Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia do Rio Grande do Sul
Curso Técnico em Refrigeração e Climatização
110073 – Termologia
Aula 3 – Calorimetria
Prof. Gustavo Simões Teixeira 1
Roteiro
• Calorimetria:
– Conceito de calor;
– Unidade de quantidade de calor;
– Equação fundamental da calorimetria;
– Calor específico;
– Calor sensível e calor latente;
– Capacidade térmica de um corpo;
– Equivalente em água de um corpo;
– Potencial térmico;
– Princípio da igualdade das trocas de calor;
– Calorímetro;
– Exercícios.
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Conceito de calor
• Calorimetria: é a parte da termologia que tem por objetivo a medida
das quantidades de calor que os corpos trocam.
• Conceito de calor:
– Colocando-se dois corpos com temperaturas diferentes, ou em contato
ou na presença um do outro, o corpo de temperatura mais baixa (mais
frio) se aquece, a medida que o corpo de temperatura mais alta (mais
quente) vai se esfriando, até atingirem o equilíbrio térmico.
Conceito de calor
• Isto acontece devido à passagem de energia térmica do corpo mais
quente para o corpo mais frio;
• Esta energia em trânsito recebe o nome de calor.
– Calor é a energia em trânsito, entre dois corpos ou sistemas,
decorrentes apenas da existência de uma diferença de temperatura
(∆T) entre eles.
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Unidades de calor
• Unidades de quantidade de • Outras unidades utilizadas:
calor: – TR (Tonelada de
– Caloria (cal): é a quantidade Refrigeração)
de calor que se deve fornecer – BTU (British Thermal Unit)
a um grama de água para • 1 Watt.h = 860 cal
que, sob pressão normal, • 1 kWatt.h = 860 kcal
passe da temperatura de • 1 BTU = 252 cal = 0,252 kcal
14,5°C a 15,5°C. • 1 kcal = 3,97 BTU
• 1 kcal = 1000 cal • 1 kWatt.h = 3412 BTU
– Unidade de calor no SI: Joule • 1 TR = 12.000 BTU
(J) • 1 TR = 3024 kcal
• 1 J = 0,24 cal
• 1 cal = 4,18 J
Equação fundamental
da calorimetria
• Primeiro princípio:
– Em igualdade de outras condições (mesma substância e mesma
variação de temperatura) a quantidade de calor trocada pelo corpo é
diretamente proporcional à massa do mesmo;
– Se colocarmos sobre uma fonte de calor contínua e constante, dois
corpos de uma mesma substância, à mesma temperatura, mas de
massas diferentes e os deixarmos durante um mesmo intervalo de
tempo em contato com a fonte, verificaremos que o corpo de menor
massa assumirá temperatura mais elevada que o de maior massa;
– Corpos de uma mesma substância, mas de massas diferentes,
assumem variações de temperatura diferentes para uma mesma
quantidade de calor fornecido ou retirado.
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Equação fundamental
da calorimetria
• Segundo princípio:
– Em igualdade de outras condições (mesma substância e mesma
massa) a quantidade de calor trocada por um corpo é diretamente
proporcional à variação de temperatura experimentada pelo mesmo;
– Se colocarmos dois corpos de mesma massa e substância em contato
com uma mesma fonte calorífica, o primeiro durante 2 minutos e o
segundo durante 4 minutos, verificaremos que o segundo experimenta
uma variação de temperatura maior que a do primeiro;
– Corpos de mesma massa e mesma substância, experimentam
variações de temperatura proporcional à quantidade de calor fornecida
ou retirada.
Equação fundamental
da calorimetria
• Terceiro princípio:
– Em igualdade de outras condições (mesma massa e mesma variação
de temperatura) a quantidade de calor trocada por um corpo é
diretamente proporcional a uma constante específica da
substância que constitui o corpo;
– Essa constante (c) é denominada calor específico da substância;
– Calor específico aumenta com o aumento da temperatura!
– Exceção – Água: calor específico diminui de 0°C a 3 5°C, crescendo a
partir de 35°C;
– Exemplo: Para uma elevação de 10°C na temperatura de 1 kg de ferro
são necessárias 1100 cal. Para provocar a mesma variação de
temperatura em 1 kg de cobre são necessárias 940 cal. E, para 1 kg de
água, 10000 cal.
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Equação fundamental
da calorimetria
• Princípios da calorimetria:
– Estes três princípios nos fornecem a expressão geral das quantidades
de calor sensível:
Q = m ⋅ c ⋅ ∆t = m.c.(t f − ti )
– A quantidade de calor cedida ou recebida por um corpo é diretamente
proporcional à massa m do corpo e à variação de temperatura ∆t
sofrida pelo corpo;
– Para que o corpo aumente de temperatura → receber calor;
t f > ti
– Para diminuir de temperatura → ceder calor.
t f < ti
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Calor específico
• Calor específico (c) de uma substância é numericamente igual à
quantidade de calor que se deve fornecer à unidade de massa da
substância para determinar na mesma a elevação de 1°C ou 1 K de
temperatura;
– Unidade de calor específico no SI: J/(kg.°C)
– Outras unidades: cal/(g.°C)
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Exercícios
• Em 200 g de água, a 20°C, mergulha-se um bloco met álico de
400 g, a 50°C. O equilíbrio térmico ocorre a 30°C. Calcular o calor
específico do metal, em cal/g.°C.
• O calor específico de uma determinada substância é igual a
0,5 cal/g.°C. Para que a temperatura de uma amostra de 10 g dessa
substância varie em 10°C, calcule a quantidade de calor que ela
deve receber.
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Calor sensível e
calor latente
• A quantidade de calor que um corpo troca (ganha ou perde) pode
ocasionar, ou não, no mesmo, uma variação de temperatura;
• Toda vez que o corpo troca calor e a sua temperatura varia
diremos que o calor que está recebendo ou cedendo é sensível;
• Se ao receber ou ceder calor o corpo continua com a mesma
temperatura, o calor é dito latente;
• Calor sensível é o calor que um corpo cede ou recebe, variando
sua temperatura:
Q = m ⋅ c ⋅ ∆t
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Calor sensível e
calor latente
• Calor latente é o calor que um corpo cede ou recebe, sem alterar
sua temperatura:
– Neste caso, a energia calorífica é empregada num trabalho de
mudança de fase em vez de acelerar o movimento celular;
– Cada mudança de fase exige, para a mesma quantidade de uma
mesma substância, uma quantidade própria e específica de calor;
– Por exemplo, a água necessita receber 80 cal para cada grama que,
sem variar a temperatura, passa do estado sólido para o estado líquido.
O ferro exige para cada grama 59 cal, enquanto que o para o chumbo
bastam 5,5 cal;
– Se a mudança de fase de 1 g de uma substância exige L calorias, a de
m gramas exigirá:
• Onde L é o calor latente da substância.
Q = m.L
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Calor sensível e
calor latente
• Calor latente de fusão da água:
cal J
L f = 80 = 334.400
g kg
• Calor latente de vaporização da água:
cal J
Lv = 540 = 22.572.000
g kg
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Capacidade térmica
do corpo
• O segundo princípio da calorimetria nos diz que a quantidade de
calor trocada por um corpo é diretamente proporcional à variação
de temperatura experimentada pelo mesmo:
∆Q = ∆t
• Ou seja, em igualdade de outras condições, existe uma razão
constante entre a quantidade de calor ∆Q fornecida a um corpo e a
variação de temperatura ∆t nele produzida;
∆Q
= constante = C
∆t
• Esta razão recebe o nome de capacidade térmica.
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Capacidade térmica
do corpo
• Sabe-se que:
Q = m ⋅ c ⋅ ∆t
m ⋅ c ⋅ ∆t
C= C = m⋅c
• Logo,
∆t
• Numericamente, representa a quantidade de calor que é necessária
fornecer (ou retirar) ao corpo para que sua temperatura experimente
uma variação de 1°C;
• Capacidade térmica ou calorífica é diferente de calor específico!
• Capacidade térmica ou calorífica: característica do corpo;
• Calor específico: característica da substância que constitui o corpo.
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Exercícios
• A capacidade térmica de um corpo sólido é C = 10 cal/°C.
Determine a quantidade de calor que este deve receber para sofrer
uma variação de 20°C.
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Equivalente em água
• É possível exprimir numericamente a capacidade térmica de um
corpo em gramas de água, uma vez que o calor específico da água
é 1 cal/(g.°C);
• Um corpo de capacidade térmica C sofre uma variação de
temperatura ∆t quando recebe uma determinada quantidade de
calor que é dada por:
Q = C.∆t
• Admita essa mesma quantidade de calor Q, causando a mesma
variação de temperatura ∆t numa massa mA de água:
Q = m A .c A .∆t
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Equivalente em água
• Comparando ambas as equações:
C.∆t = c A .m A .∆t c = 1cal/g°C
C = c A .m A C = mA
• A capacidade térmica do corpo é numericamente igual à massa da
água;
• A massa mA que tem a mesma capacidade térmica do corpo é
chamada de equivalente em água do corpo, e representada pela
letra E, geralmente expressa em gramas;
• Ou seja, equivalente em água de um corpo é a massa de água que,
se substituísse o corpo, sofreria a mesma variação de temperatura
que ele, ao receber (ou ceder) a mesma quantidade de calor. 19
Equivalente em água
• Exemplo: A capacidade térmica de 100 g de mercúrio é:
C = m.c → c = 0,033cal / g °C
C = 100.0,033
C = 3,3cal/°C
E = C corpo = 3,3 g
• Do ponto de vista de aquecimento, 100 g de mercúrio comportam-
se como 3,3 g de água;
• Logo, o equivalente em água de 100 g de mercúrio é de 3,3 g de
água.
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Potencial térmico
• O corpo mais quente possui um maior potencial térmico que o corpo mais
frio;
• O calor tem sempre o sentido do potencial mais elevado para o menos
elevado;
• O fato de um corpo estar a uma temperatura mais alta que outro, não quer
dizer que ele possua maior energia térmica, mas sim que o seu potencial
térmico é mais elevado:
– Vamos considerar dois recipientes, um contendo 10 litros de água a
100°C e o outro contendo 1000 litros de água a 30°C;
– Colocando em cada um deles um bloco de gelo a 0°C, e de massa
igual a 1,0 kg, verificamos que no recipiente em que a água está a
100°C, a fusão do gelo é rápida, mas não se completa; enquanto que
no reservatório que contém 1000 litros de água a 30°C a fusão é lenta,
porém total;
– Conclui-se que o reservatório de 1000 litros tem uma quantidade de
calor maior que o primeiro que contém 10 litros de água, embora a
temperatura neste último seja mais elevada.
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Princípio da igualdade
das trocas de calor
• Quando dois ou mais corpos, com temperaturas diferentes, são
colocados em contato, eles trocam calor até atingir o equilíbrio
térmico;
• Considerando o sistema termicamente isolado (sem trocas de
energia com o meio), afirma-se que sua energia térmica total
permanece constante;
• Logo, a quantidade de calor recebida por uns é igual a
quantidade de calor cedida por outros.
∑Q cedido + ∑Q
recebido =0
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Princípio da igualdade
das trocas de calor
• Portanto:
– Quando dois ou mais corpos
trocam calor exclusivamente
entre si, a soma algébrica das
quantidades de calor trocadas
pelos corpos, até atingir o
equilíbrio térmico, é igual a
zero.
Qrecebido = Qcedido
Qrecebido > 0 Qcedido < 0
Qa + Qb + Qc = −(Qd + Qe )
Qa + Qb + Qc + Qd + Qe = 0
∑Q recebido + ∑Q
cedido =0
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Princípio da igualdade
das trocas de calor
• Observações:
– A quantidade de calor recebida por um sistema durante uma
transformação é igual à quantidade por ele cedida na transformação
inversa. Exemplo:
• Levar ao fogo água contida numa panela. Quando o conjunto (água +
panela) estiver quente e apagarmos o fogo deixando esfriar, ele estará
cedendo calor. Portanto, a quantidade de calor recebida pelo conjunto
durante o aquecimento é igual à quantidade de calor cedida pelo mesmo na
transformação inversa (resfriamento).
– O calor só pode passar de um corpo de temperatura mais alta para
outro de temperatura mais baixa.
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Calorímetro
• É qualquer dispositivo
destinado a medir quantidade
de calor;
• Mais comuns:
– Calorímetro elétrico;
– Calorímetro de mistura ou de
Berthelot:
• Vaso de metal (cobre ou
latão);
• Isolante térmico em torno do
vaso (evitar trocas com o
meio);
• Agitador.
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Calorímetro
• Conhecendo a temperatura inicial (ti) do calorímetro e do líquido
calorimétrico (água, mercúrio, etc) e o equivalente em água (E) do
calorímetro (vaso + termômetro + mistura), podemos:
– Obter a temperatura inicial de um corpo de massa e calor específico
conhecidos;
– Obter o calor específico de um corpo de massa e temperatura inicial
conhecidos;
– Obter a capacidade térmica (massa x calor específico) de um corpo
onde só se conhece a sua temperatura inicial.
• Para qualquer desses casos, coloca-se o corpo em estudo em
contato com o líquido calorimétrico, esperar o equilíbrio térmico,
medir a temperatura final (de equilíbrio térmico) e aplicar o 1°
princípio da calorimetria:
∑Q cedido + ∑Q
recebido =0
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Exercícios
• Misturam-se 3 litros de água a 70°C com 18 litros de água a 40°C.
Admitindo-se que a troca de calor se deu apenas entre os líquidos,
determine a temperatura de equilíbrio térmico.
• Um recipiente contem 7 kg de água a 60°C. Qual a menor massa de
gelo a -25°C que deve ser adicionada, para que a te mperatura final
de equilíbrio térmico do sistema seja 0°C?
Considere cgelo = 0,55 cal/g°C
• Dois calorímetros A e B idênticos contém a mesma quantidade de
água a 20°C. No calorímetro A são colocados 100 g d e Al e no B,
300 g de uma liga de Al, com mesma temperatura inicial do Al. Para
que a temperatura de equilíbrio dos dois calorímetros seja a
mesma, qual deve ser o calor específico da liga? Considere
cAl = 0,21 cal/g°C
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Exercícios
• Se duas substâncias diferentes, de massas iguais, e mesma
temperatura, receberem a mesa quantidade de calor, qual sofrerá a
maior variação de temperatura?
• Fornecendo uma energia de 10 J a um bloco de 5 g de uma liga de
Al, sua temperatura varia de 20 a 22°C. Determine o calor
específico da liga de Al.
• Cedem-se 684 cal a 200 g de Fe, a uma temperatura de 10°C.
Sabendo que o calor específico do Fe é 0,114 cal/g°C, determinar a
temperatura final de Fe.
• O que é equivalente em água de um corpo, explique.
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Exercícios
• Um calorímetro de cobre de 100 g contém 60 g de um líquido a
20°C. No calorímetro é colocado um bloco de alumíni o de massa
180 g a 40°C. Sabendo que a temperatura de equilíbr io térmico é
28°C, determine o calor específico do líquido.
Considere cCu = 0,092 cal/g°C e c Al = 0,217 cal/g°C
• Um calorímetro de equivalente em água 30 g contém 250 g de
líquido de calor específico 0,8 cal/g°C a 20°C. Um corpo metálico
de 400 g a 80°C é colocado no interior do calorímet ro. O equilíbrio
térmico se estabelece a temperatura de 52°C. Determ inar o calor
específico do metal.
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