ENDODONTIA - Fanny Castro - ODONTOLOGIA UFPE
Aspectos anatômicos da
cavidade pulpar
- A cavidade pulpar é o espaço existente no interior dos elementos dentários onde
está alojada a polpa dentária
- Circundada por dentina em toda sua extensão, exceto no forame apical
- Topograficamente dividida entre canal radicular e câmara pulpar
● Câmara pulpar - é onde se aloja a polpa coronária
○ Formada por 3 paredes
■ Teto, incisal ou parede oclusal - Parede superior
● Também denominada teto da câmara pulpar, parede oclusal
ou parede incisal
● Representada pela porção de dentina que limita a câmara
pulpar no sentido superior ou oclusal
● Cópia fiel da coroa dentária
● Possui reentrâncias e saliências que correspondem às
cúspides e depressões dos sulcos
● Na abertura coronária, todo o teto deve ser removido, pois
a permanência de algum resquício de teto pode culminar
em escurecimento dental
■ Parede cervical ou assoalho
● É o limite final da câmara pulpar, terminando no início de
formação dos forames dos canais radiculares
● Também denominada assoalho e se situa no sentido oposto
ao teto
● Possui peculiaridades, como sulcos que direcionam os
orifícios de entrada do canal radicular, que auxiliam o
profissional na localização do orifício de entrada dos canais
radiculares
● Existe apenas nos dentes multirradiculares e nunca deve ser
tocado, por ser a área de entrada dos canais radiculares
■ Paredes laterais
● Paredes que circundam a câmara pulpar, correspondendo às
faces externas do dentes
● Serão nomeadas de acordo com a face para qual estão
voltadas
○ Mesial; Distal; Vestibular; Lingual
● São, geralmente, convexas - chamando atenção para palatina
dos dentes anteriores, por possuírem uma projeção de
dentina, a mesial dos molares inferiores e a vestibular dos
molares superiores - Essas regiões exigem desgaste
compensatório
● Canal radicular - espaço ocupado pela polpa radicular, sem relação com a
anatomia externa
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○ Sofre alterações decorrentes da deposição de dentina (envelhecimento do
dente)
○ Se inicia no assoalho da câmara pulpar e tem fim no forame apical
○ Dividido, didaticamente, em terço cervical, médio e apical - à divisão é
feita por meio da divisão por 3 da extensão total
○ Biologicamente é subdividido em canal dentinário e canal cementário
■ Canal dentinário - revestido por dentina
■ Canal cementário - revestido por cemento
● Constituído por tec. conjuntivo maduro, sem
dentinoblastos, mas rico em fibras e
cementoblastos
● Tem grande importância na reparação
apical
- A junção do canal cementário, dentinário e radicular é
denominado limite CDC - primeira constrição apical ou forame
apical menor-, que é o limite da instrumentação endodontia
- A segunda constrição apical é denominado forame apical ou
forame apical maior
- Coto pulpar - fonte reserva de células pluripotentes
○ Porção final do canal dentinário, formado por tecido
indiferenciado, em dentes saudáveis
○ Em polpa necrosada, o coto não existe
- Vértice pulpar - ponta mais externa do dente, a partir do vértice até a ponta da
cúspide é medido o comprimento aparente do dente
Sistema de canais
O canal não é uma estrutura única, sendo subdividido em um sistema, no qual cada
canalículo - subcanal - recebe uma denominação
○ Canal principal - é visualizado na radiografia e é onde é feita a instrumentação
■ Se estende do assoalho até o forame
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○ Canal colateral - paralelo ao canal principal
○ Interconduto - une o canal principal ao colateral
○ Canal lateral - deriva do canal principal e se estende até cemento ou ligamento
periodontal
■ Liga o principal ao periodonto, acima do terço médio
○ Canal secundário - deriva do canal principal e se estende até cemento ou
ligamento periodontal
■ Liga o principal ao periodonto, abaixo do terço médio
○ Canal acessório - deriva do canal secundário e se estende para região de
periodonto
■ Liga o secundário ao cemento
○ Canal recorrente - deriva do canal principal e retorna a ele
■ Comum nos molares inferiores e na raiz mésio-vestibular dos molares
superiores
○ Delta apical - canal principal dividido em múltiplas ramificações no seu terço apical
■ Formado devido à presença de vasos nesta região durante a rizogênese
- Frequência geral de ramificações:
❖ Geral - 75%; Molares inferiores - 90%; Pré-molares superiores - 80%
○ Canal Cavo ou Cavo interrradicular
■ Localizado no assoalho da câmara, a ligando ao espaço interradicular, na
região de furca dos dentes multirradiculares
○ Foraminas - podem estar no assoalho ou na região apical
○ Ápice radicular - porção terminal da raiz, que reflete o grau de maturidade do dente
■ As alterações que ocorrem na região periapical repercutem sob a forma de
absorção ou aposição irregular de cemento
■ Pois a primeira resposta frente a infecção é a reabsorção radicular
○ Forame apical - é a principal abertura por onde passam os vasos e nervos que
suprem a polpa
■ O fim do canal radicular - forame apical - situa-se quase sempre em um dos
lados da raiz e, raramente, no seu vértice, mesmo em raízes retilíneas,
apresentando o forame localizado para-apicalmente
● Forame e vértice só coincidem em 30% dos casos
■ Localizado, em média, de 1.39 à 1.5 mm do ápice e possui diâmetro de o.26
mm
○ Forame apical X Ápice radicular
■ A ponta do ápice não coincide com o forame apical
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Classificação dos sistemas de canais radiculares
- Classificação de Weine (1969)
● Tipo I: um canal se estende da câmara pulpar ao ápice - configuração 1
● Tipo II: dois canais distintos deixam a câmara pulpar, mas convergem perto
do ápice para formar um canal radicular - configuração 2-1
● Tipo III: dois canais distintos se estendem da câmara pulpar ao ápice -
configuração 2
● Tipo IV: um canal deixa a câmara pulpar e se divide perto do ápice em dois
canais distintos - configuração 1-2
- Classificação de Vertucci (1984)
● Tipo I: um único canal que se estende a partir da câmara pulpar para o ápice
- configuração 1
● Tipo II: dois canais separados que se unem no ápice para formar um canal -
configuração 2-1
○ Geralmente encontrado em mésio-vestibular de molares superiores
● Tipo III: um canal que se divide em dois dentro da raiz e se transforma em
um canal - configuração 1-2-1
○ Geralmente encontrado em incisivos inferio
● Tipo IV: dois canais separados e distintos se estendem da câmara pulpar até
o ápice - configuração 2-2
○ Geralmente encontrado em pré-molar superior
● Tipo V: um canal deixa a câmara pulpar e se divide aquém do ápice em dois
canais distintos com forame apical separado - configuração 1-2.
● Tipo VI: dois canais separados deixam a câmara pulpar, fundem-se no corpo
da raiz, e se dividem no ápice para sair como dois canais distintos -
configuração 2-1-2
● Tipo VII: um canal deixa a câmara pulpar,
e, em seguida, divide-se e reencontra-se
dentro do corpo da raiz. Depois, divide-se
em dois canais curtos e distintos no ápice
- configuração 1-2-1-2
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● Tipo VIII: três canais separados e distintos estendem-se desde a câmara
pulpar com o ápice - configuração 3
Estudo anatômico de acordo com o grupo dental
● Incisivo central superior
○ Câmara pulpar: acompanha a anatomia externa do dente, ou seja, largo no
sentido proximal e fino sentido vestíbulo-lingual
■ Grande achatamento no sentido vestíbulo-palatino
○ Canal radicular: canal único de forma cônico-piramidal
■ Se localiza centralizado, em relação à raíz - importante na hora da
abertura coronária, para posicionar a broca de maneira centralizada
■ Reto em 75% dos casos
■ Tem entre 21 e 23 mm. de comprimento
■ Em corte transversal do canal:
● Terço apical - forma circular
● Terço médio - forma ovalada, com o maior lado para a
vestibular
● Terço cervical - forma cônica triangular, com base para a
vestibular
● Incisivo lateral superior
○ Câmara pulpar: semelhante ao incisivo central, mas de
forma reduzida, porém proporcionalmente mais volumosa
○ Canal radicular: único e delgado
■ Achatado e com forte inclinação disto-lingual - 97%
dos casos
■ Ligeiro achatamento proximal
■ Apenas 0,4% são retos
● Canino superior
○ Câmara pulpar: acompanha a anatomia externa do dente
■ Máximo de largura na região do colo, filiando-se para
oclusal
■ Maior diâmetro no sentido vestíbulo-lingual
○ Canal radicular: único e reto, de secção oval
■ Achatamento proximal
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● Incisivo central inferior
○ Câmara pulpar: semelhante ao incisivo central superior,
porém, apresenta um ombro palatino que dificulta a
localização dos canais, sendo necessária a realização de um
desgaste compensatório
■ Forma elipsóide com achatamento proximal
○ Canal radicular: único achatamento mésio-distal, apresenta
septo de dentina em 70% ou bifurcação em 3,2% dos casos
● Incisivo lateral inferior
○ Câmara pulpar e canal radicular: semelhante ao incisivo central inferior
■ 84% - canal único
■ 54% - raiz reta
■ 33% - inclinação distal
■ 11% - inclinação vestibular
● Canino inferior
○ Câmara pulpar: semelhante ao canino superior, porém,
em menor tamanho
○ Canal radicular: único e reto (99%); 20% em direção distal
● Primeiro pré-molar superior
○ Câmara pulpar: ovóide e com achatamento mésio-distal,
ou seja, mais amplo no sentido vestíbulo-palatino
■ O teto apresenta duas saliências, correspondendo
às cúspides V-L, sendo a cúspide vestibular mais
proeminente e, por conseguinte, a saliência
vestibular mais proeminente
○ Canal radicular: 85% apresentam 2 canais e de secção
circular
■ 0,3% apresentam 3 raízes
■ Quando apresentam um canal, é achatado no sentido mésio-lingual
■ Canal vestibular - piramidal; Canal lingual - cônico
● Segundo pré-molar superior
○ Câmara pulpar: ovóide e com maior diâmetro do que a do 1°PMS
○ Canal radicular:
■ Único em 55-60% dos casos e com achatamento mésio-distal; é
ovóide
■ É comum a presença de septo dentinário na raiz,
dividindo o canal em dois
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● Primeiro molar superior
○ Câmara pulpar: cubóide, irregular e com achatamento mésio-distal
■ Possui assoalho triangular, com vértice para lingual
■ Paredes laterais convexas, principalmente a mesial
■ Teto apresentar saliências correspondentes ao número de cúspides
■ A presença de 4 canais é muito comum - A localização mais comum
do 4° canal é na mésio-central, vestibular ou palatina
○ Canal radicular: geralmente tem 3 raízes, que se apresentam separadas em
100% dos casos
■ 90% apresentam 2 canais na raiz mésio-vestibular
■ Canal mésio-vestibular: achatado no sentido mésio-distal
● 98% apresentam dois canais
● Dois orifícios fundido-se em um único forame
● 21% são retos e 78% em direção distal
■ Canal mésio-lingual: cônico
■ Canal disto-vestibular:
● Único e mais curso e atresiado com secção arredondada
● 54% retos e 17% em direção mesial
■ Canal palatino: piramidal
● Único, de grosso calibre e achatado na direção mésio-lingual
● 63% retos e 37% direção vestibular
● Segundo molar superior
○ Câmara pulpar: semelhante ao primeiro molar superior, porém com um
maior achatamento mésio distal - menor em volume
○ Canal radicular: geralmente apresenta 2 raízes separadas, em 50% dos
casos, com uma grande variedade de fusionamento
■ Em 55% dos casos, as raízes são separadas e, em 70% dos casos,
há 3 canais
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■ Canal palatino: piramidal, reto em 63% dos casos e em direção
vestibular em 37% dos casos
■ Canal mésio-vestibular: achatado MD, reto em 22% dos caso e em
direção distal em 54% dos casos
● Terceiro molar superior
○ Não apresenta padrão anatômico e apresenta o maior número de
variabilidade morfológica, número e direção das raízes
○ Para o seu tratamento, é necessário um acurado exame radiográfico, a fim
de evitar surpresas
● Primeiro molar inferior
○ Câmara pulpar: cubóide, tendendo à triangular no assoalho, próximo à
região de furca (vértice distal), ou quadrangular se ele tiver dois canais na
distal
■ Teto com saliências correspondendo às cúspides
■ Parede mesial com grande convexidade, o que pode exigir um
desgaste compensatório
○ Canal radicular: 2 raízes distintas e separadas
■ Em 78% dos casos, apresenta 3 raízes: mésio-vestibular;
mésio-lingual e distal
■ Em 14% dos casos, apresenta dois canais distintos
■ Canais mesiais: atresiados, longos, arredondados e curvos
● Os canais mesiais podem terminar em um único forame, em
dois forames distintos e canais paralelos ou como um único
canal amplo
■ Canal distal: reto em 74% dos casos e achatado no sentido
mésio-distal
■ Pode apresentar a terceira raiz, denominada Radix entomolaris
quando está disto-lingual e Radix paramolaris quando está
mésio-vestibular
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● Segundo molar inferior
○ Câmara pulpar: semelhante ao primeiro molar, variando apenas ao número
de reentrâncias correspondente ao número de cúspides
○ Canal radicular: em 71% dos casos, apresenta 2 canais separados
■ O restante, os mais diversos tipos de fusionamento
■ Pode apresentar o canal distal em forma de “C”, com uma
incidência de 50%
● Fusionamento entre as raízes disto-vestibular e disto-lingual
● Assoalho com aspecto de “C”
● Terceiro molar inferior
○ Não apresenta padrão anatômico e apresenta o maior número de
variabilidade morfológica, número e direção das raízes
○ Para o seu tratamento, é necessário um acurado exame radiográfico, a fim
de evitar surpresas