele vai mudar de ideia —, ela diz gentilmente. — Basta lhe dar tempo.
Eu gostaria de poder acreditar nela. Mas eu aceno de qualquer maneira.
— Eu só pensei… — Minha voz desaparece quando a emoçã o obstrui
minha garganta. Eu respiro trêmulo. — Pensei que nossa noite de
acasalamento significasse alguma coisa. Pensei que ele me queria. Que eu
era mais do que apenas um meio para um fim.
Melody estende a mã o e dá um aperto reconfortante na minha mã o. Seus
olhos esmeralda sã o suaves de simpatia.
— Você é, Devon. Ele se importa com você, mesmo que se esforce para
demonstrar isso. Constantine simplesmente... nã o está acostumado a
deixar as pessoas entrarem.
Dou um sorriso fraco, mas embora saiba que ela tem boas intençõ es, ela
nã o entende. O vínculo de acasalamento entre alfas e ô megas é sagrado.
É para ser a conexã o emocional e física definitiva entre duas almas. É
tudo neste mundo.
E eu saberia, considerando quantas pá ginas passei debruçado sobre
essas descriçõ es sinceras, desejando que houvesse algo parecido em meu
pró prio mundo.
E agora que realmente realizei meu desejo, ele ainda está tã o fora do
meu alcance quanto antes.
Talvez seja hora de finalmente encarar o fato de que a questã o nã o é o
mundo em que eu habito no momento. A questã o sou eu. Eu
simplesmente nã o sou o tipo de pessoa por quem alguém –
especialmente Constantine – vai se apaixonar perdidamente. Ou,
aparentemente, até respeitar o suficiente para ficar por aqui na manhã
seguinte.
Conversamos um pouco mais antes de Melody sair com um ú ltimo
sorriso simpá tico que parece bastante lamentá vel, e vou para a cama
cedo. A exaustã o pesa sobre meus membros, mas mesmo assim nã o
consigo dormir. Olho para o teto, ouvindo a velha casa ranger e se
acomodar ao meu redor.
Normalmente, quando nã o consigo dormir, leio até sentir as pá lpebras
pesadas. Mas esta noite, até o conforto de um bom livro perdeu o seu
apelo. Nã o consigo me concentrar o suficiente para me perder nas
pá ginas.
Também atrapalha as coisas quando seu irmã o é o novo personagem
principal de seu antigo livro favorito, e você nã o pode relê-lo sem
precisar de décadas de terapia.
Este mundo ainda tem terapia? Tenho certeza que Grayridge nã o.
Isso explica muita coisa, agora que penso nisso.
Com um suspiro, rolo para o lado e me enrolo em uma bola. A dor em
meu peito ameaça me dominar, e fecho os olhos com força contra a
queimaçã o das lá grimas.
Você é mais forte que isso, digo a mim mesmo. Você suportou traições e
tristezas piores ao longo dos anos. Isso não é nada.
Isso é besteira, claro.
Não é nada.
Claro, fui esquecido, intimidado e rejeitado durante toda a minha vida,
mas isso é mais profundo do que qualquer coisa que aconteceu antes.
Porque pela primeira vez ousei ter esperança. Ousei me permitir
acreditar que poderia finalmente encontrar o amor e o pertencimento.
E Constantine tirou de mim essa esperança com a mesma facilidade
descuidada com que tirou minha virgindade.
A pior parte é que sei que se ele entrasse pela minha porta agora mesmo
e pedisse desculpas, eu o perdoaria.
Talvez eu só precise costurar outra porra de travesseiro.
O pensamento me diverte enquanto adormeço e minha mente consciente
perde o controle da realidade.
Quando abro os olhos novamente, levo um momento para perceber que
nã o estou mais no meu quarto. A luz solar é filtrada através da densa
copa da floresta acima, salpicando o solo com manchas de luz dourada.
A familiaridade deste lugar me atinge como um soco no estô mago. Estou
de volta à floresta dos meus sonhos, o lugar onde Constantine veio até
mim pela primeira vez.
Meu coraçã o salta de antecipaçã o por um momento antes de desabar
novamente.
Constantine nã o está aqui.
Claro que ele nã o está . Ele deixou perfeitamente claro o que eu significo
para ele.
Nada.
Eu caio contra a base de um grande carvalho, puxando os joelhos até o
peito. Por que meu cérebro está me torturando com este lugar agora? O
lugar onde ele veio até mim pela primeira vez, me seduzindo com todos
os seus planos para uma unificaçã o entre nossas matilhas? Com toda a
promessa de um futuro real...
Entã o um galho se quebra ao longe.
Minha cabeça se levanta com o som e, através das á rvores, vejo um flash
branco. Ele emerge das sombras, caminhando suavemente pelo chã o da
floresta com enormes patas com garras, tã o claras quanto a neve recém-
caída.
Um lobo alfa bestial…
Mas nã o qualquer lobo.
Constantine é tã o magnífico quanto me lembro dos meus sonhos, e
daquela noite eu o observei mudar com os outros, com pelo branco
prateado e olhos da cor da luz solar derretida. Aqueles luminosos olhos
dourados se fixam em mim agora, perscrutando minha pró pria alma.
Meu coraçã o parece que vai sair do peito. Ele está realmente aqui ou é
apenas minha mente inconsciente que está ainda mais patética do que o
normal?
Porquê ele está aqui?
O que ele quer?
Certamente nã o sou eu.
CAPÍTULO QUATRO
DEVON

Eu fico ali congelado por alguns momentos, dividido entre meu instinto
de caminhar em direçã o a ele e meu instinto de correr.
Pela primeira vez, nã o é porque tenho medo dele.
Nã o tenho certeza de quando parei de ter medo dele. Provavelmente na
mesma época eu percebi que só porque ele nã o iria me machucar
fisicamente nã o significava que ele fosse incapaz de me machucar de
outras maneiras.
Quando me recupero do choque inicial, giro sobre os calcanhares e
caminho na direçã o oposta.
Esse é o meu maldito sonho, e nã o vou lidar com as besteiras dele quando
ele nem sequer tem a decência de falar comigo na vida real, cara a cara.
Nã o quando sou eu quem fica para suportar o peso das perguntas e dos
olhares de pena dos outros membros da família.
Foda-se ele. Mesmo que ele seja fofo.
Corro pela floresta, galhos quebrando sob meus pés enquanto coloco a
maior distâ ncia possível entre mim e Constantine. O que ele está
brincando, aparecendo aqui agora depois de me ignorar por mais de uma
semana? Nã o devo nada a ele, nã o depois da maneira como ele me tratou.
O som de passos pesados atrá s de mim me faz olhar para trá s com
irritaçã o. Claro que ele está me seguindo. Porque nunca posso ficar em
paz.
— Vá embora, Constantine! — Eu grito por cima do ombro. — Eu nã o
quero falar com você agora.
Ele nã o diz nada em resposta, apenas continua sua busca incansá vel.
Deus, ele é irritante. Ele realmente acha que pode simplesmente
aparecer aqui depois de me abandonar e esperar que tudo fique bem
entre nó s?
Eu me viro, apontando um dedo para ele.
— Não. Você nã o pode me dar o tratamento de silêncio depois do que fez.
Você me fodeu, me reivindicou como seu e simplesmente saiu sem dizer
uma palavra na manhã seguinte! Você tem alguma ideia de como? isso
me fez sentir?
Minha voz falha de emoçã o, mas continuo determinada a dizer o que
quero dizer.
— Pensei que nosso acasalamento significasse algo para você, algo mais
do que apenas política e conveniência. Mas acho que estava errado, nã o
é? Eu era apenas um meio para um fim.
Eu olho para ele desafiadoramente, o peito arfando com a minha
explosã o. Ele nã o diz nada, apenas continua a me encarar com aqueles
intensos olhos dourados.
Solto um grunhido de exasperaçã o que soa mais feroz do que deveria e
giro nos calcanhares, me afastando novamente.
Nã o estou discutindo com um maldito animal.
Especialmente alguém que nã o vai responder.
me resta alguma dignidade.
Quando o ouço me seguindo novamente, giro, furioso, até perceber que,
em algum momento, ele mudou para sua forma normal de lobo. Ele é
consideravelmente menos intimidante assim, de quatro com pelo branco
e felpudo em vez de uma fera enorme.
— Oh, pelo amor de Deus, isso é baixo —, murmuro, cruzando os braços.
—Você está realmente tentando parecer mais fofo para que eu fique
menos chateado?
Mais olhares vazios.
— Você ao menos entende uma palavra do que estou dizendo? — Eu
exijo.
Seu rabo balança em resposta.
Passo a mã o pelo rosto.
— Inacreditá vel —, murmuro.
Sem outro olhar para o lobo irritante, saio correndo novamente. Eu o
ouço correndo atrá s de mim, seus passos se aproximando, nã o importa o
quã o rá pido eu me esforce.
O pâ nico cresce em meu peito, primitivo e desconhecido. Nã o sei como
escapar dele. Nã o sei como fazê-lo entender que só quero ficar em paz.
De repente, minha visã o parece mudar, as cores da floresta ficam mais
nítidas, mais vivas. Meus membros queimam com uma estranha
sensaçã o de formigamento e antes que eu perceba o que está
acontecendo, caio de quatro. Olho para baixo e vejo patas marrons onde
minhas mã os costumavam estar.
Que diabos?
Eu acabei de... mudar?
Ofegante, olho para meu novo corpo lupino com perplexidade. Eu sabia
que isso deveria ser possível para mim agora que faço parte deste
mundo, mas nã o pensei que isso pudesse acontecer espontaneamente.
Nã o quando nã o consigo nem entrar no cio como um ô mega de verdade.
Lembro a mim mesmo que isso é apenas um sonho. Nã o é real.
Ele provavelmente nem é o verdadeiro Constantine também. Exatamente
o que minha imaginaçã o patética criou.
Um nariz frio cutuca meu ombro e eu olho para cima para ver
Constantine me olhando com algo parecido com orgulho em seus olhos
dourados.
Ele anda lentamente em círculo ao meu redor, avaliando, e se nã o me
engano, há admiraçã o em seu olhar, embora eu nã o seja um lobo
impressionante comparado a ele. Eu mal chego ao ombro dele agora.
Ele se aproxima, roçando o focinho no meu pescoço.
Meu companheiro, sua voz ressoa em minha mente.
Eu recuo um pouco de surpresa. Eu posso ouvir seus pensamentos?
Antes que eu possa processar esse novo desenvolvimento, ele se inclina e
passa a língua pela minha bochecha em uma lambida afetuosa.
Eu respondo a ele sem entusiasmo, ainda me recuperando de todas as
revelaçõ es dos ú ltimos minutos. Só porque estou em choque nã o
significa que nã o estou mais irritado.
Ele nã o retalia, apenas sopra pelas narinas uma lufada de ar que forma
nuvens gêmeas de fumaça no ar gelado da noite.
Acho que gosto mais de você assim, penso - fale com ele. Pelo menos como
lobo, ele nã o pode ser irritantemente estoico como sempre.
Ele solta um bufo divertido, entã o se vira e sai correndo, os olhos
brilhando em desafio enquanto olha para mim.
Venha, sua voz ecoa em minha mente. Corra comigo, pequeno ômega.
Planto meus pés na terra, lutando contra os instintos que imediatamente
me fazem querer correr atrá s dele. Ainda estou furioso, mas...
Bem, provavelmente nem é ele. E se for, duvido que ele se lembre desse
encontro de qualquer maneira. Os outros - os mesmos sonhos que me
levaram à sua porta - certamente nã o pareceram ter muito impacto
sobre ele.
Hesito apenas por um momento antes de saltar atrá s dele com patas
desajeitadas que ainda nã o parecem minhas.
Corremos pela floresta salpicada de lua, o vento agitando meu pelo.
Pela primeira vez desde que me lembro, me sinto livre.
Nã o sou Devon, o filho decepcionante, ou Devon, o ô mega defeituoso.
Eu sou apenas eu.
E é incrível.
Pelo menos até que uma dor repentina atravesse meu abdô men e eu
fique aleijado, meu corpo desabando no meio da trilha desgastada pelas
patas na terra como se eu fosse uma marionete e alguém cortasse todos
os meus fios ao mesmo tempo.
Soltei um gemido doloroso enquanto a dor continuava. É uma sensaçã o
profunda de có lica que sobe pela minha espinha. Nunca senti nada
parecido com isso, ou a onda de calor que vem com isso.
O que diabos está acontecendo?
As sensaçõ es sã o tã o repentinas e intensas que nem consigo pensar.
Constantine congela à frente e imediatamente recua, parecendo uma
espécie de cã o infernal com aquele olhar intenso enquanto atravessa a
distâ ncia para chegar ao meu lado. Há tanta preocupaçã o em seu olhar
quando ele para e olha para mim que estou ainda mais convencido de
que nã o é ele de verdade.
O verdadeiro Constantine nã o dá a mínima para mim, seja ele um homem
ou um lobo.
O que é isso, Devon? ele exige, me cutucando com o focinho. O que está
errado? Você está machucado?
Não, eu... é meu estômago, eu choramingo. Até falar telepaticamente é
doloroso. É preciso esforço e pensamento consciente que nã o possuo.
Antes que eu possa explicar melhor, outra onda de dor se abate sobre
mim.
Constantine me acaricia preocupado, parando para cheirar minha
garganta. Seus olhos se arregalam ligeiramente ao perceber algo quando
nã o consigo nem me concentrar em um ú nico pensamento por tempo
suficiente para tentar explicar por que estou em agonia quando
geralmente nã o sinto dor alguma em meus sonhos.
Você está no cio.
Sua declaraçã o é firme e confiante.
O que você quer dizer com estou no cio? Eu ofego com os dentes cerrados.
Isto é apenas um sonho. Como posso ser...
Eu paro com um gemido enquanto meu interior se torce e aperta. Ok,
sim, isso definitivamente parece desconfortavelmente semelhante à s
descriçõ es detalhadas em meus livros do primeiro cio de um ô mega.
Mas por que agora?
Constantine me acaricia novamente, e posso dizer que ele está prestes a
dizer algo quando de repente sou arrancado das garras de um sonho que
parece mais real do que a minha realidade ultimamente.
É verdade que minha realidade é viver no que antes eu acreditava ser um
mundo fictício, entã o... provavelmente deveria encarar isso com cautela.
Eu me endireito na cama, encharcado de suor enquanto a dor rasga meu
abdô men. As có licas sã o tã o intensas que quase me dobro, ofegante.
O que diabos está acontecendo comigo?
O sonho volta rapidamente – a floresta, Constantine, se transformando
em lobo pela primeira vez. Tudo parecia tã o real.
Mas isso... isso também parece real.
Muito real.
A compreensã o me atinge como um soco no estô mago e enterro o rosto
nas mã os com um gemido.
Estou no cio.
Depois de todo esse tempo de espera, parece que isso aconteceria aqui.
Agora.
Sem meu companheiro.
Um momento fantá stico.
Passo os dedos pelos cabelos encharcados de suor, com a mente girando.
Como isso é possível? Eu nem mostrei nenhum dos sinais. Nã o houve
aviso.
No entanto, as có licas agonizantes e o calor febril que corre em minhas
veias certamente sã o reveladores o suficiente.
Fecho os olhos com força enquanto outra onda de dor passa por mim,
esta ainda mais intensa que a anterior. É como se meu sangue tivesse
sido substituído por lava. Como se houvesse milhares de pequenos fogos
acendendo vida sob minha pele.
Nã o aguento mais isso. Eu preciso de...
Interrompo o pensamento antes que minha mente possa vagar por esse
caminho.
A verdade é que preciso de algo - alguém - que só está acessível para
mim em meus sonhos.
CAPÍTULO CINCO
DEVON

Gemendo, esfrego as têmporas, tentando pensar através da névoa que


rapidamente toma conta da minha mente. Preciso fazer algo para aliviar
isso antes que piore. Nã o consigo lidar com a ideia de alguém me
encontrar assim, especialmente Constantine.
Nã o depois da forma como ele me tratou.
Aperto a mandíbula contra a onda de dor, determinado a nã o emitir
nenhum som. A ú ltima coisa que preciso é que o resto da família ouça e
entre. Elaine provavelmente desmaiaria por causa da – impropriedade -
de tudo isso.
Me arrastando para fora da cama, vou cambaleando até o banheiro com
as pernas trêmulas. Talvez um banho frio ajude a clarear minha cabeça e
me refrescar. Mas mesmo quando coloco a á gua no nível mais frio, uma
parte de mim sabe que é inú til. Isto nã o é uma febre ou gripe passageira.
É calor – magia antiga e primitiva destinada a atrair meu companheiro
para mim.
Mas, no que me diz respeito, Constantine rompeu nosso frá gil vínculo
quando me abandonou apó s nossa noite de acasalamento.
A á gua gelada cai sobre minha pele superaquecida, oferecendo apenas
uma breve pausa antes que as chamas reacendam. Eu me apoio contra a
parede do chuveiro com um silvo quando outra cã ibra passa por mim.
Isso é tortura. Nunca me senti tã o fora de controle do meu pró prio corpo.
Quando desligo a á gua, estou tremendo, mas de alguma forma ainda mais
quente do que antes. Isto é impossível. Eu me seco e visto uma camisola
fina, infeliz demais para me preocupar com modéstia. Neste momento, só
preciso de algo fresco na minha pele antes de entrar em combustã o.
Dou dois passos de volta para o meu quarto antes que minhas pernas
cedam, me fazendo cair de joelhos. É como se houvesse uma corda bem
apertada em volta do meu nú cleo, torcendo-se com mais força a cada
pulso de calor. Eu grito entre os dentes, apertando meu estô mago.
Talvez eu devesse pedir ajuda. Mas para quem eu pediria? Constantine
claramente nã o me quer. Eu poderia chamar um médico, mas entã o
Elaine e todos na casa saberã o o que está acontecendo e acho que essa é
a ú nica perspectiva pior do que... esta.
Nã o, eu tenho que cuidar disso sozinho. Eu só preciso passar pelo pior.
Vai passar. Pelo menos era isso que os livros sempre diziam. Os calores
sã o intensos, mas de duraçã o relativamente curta.
Pelo menos para companheiros que estã o realmente juntos.
Para ô megas que foram efetivamente abandonados como eu... quem sabe
quanto tempo essa agonia poderá durar?
Fechei os olhos com força, lá grimas frescas se misturando com as gotas
de á gua persistentes em meu rosto.
Basta passar pela próxima onda, digo a mim mesmo. Você consegue fazer
isso.
Eu sei que nã o posso ficar aqui. Preciso fugir, ir para algum lugar remoto
onde possa enfrentar isso sozinho. Em algum lugar onde Constantine nã o
me encontrará se se der ao trabalho de voltar. Nã o posso lidar com ele
agora.
Eu me forço a lidar com minhas pernas trêmulas. Dou dois passos antes
que outra cã ibra me tome e caio de joelhos com um suspiro.
Talvez deva rastejar.
Me arrasto pelo chã o, parando a cada poucos metros para recuperar o
fô lego. Quando chego à janela, estou encharcado de suor e tremendo.
De alguma forma, consigo me erguer por cima da borda e entrar no ar
fresco da noite. A mansã o está estranhamente silenciosa, o terreno está
deserto. Bom. A ú ltima coisa que quero é uma audiência para esta
humilhaçã o.
Eu meio escorrego, meio caio da janela, caindo desajeitadamente na
grama abaixo. A dor explode pelo meu corpo com o impacto. Reprimo um
grito, cerrando os punhos com tanta força que minhas unhas cortam as
palmas das mã os.
Para cima. Para cima, eu me ordeno ferozmente.
Lentamente, agonizantemente, eu me levanto. Um passo de cada vez,
atravesso o terreno em direçã o à floresta que faz fronteira com a
propriedade.
Quando chego à linha das á rvores, estou ofegante e tonto, minha pele
queimando como se estivesse com uma febre alta. O que eu acho que sim,
por assim dizer.
Abro caminho pela floresta, os galhos arranham meus braços e rasgam
minhas roupas. Eu nã o ligo. Eu só preciso colocar distâ ncia entre mim e a
mansã o – entre mim e qualquer chance de Constantine me encontrar
assim se ele decidir voltar por algum motivo.
Ele deixou seus sentimentos bem claros. Nã o sou nada além de um meio
para um fim, uma forma de unir as matilhas. Se ele soubesse que eu
estava no cio, provavelmente ficaria emocionado porque seu
companheiro defeituoso finalmente estava funcional.
Outra onda de calor cai sobre mim e eu tropeço, mal me apoiando no
tronco de uma á rvore. Enfio os dedos na casca á spera até que a dor se
espalha sob minhas unhas, me prendendo ao chã o.
Eu posso fazer isso. Já suportei dores piores do que esta.
Físicas, pelo menos.
As feridas mais profundas sã o outra questã o.
Respirando fundo, me forço a continuar andando pela floresta escura.
Nã o tenho um destino em mente.
Eu só preciso ir embora.
Quanto mais eu vou, mais a floresta parece ganhar vida ao meu redor. As
sombras assumem formas sinistras, pouco visíveis na minha visã o
periférica. O farfalhar das folhas se transforma em passos me
perseguindo.
Acelero um pouco, o coraçã o batendo forte. É apenas minha imaginaçã o.
Eu sei disso racionalmente. Mas minha mente febril me prega peças,
evocando ameaças fantasmas em cada som e movimento perdido.
Um galho se quebra atrá s de mim e eu me viro com um suspiro, olhando
para a escuridã o. Nada. Apenas minha mente me atormentando
novamente.
Saio correndo, sem me importar mais por nã o ter ideia de para onde
estou indo. Os galhos rasgam minha pele e as raízes ameaçam me fazer
tropeçar a cada passo, mas nã o diminuo a velocidade.
Não posso desacelerar.
Porque agora tenho certeza de que os passos que ouço na vegetaçã o
rasteira sã o reais. Arrisco olhar para trá s e vejo uma silhueta enorme
entre as á rvores, andando pesadamente atrá s de mim.
Mesmo em pâ nico, alguma parte do meu cérebro febril reconhece a
verdade. Sou um ô mega solteiro sozinho na floresta, no cio. Qualquer alfa
nã o acasalado seria capaz de rastrear meu cheiro a quilô metros de
distâ ncia.
E alguns alfas muito perigosos vagam por estas montanhas.
Meu coraçã o bate mais forte no peito enquanto corro pela floresta, a
escuridã o se fechando ao meu redor. Posso ouvir os passos atrá s de mim
ficando mais altos a cada segundo que passa. O pâ nico se instala quando
percebo que o que quer que esteja me seguindo está se aproximando de
mim.
Nã o sou rá pido o suficiente.
Eu nã o sou forte o suficiente.
E o pior de tudo é que embora o calor nã o fosse um sonho, a mudança
ainda é. Porque eu nã o mereço isso, aparentemente.
De repente, uma onda de dor percorre meu abdô men, fazendo-me
tropeçar e cair de joelhos. Os passos atrá s de mim param por um
momento antes de retomarem sua perseguiçã o incansá vel. Aperto meu
estô mago, lá grimas escorrendo pelo meu rosto.
É isso.
É assim que tudo termina para mim: sozinho e vulnerá vel nesta floresta
escura, caçado por algum predador desconhecido enquanto estou no
auge do calor.
Mas entã o, à medida que a dor se intensifica e o calor fica mais
insuportá vel, uma sensaçã o estranha começa a se espalhar pelo meu
corpo. Uma sensaçã o de formigamento que começa nas pontas dos dedos
das mã os e dos pés e sobe lentamente até envolver todo o meu ser. É
como se uma corrente elétrica percorresse minhas veias, fazendo cada
terminaçã o nervosa e cada cabelo cantar.
E entã o tudo fica preto.
Quando eu acordo, tudo é diferente.
Minha visã o está mais clara do que nunca – cores mais vibrantes,
detalhes mais distintos – e meus sentidos estã o aguçados a um grau
quase insuportá vel.
O cheiro de agulhas de pinheiro preenche toda a minha cabeça. O som
das folhas farfalhando na brisa suave ecoa em meus ouvidos. Ao longe,
uma coruja pia, e mais longe – a quilô metros, talvez – sua companheira
responde. Cada á rvore, cada folha de grama, cada ser vivo ao meu redor
está imbuído de uma riqueza e profundidade que eu nunca soube que
existia.
E entã o...
Olho para mim mesmo e percebo que algo mudou.
Algo profundo e irreversível.
Eu sou um lobo.
Olho para meu pelo cinza-acastanhado sem acreditar por um momento
antes de perceber que o que quer que tenha me perseguido antes deve
ter sido atraído até aqui pelo meu cheiro - meu calor - e deve estar se
aproximando de mim.
Só há uma palavra na minha cabeça.
Correr.
CAPÍTULO SEIS
DEVON

Eu me apoio nas quatro patas, meu coraçã o dispara tã o rá pido que me


faz sentir como se fosse vomitar. Meus primeiros passos sã o
desajeitados, como se eu fosse um cervo recém-nascido e nã o um
predador de topo, mas nã o demoro muito para encontrar meu ritmo.
Corro cegamente pela floresta escura, minhas patas batendo no chã o
duro enquanto tento colocar a maior distâ ncia possível entre mim e meu
perseguidor. Mesmo em meu novo corpo, a exaustã o se instala
rapidamente. Meus pulmõ es queimam a cada respiraçã o irregular e
minhas pernas parecem feitas de chumbo, mas ainda me esforço para
continuar.
Nã o posso me deixar capturar, nã o assim.
O pensamento do que poderia acontecer comigo – um ô mega nã o
acasalado no cio – nas mã os de um alfa desonesto faz meu sangue gelar.
Minhas patas se prendem em uma raiz virada para cima e eu caio para
frente com um grito, mal me segurando antes de cair de cara na terra. Eu
fico de pé, sacudindo as folhas do meu pelo. O som de galhos quebrando
e passos pesados fica mais alto atrá s de mim, me estimulando a voltar ao
movimento.
Nã o consigo parar, por mais que meu corpo grite por descanso.
Correndo entre as á rvores, procuro algum lugar - qualquer lugar - onde
possa me esconder até que isso passe. Mas a floresta oferece pouco
refú gio. Vejo uma ravina estreita à frente, meio escondida por arbustos.
Nã o hesito, mergulhando direto entre os arbustos espinhosos sem
pensar duas vezes. Espinhos arranham minha pele, mas mal os sinto em
meio à névoa de adrenalina e instinto.
Desço a encosta rochosa até a ravina, caindo com força no terreno
irregular abaixo. Pedras afiadas cravam nas almofadas das minhas patas,
mas eu reprimo um gemido e manco mais fundo nas sombras.
Pressionando meu corpo contra a parede da ravina, fico perfeitamente
imó vel, lutando para acalmar minha respiraçã o irregular enquanto ouço
atentamente.
Por vá rios batimentos cardíacos, tudo que ouço sã o as batidas frenéticas
da minha pulsaçã o nos ouvidos. Entã o passos pesados se aproximam da
beira da ravina, acompanhados pelos rosnados baixos e estrondosos de
uma fera.
Fecho os olhos com força, rezando sem rumo para o universo, os deuses,
a porra da lua - qualquer um - para fazer a fera que me persegue passar
pelo meu esconderijo.
Um grunhido ameaçador ecoa pela ravina enquanto o inimigo invisível
sente meu cheiro. Meus olhos se abrem a tempo de ver uma silhueta
enorme aparecer no topo da ravina. O luar brilha nas presas como
espadas enquanto a fera sombria olha para mim, os lá bios curvados em
um rosnado cruel.
O medo corre através de mim, mas por baixo dele ferve um novo instinto:
o desejo de lutar. Para me defender.
À medida que a fera começa a descer a encosta rochosa em minha
direçã o, esse instinto fica mais forte, superando minha exaustã o. Eu me
levanto com as pernas trêmulas, o pelo eriçado enquanto mostro minhas
pró prias presas em resposta.
Posso ser pequeno e inexperiente, mas ainda sou um lobo.
Entã o o luar atinge o pelo do outro lobo. Uma pelagem branca como osso
e com cicatrizes de batalha.
Eu congelo, a raiva e a descrença prevalecendo momentaneamente sobre
meu medo.
Constantine?
Meu companheiro?
Se ele pudesse ser chamado assim depois de me abandonar.
A fú ria acende dentro de mim, queimando os ú ltimos vestígios de
submissã o instintiva. Como ele ousa me rastrear agora, entre todos os
momentos?
Eu combino seu rosnado com um dos meus.
As orelhas de Constantine se agitam, mas esse é o ú nico sinal de que ele
me ouviu. Ele certamente nã o se importa. Ele continua descendo a ravina
em minha direçã o, com as orelhas voltadas para a frente, o olhar aguçado
enquanto permanece fixo em mim.
Nã o pretendo ficar por aqui tempo suficiente para descobrir o que ele
quer.
Reunindo minhas forças, corro em direçã o à parede de pedra à minha
frente. Constantine avança, mas sou mais rá pido, subindo a encosta
íngreme em uma cascata de pedras soltas. Suas garras deslizam pelo ar
vazio, perto da minha perna traseira.
Saí da ravina a toda velocidade, serpenteando entre as á rvores enquanto
tento me perder nas sombras. Mas Constantine está logo atrá s de mim.
Posso ouvir sua perseguiçã o atravessando a vegetaçã o rasteira atrá s de
mim, gradualmente diminuindo a distâ ncia enquanto ele muda para sua
forma mais rá pida de quatro patas.
O medo sobe pela minha garganta, mas eu o engulo. Nã o posso deixá -lo
me pegar. Nã o assim, quando estou fraco demais para lutar contra ele.
O Constantine que conheço - o Constantine por quem me apaixonei nos
livros - nunca faria nada comigo contra a minha vontade. Mas o
Constantine por quem me apaixonei também nunca teria me deixado
quando mais precisei dele.
A verdade é que nã o o conheço de todo.
Viro bruscamente, correndo por uma trilha quase invisível. A estrutura
mais pesada de Constantine nã o consegue manobrar com tanta agilidade.
Ele passa antes de derrapar e parar, me dando alguns segundos
preciosos enquanto muda de rumo.
Arrisco olhar para trá s, o vendo se virar e correr atrá s de mim mais uma
vez. A luz da lua flui entre as á rvores, iluminando sua enorme forma
branca em flashes enquanto ele corre.
Ele é mais rá pido que eu.
Mais forte.
Mas tenho agilidade e desespero do meu lado.
Eu ando entre as á rvores e pulo troncos caídos, ganhando terreno
lentamente. Mas Constantine é implacá vel. Nã o importa o quanto eu
ziguezagueie ou volte, ele está no meu encalço.
Meus pulmõ es queimam com o esforço. Manchas escuras nadam pela
minha visã o. Nã o sei por quanto tempo mais poderei continuar assim.
Mas nã o posso deixá -lo me pegar. Nã o posso deixá -lo ver o quã o fraco e
patético eu me tornei.
Em um ú ltimo esforço, subo no tronco de um carvalho imponente, as
garras raspando a casca enquanto subo cada vez mais alto. Constantine
para na base e olha para mim, balançando o rabo enquanto anda
frustrado.
Me agarro a um galho alto, com as laterais arfando devido ao esforço.
Abaixo de mim, os olhos dourados de Constantine brilham com
determinaçã o, mesmo enquanto seus pró prios flancos sobem e descem
rapidamente.
Rosno para ele, mostrando os dentes.
Ele ignora minha exigência muda, saltando para cravar as garras no
tronco. Observo com cautela enquanto ele tenta subir atrá s de mim. Mas
os galhos finos nã o conseguem sustentar seu volume e ele desliza de
volta para baixo com um grunhido frustrado.
Depois de vá rias outras tentativas fracassadas, Constantine finalmente
desce para andar na base da á rvore. Seus olhos dourados permanecem
fixos em mim, inabalá veis.
Esperando.
Ele sabe que eventualmente terei que descer. Sabe que nã o posso ficar
aqui para sempre.
A exaustã o puxa meus membros, me incitando a ceder. A me render ao
inevitá vel. Mas eu cravo minhas garras mais fundo, me agarrando
teimosamente ao meu poleiro.
Nã o vou cair sem lutar.
Por que você fugiu de mim?
Sua voz ecoa de repente em minha mente e eu estremeço. Eu tinha
esquecido que os shifters podem se comunicar telepaticamente na forma
de lobo.
Saia da minha cabeça, rosno de volta, surpreso por poder falar tã o
facilmente. Você perdeu o direito de falar comigo na noite em que me
abandonou.
As orelhas de Constantine encostam em seu crâ nio e ele desvia o olhar.
Quando seu olhar retorna para mim, algo parecido com remorso brilha
naqueles luminosos olhos dourados.
Sinto muito, ele diz, as palavras hesitantes. Palavras que eu nã o sabia que
ele era capaz de pronunciar. Nunca tive a intenção de machucar você,
Devon. Basta descer para que possamos conversar.
Eu me irrito. Então você pode fazer o que? Me arrastar de volta só porque
finalmente posso lhe dar cachorrinhos?
Constantine recua como se eu o tivesse golpeado, se arrepiando
defensivamente. É realmente isso que você pensa de mim?
Minhas garras cavam sulcos na casca abaixo delas. É o que você me
mostrou. Outro pensamento ocorre, a confusã o superando
momentaneamente minha raiva. Por que você está aqui, afinal?
Ele inclina a cabeça, parecendo igualmente confuso. O sonho, ele
responde. Assim que percebi que você estava no cio, voltei.
Meu coraçã o troveja em meus ouvidos. Entã o isso também nã o foi
apenas minha imaginaçã o. Eu realmente estou no cio, eu realmente
posso me transformar em um lobo, e Constantine realmente estava lá
comigo.
Que significa…
Balanço a cabeça, recusando a perder o controle da minha raiva.
Você me deixou quando eu mais precisei de você. Quando eu estava com
medo e sozinho e não tinha mais ninguém a quem recorrer. O que eu
deveria pensar?
Espero que ele se defenda, mas em vez disso, ele abaixa a cabeça. Você
tem razão. Lidei mal com as coisas. Mas juro para você, Devon, produzir
herdeiros nunca foi minha motivação para tomá-lo como meu
companheiro. Desde o momento em que te vi naquele primeiro sonho, eu...
Ele para, mas posso preencher o resto. Desde o momento em que me viu
pela primeira vez naquele sonho, ele se sentiu atraído por mim.
Eu sei.
Mas essa conexã o nã o foi suficiente para fazê-lo ficar.
Eu não me importo com o que você sentiu então, eu estalo, a fú ria e a dor
se agitam dentro de mim. Você deixou seus sentimentos perfeitamente
claros quando me abandonou na manhã seguinte ao nosso acasalamento.
Eu era apenas um meio para um fim.
A cauda de Constantine chicoteia em agitaçã o. Isso não é verdade.
Eu quero acreditar nele. Mas nã o posso me deixar machucar novamente.
Não importa agora, digo com cansaço. Apenas me deixe ir, Constantine.
Por favor.
Não posso fazer isso, ele responde, dando um passo à frente. Você é meu
companheiro. Meu ômega. Meu.
A raiva ferve dentro de mim, substituindo temporariamente minha
exaustã o. Eu não quero mais você! Eu rosno. Lá grimas ardem em meus
olhos. Os lobos podem chorar? Eu nunca mais quero ver você.
Claras luzes de dor atravessam as feiçõ es lupinas de Constantine. Ele
abaixa a cabeça e, por um momento que ao mesmo tempo me aterroriza
e me alivia, me pergunto se ele realmente vai me deixar em paz.
Mas entã o seu olhar â mbar endurece com determinaçã o renovada.
Não vou desistir de você, ele jura. Eu nunca vou desistir. Ficarei aqui o
tempo que for necessário para você descer e me ouvir. E se você for tão
teimoso que aguenta até cair, eu vou te pegar.
Frustraçã o e fú ria guerreiam dentro de mim. Ele nã o vai deixar isso
passar.
E eu sou o teimoso?
Típico alfa idiota.
Movo meu peso no galho, estremecendo quando a casca á spera se crava
em minhas patas doloridas. Meus membros tremem perigosamente
devido ao esforço. Nã o poderei ficar aqui por muito mais tempo antes
que minhas forças acabem.
O que há para ouvir? Eu falo. Mais desculpas vagas? Mais justificativas e
besteiras sobre você partir para alguma ‘missão’ para a qual ambos
sabemos que você tem um exército inteiro à sua disposição?
Você quer a verdade? ele exige, sua voz cheia de frustraçã o. Bem. Não saí
por causa da maldita missão.
Suas palavras me atingiram como um saco de tijolos, embora eu já
soubesse que isso era verdade. Mesmo que eu quisesse ouvi-lo dizer isso.
Então por que? Minha voz falha de alguma forma, embora seja telepá tica.
Também nã o tenho certeza se quero saber a resposta para isso.
O remorso se espalha pela nossa conexã o mental.
Saí porque estava com medo.
Minha respiraçã o fica presa na garganta, minha raiva momentaneamente
esquecida. Por mais absurdas que essas palavras venham dele, nã o posso
negar que parecem genuínas. Eu sinto. Como se houvesse uma corda
tecida entre nó s - fraca e pendurada por um fio, mas está lá .
Talvez sempre tenha sido e eu simplesmente nã o percebi isso antes.
Por mais que doa admitir, mesmo agora, meu coraçã o traidor ainda nã o
desistiu dele.
Você? Com medo? Nã o consigo esconder minha descrença. Do que você
poderia ter medo?
Você, ele responde sem perder o ritmo.
Isso é ainda mais absurdo. Eu dou uma risada. Eu?
Saí porque estava com medo do quanto sentia por você, ele responde em
tom de derrota, como se apenas falar sobre o que sente fosse uma
espécie de concessã o. Como se ele pudesse estar expondo a garganta aos
dentes do inimigo. Nunca deixei ninguém chegar tão perto de mim como
você naquela noite, e a única vez que alguém chegou perto, eles... me
traíram. Eu estava com medo de que isso acontecesse novamente e então
corri. Mas vejo agora que isso foi um erro. Um que me arrependo
profundamente.
Desvio o olhar, incapaz de encarar seu olhar sério por mais tempo. Mas
meus pensamentos estã o fervilhando com esta revelaçã o.
Eu quero acreditar em suas palavras. Uma parte de mim já sabe, mas...
Do que você está falando, Constantine? Eu exijo. Que traição?
Isso certamente nã o foi mencionado em nenhum dos livros, mas,
novamente, Constantine nã o era exatamente um personagem POV. Mais
como o vilã o misterioso e intocá vel que planejou, manipulou e executou
tudo à distâ ncia.
Foi há anos, ele começa calmamente.
A resignaçã o em seu tom quase me faz querer mandá -lo parar. Para dizer
a ele que ele nã o precisa abrir a velha ferida que ele está escondendo de
mim. Mas nã o faço isso, porque preciso entender.
O nome dele era Andrew e ele era um ômega, continua ele. Meu ômega.
Pelo menos… foi o que pensei na época.
Meu estô mago dá uma reviravolta de ciú me ao som daquelas palavras
em sua língua, feitas para descrever qualquer pessoa, menos eu. Nã o sei
Andrew, ou o que ele fez, mas o desprezo imediatamente, mesmo porque
ele é alguém que meu companheiro queria.
Eu realmente sou patético.
Aqueles instintos que eram relativamente fá ceis de varrer para debaixo
do tapete quando eu era humano estã o todos amplificados agora, assim
como os sons e aromas da floresta ao nosso redor.
Andrew, murmuro, tentando esconder meu desgosto. Quando vejo um
leve toque de diversã o no olhar de Constantine sob a sombria resignaçã o,
percebo que nã o fiz um trabalho muito bom. Ele era seu companheiro?
Ele teria sido, ele responde. Se ele não tivesse tentado enfiar uma faca no
meu coração na noite anterior à nossa cerimônia de acasalamento.
Sinto meus olhos se arregalarem enquanto ouço. Eu sei que ele ganhou
aquela cicatriz no olho do Raul, mas nunca pensei em todas as outras que
cobrem seu corpo e de onde elas vieram. Acho que presumi que eram
todos do calor da batalha, nã o que um deles pudesse ter sido infligido
por outro ô mega.
Por que? É a ú nica coisa que realmente consigo pensar em perguntar, por
mais inadequada que pareça.
Porque ele nunca quis ser meu companheiro, Constantine responde em
um tom tã o prosaico que posso dizer que ele chegou a essa conclusã o há
muito tempo, mesmo que ele claramente nã o tenha feito as pazes com
isso. Olhando para trás, deveria ter sido óbvio. Fui criado para saber mais
do que confiar em uma alma. Até minha família. E ainda assim, quando a
traição veio até mim na forma de um ômega mancando pelo nosso
território, meio faminto e alegando estar fugindo de um companheiro
abusivo, baixei a guarda. Eu não suspeitei disso.
Ele solta um suspiro cansado, como se a histó ria fosse um fardo pesado
que ele nã o achava que teria que tirar do armazenamento novamente tã o
cedo. Posso dizer que ele se sente vulnerá vel só de falar sobre isso.
Fraco.
Foi tudo um estratagema, claro, ele continua. Ele realmente não precisava
de ajuda. O alfa do qual ele alegou estar fugindo era aquele que ele
realmente amava, e assim que eu estivesse fora do caminho, eles ficariam
juntos.
Como? Eu perguntei, dividido entre o choque e a raiva.
Acho que tenho meus pró prios instintos protetores, e meu coraçã o
teimoso ainda nã o recebeu o memorando de que nã o tem tanto direito a
Constantine quanto pensa que tem.
Você sabe o que acontece com um alfa quando há um vínculo de
acasalamento incompleto? ele pergunta.
Eu concordo. Eles ficam selvagens... certo?
Sim , ele responde em tom grave. Depois de não conseguir me vencer em
batalha mais vezes do que gostaria, meu inimigo elaborou um plano
diferente. E enviou um ômega para fazer o que não podia: encontrar minha
fraqueza. Andrew deveria fazer com que eu me apaixonasse por ele, e ele
teve sucesso nessa tarefa muito mais do que seu amante teve em qualquer
coisa, diz ele, sua voz assumindo um tom amargo.
Tudo o que posso fazer é olhar para ele.
O plano era que assim que eu o marcasse, Andrew fugiria, continua ele. E
não importa o quanto eu o perseguisse, eu não o encontraria. Não antes de
eu enlouquecer, momento em que seu companheiro o usaria para me atrair
para o território inimigo, onde eu estaria vulnerável. Então, ele poderia me
matar, romper o vínculo de acasalamento e reivindicar meu território – e
meu ômega. Seu ômega.
Enquanto ouço seu relato frio e metó dico dos acontecimentos, meu
ciú me começa a se transformar na tristeza que já me domina. Tristeza
que nã o tenho certeza se Constantine é capaz de sentir, nã o mais. Mas
sinto isso o suficiente por nó s dois.
Como você descobriu? Eu pergunto.
Constantine dá uma risada, sua respiraçã o formando nuvens no ar frio.
Posso ter baixado a guarda, mas ainda sou um filho da puta desconfiado.
Eu vasculhei suas coisas e encontrei uma carta de amor de seu
companheiro que ele não suportaria jogar fora, embora ela explicasse
claramente seu pequeno plano.
Eu também respiro. Eu normalmente iria repreendê-lo por mexer nas
coisas de outra pessoa, mas dadas as circunstâ ncias, acho que posso
deixar isso passar.
Agradeço sua clemência, diz Constantine ironicamente.
Por alguns segundos, permaneço no galho, tentando me convencer a nã o
abaixar as paredes que me cercam.
Eu perco essa batalha. Lentamente, com relutâ ncia, começo a descer pela
á rvore.
Constantine recua para me dar espaço, balançando levemente o rabo em
antecipaçã o. Eu tenho que admitir que isso é meio fofo, especialmente
porque ele parece uma maldita fera de guerra e nã o como qualquer coisa
que abanasse o rabo. Ele permanece fiel à sua palavra e nã o se aproxima.
Ele apenas me observa com um olhar suave e surpreendentemente gentil
enquanto desço.
Minhas pernas balançam perigosamente quando finalmente chego ao
fundo. Antes que eu possa tropeçar, Constantine está lá , pressionando ao
meu lado para me apoiar. Eu endureço brevemente com seu toque antes
de me forçar a relaxar. Seu corpo é tã o quente, seu cheiro tã o familiar.
Como voltar para casa.
Está tudo bem, ele murmura. Eu entendi você.
Minha cauda traidora balança um pouco em resposta. Reprimo um
gemido, odiando como meus instintos ô mega me traem, me incitando a
me submeter ao toque do meu alfa. Mas jurei que nã o desistiria tã o
facilmente desta vez.
Dou um passo para trá s, quebrando o contato. As orelhas de Constantine
se abaixam, mas ele respeita meu desejo tá cito de espaço. Por enquanto,
pelo menos. Ficamos ali por um momento, ambos incertos. O abismo
entre nó s parece maior do que nunca, embora apenas alguns centímetros
nos separem agora.
Por que você não me contou antes? Eu pergunto, olhando para ele.
Não é algo que eu conte a ninguém sem motivo, ele responde. Já é ruim o
suficiente que minha família estivesse por perto quando Andrew me atacou
e eu tive que subjugá-lo.
Você diz isso como se fosse responsável de alguma forma, eu digo,
franzindo a testa. Como se isso te deixasse fraco.
É verdade, ele responde sem perder o ritmo. Baixei a guarda e toda a
minha matilha quase pagou o preço por isso.
Você se arriscou em amar alguém, eu contra-argumento. Isso coloca você
inerentemente em uma posição vulnerável, mas não é fraqueza. Correr um
risco como esse requer força.
Ele me encara por um longo momento, e me sinto tentado a sondar seus
pensamentos, se é que isso é algo que posso fazer, mas é um impulso que
nã o dura mais do que uma fraçã o de segundo. Ele já está se aventurando
bem fora de sua zona de conforto ao me contar isso.
E pela primeira vez, estou começando a perceber que talvez haja uma
parte de Constantine que seja tã o nova em tudo isso quanto eu.
E talvez tenhamos mais em comum do que jamais imaginei.
Finalmente, a voz lupina de Constantine quebra o silêncio tenso. Eu sei
que tenho muito a explicar, ele começa, encontrando meu olhar com
seriedade. Deixar você foi imperdoavelmente cruel. Passarei todos os dias
pelo resto da eternidade recuperando sua confiança e sendo o
companheiro que você merece.
Tenho medo de acreditar na convicçã o em sua voz.
Isso poderia ser real? Ou apenas mais um lindo sonho destinado a se
tornar um pesadelo quando eu acordar?
Como se sentisse minha hesitaçã o, Constantine se curva diante de mim e
se curva. Ordene e eu obedecerei, ele murmura. O que for preciso para
reconquistar sua confiança, eu farei.
Meu coraçã o bate forte ao ver esse alfa poderoso ajoelhado de boa
vontade em minhas patas. Tenho certeza de que esta é a primeira vez
que ele está em uma posiçã o como esta. Uma posiçã o onde ele tem que
pedir qualquer coisa, quanto mais implorar.
Talvez ele queira dizer o que está dizendo.
Eu nã o confio nele. Mas talvez…
Se você está falando sério, começo devagar, então você me dará tempo. Por
mais que eu precise decidir o que quero. Sem pressão, sem exigências.
Apenas... paciência.
Constantine abaixa a cabeça. Você tem isso. Pelo tempo que você precisar.
Concordo com a cabeça, um pouco da tensã o diminuindo dos meus
ombros. É um começo, pelo menos.
Há algo mais, acrescento.
Qualquer coisa, ele responde imediatamente.
Eu respiro. Também não estou pedindo que você confie em mim. Eu sei o
quanto foi difícil para você me dizer isso. Mas eu não sou Andrew. Me dê a
chance de mostrar isso a você.
Seu olhar suaviza e ele balança a cabeça uma vez. Obrigado.
Eu me movo para contorná -lo, com a intençã o de retornar à mansã o para
organizar meus pensamentos turbulentos.
A cauda de Constantine abaixa ligeiramente, mas ele nã o faz nenhum
movimento para me impedir. Ao passar por ele, no entanto, faço uma
pausa e olho para trá s por cima do ombro.
Caminhe comigo? Eu pergunto hesitante.
Ele se levanta e se move para o meu lado, acompanhando meu ritmo
enquanto caminhamos pela floresta tranquila. Nã o falamos, mas o
silêncio entre nó s agora parece mais leve.
O primeiro passo para a reconciliaçã o.
Nã o sei se poderei confiar totalmente nele novamente depois do que ele
fez. Mas percebo que estou disposto a tentar.
Posso sentir o olhar de Constantine sobre mim enquanto caminhamos
lado a lado pela floresta tranquila. O silêncio entre nó s é pesado, cheio de
palavras nã o ditas e emoçõ es latentes. Parte de mim deseja que ele tente
falar comigo novamente, mentalmente ou nã o. Mas o resto de mim ainda
está muito ferido, com muito medo de ser machucado novamente, para
deixá -lo voltar tã o facilmente.
Entã o nó s apenas caminhamos.
Ocasionalmente, nossos pelos se tocam, enviando pequenas emoçõ es
através de mim que tento ao má ximo ignorar. Posso dizer que
Constantine está se contendo para nã o se pressionar contra mim,
mantendo uma distâ ncia cuidadosa entre nó s. Me deixando definir os
limites. Eu aprecio isso, mesmo que meus instintos traidores de ô mega
desejem que ele me prenda e me force a me submeter a ele.
É exatamente por isso que preciso manter distâ ncia agora. Nã o posso
confiar em meus pró prios desejos e reaçõ es enquanto estou com um cio
assim.
À frente, as á rvores se transformam em uma clareira iluminada pela lua.
Paro na beirada, inspirando o ar fresco da noite. Constantine hesita ao
meu lado, esperando para ver o que farei. O que eu quero.
O que eu quero?
Eu nem tenho mais certeza. Parte de mim quer ir até ele, me deixar
envolver novamente por aqueles braços fortes. Mas o resto ainda recua
diante da ideia de tal vulnerabilidade.
Meu olhar se dirige para a lua cheia acima. Ela banha a clareira com uma
luz prateada, tã o brilhante que posso distinguir cada folha de grama
individualmente. Uma leve brisa sopra entre as á rvores, trazendo o
perfume amadeirado de Constantine para mim.
Sem decidir conscientemente, dou um passo à frente no espaço aberto.
Inclino a cabeça para trá s, deixando a luz da lua tomar conta de mim. Faz
formigamento no meu pelo como uma coisa viva.
Me acariciando.
Me beijando.
Me dando as boas-vindas.
Constantine permanece na linha das á rvores, me observando. Ele nã o faz
nenhum movimento para me seguir ou me impedir enquanto entro na
clareira.
Algo neste lugar me chama. Nã o sei se é apenas meu cérebro
sobrecarregado de calor pregando peças, mas de alguma forma parece
significativo. Sagrado.
Continuo em frente até chegar ao centro do espaço. Um enorme carvalho,
facilmente com centenas de anos, fica sozinho aqui. Seus galhos se
espalham por cima como um dossel, folhas farfalhando suavemente com
a brisa.
Pressiono minha pata contra o tronco. A casca á spera encontra minhas
almofadas, me aterrando. Tantos lobos estiveram aqui antes de mim. Eu
posso sentir isso. Seus espíritos permanecem neste lugar, remanescentes
de rituais e ritos realizados sob a lua cheia por geraçõ es apó s geraçõ es.
Meu sangue vibra com nova energia enquanto levanto minha cabeça para
o céu mais uma vez. Um uivo baixo e suave escapa da minha garganta.
Ele ecoa pela floresta silenciosa ao nosso redor, ressoando com poder.
À distâ ncia, Constantine enrijece. Encontro seu olhar uniformemente
através do espaço entre nó s. Eu o seguro enquanto começo a me mover.
Meus passos começam lentos, como um sonho, enquanto eu teço entre
manchas de luar. Mas eles aceleram gradualmente, me levando em
espirais em direçã o ao outro extremo da clareira. Em direçã o a
Constantine.
Corro cada vez mais rá pido, até as á rvores se confundirem ao meu redor
e o vento assobiar em meu pelo. Nã o estou mais fugindo. Esta nã o é uma
tentativa desesperada de escapar. Em vez disso, parece uma dança. Uma
celebraçã o da minha força, da minha velocidade. Uma homenagem à
pró pria lua enquanto ela me guia adiante.
Eu corro direto em direçã o a ele, desviando no ú ltimo segundo em um
turbilhã o de movimentos. Circulando onde ele está paralisado.
Testando ele.
Provocando ele.
Percebo um lampejo de desejo naqueles olhos dourados antes de ser
minha vez de recuar. Ele nã o me persegue, mas me segue com seu olhar
enquanto eu me afasto mais uma vez sob o luar.
Nó s vamos dando voltas e mais voltas. Ele esperando pacientemente
enquanto eu me aproximo, apenas para fugir novamente. Eu me
deleitando com esse jogo de perseguiçã o, com a onda inebriante de
poder e desejo despertada pela lua acima de nó s.
Cada vez que passo por Constantine, recuo.
Passo meu rabo ao longo de seu flanco.
Mordo de brincadeira seus calcanhares.
O desafiando a me perseguir. Para me pegar, se puder.
Ele treme com moderaçã o, as garras cavando sulcos na terra sob suas
patas. Ainda assim, ele nã o se move. Nã o me agarra nem faz exigências
como antes. Ele parece satisfeito em me deixar assumir a liderança. Para
definir o ritmo desta dança entre nó s.
Mas seus olhos brilham mais a cada passagem. O calor acende dentro de
mim em resposta, o instinto e a necessidade crescem continuamente.
Eu sei o que quero agora.
Eu quero que ele me pegue.
Entã o, na minha pró xima volta, pressiono para perto. Meu corpo desliza
ao longo do dele provocativamente, nossos pelos se misturando por um
momento eletrizante.
Um estrondo vibra no peito de Constantine e seus mú sculos ficam tensos.
Esse é todo o convite que preciso.
Com um latido brincalhã o, salto para a grama alta mais uma vez.
Constantine está atrá s de mim num instante, me perseguindo pelo campo
iluminado pela lua.
Mas estou sempre um passo à frente dele.
Corremos sob o antigo carvalho, seus galhos parecendo se estender para
nos roçar enquanto passamos. Através de riachos que brilham como a
luz líquida das estrelas. Sobre á rvores caídas e pedras salientes cobertas
de musgo.
Meus pulmõ es queimam docemente com o esforço enquanto corro,
embriagado pelo luar e pelas possibilidades. Nunca me senti tã o vivo.
Por fim, deixei Constantine diminuir a distâ ncia. O deixe me levar
suavemente até o chã o da floresta, em meio a um tapete de samambaias
macias e pétalas de flores. Descemos num emaranhado de pelos e caudas
entrelaçadas.
Caio de costas com Constantine em cima de mim, seu peso me
pressionando. Mas ele nã o me imobiliza, nã o afirma seu domínio. Apenas
olha para mim com desejo indisfarçá vel enquanto recuperamos o fô lego.
Meus instintos rugem dentro de mim, me incitando a mostrar minha
garganta em submissã o. Para deixar este alfa forte me marcar sob a luz
aprovadora da pró pria lua.
Mas, em vez disso, saio de debaixo dele, mordiscando sua orelha de
brincadeira antes de sair mais uma vez. Um ú ltimo circuito provocativo
ao redor da clareira para deixá -lo com fome de mais.
Constantine solta um bufo impaciente, mas permite que eu me divirta.
Seus olhos brilham com promessas quando finalmente volto para ele,
meu peito arfando e meu coraçã o batendo forte de alegria.
Desta vez, ele enfrenta meu avanço de frente. Nossos corpos colidem em
um emaranhado de pelos e aromas misturados. Ele se apoia acima de
mim, o desejo rolando dele em ondas, mas ainda se contendo.
Me deixando escolher o que acontece a seguir.
Alegria e alívio crescem dentro de mim, nã o deixando espaço para má goa
ou amargura persistentes. Isso está certo. Eu sei disso agora, no fundo do
meu â mago.
Com um gemido suave, desnudo minha garganta sensível mais uma vez
em submissã o voluntá ria.
A respiraçã o de Constantine o deixa trêmulo. Ele se aconchega em meu
pescoço exposto, inalando meu cheiro. Seu toque é dolorosamente gentil.
Meu, ele sussurra através do nosso vínculo.
Um arrepio percorre meu corpo em resposta a essa palavra.
Ainda nã o tenho certeza se ele está falando sério, mas porra, eu quero
que ele esteja.
CAPÍTULO SETE
DEVON

O luar banha o pelo de Constantine em prata enquanto ele se apoia acima


de mim, desejo e ternura se misturando em seu olhar. Meu coraçã o bate
descontroladamente em meu peito, calor e necessidade correndo em
minhas veias. Mas mesmo em meio à névoa do instinto, sei que desta vez
será diferente.
Constantine abaixa a cabeça, esfregando o nariz em minha garganta em
uma carícia suave que faz meu pelo se arrepiar.
Paciência, ele repreende, embora eu possa sentir sua pró pria contençã o
pendurada por um fio.
Mordo seu ombro em protesto, provocando outra risada estrondosa. O
som me aquece profundamente. Há quanto tempo nã o o ouço rir daquele
jeito? Desde que o vi genuinamente feliz?
Demasiado longo. Muito tempo.
Nos meus sonhos, na verdade.
Constantine começa a me escovar com movimentos longos e suaves de
sua língua que praticamente me fazem derreter no chã o da floresta.
Carícias gentis e de adoraçã o que falam mais alto que qualquer palavra
de sua devoçã o como meu companheiro.
Fecho os olhos, me perdendo em seus ternos cuidados. O resto do mundo
desaparece até ficarmos apenas nó s, banhados pelo luar e pela sinfonia
da floresta à noite.
Isso é tudo que eu sempre quis com ele.
Essa sensaçã o de conexã o. De ser querido.
Suspiro contente, com os olhos fechados. Seu focinho roça minha nuca e
eu inclino minha cabeça para trá s instintivamente, expondo mais minha
garganta em submissã o. Um estrondo de satisfaçã o vibra em seu peito
em resposta.
Ele continua me cuidando com muita paciência. Entã o ele se afasta,
encontrando meu olhar.
Por mais que eu esteja gostando disso, diz ele, com uma pitada de humor
irô nico em seu tom lupino, talvez devêssemos continuar com isso em
algum lugar mais confortável?
Eu pisco para ele por um momento, com a mente confusa, antes que seu
significado seja absorvido. Meu rosto esquenta sob meu pelo.
As coisas definitivamente podem ficar estranhas e confusas quando
mudarmos e nã o tivermos nossos casacos de pele naturais entre a pele e
a sujeira. Porque tenho quase certeza de que Constantine é sofisticado
demais para fazer... isso ... como lobos.
Constantine ri, claramente percebendo meu constrangimento através do
nosso vínculo. Venha, ele diz, me cutucando gentilmente. Eu conheço
exatamente o lugar.
Ele se vira e sai galopando em direçã o à s á rvores. Eu me apoio nas patas
e sigo com curiosidade.
Nã o vamos longe. Apenas para um vale isolado perto de um riacho
borbulhante. A luz da lua é filtrada em raios salpicados através da copa
acima. Um afloramento rochoso coberto de musgo cria um pequeno
recanto protegido. É o covil perfeito.
Constantine para do lado de fora da entrada e olha para mim, com uma
pergunta em seus olhos brilhantes. Eu mergulho minha cabeça em
assentimento. Este lugar é perfeito.
Mas eu tenho que me perguntar…
Como você soube dessa toca? Eu pergunto a ele, meio provocando, meio
sério. Quantas aventuras você teve aqui?
Nenhum, ele responde, seus lá bios se erguendo ligeiramente em
diversã o. É onde venho pensar e passar um tempo sozinho. E agora é seu
também.
Eu o sigo para dentro, meu coraçã o começando a palpitar com uma nova
excitaçã o. Agora que estamos longe de olhares indiscretos, nã o demorará
muito para que voltemos à s nossas formas humanas. De volta ao jeito
que as coisas eram na noite da nossa cerimô nia de acasalamento, antes
de tudo virar uma merda.
Provavelmente estou sendo um idiota por me permitir ter esperança,
mas... sinto que talvez tenhamos alcançado algum ponto de virada em
nosso relacionamento. Há algo diferente, algo mais genuíno, na maneira
como ele está interagindo comigo agora.
Ele nã o está sendo estranho, para começar.
Constantine se acomoda em um canteiro de grama macia e trepadeiras
floridas. Eles liberam um aroma doce e inebriante quando ele os esmaga
sob seu corpo enorme. Eu me enrolo ao lado dele, apoiando a cabeça nas
patas enquanto encontro seu olhar terno.
Preparado? ele pergunta depois de um momento.
Concordo com a cabeça, nervosismo e excitaçã o enrolando em minha
barriga. Constantine fecha os olhos, um olhar de intensa concentraçã o
franzindo sua testa. Diante dos meus olhos, sua forma de lobo começa a
mudar e mudar.
Seu pelo prateado brilhante recua, deixando para trá s uma pele lisa e
bronzeada. Ossos e mú sculos se esticam e se reorganizam com sons
suaves de estalo. Um momento depois, o homem de quem me lembro da
nossa noite de acasalamento se ajoelha diante de mim.
Ele está incrivelmente bonito como sempre, com seus longos cabelos
brancos caindo em torno de feiçõ es esculpidas. Olhos dourados intensos
olham para mim com desejo indisfarçá vel por baixo de suas
sobrancelhas franzidas. Os mú sculos esculpidos de seu peito e braços
flexionam sutilmente enquanto ele muda para uma posiçã o mais
confortá vel.
Minha boca fica seca. O calor surge baixo e forte dentro de mim sob
aquele olhar ardente.
Constantine se aproxima de mim lentamente, como se estivesse se
aproximando de um animal arisco. E agora, acho que estou. Seus dedos
afundam no pelo em volta do meu pescoço, arranhando levemente um
ponto que me deixa louca. Meus olhos se fecham e eu me inclino
descaradamente em seu toque.
— Sua vez —, ele murmura. Sua voz profunda e rouca envia um arrepio
pelo meu corpo, fazendo meu pelo se arrepiar.
Respiro fundo para acalmar meus nervos antes de me concentrar em
minha forma humana, a chamando para frente. Estou preocupado que
seja difícil voltar, mas isso é natural para mim. Meus membros se
alongam rapidamente, mú sculos e ossos se reformando sob minha pele.
A pele derrete, me deixando nu e corado sob o olhar pesado de
Constantine.
Quando acaba, me ajoelho diante dele de quatro, ainda ofegante. Os olhos
de Constantine vagam avidamente por mim, devorando cada centímetro
de carne recentemente exposto. Eu coro sob um escrutínio tã o intenso,
perfeitamente consciente da minha nudez.
— Excelente —, ele respira.
Mã os fortes seguram meus quadris, me empurrando para cima e para
seu colo. Eu vou de boa vontade, montando em suas coxas musculosas.
Seu comprimento duro pressiona insistentemente contra minha bunda,
arrancando um gemido necessitado de meus lá bios.
Os braços de Constantine me envolvem, me apertando. Sua respiraçã o
agita meu cabelo enquanto ele se aconchega no ponto sensível abaixo da
minha orelha.
— Senti sua falta —, eu sussurro.
Constantine aceita o convite tá cito, reivindicando minha boca em um
beijo ardente. Nossas línguas se entrelaçam enquanto colocamos todo o
nosso desejo e sofrimento reprimidos nessa conexã o. Suas mã os
percorrem meu corpo, reaprendendo cada mergulho e curva com toques
reverentes. Eu me agarro a ele com a mesma desesperança, as unhas
arranhando suas costas.
Ele rosna em minha boca, apertando meus quadris com mais força. Ele se
esfrega contra mim provocativamente, seu comprimento rígido
deslizando entre minhas bochechas. Eu suspiro com a sensaçã o,
quebrando o beijo e inclinando a cabeça para trá s desenfreadamente.
— Por favor —, eu choramingo, sem vergonha da minha necessidade por
ele.
Constantine responde com um grunhido primitivo. Em um movimento
suave, ele nos vira, entã o estou de costas embaixo dele. Eu
automaticamente abro minhas pernas em convite.
Constantine se acomoda entre minhas coxas, sua cabeça romba
cutucando minha entrada. Ele faz uma pausa ali, procurando meu olhar.
— Tem certeza? — ele pergunta rudemente. — Podemos parar, se você
mudou de ideia...
Balanço a cabeça com veemência, envolvendo minhas pernas em volta de
seus quadris.
— Eu preciso de você —, eu respiro.
Esse é todo o incentivo que ele precisa. Com outro grunhido baixo,
Constantine afunda em mim com um longo golpe. Eu grito quando ele me
preenche até o punho, seu nó levemente inchado batendo contra meu
buraco apertado.
Por um momento, Constantine simplesmente se mantém ali, como se
estivesse saboreando a sensaçã o de estar intimamente unido novamente.
Agarro seus ombros, oprimida pela intensidade disso.
Entã o ele começa a se mover. Impulsos lentos e profundos que me tiram
o fô lego com seu poder. Eu me envolvo nele, o incentivando sem
palavras. Mais forte, mais rá pido, mais, mais, até que eu grite o nome
dele.
— Constantine —, eu suspiro, o nome é um apelo em meus lá bios.
Ele obedece com um rosnado sufocado, recuando apenas para avançar
novamente com força. Rapidamente encontramos nosso ritmo, corpos se
movendo como um só sob a luz aprovadora da lua. Com cada impulso
poderoso, Constantine me empurra mais alto, me leva mais fundo ao
êxtase.
— Meu —, ele rosna contra minha garganta, o ritmo ficando cada vez
mais punitivo à medida que seu controle se desgasta. — Meu
companheiro.
— Seu —, concordo sem fô lego, passando as unhas pelas costas dele.
Ele atinge aquele ponto ideal dentro de mim que me faz ver estrelas, as
coxas apertando seus quadris em movimento. Estou perto, tã o
insuportavelmente perto. Constantine também deve sentir isso. Seus
dedos apertam meus quadris enquanto ele empurra dentro de mim com
uma ferocidade que me deixa sem fô lego. Seus olhos dourados estã o
fixos nos meus, cheios de uma fome possessiva que provoca arrepios na
minha espinha. Posso sentir o nó na base de seu pau inchando,
ameaçando nos selar da maneira mais íntima possível.
Eu gemo quando ele atinge aquele ponto perfeito dentro de mim. Meu
pró prio pau está dolorosamente duro, preso entre nossos corpos
enquanto nos movemos juntos.
Eu choramingo, muito sobrecarregada pelas sensaçõ es que passam por
mim para formar palavras coerentes. Tudo o que posso fazer é segurar
firme e deixá -lo assumir o controle.
Ele se inclina para capturar meus lá bios em um beijo ardente, sua língua
mergulhando em minha boca como se estivesse tentando me consumir
por inteiro. Eu o beijo de volta com igual fervor, nossos dentes se
chocando enquanto nos perdemos um no outro.
A mã o enorme de Constantine envolve meu pau, me acariciando no ritmo
de suas estocadas. É demasiado, demasiado intenso, e consigo sentir o
meu orgasmo a crescer como uma tempestade dentro de mim.
— Goze para mim, pequeno ô mega —, ordena Constantine, sua voz
á spera de desejo. — Eu quero sentir você desmoronar em meus braços.
Meu corpo treme quando as palavras de Constantine tomam conta de
mim, seu comando enviando uma descarga elétrica em minhas veias.
Sinto meu orgasmo crescendo, meus mú sculos ficando tensos enquanto
me agarro a ele, desesperada por liberaçã o.
Sua mã o aperta meu pau. Cada movimento envia uma onda de êxtase
através de mim, me empurrando cada vez mais para perto do limite.
— Constantine, — eu suspiro, minha voz quase um sussurro. — Eu vou…
Ele rosna em resposta, seus movimentos se tornando mais urgentes
enquanto ele busca sua pró pria libertaçã o. Posso sentir seu nó inchando,
pressionando contra minha entrada enquanto ele empurra cada vez mais
fundo. Meu buraco escorregadio se estende ao redor dele até parecer que
ele vai me rasgar, e eu grito alto quando chego ao meu ponto de ruptura,
apenas para meu corpo sugar seu nó por todo o caminho dentro de mim.
Meu buraco sela ao redor do espaço duro e latejante entre seu nó e a
base de seu pau, dando quase nenhum espaço para empurrar, mas isso
nã o o impede de tentar.
— Goze para mim, ô mega —, ele repete, com a voz baixa e possessiva.
Com um gemido, eu desisto, meu corpo convulsionando e se debatendo
embaixo dele enquanto me desfaço. Ele me segue até o limite com um
grunhido, seu corpo tremendo enquanto ele me enche de esperma
quente. Seu nó pulsa enquanto aumenta até atingir seu tamanho má ximo,
me esticando ao meu limite enquanto estamos presos juntos. Seu gozo
me preenche, quente e grosso, e posso senti-lo cobrindo meu interior. É
um sentimento possessivo e primordial ser possuído e reivindicado
dessa forma.
Estou tã o tentada a dizer que ele pode me marcar. Entã o, tã o tentado.
Minha natureza ô mega está arranhando e choramingando para que ele
afunde aquelas presas afiadas em minha garganta, para deixar sua marca
em mim para sempre, para me tornar verdadeiramente seu.
Mas eu engulo os apelos.
Acabei de deixá -lo entrar novamente. Nã o vou me submeter totalmente a
ele ainda. Talvez mais cedo do que pensei... mas ainda nã o.
E ainda há a traiçã o em seu passado. É possível que ele ainda nã o esteja
pronto para me marcar, e nã o sei se aguentarei mais uma rejeiçã o,
mesmo sabendo do medo que isso vem. Mas nã o vou abrir a boca e
deixar que nada tire a perfeiçã o deste momento.
Eu gemo enquanto ele continua empurrando superficialmente, seu nó o
impedindo de sair completamente. É tã o bom que é difícil para mim
pensar demais agora, e em pouco tempo, minha mente nã o consegue
pensar ou perceber nada além da felicidade dolorosa de seu nó
enterrado em minha bunda e o calor de sua semente me enchendo.
A mã o enorme de Constantine pressiona minha barriga, seus dedos com
garras se espalhando contra minha pele em chamas. Eu me contorço
contra ele, chorando pateticamente.
— Bom menino —, ele murmura, sua voz baixa e suave. — Um dia, você
estará cheio de muito mais do que apenas minha semente.
Estou tã o atordoado que levo um momento para perceber o que ele quer
dizer.
— Isso é um pouco rá pido —, consigo ofegar entre respiraçõ es ofegantes,
embora ainda esteja tonto e tremendo. — Você... você tem que provar
seu valor para mim. Isso é... isso é um começo, mas... mas isso é tudo. Um
começo.
O olhar penetrante e possessivo de Constantine suaviza com minhas
palavras, e ele balança a cabeça lentamente.
— Eu sei.
Eu sei.
Sou realmente tã o patético que duas palavras na língua deste homem
possam me fazer sentir que tudo pode realmente ficar bem?
À medida que nossa respiraçã o fica mais lenta, Constantine se afasta
para olhar para mim. Seu olhar é suave e afetuoso enquanto ele tira um
fio de cabelo do meu rosto. Ele nã o diz nada. Apenas olha para mim com
algo parecido com adoraçã o. Parece que a forma desse homem divino
parece mais com adoraçã o.
Examino o rosto de Constantine, tentando discernir se ele está falando
sério quando diz que sabe, ou se é apenas mais uma promessa vazia.
Seus olhos dourados fixam os meus, firmes e sinceros, mas ele nã o diz
mais nada.
Ele nunca foi um homem de muitas palavras, no entanto.
Engraçado, essa era uma das minhas coisas favoritas sobre ele antes de
eu ser seu companheiro e realmente tentar me comunicar com ele. À s
vezes era como conversar com uma parede de tijolos.
Uma parede de tijolos quente pra caralho, mas mesmo assim uma parede
de tijolos.
Uma parede de tijolos quente pra caralho que está atualmente inclinada
sobre mim, massageando meu estô mago enquanto ele fala sobre me criar
logo depois que tivemos uma grande briga depois que ele me perseguiu
em uma á rvore como um gato.
Mas eu adoro isso.
Estou chateado comigo mesmo por estar tã o excitado com sua conversa
suja de criaçã o de lobisomens, mas porra , ele está deixando meu pau
duro de novo.
— Constantine —, eu choramingo, meus quadris balançando
involuntariamente enquanto eu esfrego contra ele.
Ele rosna baixo, sua mã o apertando minha barriga até eu gritar.
— O que você precisa, pequeno ô mega?
— Eu... eu preciso que você me toque —, eu digo, minhas bochechas
corando de vergonha.
Os olhos de Constantine escurecem enquanto sua mã o desliza pela minha
lateral e quadril, suas garras raspando levemente minha pele sensível. Eu
gemo, resistindo novamente debaixo dele enquanto procuro seu toque,
mesmo que cada movimento doa.
— Tã o ansioso —, ele murmura, rindo, seu há lito quente contra minha
pele enquanto lambe minha garganta.
Eu choramingo, meu corpo tremendo de necessidade.
— Por favor, Constantine, — eu imploro, minha voz quase um sussurro.
Sua mã o á spera desliza para baixo até que ele apalpa meu pau dolorido.
Eu grito, meus quadris balançando involuntariamente quando ele
começa a me acariciar no ritmo da pulsaçã o de seu nó dentro de mim. É
uma sensaçã o estranha, mas que imediatamente considero uma nova
coisa favorita.
Sua outra mã o desliza para provocar meus mamilos. Eu suspiro quando
ele aperta um entre os dedos, o rolando suavemente antes de dar um
puxã o. A sensaçã o envia uma onda de prazer direto para o meu pau, me
fazendo balançar os quadris novamente. Sua mã o se move de volta para
baixo, arrastando suas garras contra minha barriga dolorosamente cheia.
Eu me sinto como um maldito bolo recheado, especialmente porque
Constantine está olhando para mim como o lobo faminto que ele é, seus
olhos dourados semicerrados e sua respiraçã o ficando curta e ofegante
enquanto ele me acaricia.
— Você gosta disso, nã o é? — ele rosna, sua voz baixa e estrondosa. —
Você gosta de ser preenchido com o meu gozo.
Eu choramingo, meus quadris ainda balançando e se contorcendo
involuntariamente.
— S-sim —, eu admito, minha voz quase um sussurro. — Eu gosto disso.
Eufemismo da porra do ano.
Os olhos de Constantine escurecem com minhas palavras, e ele se inclina
para lamber e chupar o mamilo que acabou de apertar. Eu gemo, minhas
mã os subindo para agarrar seus ombros enquanto ele ordenha meu pau.
Sua outra mã o desliza para baixo, e eu suspiro quando ele começa a
massagear o local acima do meu buraco dolorido, onde seu nó ainda está
alojado dentro de mim.
Ele vira a mã o, segurando minhas bolas, rolando-as suavemente entre os
dedos. Suas garras picam minha pele, enviando pequenos solavancos
pelo meu corpo contorcido.
Suas mã os estã o de repente em todos os lugares, me tocando e
provocando de uma forma que faz meu corpo cantar. Estou ofegante e
me contorcendo embaixo dele enquanto persigo as ondas que ele está
construindo dentro de mim.
— Constantine —, eu suspiro, minha voz falhando quando me sinto
oscilando no limite. — Eu... eu vou gozar.
Ele rosna novamente, sua mã o se movendo mais rá pido enquanto ele me
acaricia. Posso sentir seu nó pulsando dentro de mim, mais rá pido, mais
forte.
— Goze para mim, pequeno ô mega —, ele rosna, sua voz baixa e
insistente. —Goze para mim agora.
Com um grito, eu o obedeço. Meu corpo convulsiona quando eu gozo,
meu pau jorrando cordas na minha pele corada. Constantine rosna em
aprovaçã o, sua mã o ainda se movendo enquanto ele ordenha até a ú ltima
gota de mim.
Quando acaba, fico ofegante e tremendo, meu corpo ainda tremendo com
os tremores secundá rios. Constantine se inclina para lamber toda a
minha barriga, sua língua girando de uma forma que me faz
choramingar. Minhas bochechas esquentam de vergonha, mas nã o posso
negar a forma como meu corpo responde ao seu toque.
— Você tem um gosto tã o bom —, ele murmura, com a voz baixa e rouca.
—Tã o delicioso.
Suas presas roçam minha carne sensível, tirando uma gota de sangue. Eu
grito de surpresa, minhas mã os voando para afastá -lo. Mas Constantine
apenas ri, seu há lito quente contra minha pele.
— Calma —, ele diz, sua voz provocante enquanto ele me belisca
novamente, desta vez de forma mais divertida. — Eu nã o vou morder... a
menos que você queira.
Eu soltei um bufo.
— Bem, me perdoe por ter problemas de confiança —, murmuro assim
que recupero minha capacidade de falar coerentemente.
— Você confia em mim o suficiente para me deixar dar um nó em você
—, ele ressalta.
Ele tem razã o. Esta posiçã o é vulnerá vel. Estou literalmente presa em seu
pau inchado enquanto ele lambe e belisca minha carne como se estivesse
avaliando uma presa. Mas confiar nele com meu corpo e confiar nele com
todo o resto... eu nã o sei.
— Eu quero confiar mais em você —, resmungo.
Os lá bios de Constantine se curvam em um meio sorriso, mas nã o alcança
seus olhos.
— Você não deveria confiar em mim, pequeno ô mega. Eu nã o sou o heró i
dessa histó ria, lembra? Eu sou o vilã o.
Suas palavras fazem meu coraçã o doer.
Ele tem razã o. Ele é o vilã o.
Mas quando olho para aqueles olhos dourados, nã o posso deixar de
sentir que há mais nele do que isso. Como se ele nã o fosse o monstro que
todos pensam que ele é.
O monstro que ele pensa que é.
— Mas você sabe o que dizem sobre os vilõ es —, murmuro.
Ele levanta uma sobrancelha.
— O que eles dizem?
— Que um heró i irá sacrificar você pelo mundo, mas um vilã o sacrificará
o mundo por você. — Eu rio um pouco. — É cafona, mas sempre gostei
disso.
Os lá bios de Constantine se curvam em um sorriso suave.
— Suponho que essa seja uma maneira de ver as coisas.
Ficamos ali por mais algum tempo, envoltos nos braços um do outro
enquanto a lua continua a brilhar sobre nó s. Eventualmente, o nó de
Constantine diminui o suficiente para ele sair de mim com um grunhido
suave. Estremeço com a sensaçã o de vazio, mas é rapidamente
substituída por uma sensaçã o de contentamento quando Constantine me
puxa para perto e se aconchega em meu pescoço.
— Eu deveria levar você para casa —, ele murmura, seu há lito quente
contra minha pele. — Você vai ficar dolorido amanhã .
Casa…
Eu bufo.
— Você acha que eu nã o sei disso? Já li romances suficientes para saber o
que acontece depois de uma noite como essa. Esta, para ser exato.
Ele ri, o som retumbando em seu peito.
— Podemos esperar alguns minutos? — Eu pergunto. — Eu nã o quero
voltar para casa ainda. Para casa, quero dizer. Quero ficar aqui com você
um pouco mais.
— Claro.
Ficamos ali em silêncio, observando a lua se mover no céu. Posso sentir
as batidas do coraçã o de Constantine contra meu peito, firmes e fortes
enquanto suas garras roçam languidamente minha barriga em círculos. É
uma sensaçã o reconfortante, que me faz sentir segura e protegida.
Mas por mais que eu queira ficar neste momento para sempre, sei que
eventualmente teremos que enfrentar a realidade.
Constantine ainda é o alfa da matilha Grayridge, e eu sou seu
companheiro. Haverá expectativas e responsabilidades que virã o com
isso. Nã o podemos ficar aqui na floresta pelo resto da vida, por mais
tentador que isso seja.
Ele é tã o diferente quando somos só nó s. Quando estamos completa e
verdadeiramente sozinhos.
Por enquanto, entretanto?
Estou perfeitamente contente em ficar aqui mesmo, em seus braços, sob
a lua.
CAPÍTULO OITO
CONSTANTINE

Eu acorde com a primeira luz do amanhecer, os raios do sol filtrando-se


através da copa das á rvores e lançando um brilho quente no chã o da
floresta. Devon ainda está dormindo em meus braços em nossa toca
protegida, com a cabeça apoiada no meu peito e o corpo enrolado contra
o meu. A subida e descida constante de seu peito enquanto ele respira é
hipnotizante.
Paro um momento apenas para observá -lo, para absorver a visã o de seu
rosto pacífico e a forma como seus cílios escuros se espalham contra suas
bochechas. Ele parece tã o inocente e vulnerá vel assim, tã o diferente da
pessoa sarcá stica e cautelosa que conheci.
Nunca esperei me importar com alguém do jeito que me importo com
ele. Nunca pensei que fosse capaz disso. Mas aqui estou eu, o segurando
em meus braços e sentindo uma proteçã o feroz que nã o consigo explicar.
Ele é meu ô mega, é verdade - mas, ao mesmo tempo, é muito mais.
Eu sei que nã o sou bom para ele. Eu sei que nã o sou o heró i que ele
merece. Eu sou o vilã o. O alfa que roubou tudo o que ele conhecia. Sou o
responsá vel por toda a dor e sofrimento que ele suportou.
Diretamente responsá vel.
Mas, apesar disso, nã o posso negar o que sinto por ele. Nã o posso negar o
jeito que meu coraçã o dispara quando ele está perto, ou o jeito que meu
peito aperta quando penso em quã o perto estive de perdê-lo. Como eu
ainda posso estar tã o perto.
Quero fazê-lo feliz, protegê-lo e mantê-lo seguro. Ele me faz querer ser
um homem melhor. Um companheiro melhor. Um alfa melhor.
Quando o tomei como meu companheiro pela primeira vez, me convenci
de que era uma medida puramente política. Agora, nã o consigo imaginar
ficar sem ele. Ele é inteligente, engraçado e gentil, com uma inteligência
perspicaz e uma mente rá pida. Ele é ferozmente leal e protetor com
aqueles de quem gosta. Já o vi me enfrentar quando pensa que estou
errado, e é uma qualidade que admiro nele.
E ele é tã o lindo. O ô mega mais lindo que já vi.
Eu nã o o mereço. Já fiz coisas terríveis no passado e nã o tenho certeza se
algum dia poderei realmente repará -las. Magoei pessoas, incluindo
Devon e seu pró prio irmã o, e sei que nã o há como apagar essa dor.
E se estou sendo honesto comigo mesmo…
A dor de Devon é a ú nica dor que eu gostaria de apagar.
Eu me pergunto o que o amor significa para um lobo como eu. É mesmo
possível para mim amar?
Eu sei que quero marcá -lo. Quero torná -lo meu de todas as maneiras
possíveis. Quero reivindicá -lo como meu companheiro e protegê-lo de
qualquer um que ouse prejudicá -lo. Qualquer um que se atrevesse a
pensar em tomá -lo para si.
Meu.
Estendo a mã o e gentilmente tiro uma mecha de cabelo da testa do meu
ô mega. Ele se mexe em meus braços. Ele pisca acordado e olha para mim,
um sorriso sonolento brincando em seus lá bios.
É tã o estranho como ele olha para mim. Ele nã o confia em mim, nã o de
coraçã o, mas também nã o olha para mim como se eu fosse uma ameaça
física para ele. Ele nã o me teme como deveria, mesmo sendo tã o pequeno
e frá gil comparado a mim.
Ele até considera minha forma de besta alfa com carinho. Isso costumava
me frustrar. Agora acho encantador.
— Bom dia —, diz ele, bocejando.
— Bom dia —, murmuro.
Ele se estica, seu corpo pressionando contra o meu de uma forma que
envia outra onda de desejo através de mim. Ele se inclina e dá um beijo
suave em meus lá bios. É um beijo casto, mas ainda faz meu sangue
ferver.
— Você estava me observando dormir? — ele pergunta sonolento.
— Eu estava —, admito hesitantemente, sem saber por que isso seria um
problema.
Os olhos de Devon brilham de diversã o.
— Isso é muito Edward da sua parte.
— Quem é esse Edward? — Eu rosno, meus instintos possessivos se
intensificando. — Seu ex? Eu nã o pensei que você tivesse um ex.
Devon ri.
— Oh meu Deus —, diz ele, revirando os olhos dramaticamente. — Ele é
um personagem de um livro, Constantine.
Posso praticamente sentir meus pelos de lobo relaxando quando isso
acontece.
— E eu também, de acordo com você, de qualquer maneira —, respondo
incisivamente.
Ele sopra uma lufada de ar pelo nariz.
— Touché.
Nã o posso deixar de observar Devon se espreguiçar ao meu lado, seu
corpo á gil em plena exibiçã o. Meu lobo rosna baixo em meu peito, me
incitando a reivindicá -lo novamente. Respiro fundo, tentando acalmar os
instintos possessivos que ameaçam me dominar.
— Você está olhando —, diz Devon, com um sorriso malicioso em seus
lá bios.
— Você pode me culpar? — pergunto, estendendo a mã o para passar os
dedos por seu cabelo escuro. Ele se inclina ao meu toque, com os olhos
fechados.
— Acho que nã o —, ele murmura.
Nã o consigo mais resistir à tentaçã o. Eu me inclino e capturo seus lá bios
em um beijo ardente, minha língua se lançando para prová -lo. Ele geme
em minha boca, suas mã os agarradas ao meu peito. Aprofundo o beijo,
minhas mã os percorrendo seu corpo. Posso sentir seu comprimento
duro pressionando minha coxa.
Devon se afasta, com a respiraçã o ofegante.
— Provavelmente deveríamos parar —, diz ele, com a voz rouca de
luxú ria.
— Por que? — Eu pergunto, meu baixo e possessivo.
— Porque estamos no meio da floresta, — diz ele, apontando para o que
nos rodeia. — E agora é de manhã . Parece mais... hum... exposto. E acho
que aquele pá ssaro está nos observando.
Viro para olhar por cima do ombro e vejo um pá ssaro azul pousado em
um galho perto da toca. Ele bate as asas e gorjeia como se quisesse
confirmar.
— Tudo bem —, eu digo, me afastando dele com relutâ ncia. — Mas ainda
nã o terminamos.
Devon cora e sorri. Deus, eu adoro quando ele fica rosa assim.
— Isso é uma promessa?
Nã o posso deixar de sorrir de volta para ele.
— Você nã o tem ideia.
Eu mudo de volta para minha forma de lobo, sentindo a onda familiar de
poder e liberdade que vem com isso. Os olhos de Devon se arregalam de
surpresa por um momento quando eu o empurro em direçã o à s minhas
costas com o focinho, mas entã o ele sorri novamente e sobe, seus braços
envolvendo meu pescoço enquanto ele se agarra ao meu pelo.
Eu saio correndo, minhas garras se cravando na terra macia enquanto
corro pela floresta. A risada de Devon ressoa atrá s de mim, e posso sentir
sua excitaçã o enquanto nos movemos juntos.
Ele realmente gosta disso. Fazer alguém tã o feliz é um sentimento ao
qual nã o estou acostumada, mas é um sentimento que desejo cada vez
mais.
Eu limpo um riacho com um ú nico salto e Devon se inclina para frente
com um grito de alegria, seu rosto enterrado em meu pescoço enquanto
ele se agarra a mim. Posso sentir sua respiraçã o em meu pelo e meu lobo
responde à sua presença, incitando-me a reivindicá -lo como meu.
Ainda nã o é a hora... mas logo.
Tem que ser logo.
Se ele me deixar.
É estranho pensar em como esse pequeno ô mega tem todo o meu mundo
em suas mã os. Quando isso aconteceu?
À medida que nos aproximamos da mansã o, posso ouvir os sons dos
meus companheiros de matilha realizando suas atividades diá rias. Eles
estã o falando alto sobre a partida de Devon. Falando sobre como vou
arrancar a pele deles se nã o o encontrarem.
Que interessante.
O aperto de Devon aumenta em minha crina quando paramos na beira da
floresta.
— Eles vã o saber que está vamos transando na floresta, — ele diz sem
fô lego, como se fosse ele quem estivesse fugindo todo esse tempo. Ele
geralmente é tã o tímido, mas quando olho para ele, seus olhos brilham
de diversã o.
Não, a menos que você queira, eu respondo.
Ele hesita.
— Umm... isso depende se 'eles' incluem Elaine.
Solto uma lufada de ar pelo nariz e corro até a ala esquerda da mansã o,
onde a ú nica porta raramente é usada. Eu facilmente salto para o telhado
com Devon ainda nas minhas costas. Ele abafa um grito em meu pelo e
suas pernas agarram meus lados quando caio nas telhas, minhas garras
se cravando na pedra. Seu coraçã o troveja descontroladamente contra
minhas costas.
Antes que ele possa ter um ataque de pâ nico total sobre o quã o alto
estamos, eu rapidamente vou até a janela que dá para o meu quarto. É
complicado com Devon nas minhas costas, mas consigo abrir a grande
janela de vidro com o focinho e entrar.
Assim que estamos no meu quarto, eu mudo de volta para minha forma
humana, meu corpo se transformando até que eu esteja de pé novamente
sobre duas pernas. Devon desliza das minhas costas e, antes que ele
possa dizer uma palavra, diminuo a distâ ncia entre nó s e capturo seus
lá bios em um beijo ardente. Ele geme em minha boca, seus braços
envolvendo meu pescoço enquanto me puxa para mais perto. Eu o
empurro na cama, prendendo seus pulsos, e ele solta um pequeno
gemido.
Ele tem gosto de mel e sol, e eu nã o me canso dele. Minhas mã os
percorrem seu corpo, explorando cada centímetro de sua forma á gil. Ele
é tã o macio e quente, e posso sentir seus mú sculos ficando tensos sob
meu toque.
Interrompo o beijo e desço meus lá bios pelo seu queixo, mordiscando e
chupando a pele sensível ali. Ele engasga e arqueia as costas, suas mã os
agarrando meu cabelo. Desço até seu pescoço, minhas presas afiadas
roçando seu pulso. Ele geme e inclina a cabeça para o lado, me dando
melhor acesso.
Posso sentir meu lobo se mexendo dentro de mim, incitando-me a
reivindicá -lo como meu.
Para mordê-lo.
Para marcá -lo.
Eu reprimo esses instintos, sufocando-os. Por agora.
Em vez disso, concentro-me em dar prazer a ele, meus lá bios descendo
até seu peito. Eu chupo e lambo seus mamilos, meus dentes roçando os
botõ es sensíveis. Ele grita e balança os quadris, a ponta do seu pau
esfregando na minha coxa.
Desço ainda mais, meus lá bios traçando beijos em sua barriga. Ele está
tremendo embaixo de mim, sua respiraçã o saindo em suspiros curtos.
Posso sentir sua necessidade, seu desejo, e isso apenas alimenta o meu.
Posso sentir o corpo de Devon tremendo debaixo de mim enquanto o
coloco em minha boca. Seu pau é duro e quente, e posso sentir o gosto
salgado de seu pré-gozo na minha língua. Ele geme e empurra os quadris,
seus dedos se enroscando em meu cabelo enquanto tenta se empurrar
mais fundo em minha boca.
Eu deixei, me deleitando com a sensaçã o de seu pau deslizando sobre
minha língua e a ponta batendo contra o fundo da minha garganta. Meu
pró prio pau endurece em resposta, ansioso para reivindicá -lo.
Eu me afasto, deixando o pau de Devon escorregar da minha boca com
um estalo molhado. Ele choraminga em protesto, seus quadris ainda
empurrando e resistindo. Eu rio e passo meu polegar sobre a cabeça de
seu pau, espalhando o pré-gozo que está reunido ali.
— Paciência, pequeno— , murmuro, minha voz baixa e rouca. — Temos o
dia todo.
Devon olha para mim com os olhos arregalados, as bochechas vermelhas
de desejo. Ele morde o lá bio e balança a cabeça, seu corpo ainda
tremendo de necessidade.
Eu me inclino e capturo seus lá bios em um beijo profundo e lento. Posso
sentir meu gosto em sua língua, e isso só serve para aumentar meu
pró prio desejo. Passo as mã os por seu corpo, sentindo a suavidade de
sua pele e a firmeza de seus mú sculos. Ele é tã o pequeno e delicado
comparado a mim, e isso me faz querer protegê-lo, mantê-lo seguro.
Mas, ao mesmo tempo, nã o posso negar o impulso primordial que cresce
dentro de mim. É uma necessidade que vem ficando cada vez mais forte
desde que coloquei os olhos nele pela primeira vez. Mesmo quando
está vamos separados, eu o desejava.
Eu me afasto do beijo e olho para ele. Ele está ofegante, seu peito arfando
a cada respiraçã o. Posso ver o desejo em seus olhos, a necessidade que
combina com a minha.
— Você está pronto? — Eu pergunto, minha voz quase um sussurro.
Devon acena com a cabeça, seus olhos nunca deixando os meus.
— Sim —, ele respira. — Estou pronto.
Eu sorrio e me inclino para beijá -lo novamente. Desta vez, deixei minhas
mã os descerem, deslizando na fenda de sua bunda. Posso sentir o calor
irradiando de seu corpo, e isso só serve para alimentar minha pró pria
fome. Posso ver o desespero que cresce dentro dele.
Eu me inclino e coloco seu pau em minha boca novamente, chupando e
lambendo seu comprimento duro enquanto as pontas dos meus dedos
sondam seu buraco apertado. Devon grita, seus dedos se enroscando em
meu cabelo enquanto ele tenta se aprofundar mais em minha boca.
Mas eu nã o deixo. Quero saborear este momento, prolongá -lo o má ximo
possível. Quero ter certeza de que Devon está pronto para o que está por
vir. Ele está tã o apertado, mesmo depois de eu ter fodido ele com tanta
força ontem à noite.
Deslizo um dedo dentro de seu buraco escorregadio, saboreando a
sensaçã o de seus mú sculos macios apertando ao meu redor. Ele engasga
e arqueia as costas. Posso sentir o calor crescendo dentro de mim, a
necessidade que está ficando cada vez mais forte desde que coloquei os
olhos nele.
Eu quero devora-lo.
Quero enchê-lo com minha semente.
Eu quero marcá-lo.
Eu adiciono um segundo dedo, esticando-o ainda mais. Devon geme e
empurra os quadris, seu corpo tremendo de necessidade. Posso sentir o
calor crescendo dentro dele, a necessidade que corresponde à minha.
Eu me afasto e olho para ele. Ele está ofegante, seu peito arfando a cada
respiraçã o.
Ele é tã o irresistível.
Capturo seus lá bios em um beijo faminto para abafar seus gritos antes
que eles tragam atençã o indesejada ao nosso acasalamento, minha língua
mergulhando em sua boca enquanto exploro cada centímetro dela. Ele
geme e se contorce embaixo de mim, suas mã os percorrendo meu corpo,
as unhas arranhando minha pele.
Eu me abaixo e agarro seus quadris, virando-o de bruços. Ele engasga e
olha para mim por cima do ombro, as pá lpebras se fechando enquanto
passo as mã os em sua bunda, apertando suas bochechas redondas, tã o
firmes, mas tã o macias.
Minhas presas roçam sua pele enquanto me posiciono em sua entrada e
empurro para dentro lentamente. Ele engasga e arqueia as costas
novamente, agarrando os lençó is, apertando-os. Eu recuo e empurro com
mais força desta vez. Ele se contorce, mordendo os lençó is para se
silenciar, e as pontas dos meus dedos agarram seus quadris com firmeza
para mantê-lo imó vel.
Seu corpo treme embaixo de mim enquanto eu empurro dentro dele, seu
calor apertado me envolvendo. Eu me abaixo e envolvo seu pau, o
acariciando no ritmo de minhas estocadas.
Seus gemidos ficam mais altos e desesperados enquanto eu o fodo
implacavelmente, meu pau batendo nele uma e outra vez. Posso sentir
seu corpo começando a ficar tenso, seus mú sculos se contraindo ao meu
redor enquanto ele se aproxima cada vez mais da borda. Eu sei que ele
está perto e quero ter certeza de que ele virá antes de mim.
Eu o puxo contra minha pélvis, bombeando contra seu lugar. Quando ele
abre a boca para gritar, eu me inclino sobre ele e cubro sua boca com a
palma da mã o, abafando sua voz. Ele solta um grito estrangulado em
minha mã o e seu corpo fica rígido, seu pau pulsando em minha mã o. Sua
liberaçã o, quente e ú mida, cobre minha mã o e escorre para os lençó is.
Com um grunhido, eu o sigo até o limite, meu pró prio orgasmo me
rasgando como uma tempestade. Sinto meu nó inchando e pulsando, nos
prendendo juntos, minha semente o preenchendo novamente.
Eu desabo sobre ele, apoiada em um cotovelo para nã o esmagá -lo.
Ficamos ali, ofegantes e exaustos, nossos corpos presos juntos. Quando
viro para o lado, o puxo para os meus braços. Ele se encolhe contra mim,
a cabeça apoiada em meu ombro enquanto tenta recuperar o fô lego.
Posso sentir seu coraçã o acelerado, seu corpo ainda tremendo com os
tremores secundá rios.
— Você está bem? — Eu pergunto, minha voz baixa e rouca.
Devon acena com a cabeça, os olhos ainda fechados.
— Sim —, ele diz, sua voz quase um sussurro. — Estou simplesmente...
sobrecarregado.
Ficamos ali em silêncio por alguns minutos, nossos corpos entrelaçados
enquanto descíamos do alto. Os batimentos cardíacos de Devon estã o
diminuindo, sua respiraçã o ficando mais uniforme. Paro um momento
apenas para observá -lo, para absorver a visã o de seu rosto pacífico e a
forma como seu cabelo escuro cai em seus olhos.
Puxo os cobertores ao nosso redor, envolvendo meu ô mega em calor. Ele
se aconchega mais perto com um som adorá vel, quase um gemido. Solto
um suspiro de satisfaçã o e me aninho em seu cabelo, respirando seu
cheiro. Meu nó ainda está inchado dentro dele, nos mantendo presos
juntos. Mantê-lo…
Estrondo!
Estrondo!
Estrondo!
A batida repentina na porta do quarto nos faz sacudir e Devon grita
quando meu nó inchado puxa seu buraco. Eu gemo e enterro meu rosto
em seu cabelo. — Que porra é essa —, murmuro.
— Constantine! Você está aí?
É Dan. Claro que é.
Antes que eu possa responder, a porta se abre, arrancando as dobradiças
quando meu irmã o mais velho bate contra ela. Ele tropeça no quarto e
congela, ficando branco como um lençol quando põ e os olhos em Devon,
que ainda está firmemente preso no meu pau.
Olho furioso para meu irmã o, que ainda está congelado em estado de
choque ao ver Devon e eu enrolados nos lençó is.
— O que diabos você pensa que está fazendo? — Eu rosno entre os
dentes.
Ele se recupera rapidamente.
— Onde você esteve? — ele exige, como se tivesse o direito. —
Está vamos procurando por Devon!
— Eu estava correndo —, eu digo, minha voz cheia de sarcasmo. — Você
sabe, aquela coisa que os lobos fazem? Por que você está em pâ nico?
A carranca de Dan se aprofunda.
— Nã o seja um espertinho —, ele rosna. — Está vamos muito
preocupados com ele. Você sabe como os ô megas podem ser frá geis.
Sentimos seu cheiro na beira da floresta e o seguimos até a mansã o, mas
nã o a de Devon. Entã o, sim, estamos em pâ nico.
Eu me irrito com a palavra “frá gil”. Devon é tudo menos frá gil. Ele é forte
e resistente, apesar de tudo que passou. Mas nã o digo isso em voz alta.
Em vez disso, apenas dou de ombros.
— Ele está bem. Você pode ver isso por si mesmo.
Os olhos de Dan se voltam sem jeito para Devon, que parece que vai ficar
doente de vergonha, mesmo estando debaixo dos cobertores e
praticamente escondido da vista. Está claro pela nossa posiçã o que eu dei
um nó nele.
Devon levanta a mã o em um aceno estranho e diz humildemente:
— Oi, Dan.
— Vá para fora —, eu rosno. — Estarei fora em um minuto.
Meu irmã o murmura uma série de palavrõ es baixinho, mas sai para o
corredor, fechando a porta quebrada atrá s de si. Pelo menos o má ximo
que puder, considerando que as dobradiças estã o destruídas.
Suspiro, me voltando para Devon. Ele ainda está escondido debaixo dos
cobertores, com o rosto vermelho de vergonha.
— Ei, pequeno ô mega —, digo suavemente, como se estivesse falando
com um gato selvagem. — Você está bem?
Devon assente, mas nã o olha para mim.
— Estou simplesmente humilhado —, ele murmura.
— Por quê? Nã o há nada para se envergonhar.
Devon finalmente olha para mim.
— Nó s está vamos... você sabe... e seu irmã o simplesmente invadiu. É
mortificante.
Passo a mã o pelo cabelo.
— Devon, você é meu companheiro. Nã o há nada de errado com o que
está vamos fazendo. É natural que sejamos íntimos um do outro.
Devon desvia o olhar novamente, suas bochechas queimando ainda mais.
— Eu sei disso, mas... é só ... eu nã o sei. É estranho.
Nã o posso deixar de sorrir com seu desconforto.
— Só é estranho se você deixar que seja estranho, — eu digo, tentando
aliviar o clima.
Devon revira os olhos, mas posso ver os cantos de sua boca se
contorcendo em um sorriso.
— Fá cil para você dizer —, ele murmura.
Eu me inclino e dou um beijo em sua testa.
— Sinto muito, meu irmã o nos interrompeu —, eu digo. — Mas ele só
estava preocupado com você. Ele nã o queria envergonhar você.
Devon assente, desviando o olhar novamente.
— Eu sei, — diz ele. — É só que... nã o sei. Acho que ainda nã o estou
acostumado com tudo isso.
Eu entendo como ele se sente. Nã o é fá cil se adaptar à vida de ô mega,
principalmente quando você está acostumado a ser independente e
autossuficiente. Mas estou determinado a tornar as coisas o mais fá ceis
possível para ele.
Quando sinto que meu nó finalmente está começando a diminuir, eu
gentilmente saio de Devon. Ele estremece ligeiramente, mas nã o emite
nenhum som. Pego uma toalha no banheiro principal anexo e limpo nó s
dois antes de vestir uma calça.
— Vou falar com meu irmã o —, digo, inclinando-me para dar um beijo
nos lá bios de Devon. — Você vai ficar bem aqui por alguns minutos?
Devon balança a cabeça, olhando para mim com um pequeno sorriso.
— Vou ficar bem, — diz ele. — Vá em frente. Eu sei que você nã o vai a
lugar nenhum desta vez.
Lhe dou um ú ltimo beijo antes de sair para o corredor. Dan ainda está
andando de um lado para o outro, parecendo ansioso – uma visã o
cô mica, considerando que ele se parece com um urso pardo, mesmo em
sua forma humana.
— O que você quer? — pergunto, tentando parecer casual.
Dan para de andar e olha para mim, com uma expressã o ilegível.
— Você caiu em si, entã o? — ele diz.
Eu me irrito com seu tom.
— O que isso deveria significar?
Dan dá de ombros.
— Só que você aceitou que tem um companheiro. Você foi tã o consumido
pela guerra e pelas rixas que se esqueceu do que significa ser parte de
uma matilha. Parte de uma família.
— Nã o preciso do seu conselho, — respondo. — Você nã o tem ideia de
como é estar na minha posiçã o.
— Talvez isso seja verdade, — ele admite. — Mas você pode confiar em
Devon. Ele é seu ô mega. É para isso que eles foram feitos.
Eu sopro uma lufada de ar pelo nariz em resposta.
— Vou cancelar a caça ao Devon, — diz ele, andando pelo corredor. —
Fique por aqui desta vez, sim?
Me afasto de Dan, irritado. Eu sei que ele tem boas intençõ es, mas ele nã o
entende o peso da responsabilidade que advém de ser o alfa de uma
matilha. Ele nã o entende os sacrifícios que tive que fazer, as vidas que
tive que tirar, para protegê-los. Todos eles.
Volto para o quarto, meus pensamentos girando em minha cabeça.
Devon está sentado na cama, inclinado para o lado para nã o colocar seu
peso em seu buraco completamente usado. Ele olha para mim quando
entro, com os olhos arregalados e incertos, mas adoravelmente
esperançosos.
— Está tudo bem? — ele pergunta.
Eu sorrio e me inclino para dar um beijo em sua testa.
— Sim. Eles estavam preocupados com você, só isso.
Devon se inclina ao meu toque, seu corpo relaxando contra o meu. Posso
sentir a tensã o saindo dele, o medo e a incerteza desaparecendo.
Eu me afasto e me levanto, estendendo minha mã o para ele.
— Venha comigo.
Ele pega minha mã o e começa a sair da cama, mas quando ele estremece,
eu o levanto em meus braços. Antes que ele possa protestar, eu o levo
para o banheiro e gentilmente o coloco na enorme banheira com pés.
Ele olha para mim, com as bochechas coradas.
— O que você está fazendo? — ele pergunta, observando com
curiosidade enquanto eu ligo a á gua morna.
— Cuidando de você —, eu respondo.
Seus lá bios se curvam em um pequeno sorriso enquanto ele me observa
pegar sais de banho e rosas secas em minhas prateleiras. Os salpico na
á gua borbulhante, transformando a banheira num oá sis fumegante.
— Isso é legal —, ele murmura. — Obrigado.
Eu me acomodo na banheira atrá s dele. Envolvo meus braços em volta de
seu corpo menor, o puxando para perto do meu peito. Ele se inclina
contra mim, seu corpo relaxando no meu. Posso sentir a tensã o saindo
dele, o estresse e a ansiedade desaparecendo.
Pego o sabonete e começo a esfregar a barra incrustada de ervas em seus
mú sculos, aproveitando o tempo para massageá -lo e acalmar seus pontos
doloridos. Eu nã o o machuquei, mas há pequenos hematomas e
arranhõ es marcando sua pele por causa das minhas unhas, das minhas
presas e dos espinhos que atravessamos na noite anterior.
Ele geme baixinho, sua cabeça caindo contra meu ombro. Posso sentir
seu corpo relaxando no meu, seus mú sculos relaxando enquanto eu
resolvo os nó s e a tensã o.
Eu sorrio e me inclino para dar um beijo em seu pescoço, mordiscando
suavemente a pele sensível ali, no local que irei marcá -lo no momento
em que ele estiver pronto. Ele inclina a cabeça para o lado, me dando
melhor acesso, mas sei que ele nã o está me convidando a realmente
deixar minha marca. Ainda nã o.
Deixo beijos em seu pescoço, minhas mã os percorrendo seu corpo,
esfregando e acariciando cada centímetro dele enquanto faço espuma
com o sabonete. Passo as mã os por seu peito, barriga, coxas,
memorizando cada curva e contorno de seu corpo.
Ele é tã o pequeno e delicado comparado a mim. Isso me faz querer
protegê-lo, mantê-lo seguro.
É uma sensaçã o tã o estranha. Entã o... vulnerá vel.
É tudo que eu temia.
E vale totalmente a pena.
CAPÍTULO NOVE
DEVON

Pode ser um erro ter esperança, mas enquanto estou sentado no sofá de
couro da sala de estar, absorto em um dos poucos livros que encontrei
neste lugar que me atrai – a histó ria original da Bela e a Fera, o que é
muito mais fodido do que eu me lembro – nã o posso deixar de sentir um
lampejo de otimismo.
Pelo menos um pouco.
Sempre fui cauteloso em nã o ter muitas esperanças quando se tratava de
mudanças nas pessoas, mas hoje foi surpreendentemente agradá vel, e
Constantine realmente parece estar de bom humor. Ele está tomando um
copo de uísque e lendo seu pró prio livro, seus longos cabelos brancos
presos em um rabo de cavalo baixo, com algumas mechas caindo em seus
olhos dourados. Suas longas pernas estã o cruzadas e ele bate os dedos no
joelho enquanto lê.
Eu poderia observá -lo assim por horas.
Nã o tenho certeza do que ele está lendo, mas parece nã o-ficçã o. A ú nica
vez que dei uma olhada rá pida nas pá ginas, tive um vislumbre de um
antigo desenho de anatomia, do tipo que um cirurgiã o de centenas de
anos atrá s poderia estudar. Ou um vilã o descobrindo a melhor maneira
de destruir um inimigo.
Na verdade… Constantine provavelmente já sabe disso.
Mas agora, ele parece tã o pacífico. Tã o à vontade. É um lado dele que
tenho certeza que a maioria das pessoas nã o vê. E estou grato por ele
estar me mostrando isso.
Eu me recosto no sofá com um suspiro de satisfaçã o. Foi um dia longo,
mas foi bom. Acabamos de nos conhecer melhor. Foi bom finalmente ter
a chance de me conectar com ele de maneira conversacional e nã o...
apenas... bem... literalmente, com seu nó firmemente alojado na minha
bunda.
Eu estava começando a pensar que essa era a única maneira de nos
conectarmos.
De qualquer forma, parece que isso está incomodando Elaine, entã o
estou gostando ainda mais. Ela tem agido de forma estranha o dia todo.
Constantine deve ter dito algo a ela sobre me deixar em paz, porque ela
foi educada, mas distante, como um gato insultado.
Inferno, estou surpreso que ela seja um lobo e nã o um gato literal.
Isso nã o a impediu de pairar sempre que entramos no domínio “dela”,
que descobri ser a ala leste da mansã o. Esse é solidamente territó rio de
Elaine. Ela o assombra como um fantasma vingativo, especialmente
quando Constantine está por perto. Ela é menos agressiva na frente dele.
Talvez ela saiba que posso mudar agora também. Que sou um pouco
menos defeituoso do que ela pensava que eu era.
E talvez consigamos chegar a algum tipo de trégua se Constantine
permanecer por aqui desta vez. Mas nã o posso deixar de me perguntar se
as coisas seriam mais fá ceis se morá ssemos em outro lugar. Em algum
lugar mais privado.
Eu sei como é a cultura shifter – e que se eu sou companheiro de um
lobo, preciso aceitar tudo o que vem com isso. Mas a ideia de uma
existência pelo menos parcialmente sem Elaine ainda é um prazer
culpado de um devaneio que surge de vez em quando na minha cabeça.
O mesmo acontece com a ideia de fugir para a floresta, para longe de
todos os outros, e ficar amarrado do pô r do sol ao nascer do sol.
Aparentemente, minhas posiçõ es favoritas se resumem a “grudar no pau
enorme de Constantine” e “grudar no pau enorme de Constantine, mas
de bruços.”
Eu sou baunilha, eu acho.
Quem sabia?
Estou muito animado que ele realmente parece me querer. E eu nã o acho
que estou sendo totalmente desesperado e patético ao deixá -lo entrar de
volta, mesmo que eu esteja apenas o deixando entrar no nível físico, em
vez de deixá -lo entrar no meu coraçã o.
Estou disposto a considerar isso, no entanto.
E para ser honesto comigo mesmo, meio que já o fiz.
Eu quero ele. Eu faço. Quero estar com ele e quero ser seu companheiro.
Só preciso ter certeza de que posso confiar nele primeiro. Preciso saber
que ele nã o vai deixar o medo vencer novamente. É tã o estranho pensar
que o terrível alfa tem medo de alguma coisa. Ele prefere morrer a se
machucar novamente. No entanto, aqui está ele, confiando em mim.
Eu poderia confiar um pouco nele em troca, eu acho.
— Lendo contos de fadas de novo?
A voz de Constantine de repente interrompendo meus pensamentos me
faz estremecer um pouco de surpresa, e levanto os olhos para vê-lo me
observando de sua cadeira. Sua sobrancelha está ligeiramente arqueada,
os traços de um sorriso divertido em seus lá bios.
Estou corando novamente. Realmente nã o é preciso muito.
— Sim —, murmuro. — Já li a maioria dos livros que Brad me trouxe.
Ele ri baixinho.
— Novelas de romance?
— Sim —, eu admito, colocando uma mecha de cabelo atrá s da orelha. —
Eu adoro um final feliz.
Constantine se recosta, fechando o livro antes de colocá -lo na mesinha ao
lado de sua cadeira.
— Finais felizes sã o raros na realidade.
— Talvez seja por isso que gosto deles nos livros. Eles oferecem uma
fuga, sabe? — digo, passando as pontas dos dedos sobre a ilustraçã o
folheada a ouro na pá gina à minha frente. Ele retrata a Besta feroz e com
presas pairando sobre a Bela, que é tã o pequena - tã o frá gil - comparada
a ele.
Fecho meu livro, o deixando de lado enquanto encontro o intenso olhar
dourado de Constantine. Há um brilho de curiosidade naqueles olhos de
lobo, apesar de sua expressã o estoica. Estou começando a achar que ele
nã o tem muitas outras expressõ es para escolher.
— Suponho que entendi o apelo, — diz ele depois de um momento. —
Embora eu sempre tenha preferido histó rias baseadas na realidade.
Agora é minha vez de levantar uma sobrancelha.
— Sério? Nenhum amor secreto por thrillers? Você parece um cara de
suspense.
Os lá bios de Constantine se contraem.
— Eu... me envolvi. Mas romance ?— Ele sopra uma lufada de ar que
agita as longas mechas de cabelo branco que escaparam de seu rabo de
cavalo. —Noçõ es floridas tecidas por sonhadores. O amor nã o é tã o
simples.
Nã o posso deixar de revirar os olhos diante do cinismo de Constantine.
— Oh sério? — Eu digo, me recostando no sofá macio. — Você nã o
acredita no amor?
— Nã o para a maioria das pessoas, — ele responde.
— Nã o para a maioria das pessoas, hein? — Eu ecoo, deixando um toque
de brincadeira infiltrar-se em minhas palavras. Nã o consigo resistir à
vontade de cutucar suas defesas.
— E quanto a você? Constantine, alfa da matilha Grayridge, é imune a
'noçõ es floridas'?
Ele se inclina para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos e, por um
momento, acho que vislumbrei vulnerabilidade naqueles olhos
penetrantes. — Para mim —, ele começa lentamente, como se pesasse
cada palavra antes de sair de seus lá bios, — amor nã o é... algo que eu
tenha certeza de que sou capaz. Nã o estou programado para isso, Devon.
Uma brisa sopra pela janela aberta, agitando as pá ginas do romance que
está em meu colo, mas as palavras ficam confusas quando a confissã o de
Constantine paira pesadamente no ar.
— Nã o acho que isso seja verdade —, digo gentilmente, quebrando o
silêncio.
Constantine hesita. Mas antes que ele possa responder, a porta se abre e
Dan entra.
Suspiro de leve frustraçã o quando Constantine rapidamente volta sua
atençã o para seu irmã o, como se a intrusã o repentina tivesse chegado na
hora perfeita.
— Desculpe interromper —, diz ele, lançando-nos um olhar de desculpas.
—Mas há um mensageiro aqui de Stone Hollow. Ele está pedindo para
falar com Devon.
Os olhos de Constantine se estreitam, seu corpo fica tenso.
— Quem é? — Eu pergunto, surpreso.
— Curtis, — diz Dan. — Para ser claro, é uma mensagem de Brad.
Com um aceno relutante, Constantine concorda em permitir a entrada do
mensageiro. Um momento depois, um lobo bronzeado e de cabelos
escuros entra. Curtis. Ele me faz uma reverência respeitosa. Parece meio
estranho, mas é uma escolha inteligente. Afinal, esta é a casa de
Constantine.
Especialmente considerando que Constantine nã o se preocupa em
esconder seu desgosto por haver um lobo de Stone Hollow em sua casa.
Felizmente, ele nã o diz nada, mas o canto do lá bio está ligeiramente
curvado. Se ele estivesse em sua forma animal, estaria mostrando suas
presas.
— Vim em nome do seu irmã o, — ele me diz. — Luna e Reese retornarã o
ao seu mundo natal em breve.
Meu coraçã o afunda. Luna se tornou como uma família para mim. E eu
sei que Brad ficará arrasado por perder ela e Reese.
Curtis continua:
— Raul achou que Brad poderia ajudar se você estivesse lá , para apoio
moral. Com sua saída da matilha, ele sabe que Brad precisa de seu irmã o
gêmeo agora mais do que nunca.
Constantine nã o esconde sua irritaçã o, e tenho certeza de que é porque a
mensagem é tecnicamente de Raul, nã o de Brad. Mas ele nã o diz nada.
Apenas fica sentado lá e lança um olhar feio para Curtis.
Concordo com a cabeça lentamente, considerando as palavras de Curtis.
— Diga a eles que estarei lá —, eu digo.
Os olhos de Constantine brilham para mim.
— Vamos discutir isso —, ele rosna.
Curtis abaixa a cabeça em reconhecimento e sai da sala. Espero até ouvir
a porta da frente fechar antes de voltar para Constantine.
— Nã o há nada para discutir. Você queria me compensar por me deixar
aqui sozinho. Foi assim.
A mandíbula de Constantine treme, um sinal claro de que ele está
lutando para conter seu temperamento.
— Você nã o vai a lugar nenhum sem minha permissã o.
Cruzo os braços, irritado.
— Ah, entã o sou um prisioneiro agora? Você disse que nã o iria me
manter longe da minha família quando concordei em vir para cá .
— Você sabe que nã o foi isso que eu quis dizer. — Ele passa a mã o pelos
longos cabelos da frente para trá s, frustrado. — Mas você nã o pode
simplesmente fugir para a matilha de Raul sempre que quiser.
— Nã o é a matilha do Raul, é do Brad! — Eu jogo minhas mã os para cima
em exasperaçã o. — Ele é meu irmã o, eu tenho que estar lá para apoiá -lo.
— Ele vir aqui é uma coisa, mas as coisas sã o diferentes agora, — ele
rosna.
— Como? — Eu exijo.
— Eles simplesmente sã o, — ele retruca, embora pareça se arrepender
um segundo depois.
Constantine fica em silêncio por um momento. Quando ele fala
novamente, sua voz é cuidadosamente controlada.
— Talvez eu nã o tenha deixado clara sua posiçã o aqui. Você pertence a
este bando agora, o que o torna minha responsabilidade.
Eu me irrito com suas palavras.
— Eu nã o pertenço a ninguém. Estou aqui porque escolhi estar, para
fazer a paz entre nossas matilhas, — eu digo. Ele apenas me observa. —
Você disse que queria que eu confiasse em você. Bem, você também tem
que confiar em mim. Eu voltarei. Eu prometo.
Mantenho o olhar de Constantine, me recusando a recuar. Algo brilha em
seus olhos dourados – surpresa, talvez? Ele nã o está acostumado a ser
desafiado, principalmente por um ô mega.
Eu suspiro.
— Vou até deixar meus livros favoritos aqui como prova.
Ele sopra uma lufada de ar pelo nariz. Depois de um momento que
parece durar para sempre, ele suspira também.
— Muito bem. Você pode ir.
A maneira como ele está “permitindo” isso me incomoda, mas eu deixo
passar.
Por agora.
— Obrigado —, murmuro. — Eu nã o vou demorar muito.
Constantine cruza os braços.
— Existem condiçõ es. Meus homens irã o escoltá -lo até a linha do
territó rio. E você nã o estará fora por mais de três dias... mais do que isso
e eu mesmo irei buscá -lo.
É mais do que eu esperava que ele concordasse, pelo menos.
— Isso é justo —, eu digo, deixando meu livro de lado e me levantando.
As coisas parecem desnecessariamente tensas agora e de repente sinto
que preciso de um pouco de ar fresco. Mas antes que eu possa sair da
sala, a voz de Constantine me detém.
— Devon, espere.
Faço uma pausa, olhando por cima do ombro. Seus olhos dourados
encontram os meus, ilegíveis como sempre.
— Sim?
Ele hesita.
— Nada.
Suspiro, balançando a cabeça antes de sair da sala.
Quando voltei para a á rea de estar mais espaçosa, soltei um suspiro que
nã o percebi que estava prendendo. Lidar com Constantine é sempre
estressante, especialmente quando estou tentando convencê-lo a fazer
algo que ele nã o quer. Mas pelo menos ele concordou desta vez.
O ar fresco atinge meu rosto assim que saio por uma porta lateral, me
refrescando depois da tensã o sufocante dentro de casa. Respiro fundo,
deixando meus pulmõ es se encherem com o cheiro terroso das folhas
caídas e da chuva distante.
Olhando para cima, noto que o céu escureceu para um cinza taciturno.
Em breve teremos uma tempestade.
Passa pela minha cabeça que Brad pode estar olhando para o mesmo céu,
as mesmas nuvens turbulentas, respirando os mesmos aromas. Meu
coraçã o aperta com o pensamento.
Posso ouvir sua voz em minha mente como se ele estivesse bem aqui. Ele
sempre dizia a mesma coisa, geralmente com sua “cerveja de
tempestade” preferida na mã o, e sempre sem camisa, pois gostava da
sensaçã o do ar em sua pele. Ou foi o que ele disse. Sempre achei que era
porque ele aproveitava todas as desculpas para exibir seu abdô men.
“Acha que teremos um tornado, maninho?” ele perguntava, sempre no
mesmo tom preocupado-mas-na verdade, nã o dando a mínima, que ele
tinha quando perguntava a um de seus irmã os de fraternidade se Steve
iria trazer seus notó rios nachos para a pró xima festa. Tenho certeza que
era Smelly Steve, para ser mais específico, já que eram dois. O Steve que
sempre cheirava como um cachorro molhado enrolado em colô nia de loja
de um dó lar.
Ou os nachos eram algo que Reese costumava fazer?
É tã o estranho que nã o me lembro.
De repente, me sinto mais longe de Brad do que nunca. Ele estava
sempre me contando sobre essas coisas. Eu costumava ouvir suas
histó rias estranhas por horas. Eles nem têm celulares, podemos trocar
mensagens daqui. Apenas telefones fixos, e Brad nã o é exatamente o tipo
de pessoa que liga.
Especialmente agora que ele tem duas responsabilidades muito reais e
confusas .
Suspiro e me inclino contra o batente da janela, o vidro frio acalmando
minhas costas, mesmo com a camisa de botã o abafada. A voz de Brad
desaparece da minha mente enquanto observo a vista da floresta escura
que se estende diante de mim.
Este nã o é o nosso quintal. Este é o territó rio de Constantine agora.
Tudo aqui é de Constantine.
Incluindo eu.
Ouço a porta se abrir atrá s de mim, seguida por passos pesados, mas
graciosos. Como se uma pantera usasse botas.
Falando no diabo.
Mantenho os olhos fixos à frente, observando as á rvores balançarem com
o vento crescente.
— Admirando a vista? — A voz de Constantine é baixa. Ele vem ficar ao
meu lado, com os braços cruzados sobre o peito largo.
Resisto à vontade de revirar os olhos.
— Só pensando na tempestade.
O trovã o ressoa à distâ ncia, como se fosse uma deixa. Constantine inclina
a cabeça para trá s, olhando para o horizonte.
— Devíamos nos preparar. Vou preparar a matilha.
Ele se vira para ir embora, mas eu pego seu pulso sem pensar. Sinto o
mú sculo tenso sob meus dedos. Chocado com minha pró pria ousadia, o
deixei ir.
— Espere, eu… — Paro, sem saber o que dizer.
Constantine arqueia uma sobrancelha, esperando. Seus olhos dourados
parecem brilhar na luz fraca.
Afinal, que tipo de ô mega faz algo assim?
Eu realmente acabei de pegar um alfa? Constantine, de todos os alfas?
O que estou fazendo aqui?
Brincar de casinha com o inimigo, é isso. Fingir que pertenço a algum
lugar que nã o pertenço. E nunca farei isso, nã o importa o quanto Elaine
tente me forçar a me adaptar. Tenho certeza de que ela voltará ao seu
antigo assédio assim que passar o choque de que eu realmente mudei
também.
Eu gostaria que Brad estivesse aqui. Ele saberia o que fazer. Ele sempre
foi aquele com os planos, as ideias ousadas, a confiança incontrolá vel. Eu
nã o.
Eu sou o gêmeo quieto, o estudioso, o...
— Devon? — A voz profunda de Constantine me tira dos pensamentos.
Eu olho para cima rapidamente para vê-lo me observando, uma
expressã o do que parece ser uma preocupaçã o genuína enfeitando suas
feiçõ es duras. Eu esperava repulsa pelo meu comportamento
distintamente nã o-ô mega.
— Desculpe —, gaguejo, me abraçando. — Eu só estava...
Ele se aproxima. Ele se move com uma graça tã o predató ria para alguém
tã o grande que me faz recuar instintivamente. Mas seus olhos dourados
sã o suaves quando ele fica diante de mim.
Ele estende a mã o lentamente, me dando tempo para me afastar, antes
de segurar minha bochecha. Estremeço com o contato, meu lobo se
mexendo por dentro.
Engulo em seco quando as primeiras gotas de chuva atingem minha pele,
me concentrando na sensaçã o para me distrair da dor no peito. A mã o de
Constantine ainda está apoiada em meu rosto e resisto à vontade de me
inclinar para seu toque.
— Eu sei que nã o foi fá cil, — diz Constantine depois de um momento. Seu
polegar á spero roça minha pele e eu tremo novamente. — Ter que sair
de casa e vir aqui, para pessoas que você nã o conhece.
— Nã o foi exatamente como imaginei que o ano seria, — respondo
secamente.
A boca de Constantine se contorce numa leve sugestã o de sorriso. —
Nã o, suponho que nã o. — Ele faz uma pausa, examinando meu rosto. —
Se vale de alguma coisa, sinto muito pela maneira como as coisas
aconteceram. Isso dificilmente é um conto de fadas.
Eu pisco de surpresa.
— Oh. Hum... obrigado —, eu digo sem jeito.
Na verdade, é… meio que um conto de fadas. Ou seria se eu nã o fosse
apenas um cara comum e comum. Porque se nã o fosse, com certeza seria
A Bela e a Fera.
Meu favorito.
Constantine assente levemente. A chuva está caindo com mais força
agora, grudando seus longos cabelos brancos no rosto e no pescoço.
— Devíamos entrar antes que você morra, — diz ele. Mas ele nã o faz
nenhum movimento para sair, sua mã o ainda segurando minha
bochecha.
Meu lobo se mexe novamente, reagindo à sua proximidade e ao calor do
seu toque. Traidor.
Constantine finalmente tira a mã o do meu rosto. A perda de contato faz
meu lobo interior gemer, mas eu o forço. Nã o sou uma donzela
desmaiada em um romance, nã o importa quã o bonito e intenso o alfa
diante de mim possa ser.
Ok, isso pode ser o eufemismo do ano.
— Certo, deveríamos entrar —, digo, esperando parecer mais calmo do
que me sinto.
Sem palavras, ele se vira e abre a porta, a segurando aberta para mim.
Sigo seu comando silencioso, mas paro na porta. Ele me observa, uma
rara incerteza brilhando em seu olhar. Como se ele nunca tivesse ideia do
que vou fazer.
Eu me inclino na ponta dos pés e pressiono suavemente meus lá bios nos
dele.
Quando nos separamos, dou-lhe um pequeno sorriso.
— Obrigado.
— Pelo que? — ele pergunta, sua incerteza se transformando em
confusã o total. É meio fofo.
— Por ser gentil, — respondo antes de entrar.
E pela primeira vez, é ele quem me segue.
CAPÍTULO DEZ
DEVON

Eu dobrei outro suéter e o coloquei na minha mala, repassando


mentalmente minha lista de embalagem novamente. Algumas mudas de
roupa, um cinto já que minhas calças estã o ficando esquisitas
ultimamente, pijama, minha nécessaire, alguns livros para me manter
ocupado…
Nenhum dos meus favoritos, porém, como prometi a Constantine.
Espero ter tudo de que preciso para minha breve estadia com Brad e a
matilha de Stone Hollow, mas tenho certeza de que estou pensando
demais, como sempre. Ainda parece estranho pensar que estou vivendo
com os inimigos mortais da matilha de Stone Hollow, mesmo que as
tensõ es entre eles e Grayridge tenham diminuído consideravelmente.
Para ser honesto comigo mesmo, porém, é estranho de uma forma
emocionante. Estar literalmente na cama com o inimigo.
Olho para o inimigo em questã o. Meu alfa está sentado na poltrona perto
da janela, folheando um de seus livros. Mas seus olhos continuam se
levantando para acompanhar meu progresso pela sala enquanto reú no
minhas coisas.
Ele nã o falou muito desde que me deu permissã o para ir. Eu sei que ele
nã o está feliz com a minha partida, mesmo que temporariamente. Seu
lobo provavelmente está inquieto com a ideia de ficar separado de seu
novo companheiro por vá rios dias.
E o meu também é.
Mas Brad precisa de mim agora. E sei que Constantine entende isso,
mesmo que nã o goste.
Faço uma pausa na arrumaçã o para olhar pela janela. A tempestade
passou, deixando um aroma fresco e limpo no ar do final da tarde. Está
um lindo dia para viajar.
Uma batida rá pida na porta precede Elaine entrando na sala, sem
esperar por uma resposta. Reprimo um suspiro.
— Tudo embalado, pelo que vejo, — diz ela, olhando minha mala. Seu
tom é leve, mas há um toque especial. Ela ainda nã o está feliz por eu
estar confraternizando com o inimigo também.
— Quase —, eu respondo.
Ela junta as mã os e força um sorriso.
— Bem, espero que você se divirta. Dê meus cumprimentos a Bradley.
Bradley?
Por que ela tem que ser tã o estranha?
Eu sei que ela nã o quis dizer nada disso sinceramente, mas eu aceno de
qualquer maneira.
— Eu irei.
— Ah, e tomei a liberdade de preparar algumas guloseimas para a
viagem —, ela continua, segurando uma pequena cesta de vime
transbordando de produtos assados. — Eu sei o quã o famintos os
ô megas podem ficar.
Resisto à vontade de revirar os olhos. É claro que ela presume que a
ú nica coisa que vou querer na viagem é comida.
— Isso é muito atencioso, mas você nã o precisava se dar ao trabalho. —
Eu mantenho meu tom leve.
Elaine faz careta, colocando a cesta em cima da minha mala.
— Bobagem, é um prazer. Você precisará de forças nos pró ximos dias.
Nã o tenho certeza do que ela quer dizer com isso, mas decido deixar para
lá . Discutir só vai encorajá -la.
— Bem, obrigado. Eu agradeço.
Ela dá um tapinha no meu ombro, parando.
— De nada. Cuide-se enquanto estiver fora. E... volte.
Essas ú ltimas três palavras saem por entre seus dentes, como se lhe
doesse fisicamente admitir que poderia sentir minha falta, à sua maneira,
se eu fugir.
Eu pisco para ela.
— Eu vou. Promessa.
Com um ú ltimo sorriso rígido, ela sai da sala.
Solto um suspiro e me viro para Constantine.
— Bem, isso foi...
— Estranho? — ele fornece secamente. Um canto de sua boca se curva.
Eu rio baixinho.
— Ela tem boas intençõ es. Eu acho.
Constantine bufa suavemente.
— Eu suponho. — Ele fecha o livro e se levanta graciosamente da
cadeira. Estando tã o perto, tenho que esticar o pescoço para trá s para
encontrar seu olhar. Sua altura e estrutura muscular sã o incrivelmente
imponentes.
No entanto, apesar de sua aparência feroz, seus olhos dourados sã o
suaves quando ele olha para mim. Lhe dou um pequeno sorriso, tentando
ignorar o friozinho na barriga.
— Sentirei sua falta —, eu digo.
— Você ainda nã o vai, — ele responde. — Vou acompanhá -lo até o limite
do nosso territó rio.
Estou um pouco surpreso que Constantine queira me acompanhar
pessoalmente, em vez de enviar Dan ou outro membro da matilha. Mas
eu apenas aceno e pego minha mala.
Constantine tira minha mala antes que eu possa protestar, a levantando
facilmente com uma das mã os, como se eu a tivesse enchido de penas em
vez de livros e roupas. Ele carrega minha mala até o elegante carro preto
parado na garagem. O motorista desce para pegá -lo, o guardando no
porta-malas enquanto eu deslizo para o banco de trá s. Constantine se
junta a mim um momento depois, seu grande corpo dominando o espaço.
Os pneus rangem na pedra e no cascalho enquanto nos afastamos da
mansã o. Olho pela janela, observando a paisagem passar enquanto o
carro serpenteia pelas estreitas estradas montanhosas que saem do
territó rio de Grayridge. Conheço os pontos de referência como a palma
da minha mã o ao examinar mapas da á rea, me familiarizando com
minha nova casa.
Constantine está quieto ao meu lado, com o olhar fixo à frente. O silêncio
entre nó s nã o é exatamente confortá vel, mas também nã o é
desagradá vel. Apenas duas pessoas dividindo um espaço, cada uma
preocupada com seus pró prios pensamentos.
Os meus continuam voltando para Brad. Eu me pergunto se ele está
animado para me ver, ou se ele estará muito envolvido com a partida
iminente de Luna e Reese para sequer perceber que estou lá . Talvez os
gêmeos sejam difíceis o suficiente para mantê-lo ocupado.
Parte de mim espera que sim. Brad sempre fica mais feliz quando está
ocupado, especialmente quando cuida de pessoas. E ele adora ser pai,
mesmo que a paternidade tenha sido uma surpresa, para dizer o mínimo.
Só espero que ele nã o fique muito ressentido comigo por nã o estar por
perto enquanto estive no territó rio Grayridge. Eu sei o quanto ele
gostaria que pudéssemos passar por essas grandes mudanças em nossa
vida juntos. E me sinto culpada por deixá -lo cuidar de tudo sozinho.
Mas vir aqui, para Constantine e a matilha Grayridge, foi minha escolha.
Assim como ficar com Raul era dele.
Constantine se move ao meu lado, recuperando minha atençã o. Dou uma
olhada em seu perfil esculpido enquanto ele continua olhando
estoicamente pela janela. Eu me pergunto se ele está tendo dú vidas
sobre me deixar ir. Alfas podem ser possessivos com seus ô megas, eu sei.
E Constantine certamente provou ser um homem possessivo.
No entanto, ele também me mostrou uma ternura surpreendente em
nosso tempo juntos. Momentos breves e fugazes de suavidade que
parecem estar em desacordo com seu exterior severo. Encontro-me
desejando esses momentos, por mais escassos que sejam.
Talvez sejam apenas meus instintos ô mega, buscando afeto e validaçã o
do meu alfa. Eu realmente nã o conheço Constantine bem o suficiente
para dizer se há um cuidado genuíno por trá s de suas açõ es, ou se ele
está apenas desempenhando o papel que acha que deveria.
Tanta coisa ainda permanece incerta entre nó s. Nã o sei onde estamos ou
o que isso realmente significa. Ele parece realmente se importar comigo,
mas ainda há aquela preocupaçã o incô moda na minha mente de que sou
apenas um peã o político para ele. Que ele só está mostrando um lado
mais suave ultimamente porque sabe que isso me deixará feliz. Me faça
ficar.
Quero acreditar que isso nã o é verdade.
Perdido em pensamentos, me assusto quando sinto a mã o grande de
Constantine envolver a minha. Olho para nossas mã os unidas apoiadas
no assento de couro entre nó s, e depois para ele, surpreso. Seu olhar
encontra o meu.
Ofereço a ele um pequeno sorriso hesitante.
— Eu sei. Também sentirei sua falta —, digo levemente, apertando um
pouco sua mã o.
Os olhos dourados de Constantine suavizam com minhas palavras e ele
acaricia meus dedos com o polegar.
— Mm.
O motor do carro zumbe em um ritmo suave enquanto navegamos pela
estrada sinuosa, a paisagem mudando da floresta densa e escura de
Grayridge para o terreno mais aberto e acidentado que marca Stone
Hollow. A mã o de Constantine ainda repousa sobre a minha, quente e
firme.
— Você sabe onde me encontrar se precisar de alguma coisa —, diz ele,
com a voz baixa e uniforme. — Qualquer coisa.
Tenho a sensaçã o de que ele quer dizer que vai começar a guerra de
novo se eu for incomodado, mesmo que levemente, pelos lobos de Stone
Hollow, mas de uma forma estranha, é meio fofo. E quente, para ser
honesto comigo mesmo.
Sempre adorei o tropo “toque nele e morra”.
Eu só espero que ele saiba que Stone Hollow nã o machucaria um fio de
cabelo da minha cabeça, mesmo que seu lobo ainda nã o tenha recebido o
memorando.
— Obrigado —, murmuro.
O carro desacelera até parar quando chegamos ao limite do territó rio de
Grayridge. Espreito pela janela o campo aberto que se estende diante de
nó s, a fronteira marcada por um pequeno pilar de pedra gravado com
marcas de garras. Além fica a terra de Stone Hollow.
Meu estô mago vibra de nervosismo. É estranho estar de volta aqui
depois de tudo o que aconteceu. Agora aqui estou eu de novo, prestes a
me reunir com meu irmã o gêmeo depois do que pareceu uma eternidade
separados.
E se as coisas estiverem diferentes entre nó s agora?
E se muita coisa mudou?
Abafando minhas preocupaçõ es, saio do carro para o ar fresco. O sol
poente aquece meu rosto, apesar do vento frio, com folhas farfalhando
no chã o em tons de dourado e carmesim. Está uma linda noite.
Fico chocado ao ver Raul à frente, encostado em um quadriciclo preto de
Stone Hollow. Legal da parte dele trazer isso em vez de me fazer montar
em um lobo enquanto eles carregam minha mala nas mandíbulas e
babam nela. Esse é o meio de transporte preferido por aqui.
Embora eu nã o estaria montando um lobo desta vez. Eu sou um lobo
agora.
Eles simplesmente nã o sabem disso ainda.
Constantine sai do veículo e pega minha mala no porta-malas, a
colocando no chã o. Mordo o lá bio, de repente sem saber o que dizer
agora que chegou a hora de nos separarmos.
Principalmente porque Raul está aqui.
Constantine parece estar se recusando a reconhecer sua presença. Em
vez disso, ele se vira para mim, sua silhueta imponente recortada contra
o céu com listras violetas enquanto seus longos cabelos balançam com a
brisa.
— Bem —, eu digo, arrastando meu sapato no chã o. — Acho que isso é
um adeus por enquanto.
Constantine me olha solenemente.
— Parece que sim.
Um silêncio constrangedor cai entre nó s. Resisto à vontade de ficar
inquieto, sem saber o que fazer. Abraçá -lo? Apertar a mã o dele? Dar um
aceno estranho? Nenhuma dessas opçõ es parece certa.
Felizmente, Constantine toma a iniciativa. Ele se aproxima e gentilmente
segura meus ombros. Seus olhos dourados se fixam nos meus, sua
expressã o ilegível. Lentamente, ele se inclina até que sua testa encoste na
minha. Congelo, assustado com a intimidade inesperada do gesto.
Meu lobo se orgulha de ter toda a atençã o do alfa enquanto meu lado
humano ansioso luta para nã o se inquietar sob aquele olhar intenso. O
perfume terroso e masculino de Constantine me envolve, sua
proximidade faz meu coraçã o palpitar, apesar de tudo.
— Esteja seguro —, ele murmura, sua voz um estrondo baixo.
— Eu estarei, — eu digo suavemente. — Você ainda tem que me marcar,
lembra?
— Mm — Suas mã os apertam meus ombros quase imperceptivelmente,
como se detestasse me deixar ir, e entã o descem até minha cintura.
Eu me contorço um pouco com seu toque. Nã o sou exatamente gordinho,
mas definitivamente fiquei mais mole ultimamente. É mais uma entrada
na longa lista de inseguranças que tenho sobre ser o companheiro desse
alfa irritantemente majestoso. Devo agradecer à s interminá veis aulas de
culiná ria com Elaine por isso. Ela faz Hell's Kitchen parecer uma aula de
jardim de infâ ncia - há uma razã o pela qual eu chamo isso de Pesadelos
da Cozinha de Elaine na minha cabeça - mas pelo menos posso fazer um
bolo agora.
De uma caixa, mas ainda assim.
Constantine parece que vai dizer alguma coisa, mas seja o que for, ele
parece mudar de ideia. Ele me solta e dá um passo para trá s. A perda de
contato me deixa com uma sensaçã o estranha de frio e exposiçã o.
— Envie uma mensagem se precisar de alguma coisa, — diz Constantine.
—Mesmo que eles estejam simplesmente incomodando você.
Raul levanta uma sobrancelha. Tenho certeza de que a ameaça velada
nã o passa pela cabeça dele. Felizmente, a tensã o nã o se transforma em
uma briga de lobos. Tenho certeza de que o resto da matilha de Stone
Hollow está esperando e observando da floresta.
— Eu irei, eu prometo.
Com um ú ltimo olhar demorado, Constantine se vira e volta para o
elegante carro preto. Observo enquanto ele entra sem olhar para trá s. O
motor ganha vida e o carro se afasta, deixando apenas poeira para trá s.
Respiro fundo, acalmando meus nervos. É estranho estar sozinho
novamente depois de estar ao lado de Constantine por tanto tempo no
territó rio Grayridge. Mas nã o sou uma donzela indefesa e em perigo que
precisa de mimos. Posso aguentar alguns dias sozinho.
Endireitando os ombros, pego minha mala e vou até Raul. Ele me dá um
sorriso amigá vel.
— É bom ver você de novo, Devon. Pronto para sair?
Concordo com a cabeça, permitindo que ele guarde minha mala na parte
de trá s do ATV. Subo no banco atrá s dele, segurando seus ombros
levemente enquanto o motor ruge e ganha vida abaixo de nó s.
Constantine ficaria tão chateado.
O vento sopra em meus cabelos enquanto aceleramos pelo campo aberto
em direçã o ao territó rio de Stone Hollow. Vá rios lobos de Stone Hollow
escapam das sombras para se juntar a nó s, acompanhando facilmente o
ATV enquanto nos seguem sem palavras. Parece que eles enviaram toda
a maldita cavalaria, caso Constantine estivesse planejando me usar para
atacá -los.
O pensamento me incomoda um pouco, mas nã o posso culpá -los.
À frente, posso ver os contornos das á rvores recortados contra o céu
crepuscular, uma magia suave brilhando entre os troncos delgados.
Devemos estar chegando perto da abertura do portal onde Luna e Reese
partirã o de volta ao seu mundo.
É engraçado... este mundo parece mais meu a cada dia, apesar de quã o
inseguro estou em ser companheiro de Constantine. E agora que estou
prestes a ver Brad e os filhotes, me sinto ainda melhor.
Mal posso esperar.
Raul desacelera o quadriciclo quando chegamos à linha das á rvores.
— Estamos quase lá —, ele grita por cima do ombro. — Você pode ir em
frente até o portal. Vou pedir a um dos outros lobos que cuide de sua
bagagem.
Eu aceno contra suas costas.
— Brad sabe que estou indo?
— Nã o. Eu queria que fosse uma surpresa —, diz ele, olhando para mim
com um leve sorriso.
— Bom —, eu digo, devolvendo o sorriso.
Deslizo da traseira do ATV quando paramos. Faço uma pausa e fecho os
olhos, respirando fundo. O ar fresco da noite enche meus pulmõ es, rico
com o cheiro de pinho e magia. Meu lobo interior se agita
incansavelmente sob minha pele, ansioso para ser livre.
— Eu já volto, — digo a Raul, nã o querendo ficar nu na frente dele e dos
outros quando ainda estou pouco acostumado a me mudar na frente de
Constantine.
Raul parece confuso, mas acena com a cabeça, e eu desapareço na
cobertura de um bosque mais denso à frente.
Eu me dispo, dobrando minhas roupas em uma pilha bem organizada,
escondida no oco de uma á rvore pró xima. O ar frio provoca arrepios na
minha pele nua, mas quase nã o sinto frio. A excitaçã o vibra através de
mim enquanto fico ereto e alto, nu sob o céu estrelado.
Pelos sedosos brotam sobre minha pele enquanto caio de quatro,
pousando na grama macia com minhas patas. Os aromas e sons da
floresta tornam-se mais nítidos e ricos. Mesmo daqui, mesmo através de
todos os outros aromas que me cercam, posso sentir o cheiro da minha
irmã gêmea – minha matilha – à frente.
E sei exatamente como vou surpreendê-lo.
EPÍLOGO
CONSTANTINE

Eu olho para as chamas bruxuleantes, observando enquanto elas dançam


e saltam dentro dos limites da lareira. O fogo lança um brilho quente no
escritó rio escuro, afastando o frio que permeia a velha mansã o.
No entanto, o calor faz pouco para descongelar o nó frio no meu peito.
Devon se foi.
Meu companheiro está no territó rio de Stone Hollow agora. Cercado por
velhos inimigos que tentariam me fazer mal se tivessem oportunidade.
Eu nunca deveria tê-lo deixado ir.
O que eu estava pensando, permitindo que meu ô mega vulnerá vel se
aventurasse em territó rio hostil desprotegido?
Não reclamado?
Loucura. Pura tolice da minha parte.
Passo a mã o pelo rosto, xingando baixinho. Meu lobo está inquieto,
andando dentro de mim, furioso com esta separaçã o anormal do nosso
companheiro.
Do pai do nosso filhote ainda nã o nascido.
Percebi isso no momento em que captei aquela delicada mudança em seu
perfume – como madressilva misturada com sua doce fragrâ ncia natural
de ô mega. Um perfume que desejo mais a cada dia que passa.
Nã o contei nada sobre a gravidez para ele antes de ele partir. Eu sei o
quã o sobrecarregado ele se sente ao se adaptar a este novo mundo, ao
seu lugar ao meu lado. A ú ltima coisa que eu queria era sobrecarregá -lo
ainda mais com a certeza de que em breve teria meu filho.
Talvez eu devesse ter contado a ele. Mas o instinto protetor dentro de
mim recuou diante da ideia de revelar tal vulnerabilidade a alguém fora
do meu círculo de maior confiança. Nã o quando as tensõ es com Stone
Hollow ainda sã o tã o altas.
E ainda assim, eu permiti que meu companheiro ô mega grá vida entrasse
na cova dos lobos.
Loucura.
Maldito Raul por solicitar a presença do meu companheiro agora, entre
todos os momentos.
E maldito seja eu por permitir.
Olho para as chamas, tentando ignorar a crescente sensaçã o de
desconforto que toma conta do meu peito.
Três dias.
Eu disse a Devon que ele poderia passar três dias no territó rio de Stone
Hollow antes de voltar para mim.
No entanto, enquanto o reló gio sobre a lareira passa da meia-noite,
marcando o fim da terceira noite desde que nos separamos, ainda nã o há
sinal de seu retorno e nenhuma palavra do guarda que enviei para buscá -
lo.
Estou me culpando por nã o conseguir pegá -lo sozinho, mas nã o confiava
em mim mesmo no meu atual estado de espírito. Nã o se Raul decidir
mostrar a cara novamente.
Aconteceu alguma coisa que o atrasou?
Ou isso é uma traiçã o?
Ele decidiu permanecer com o irmã o em vez de honrar o nosso acordo?
Talvez ele tenha percebido que está grá vido, e a escó ria de Stone Hollow
o tenha convencido a nã o criar seu filho ao lado de um monstro. Talvez
ele até tenha retornado pelo portal de volta ao seu mundo.
Eu deveria ter recusado. Deveria ter mantido Devon aqui sob minha
proteçã o, nã o permitindo que ele vagasse pelo territó rio dos lobos que já
provaram ser nossos inimigos. Lobos que se alegrariam em roubar o
companheiro grá vido do alfa Grayridge debaixo dele.
Meu lobo rosna dentro de mim com o pensamento, furioso com a
possibilidade de termos sido enganados. Eu aperto com firmeza. Nã o...
nã o devo permitir que os demô nios de antigas traiçõ es envenenem
minha mente contra meu companheiro.
Prometi a mim mesmo que faria melhor pelo bem de Devon.
Se ele deu sua palavra de voltar depois de três dias, ele o fará .
Devo ser paciente mais um pouco.
Levantando da cadeira, atravesso o escritó rio para me servir de uma
bebida, na esperança de acalmar os nervos. Mas o vento continua a uivar
lá fora, fustigando a mansã o com chuva. Viajar com esse tempo seria
difícil. Certamente essa deve ser a causa do atraso.
Talvez eu devesse enviar um grupo de reconhecimento para verificar as
estradas, garantir que nenhum mal lhe aconteceu...
Bebo a bebida de um só gole, batendo o copo de volta na mesa. O á lcool
queima minha garganta, mas nã o faz nada para acalmar a tempestade
que assola dentro de mim.
Meu lobo está ficando inquieto, uivando por nosso companheiro
desaparecido. Andando pelos limites da minha mente e do meu corpo
como um animal enjaulado. A presença de Devon sempre acalma a fera
dentro de mim, mas com meu ô mega a quilô metros e quilô metros de
distâ ncia, minha raiva aumenta muito facilmente.
E talvez seja com isso que meus inimigos estejam contando. Que me
tornarei selvagem sem meu ô mega, deixando minha matilha vulnerá vel.
Até minha família - até mesmo Dan - está começando a ficar na ponta dos
pés perto de mim novamente. Nem percebi que eles pararam, mas o
contraste desde a ausência dele parece ser tã o ó bvio para eles quanto
para mim.
Já vi o que pode acontecer nestas estradas de montanha quando ocorrem
tempestades. Eles entram em colapso. Ele pode mudar agora, mas é tã o
pequeno, tã o vulnerá vel. E há outros lobos na regiã o que podem estar
cientes da sua presença.
Da sua gravidez.
Os lobos de Stone Hollow sã o idiotas. Tenho certeza que todos sabem
que meu ô mega está em seu territó rio. Eles nã o conseguem evitar bater
os lá bios e a língua.
O que eu fiz?
O que eu permiti?
Quando o reló gio dá uma badalada, nã o aguento mais. Eu me levanto,
minha ansiedade se transformando em fú ria. Chega de esperar. Eu
mesmo descobrirei a verdade, danem-se as consequências. Se meu
ô mega nunca me perdoar, pelo menos saberei que ele está seguro.
Se isso significa que tenho que marcá -lo na frente de cada maldito lobo
de Stone Hollow enquanto eles jazem ensanguentados aos meus pés, que
assim seja.
Isso é amor?

Continua na última parte…


Caro leitor,

Obrigado por escolher este livro! Espero que você tenha gostado da
histó ria desde a primeira pá gina até o final.
Se você tiver um momento de sobra, ficaria extremamente grato se você
deixasse uma avaliaçã o ou resenha deste livro. As resenhas sã o
essenciais para autores independentes, pois sã o um dos melhores canais
para alcançarmos os leitores e divulgarmos nossas histó rias. Cada
avaliaçã o ou crítica me ajuda a divulgar minhas histó rias e alcançar mais
leitores.
Obrigado novamente por se juntar a mim nesta jornada e espero que
você aproveite sua pró xima aventura!

Melhor,
Joel

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