Ética e Educação
Domingos Faria
[email protected]
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Questão/Problema
Será que ensinar/educar é uma atividade com uma dimensão
ética?
Questão da ética no ensino/educação
Algumas ideias de Clara Sabbagh em Ethics and Teaching :
Por vezes tende-se a retratar o papel do professor como uma
profissão moralmente neutra, em que o professor é apenas
responsável pela transmissão de conhecimentos e
competências intelectuais que podem ser avaliados
objectivamente.
No entanto, pensadores antigos como Platão e Confúcio, ou
modernos como Rousseau e Dewey, salientam que o ensino
não é um “conjunto de desempenhos mecânicos julgados pela
qualidade do produto”.
Pelo contrário, é uma “missão de serviço” ou “uma vocação”
que é genericamente subserviente a uma variedade de fins
morais.
Questão da ética no ensino/educação
De forma mais simples, ensinar é uma atividade com uma
dimensão ética/moral, porque o professor tem o poder de
ajudar e de prejudicar outras pessoas. Conseguir ajudar e
evitar prejudicar são as primeiras responsabilidades de todos
os professores.
De acordo com esta abordagem, o papel do professor é
inseparável do seu papel moral. Ou seja, no
ensino/educação há a preocupação não só com o fomento do
domı́nio da matéria pelos estudantes, mas também com o seu
desenvolvimento como pessoas morais e cidadãos numa
sociedade democrática.
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Ética no ensino/educação
Mais concretamente, onde podemos ver a ética no
ensino/educação?
Ao ensinarem os professores são guiados por concepções sobre
o que é (ou deve ser) educar uma pessoa.
Assim, assumem que certas formas de ensino são melhores do
que outras, que certos comportamentos merecem ser
melhorados, que certos traços de personalidade são
importantes desenvolver, etc.
Ora, isso equivale a fazer uma avaliação moral/ética sobre o
que é certo ou errado, bom ou mau, digno ou indigno.
Ética no ensino/educação
Há uma variedade de formas explı́citas e implı́citas em que os
professores incorporam a moralidade/ética na sua prática.
Exemplos:
Os professores podem recompensar ou punir o comportamento
dos alunos, julgando assim um comportamento melhor do que
outro.
Ou podem encorajar os estudantes a aprender determinadas
competências e desenvolver o seu potencial de uma certa
forma, implicando assim que capacidades são mais valiosas.
Ou podem ensinar padrões de sucesso e, desta forma,
influenciar as escolhas básicas do aluno na vida.
Ou podem retratar certas qualidades, tais como honestidade,
ou paciência ou tolerância, como virtudes éticas a desenvolver.
Ética no ensino/educação
Tais práticas de ensino pressupõem concepções especı́ficas do
que significa viver uma vida mais digna do ponto de vista
ético, ou mais moral.
Neste sentido, os professores têm a responsabilidade na
promoção da ética nos alunos, na preparação de “bons
cidadãos”, aptos a participarem numa comunidade cı́vica
organizada.
Os professores estão constantemente a transmitir concepções
de moralidade aos seus alunos. Por exemplo, as decisões
pedagógicas - tal como ensinar de uma forma e não de outra,
enfatizar uma habilidade à custa de outra, punir ou não punir
- geralmente envolvem decisões e avaliações morais.
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Exemplos concretos da ética na educação
Questões/problema éticos concretos na educação/ensino:
Que técnicas devem ser utilizadas para lidar com estudantes
perturbadores? Será aceitável um professor, frente a toda a
turma, fazer o seguinte comentário para um aluno “O teu
comportamento na aula é vergonhoso, pior do que o do meu
filho de 5 anos num dia mau”? E se for em privado?
O plágio numa apresentação oral será menos grave do que
num trabalho escrito? Será que o facto do plágio oral não ser
permanente (ou seja, é pronunciado e depois desaparece)
significa que é também uma violação menos grave da ética do
que o plágio escrito?
Haverá algum problema em dar testes de avaliação surpresa?
Haverá algum problema em dar exatamente o mesmo teste a
várias turmas em diferentes momentos?
Exemplos concretos da ética na educação
Questões/problema éticos concretos na educação/ensino:
Será que os métodos de avaliação devem ser iguais para todos
ou podem variar de aluno para aluno?
Quão “fortes” devem ser as provas necessárias antes de se
acusar um aluno de fazer “copianço”? Que exemplos são
esses? Como lidar com esses casos?
Que desafio éticos trazem as novas tecnologias para o
ensino/educação (por exemplo o ChatGPT)?
Atividade: Analisar o texto ≪ChatGPT: Alerta geral para
“copianço”!≫ de Luı́s Horta: https://w.dfaria.eu/chatgpt
Quais são os desafios éticos do ChatGPT na educação/ensino
e como lidar com eles? Como devemos avaliar os alunos?
Exemplos concretos da ética na educação
PROBLEMA: Como são feitas estas escolhas e avaliações
éticas no contexto do ensino/educação? Que princı́pios
podem guiar as decisões éticas na prática pedagógica?
Ao longo da história da humanidade, vários pensadores
desenvolveram diferentes princı́pios para guiarem as nossas
decisões éticas.
O estudo dessa área é conhecida como “ética normativa”.
A ética normativa tem várias abordagens, sendo tipicamente
dividida em três grupos principais: ética deontológica, ética
consequencialista, e ética das virtudes.
Estas três abordagens influenciaram grande parte da atual
investigação educacional sobre os valores, ideais éticos, ou
ideais orientadores dos professores.
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Introdução à Ética Normativa
Com o estudo da ética normativa queremos saber o que faz uma
ação ser correta ou incorreta, ou seja, quais são os princı́pios da
vida ética. O que faz uma ação ser correta?
O enigma do elétrico
CASO (1): O elétrico desgovernado
Maria está a conduzir um elétrico. Quando chega a uma descida,
descobre que os travões deixaram de funcionar. E, para piorar as
coisas, há cinco trabalhadores na linha que não terão tempo para
se aperceber da aproximação do veı́culo. De modo a evitar que
essas pessoas morram atropeladas, Maria só tem uma hipótese:
desviar o elétrico para outra linha. O problema é que nessa linha
também está uma pessoa que não terá tempo para fugir. Ainda
assim, Maria desvia o elétrico, o que resulta na morte dessa
pessoa. Será que Maria agiu bem?
O enigma do elétrico
CASO (2): O homem pesado
José está numa ponte que atravessa a linha do elétrico. Percebe
que o veı́culo está descontrolado e que irá atropelar mortalmente
cinco pessoas. (Desta vez não há alternativa!) Ao lado de José,
no entanto, está um homem espantosamente corpulento. “Se eu
o atirar para a linha no momento certo”, pensa José, “isso será
suficiente para o elétrico parar”. José empurra o homem para a
linha. Embora ele morra atropelado, o seu corpo revela-se
suficientemente pesado para deter o elétrico. As pessoas que
estavam na linha não são atingidas. Será que José agiu bem?
O enigma do elétrico
ENIGMA: Haverá uma diferença relevante entre os casos (1) e
(2)? Se sim, onde está essa diferença?
Uma possı́vel solução:
◮ A diferença entre os atos de Maria em (1) e de José em (2)
reside nas suas intenções.
◮ José maltratou intencionalmente um inocente.
◮ Maria limitou-se a desviar o elétrico para outra linha, sendo a
morte de uma inocente apenas um efeito colateral ou um
efeito meramente previsto daquilo que ela pretende realmente.
Será que esta uma boa solução?
◮ Alguns pensadores não concordam com a ideia de resolver o
enigma do elétrico em termos de intenções.
◮ Isto porque aquilo que um agente tem a intenção de fazer não
torna melhor nem pior aquilo que faz.
Introdução à Ética Normativa
Para o consequencialismo há uma única norma moral fundamental:
Raciocı́nio consequencialista
Devemos fazer sempre aquilo que tenha as melhores
consequências.
Segundo esta norma, como podemos descobrir o que é certo
fazer?
◮ Comparamos as consequências de cada um dos atos
alternativos à nossa disposição, ponderando tudo o que cada
um desses atos trará de bom e de mau, e depois escolhemos o
ato que resulte no maior bem.
Nos casos (1) e (2) do elétrico, Maria e José agiram
corretamente para um consequencialista?
◮ Sim, pois ambos realizaram o ato com melhores consequências
(ambos salvaram cinco pessoas e a alternativa seria pior).
O deontologismo não faz a avaliação moral depender exclusivamente das
consequências; assim, o deontologismo diz-nos que:
Raciocı́nio deontológico ou categórico
Há coisas que não podemos intencionalmente fazer, mesmo que tenham as
melhores consequências, i.e., há certas restrições na promoção do bem.
Mas, que restrições são essas?
◮ Essas restrições estão, geralmente, associadas a certos direitos
fundamentais dos indivı́duos (como o direito à vida, à
liberdade, etc).
Nos casos (1) e (2) do elétrico, Maria e José agiram corretamente
para um deontologista?
◮ O José não agiu bem, pois violou os direitos morais do homem
pesado, maltratando-o intencionalmente sem o seu
consentimento.
◮ A Maria agiu bem, pois apesar da morte de uma pessoa, não
violou o seu direito à vida porque não a matou
intencionalmente.
Introdução à Ética Normativa
Problema/Questão
O que é mais plausı́vel na ética? Um raciocı́nio consequencialista
ou deontológico?
Quiz: https://dfaria.eu/moral
TPC – The Last of Us – Será moralmente aceitável sacrificar a
vida de um inocente para salvar milhares de vidas? O que diria um
consequencialista acerca deste caso? E um deontologista?
Consequencialista – pode justificar-se sacrificar um inocente
para assegurar o maior total de bem-estar agregado que
resultaria do desenvolvimento da cura para o vı́rus.
Deontologista – não se pode justificar sacrificar um inocente,
ainda que isso tenha as melhores consequências, pois está a
violar-se uma restrição deontológica.
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
John Stuart Mill, no século XIX, foi um dos principais defensores
do utilitarismo.
A tese principal defendida pelo utilitarismo é o Princı́pio da
Maior Felicidade.
T1. “A doutrina que aceita como fundamento da moral
a utilidade, ou princı́pio da maior felicidade, defende que
as ações são corretas na medida em que tendem a promo-
ver a felicidade, e incorretas na medida em que tendem a
gerar o contrário da felicidade. Por felicidade entendemos
o prazer, e a ausência de dor; por infelicidade, a dor, e a
privação de prazer”.
Stuart Mill, Utilitarismo, Gradiva, pp. 50-51.
Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
Princı́pio da Maior Felicidade (PMF)
Uma ação é moralmente correta se, e só se, tendo em conta as
alternativas, for aquela que resulta numa maior felicidade geral.
Caso contrário, a ação é moralmente errada.
As ideias principais do PMF são as seguintes:
1. Um ato ser certo ou errado depende de um único fator: a sua
contribuição para a felicidade. (Consequencialismo)
2. Conceito de felicidade: prazer. (Hedonismo)
◮ Hedonismo = A felicidade ou bem-estar de um indivı́duo
consiste unicamente no prazer e na ausência de dor ou
sofrimento (em termos qualitativos).
Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
T2. “Esse padrão [utilitarista] não é a maior felicidade
do próprio agente, mas a maior porção de felicidade no
todo. [...] Pode ser, na sua máxima extensão, garantida a
toda a humanidade; e, não apenas à humanidade, mas na
medida em que a natureza das coisas o permitir, a todas
as criaturas sencientes.” (pp. 56-57)
T3. “O motivo [intenção] nada tem a ver com a mora-
lidade da ação, embora tenha muito a ver com o valor do
agente. Quem salva um semelhante de se afogar faz o que
está moralmente correto, quer o seu motivo seja o dever,
ou a esperança de ser pago pelo seu incómodo; quem trai
a confiança de um amigo, é culpado de um crime, ainda
que o seu objetivo seja servir outro amigo para com o qual
tem deveres ainda maiores”. (p. 65)
Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
T4. “Seria absurdo que a avaliação dos prazeres [fe-
licidade] dependesse apenas da quantidade, dado que ao
avaliar todas as outras coisas consideramos a qualidade
a par da quantidade. (...) É um facto inquestionável que
aqueles que estão igualmente familiarizados com [dois pra-
zeres], e são igualmente capazes de os apreciar e gozar, dão
uma acentuada preferência ao modo de vida no qual se faz
uso das faculdades superiores. Poucas criaturas humanas
consentiriam em ser transformadas em qualquer um dos
animais inferiores, a troco da máxima quantidade dos pra-
zeres de um animal”.
Stuart Mill, Utilitarismo, Gradiva, pp. 52-53.
Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
Recapitulando:
O utilitarismo defende o Princı́pio da Maior Felicidade (PMF).
De acordo com o PMF, uma ação é correta quando produz a
maior felicidade para o maior número. Ou seja, quando
maximiza imparcialmente o bem.
◮ Aquilo que importa promover não é a felicidade do próprio
agente, mas a felicidade geral.
◮ A melhor escolha será aquela que, de um ponto de vista
imparcial, promove a maior felicidade geral.
◮ Na avaliação de um ato, o que interessa são as melhores
consequências (o que resultará desse ato); sendo irrelevante o
motivo ou intenção do agente (a razão pela qual queremos
fazer algo).
◮ A felicidade é entendida em termos de prazer qualitativo.
Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
Exercı́cios
De um milionário prestes a morrer recebo um cheque de 500 mil
euros. Comprometo-me a cumprir a sua última vontade: entregar
essa quantia ao presidente do seu clube de futebol preferido.
Contudo, a caminho do estádio, uma campanha contra a fome no
mundo chama a minha atenção. Surge um conflito: devo ser fiel
à minha promessa ou contribuir para salvar milhares de vı́timas
de fome?
1. Seguindo a ética utilitarista, qual seria a ação correta?
Porquê?
2. Concordas com essa ação utilitarista? Justifica.
Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
Exercı́cios
Imagina que és um bombeiro e estás prestes a efetuar um
salvamento. Uma casa está a arder e as pessoas não conseguem
sair de lá. Numa parte da casa (área A) está apenas uma pessoa
e na outra parte oposta da casa (área B) estão quatro pessoas.
Tu só tens tempo de ir a uma das partes da casa. O que deves
fazer?
1. Seguindo a ética utilitarista, qual seria a ação correta?
Porquê?
2. Concordas com essa ação utilitarista? Justifica.
3. E se na área A estiver um teu amigo e na área B estiverem
quatro estranhos?
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
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14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
Quiz
https://dfaria.eu/quiz/mill
Para Debater
Como seria uma educação, professor/a, ou sala de aula regida
por uma ética utilitarista? Que vantagens e desvantagens teria
uma abordagem desse tipo?
Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
Nel Noddings (2003) Happiness and Education (Cambridge):
A felicidade deve ser um objectivo de educação, e um bem
educacional deve contribuir significativamente para a felicidade
pessoal e colectiva. (...) As crianças (e os adultos) aprendem
melhor quando estão felizes. (...) No entanto, a dificuldade é
um aspecto inevitável da aprendizagem; nós, educadores, não
precisamos inventar dificuldades para os nossos alunos, e os alu-
nos que geralmente estão felizes com os seus estudos têm mais
condições de dar sentido a momentos difı́ceis e superá-los com
alguma satisfação. (...) Pessoas felizes raramente são mesqui-
nhas, violentas ou cruéis. (...) A nossa orientação básica para
a educação moral, então, deveria ser um compromisso com a
construção de um mundo em que seja possı́vel e desejável que
as crianças sejam boas – um mundo em que as crianças sejam
felizes. (pp. 1-2)
Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
Nel Noddings (2003) Happiness and Education (Cambridge):
Além do prazer, concordamos com J. S. Mill que a
ausência de dor contribui para a felicidade ou, pelo menos,
que a dor nos torna infelizes. Ao reduzir a dor, fizemos,
indiscutivelmente, alguns progressos. Os leitores de hoje
estão, com razão, chocados com as observações destruido-
ras de almas dirigidas aos alunos pelos professores mesmo
há trinta anos. Os professores têm de ser, e a maioria
quer ser, mais cuidadosos e atenciosos agora, mas muitos
abusos permanecem. Sarcasmo e observações humilhantes
não têm lugar na sala de aula, mas ainda assim ocorrem.
(p.254)
Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
Nel Noddings (2003) Happiness and Education (Cambridge):
A atmosfera das salas de aula deve refletir o desejo
universal de felicidade. Deve haver um mı́nimo de dor (e
nenhuma deliberadamente infligida), muitas oportunida-
des de prazer e reconhecimento aberto da conexão entre
o desenvolvimento de disposições desejáveis e a felicidade.
(...) O método de intervenção imediata, explicação e de-
monstração de um caminho melhor deve ser usado quando
ocorrerem infrações. As histórias também podem ser usa-
das, mas devem convidar ao pensamento crı́tico, não à
admiração cega. (p. 246)
Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
Nel Noddings (2003) Happiness and Education (Cambridge):
Se aceitarmos a felicidade como objetivo da
educação, estaremos preocupados tanto com a qualidade
da experiência presente quanto com a provável contri-
buição dessa experiência para a felicidade futura. Tudo
o que fizermos será avaliado à luz desse objetivo e de ou-
tros que tenham sido avaliados como compatı́veis com ele.
(p. 251)
Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
Clara Sabbagh em Ethics and Teaching (p. 686), faz uma sı́ntese:
A tese central, do livro Happiness and Education (2003) de
Nel Noddings, é a de que as boas práticas de ensino podem
ajudar promover a felicidade para todos.
A promoção da “felicidade para todos” como um objectivo
moral educativo justifica-se por vários motivos:
1. As pessoas felizes parecem ser boas (por exemplo, menos
violentas ou cruéis).
2. Uma maior ênfase na felicidade pode reforçar a motivação dos
estudantes para aprender e aumentar a sua experiência positiva
na escola.
3. Os professores e as escolas podem facilitar a auto-realização
dos alunos numa grande variedade de domı́nios.
Será plausı́vel este objetivo moral/ético da educação?
Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
Seguindo Clara Sabbagh (2009), esta abordagem consequencialista
(utilitarista) da educação pode ser questionada, pois:
Negligencia o valor do trabalho árduo, que muitas vezes é
necessário para a auto-realização.
Por outras palavras, o sofrimento, tal como a felicidade, é
uma parte integrante da vida que pode levar uma pessoa (ou
um estudante) a tornar-se moralmente melhor.
Será esta uma boa crı́tica?
Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
Outra possı́vel crı́tica:
A felicidade geral pode ser o melhor dos fins, mas nem sempre
os fins justificam os meios; ou seja, existem certas formas de
maximizar o bem que não são eticamente permissı́veis.
Um exemplo da permissividade excessiva do utilitarismo:
A Sara é uma cirurgiã especializada na realização de trans-
plantes. No hospital em que trabalha enfrenta uma terrı́vel
escassez de órgãos – cinco dos seus pacientes estão prestes a
morrer devido a essa escassez. Onde poderá ela encontrar os
órgãos necessários para salvá-los? O Jorge está no hospital a
recuperar de uma operação. A Sara sabe que o Jorge é uma
pessoa solitária – ninguém vai sentir a sua falta. Tem então a
ideia de matar o Jorge e usar os seus órgãos para realizar os
transplantes, sem os quais os seus pacientes morrerão.
Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
Consideramos a ideia da Sara abominável. Mas de acordo
com o utilitarismo, nada há de errado em matar o Jorge (pois,
permitiria salvar cinco pessoas que de outro modo morrerão).
Haverá casos semelhantes na educação/ensino?
Por exemplo, seguindo uma ética utilitarista o professor ao dar
prioridade aos alunos mais capazes pode maximizar a
felicidade agregada da turma, ainda que negligencie um aluno
com necessidades especiais. Contudo, isso é problemático do
ponto de vista moral.
Não parece correto sacrificar alguns em prol da maior
felicidade global ou agregada. Gera uma situação de injustiça.
Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
Considere-se que temos duas turmas T 1 e T 2 cada qual com 5
alunos, e a seguinte distribuição de desempenho:
A1 A2 A3 A4 A5 Total
T1 19 18 7 16 20 80
T2 17 15 12 14 18 76
Exercı́cio:
Qual é a melhor turma de acordo com uma perspetiva
utilitarista?
E qual é a turma mais justa?
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
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7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
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15. Revisões
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
Quiz
https://dfaria.eu/quiz/kant
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
Immanuel Kant, no século XVIII, foi um dos principais defensores
do deontologismo.
Kant desenvolveu a sua ética deontológica sobretudo no livro
“Fundamentação da Metafı́sica dos Costumes” (1785).
T1. A natureza racional existe como um fim em si. É as-
sim que o homem se representa necessariamente a sua própria
existência. (...) Mas é também assim que qualquer outro ser ra-
cional se representa a sua existência. (...) O imperativo prático
será pois o seguinte: Age de tal maneira que uses a tua hu-
manidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer
outro, sempre e simultaneamente como fim e nunca simples-
mente como meio.
– Kant, Fundamentação da Metafı́sica dos Costumes, p. 73.
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
Teoria ética de Kant
Uma ação é moralmente correta se, e só se, não infringe as
regras morais corretas.
As regras morais corretas são aquelas que passam no teste
do imperativo categórico; assim, as regras morais corretas são:
(1) aquelas que podemos querer que sejam adoptadas
universalmente; (fórmula da lei universal)
(2) aquelas que nos levam a tratar as pessoas como fins, e não
como meros meios. (fórmula do fim em si)
Mas, o que são imperativos? E como Kant os distingue?
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
Para Kant os imperativos categóricos são os nossos deveres
absolutos. Mas, como descobrimos qual é o nosso dever numa
dada circunstância?
Formulações do imperativo categórico
Kant formula o imperativo categórico de diversas formas para
determinar quais são os nossos deveres. As formulações centrais
são as seguintes:
(1) A fórmula da lei universal.
(2) A fórmula do fim em si.
Ainda que nos pareçam muito diferentes, para Kant são apenas
maneiras distintas de exprimir a mesma ideia (p. 84).
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
T2. O imperativo categórico (...) é este: Age apenas
segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo
querer que ela se torne lei universal. (...) Temos que po-
der querer que uma máxima da nossa ação se transforme
em lei universal: é este o cânone pelo qual a julgamos mo-
ralmente em geral. Algumas ações são de tal ordem que a
sua máxima nem sequer se pode pensar sem contradição
como lei universal da natureza, muito menos ainda se pode
querer que devem ser tal. Em outras não se encontra, na
verdade, essa impossibilidade interna, mas é contudo im-
possı́vel querer que a sua máxima se erga à universalidade
de uma lei da natureza, pois que uma tal vontade se con-
tradiria a si mesma.
– Kant, Fundamentação da Metafı́sica dos Costumes,
pp. 62, 66.
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
Fórmula da Lei Universal
Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo
tempo querer que ela se torne lei universal.
A ideia é que devemos agir apenas de acordo com regras
(máximas) que podemos querer que todos os agentes
adotem.
Isto não consiste em ver se teria boas ou más consequências
que todos agissem de acordo com uma determinada regra
(máxima).
Consiste, antes, em mostrar se é ou não possı́vel todos
agirem segundo essa regra (máxima).
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
De uma forma mais prática, o teste é o seguinte:
Questões:
(1) Que regra (máxima) estamos a seguir se realizarmos esta
ação?
(2) Estamos dispostos a que essa regra (máxima) seja seguida por
todos e em todas as situações? Ou seja, (i) é possı́vel todos
agirem segundo essa regra? E, caso isso seja possı́vel, (ii)
podemos consistentemente querer que assim seja?
Respostas:
SIM: essa regra (máxima) torna-se lei universal e,
consequentemente, o ato é moralmente permissı́vel.
NÃO: essa regra (máxima) não pode ser seguida e,
consequentemente, o ato é moralmente proibido.
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
Alguns exemplos:
Ex1: Pessoa em apuros que decide pedir dinheiro emprestado,
prometendo restituir o dinheiro, mas não tem a intenção de o
devolver.
Será que este exemplo passa no teste do imperativo
categórico?
◮ Não. Porque (1) a máxima é “faz promessas com a intenção
de as não cumprires”. E (2) esta máxima não poderia
tornar-se lei universal; pois, se todos fizessem promessas com a
intenção de as não cumprirem, a própria prática de fazer
promessas desapareceria (uma vez que esta baseia-se na
confiança entre as pessoas).
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
Alguns exemplos:
Ex2: Pessoa que se recusa a auxiliar os necessitados.
Será que este exemplo passa no teste do imperativo
categórico?
◮ Não. Porque (1) a máxima é “recusa-te sempre a ajudar os
outros”. E (2) trata-se de uma máxima que não podemos
querer ver transformada em lei universal; pois algures, no
futuro, essa mesma pessoa poderá precisar de assistência dos
outros, e não quererá de forma consistente que os outros sejam
indiferentes ao seu problema.
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
Alguns exemplos:
Ex3: O Henrique usou cábulas e copiou no exame de Ética. De
facto, ele não se sentia preparado, pois no dia anterior ao exame foi
com os amigos para o bar e, assim, não teve tempo para estudar.
Será que este exemplo passa no teste do imperativo
categórico?
◮ Não. Porque (1) a máxima é “sempre que não te sentires
preparado para um exame irás usar cábulas ou copiar”. E (2)
trata-se de uma máxima que não podemos querer ver
transformada em lei universal; pois, se essa máxima fosse
universalizada nenhum exame realizado mereceria confiança
por parte dos avaliadores. Os próprios exames deixariam de ser
objeto de confiança e para nada serviriam as avaliações dado
que se tornaria generalizada a suspeita.
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
Alguns exemplos:
Ex4: A dona de um hotel nunca engana os clientes, fazendo
sempre um preço justo. Ela faz isso não por interesse (para não
perder os clientes), mas simplesmente por dever de ser honesta.
Será que este exemplo passa no teste do imperativo
categórico?
◮ SIM. Porque (1) a máxima é “venderás sempre a um preço
justo, porque é um dever ser honesto”. E (2) é possı́vel todos
agirmos segundo essa máxima e queremos que todos
obedeçam a essa máxima.
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
Fórmula do fim em si
“Age de tal maneira que uses a tua humanidade, tanto na tua
pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre e
simultaneamente como fim e nunca simplesmente como meio”.
É sempre errado instrumentalizar as pessoas, ou seja, usá-las como
simples meios para atingir os nossos fins.
As pessoas são seres racionais, e tratá-las como fim em si
significa respeitar a sua racionalidade.
◮ Assim, nunca poderemos manipular as pessoas, ou usá-las para
alcançar os nossos objetivos.
◮ Para respeitar as pessoas, devemos tratá-las como seres
racionais e autónomos – como fins em si.
◮ Não é errado tratar as pessoas como meios — é errada
tratá-las como simples meios (desrespeitando a autonomia).
Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
Aplicação da fórmula do fim em si aos casos (1) e (2) do elétrico:
Análise do caso 1 [o elétrico desgovernado]: Apesar de haver
uma morte quando Maria desvia o elétrico, ela não está a
instrumentalizar/usar essa pessoa. Tal morte é um resultado
infeliz e não intencional da tentativa de Maria para salvar
cinco vidas. (O dano foi um mero efeito colateral).
Análise do caso 2 [o homem pesado]: Quando José está a
empurrar intencionalmente o homem corpulento, está a usá-lo
como um mero meio ou instrumento (similar a uma pedra) de
forma a parar o elétrico.
Seguindo Kant, essa diferença pode explicar as nossas intuições
morais para tratar de maneira diferente esses dois casos.
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Ética deontológica aplicada à educação
Para Debater
Como seria uma educação, professor/a, ou sala de aula regida
por uma ética deontológica de Kant? Que vantagens e
desvantagens teria uma abordagem desse tipo?
Ética deontológica aplicada à educação
Algumas ideias de Clara Sabbagh em Ethics and Teaching (p.
685):
As decisões e acções das pessoas (ou dos professores) devem
ser orientadas por uma reflexão sobre os seus próprios direitos
e deveres e sobre os direitos e deveres dos outros.
As decisões ou práticas dos professores são julgadas como
morais (ou imorais) caso se enquadrem (ou contradigam) com
os seus deveres explı́citos e implı́citos em relação a indivı́duos
ou instituições sociais (por exemplo, escola).
Nomeadamente, a conduta dos professores é julgada como
moral se cumprir a sua obrigação de conceder aos estudantes
o direito universal à educação.
Ética deontológica aplicada à educação
Algumas ideias de Clara Sabbagh em Ethics and Teaching (p.
685):
Esses deveres e obrigações dos professores são determinados
por regras e princı́pios a-priori (como é o caso do imperativo
categórico), e não pela avaliação dos resultados das suas
acções.
Ou seja, espera-se que os professores façam certas coisas
porque estão correctos (ou se abstenham de as fazer porque
estão errados), independentemente de produzirem ou não
benefı́cios ou boas consequências.
Por exemplo, a adesão a princı́pios de integridade académica,
tais como honestidade ou abertura de espı́rito, é valorizada
em si (mesma se levar a consequências negativas).
Ética deontológica aplicada à educação
Algumas ideias de Clara Sabbagh em Ethics and Teaching (p.
685):
Por outro lado, um acto que traz um certo benefı́cio pode, no
entanto, ser considerado não-ético se tiver sido alcançado por
meios “errados”.
Por exemplo, se o aluno recorre ao “copianço” ou plágio, isso
pode ter boas consequências (se ele tiver boa nota e não for
descoberto), mas é um meio errado (dado que o “copianço”
não passa no teste do imperativo categórico).
Será plausı́vel este objetivo moral/ético da educação?
Ética deontológica aplicada à educação
Um dos principais problemas da ética deontológica de Kant é que
gera dilemas irresolúveis quando há conflitos de deveres:
Dilema
José prometeu solenemente obedecer a todas as ordens de Maria.
Nunca lhe ocorreu que ela o mandasse torturar Carlos, uma
pessoa inocente.
Neste caso temos um conflito de deveres:
1. O José tem o dever absoluto de cumprir as suas promessas.
2. O José tem o dever absoluto de não torturar inocentes.
Assim, o José está perante um dilema sem saı́da: faça o que fizer,
agirá de uma forma errada.
Haverá dilemas deste tipo na educação/ensino?
Ética deontológica aplicada à educação
O que fazer quando há conflitos de deveres/direitos?
Uma professora chega sistematicamente atrasada à
aula tendo, por esse motivo sido, já avisada pela direção
da escola de que numa próxima vez ser-lhe-ia marcada a
respectiva falta. O que veio a concretizar-se perante mais
um atraso. Acontece que nesse dia, e apesar do registo de
falta, os alunos solicitaram à professora que não se fosse
embora e que desse a aula porque precisavam de esclarecer
dúvidas, atendendo à proximidade do teste de avaliação.
Mas a professora recusou dar a aula alegando que tinha
esse direito.
O que fazer quando há direitos em confronto, como no caso
descrito?
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Três teorias éticas
Ética Utilitarista de Mill = Uma ação é moralmente correta se, e
só se, promove as melhores consequências. As melhores
consequências são aquelas em que a felicidade é maximizada.
Ética Deontológica de Kant = Uma ação é moralmente correta
se, e só se, não infringe as regras morais corretas. As regras morais
corretas são aquelas que passam no teste do imperativo categórico.
Ética das virtudes = Uma ação é moralmente correta se, e só se,
for o que um agente virtuoso faria nas circunstâncias. Um agente
virtuoso é aquele que age virtuosamente, ou seja, aquele que possui
e exerce as virtudes. Uma virtude é um traço de caráter que um ser
humano precisa para florescer ou viver bem (como eudaimonia).
Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
Ética das virtudes
Em vez de se dar ênfase às consequências das ações, ou aos
deveres e regras, nesta teoria dá-se ênfase às virtudes ou ao
caráter moral.
Os defensores da ética das virtudes sublinham o cultivo do
carácter e tentam descrever as caracterı́sticas que uma pessoa
virtuosa teria no contexto de uma comunidade cı́vica.
De forma geral, uma virtude é um traço de caráter excelente.
Mas, de forma mais especı́fica, o que é uma virtude?
Há várias teorias:
◮ Eudaimonismo: uma virtude é uma caracterı́stica que
contribui ou é um constituinte da “eudaimonia”.
◮ Exemplarismo: uma virtude é um traço que admirámos num
exemplar moral.
Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
De acordo com Aristóteles, as virtudes são aqueles traços de caráter
de que precisamos para ser felizes.
Mas felicidade não é entendida da forma hedonista (como no
utilitarismo), mas sim como eudaimonista (ou seja, como
florescimento ou realização humana).
A eudaimonia é mais do que um sentimento: envolve viver bem com
os outros e perseguir objetivos que valem a pena. Isso inclui cultivar
relacionamentos fortes e ter sucesso em projetos (como criar uma
famı́lia, lutar por justiça, etc.)
Traços de caráter como a honestidade intelectual, coragem,
cuidado/caridade, justiça, sabedoria prática, etc, são necessários
para a eudaimonia (florescimento humano); por isso, são virtudes.
Uma crı́tica padrão é que esse conceito de eudaimonia é vago e
obscuro. Mas, pode-se clarificar a ética das virtudes substituindo
eudaimonia por um outro conceito: o de “exemplar”.
Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
Linda Zagzebski (2010) “Exemplarist Virtue Theory”:
A construção da teoria começa com a referência directa
a exemplares de bondade moral. (...) Sugiro que conceitos
morais básicos sejam ancorados em exemplos de bondade
moral, cuja referência directa é fundacional na teoria. (...)
As práticas de escolher tais pessoas já estão incorpora-
das nas nossas práticas morais. Aprendemos através de
narrativas de pessoas fictı́cias e não fictı́cias que algumas
pessoas são admiráveis e dignas de ser imitadas (...). A
aprendizagem moral, como a maioria das outras formas
de aprendizagem, é feita principalmente por imitação. Os
exemplares são as pessoas que são mais imitáveis, e são
mais imitáveis porque são mais admiráveis.
Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
Linda Zagzebski (2010) “Exemplarist Virtue Theory”:
Identificamos pessoas admiráveis pela emoção da ad-
miração, e essa emoção é ela própria sujeita à educação
através do exemplo das reacções emocionais de outras pes-
soas. (...). Presumo que a emoção da admiração é geral-
mente digna de confiança quando a temos após reflexão e
quando resiste à crı́tica de outros.
Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
Linda Zagzebski (2010) “Exemplarist Virtue Theory”:
O que quero dizer com um exemplar é uma pessoa
paradigmaticamente boa. Um exemplar é uma pessoa que
é muito admirável. Identificamos o admirável pela emoção
da admiração. Presumo que a nossa emoção de admiração
é geralmente digna de confiança, mas não presumo que
confiemos sempre nela. Quando o fazemos, consideramos
que o objecto de admiração é admirável. Uma pessoa que
é admirável em algum aspecto é imitável a esse respeito.
Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
Nessa base é possı́veis definir um conjunto de conceitos morais
básicos em termos de uma pessoa paradigmaticamente boa ou
admirável:
Uma virtude é um traço que admirámos num exemplar.
Um dever nalgum conjunto de circunstâncias C é um ato que
um exemplar exige de si mesmo e dos outros em C.
Um bom motivo é o motivo a admirar em exemplares.
Uma boa vida é a vida que os exemplares desejam.
Uma ação correta para uma pessoa A em algum conjunto de
circunstâncias C é o que a pessoa exemplar tomaria como a
mais favorável pelo equilı́brio de razões para A em C.
Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
Teoria exemplarista:
A fundação da teoria de Zagzebski não reside num conceito,
mas sim em indivı́duos que admirámos, após reflexão crı́tica,
por causa da sua exemplaridade moral.
A identificação de exemplares morais por referência direta
permite-nos ter definições dos conceitos morais fundamentais.
Alguns estudos da psicologia moral (como os desenvolvidos
por Albert Bandura com a sua teoria da aprendizagem social)
parecem suportar o projeto de Zagzebski de uma teoria moral
exemplarista.
Uma vantagem desta abordagem é evitar abrir as portas a
formas de ceticismo sobre os conceitos que fundamentam uma
teoria ética, como acontece com eudaimonia ou boa vontade.
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
Exercı́cio
https://dfaria.eu/quiz/virtudes
Para Debater
Como seria uma educação, professor/a, ou sala de aula regida
por uma ética das virtudes exemplarista? Que vantagens e
desvantagens teria uma abordagem desse tipo?
Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
Educar através de exemplos sempre desempenhou um papel
fundamental nos percursos educativos habituais, onde o
educador se refere a modelos históricos, mı́ticos, ou actuais
para atrair o interesse do aluno.
O encontro com um exemplar moral, em pessoa ou por meio
de narrativas, desperta a admiração e pode ser capaz de
motivar/inspirar a um curso de ação virtuoso.
Ao imitar ou adotar a atitude de um exemplar (nos atos e
motivos), o educando poderá adquirir ou fortalecer uma dada
virtude, pois permite formar um “hábito” (i.e. responder a
situações moralmente relevantes como o exemplar
responderia).
Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
Aplicando a ética das virtudes exemplarista à educação (cf. Croce
2016):
1. O florescimento humano é o principal objetivo da educação
(moral ou do caráter), e a aquisição das virtudes é uma
condição necessária para o florescimento.
2. A imitação de exemplares é a principal forma de atingir esses
objetivos.
3. A imitação como meio de educação requer do
educador/professor:
a. provocar a admiração dos alunos, apresentando-lhes modelos
genuinamente bons e imitáveis,
b. promover a capacidade de reflexão sobre a admiração em
consideração.
Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
Os exemplaristas dão um papel primordial aos exemplares virtuosos,
através dos quais se ativa a dinâmica admiração-reflexão-imitação,
permitindo assim que os estudantes melhorem a sua compreensão
de conceitos morais e desenvolvam hábitos virtuosos.
Exemplos de atividades:
Professores apresentam aos estudantes histórias com exemplares e
os estudantes têm a oportunidade de trabalhar em conjunto para
compreenderem o significado das histórias e implicações para as
suas próprias vidas. Os modelos devem ser atingı́veis e relevantes.
A fim de incentivar o pensamento crı́tico, o professor pode pedir,
como primeira tarefa, que os alunos discutam quais as virtudes que
eles acham que o modelo apresenta antes que o professor as defina.
Será esta abordagem plausı́vel?
Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
Problemas da teoria exemplarista em geral:
Há algum tipo de circularidade nesta teoria.
De acordo com Zagzebski, deve entender-se as noções éticas
fundamentais (como virtude, dever, bom motivo, etc) ao
observar-se e ao seguir-se exemplos morais particulares e
paradigmáticos.
Contudo, parece que a própria identificação e seleção de
exemplares morais requer que já se possua algum
conhecimento e entendimento prévio do bem e das virtudes;
caso contrário, como se poderia escolher de forma correta e
não arbitrária os exemplares morais?
Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
Problemas da teoria exemplarista em geral:
Outra dificuldade reside no facto de que vários exemplares
podem ter diferentes abordagens, ou até respostas
inconsistentes, para a mesma questão moral ou dilema moral.
Assim, parece que esta teoria é de alguma forma incapaz de
resolver as questões éticas mais complexas dentro da ética
aplicada.
Por exemplo, como se resolveriam as questões difı́ceis sobre a
ética do aborto e da eutanásia, sobre o sistema polı́tico justo,
etc? Seria suficiente a referência a exemplares? Parece que
não, pois podem-se encontrar exemplares morais que se
contradizem.
Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
Possı́veis problemas da teoria moral exemplarista
aplicada à educação:
Pode ser uma abordagem limitada, pois a exposição a exemplares
funciona apenas com estudantes já dispostos a serem
emocionalmente tocados por histórias exemplares e motivados a
imitar o comportamento de um exemplar. (cf. Tanesini 2016).
Pode haver um problema de “indoutrinação”, dado que se propõe
que um adulto ou comunidade decida o que conta como uma
virtude e que promova a aquisição de certos traços de caráter.
Siegel (2018: 86) – “Esses valores terão sido impostos aos alunos de
fora, em vez de terem sido adotados de dentro, com base no próprio
julgamento independente dos alunos”.
Serão estas crı́ticas plausı́veis?
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Outras versões de consequencialismo
Além do utilitarismo dos atos de Stuart Mill, existem outras versões de
utilitarismo, como o caso do utilitarismo das regras.
Utilitarismo dos Atos (Stuart Mill)
Uma ação é moralmente correta se, e só se, tendo em conta as
alternativas, for aquela que resulta numa maior felicidade geral.
Utilitarismo das Regras (John Harsanyi)
Uma ação é moralmente correta se, e só se, não infringe as regras
morais corretas. As regras morais corretas são aquelas que, se fossem
adotadas por todas ou quase todas as pessoas, mais contribuiriam para
a felicidade geral.
Para sabermos se uma regra moral é correta, devemos imaginar
como seria o mundo se todos ou quase todos a aceitassem.
Se descobrirmos que a aceitação geral de uma regra seria prejudicial
para a felicidade geral, teremos de considerá-la incorreta.
Outras versões de consequencialismo
O utilitarismo das regras pode contornar algumas das objeções
ao utilitarismo dos atos.
Por exemplo, considere-se a regra “É proibido matar
inocentes”.
É plausı́vel que, se todos ou quase todos aceitarem essa regra,
as consequências disso serão muito boas.
Assim, se uma regra que proibia matar inocentes se conta
entre as regras morais corretas, todos os atos que a infrinjam
são errados.
Por isso, matar uma pessoa inocente e usar os seus órgãos
para realizar os transplantes para salvar cinco seria errado.
Outras versões de deontologia
Quanto à deontologia, é possı́vel ultrapassar algumas crı́ticas à
deontologia absolutista de Kant com uma deontologia prima facie.
David Ross defende que:
Um dever prima facie é um dever para o qual temos sempre
uma razão moral, mas tal razão é suscetı́vel de ser suplantada
por outras razões morais em alguma circunstância possı́vel.
Ross apresenta uma lista dos nossos deveres mais gerais, tais
como: fidelidade, reparação, gratidão, justiça, desenvolvimento
pessoal, não maleficência, beneficência.
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
Num código ético e deontológico para uma dada profissão estão
presentes os valores fundamentais dessa profissão, bem como a
formulação de princı́pios éticos de responsabilidade profissional.
Para debater
Será que faz falta um código ético e deontológico para
profissão docente? Porquê?
Que caracterı́sticas deve ter um código deontológico para a
docência? P.e. As normas devem ser formuladas de forma
genérica ou de um modo rigorosamente discriminado?
Que entidades devem controlar o seu cumprimento? Deve ser
um documento de controlo ou de punição?
Que vantagens e desvantagens poderá haver na criação de um
código deontológico para a docência?
Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
Clara Sabbagh (2009) Ethics and Teaching :
Ainda não tem sido dada suficiente atenção à tradução dos
valores éticos para códigos de comportamento que definem o
papel do professor.
Ao contrário de outras profissões, como medicina,
enfermagem, etc, a profissão docente não tem uma
comunidade formalizada ou um código de ética partilhado que
examine questões e problemas éticos comuns e especifique
normas explı́citas de acção adequada.
Esta negligência é surpreendente, dado que as considerações
morais são tão difundidas no ensino.
Apesar disso, há algumas tentativas para especificar códigos
de ética gerais e contextuais especı́ficos que estão subjacentes
às práticas de ensino.
Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
Kenneth Strike e Jonas Soltis (1985) no livro The Ethics of
Teaching assinalam três princı́pios gerais sobre o compromisso dos
professores para com os estudantes:
(1) Princı́pio de não maleficência – de forma a assegurar que as
decisões dos professores não sejam tomadas de forma
arbitrária. Por exemplo, um professor que não lê
cuidadosamente os trabalhos/testes ao classificar, ou que
atribui notas por razões não relacionadas com a
aprendizagem, viola a regra.
Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
Kenneth Strike e Jonas Soltis (1985) no livro The Ethics of
Teaching assinalam três princı́pios gerais sobre o compromisso dos
professores para com os estudantes:
(2) Princı́pio da autonomia – de forma a assegurar a liberdade
intelectual do professor e encorajar a autonomia dos
estudantes. Isto é feito salvaguardando a independência de
pensamento e acção, e proporcionando o acesso a diferentes
pontos de vista sem supressão ou distorção deliberada.
Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
Kenneth Strike e Jonas Soltis (1985) no livro The Ethics of
Teaching assinalam três princı́pios gerais sobre o compromisso dos
professores para com os estudantes:
(3) Princı́pio da equidade – de forma a assegurar um tratamento
igual ou equitativo dos estudantes. É um princı́pio de não
discriminação e de não excluir ninguém, por exemplo, com
base no género, etnia, religião, etc.
Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
Susan Green, Robert Johnson, Do-Hong Kim, e Nakia Pope, no
artigo “Ethics in classroom assessment practices” (2007)
examinaram quais os princı́pios éticos que os educadores
concordam na avaliação dos estudantes. Eles identificam dois
princı́pios:
(1) Princı́pio de “não causar danos” – visa proteger os direitos
dos estudantes que são afectados pela avaliação. Inclui valores
como a confidencialidade, o dever de fornecer uma orientação
escrita sobre como as notas são calculadas, e o dever de servir
as necessidades dos estudantes e tratá-los com respeito.
Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
Susan Green, Robert Johnson, Do-Hong Kim, e Nakia Pope, no
artigo “Ethics in classroom assessment practices” (2007)
examinaram quais os princı́pios éticos que os educadores
concordam na avaliação dos estudantes. Eles identificam dois
princı́pios:
(2) Princı́pio de “evitar a poluição da pontuação” – os resultados
dos testes devem representar o conhecimento real dos alunos e
não ser “poluı́dos” por fatores irrelevantes, como preferência
inconsciente por determinados alunos (problema de
preconceito) ou retaliação por problemas comportamentais
(práticas de classificação).
Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
Caso português: não existe um código deontológico profissional
docente.
A ser desenvolvida deve ser concebido como um conjunto de
princı́pios e deveres em relação a alunos, colegas, pais, escola,
etc.
Deve estar de acordo com documentos normativos centrais
internacionais: a Declaração Universal dos Direitos do
Homem; a Convenção sobre a luta contra a discriminação no
domı́nio do ensino; a Recomendação sobre a condição do
pessoal docente.
Bem como nacionais: A Constituição da República
Portuguesa; A Lei de Bases do Sistema Educativo; etc.
Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
Vantagens e desvantagens:1
“O código poderia constituir um elemento de coesão da
classe, de afirmação do seu profissionalismo perante o exterior
e um meio de formação especialmente útil para os professores
novatos”.
“Outros docentes não sentem qualquer necessidade de um
código, bastando-lhes a sua ética pessoal para a regulação da
sua conduta ou vêem-no como uma limitação da liberdade de
consciência individual”.
1
Maria Teresa Estrela, 2010, Profissão docente: Dimensões afectivas e éticas.
Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
Pequeno trabalho de grupo
Escrever uma breve proposta/rascunho de um
código/compromisso ético para a profissão docente.
O documento (no máximo uma folha) deve ter dois princı́pios:
1. Compromisso com o Estudante – No cumprimento das
obrigações para com os estudantes, o professor...
2. Compromisso com a Profissão – No cumprimento das
obrigações para com a profissão, o professor...
Os pontos desses princı́pios devem ter uma fundamentação
nas teorias éticas estudadas.
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Análise de um código de ética
Código de Ética da Profissão Educativa (adotado em 1975 pela
Associação Nacional de Educação [NEA] dos EUA).
https://www.nea.org/resource-library/code-ethics-educators
Análise de um código de ética NEA
Princı́pio I – Compromisso para com o estudante
O educador esforça-se por ajudar cada aluno a realizar o seu
potencial como um membro digno e efectivo da sociedade. Assim,
o educador trabalhar para estimular o espı́rito de investigação, a
aquisição de conhecimento e compreensão, e a formulação
cuidadosa de objetivos dignos.
Análise de um código de ética NEA
No cumprimento das obrigações para com o estudante, o
educador...
1. Não deve restringir injustificadamente o estudante de uma
acção independente na prossecução da aprendizagem.
2. Não deve negar injustificadamente o acesso do estudante a
vários pontos de vista.
3. Não deve suprimir ou distorcer deliberadamente assuntos
relevantes para o progresso do estudante.
4. Devem fazer um esforço razoável para proteger o estudante de
condições prejudiciais à aprendizagem ou à saúde e segurança.
5. Não deve expor intencionalmente o estudante a embaraços ou
a depreciações.
Análise de um código de ética NEA
No cumprimento das obrigações para com o estudante, o
educador...
6. Não deve (com base na raça, cor, credo, sexo, origem
nacional, estado civil, crenças polı́ticas ou religiosas, origem
familiar, social ou cultural, ou orientação sexual) excluir
injustamente qualquer estudante da participação em qualquer
curso, negar benefı́cios a qualquer estudante, conceder
qualquer vantagem a qualquer estudante.
7. Não devem utilizar relações profissionais com estudantes para
benefı́cio privado.
8. Não devem divulgar informações sobre os estudantes obtidas
no decurso do serviço profissional, a menos que a divulgação
sirva um objectivo profissional imperioso ou seja exigida por
lei.
Análise de um código de ética NEA
Princı́pio II – Compromisso com a profissão
A profissão educativa é reconhecida pelo público com uma
confiança e responsabilidade que exige os mais altos ideais de
serviço profissional.
Análise de um código de ética NEA
No cumprimento da obrigação para com a profissão, o educador...
1. Não deve, numa candidatura a um cargo profissional, fazer
deliberadamente uma falsa declaração ou não revelar um facto
relevante relacionado com competências e qualificações.
2. Não deve deturpar as suas qualificações profissionais.
3. Não deve ajudar qualquer entrada na profissão de uma pessoa
conhecida por não ser qualificada em relação ao caráter,
educação ou outro atributo relevante.
4. Não deve fazer conscientemente uma falsa declaração sobre as
qualificações de um candidato a um cargo profissional.
5. Não deve ajudar um não educador na prática não autorizada
de ensino.
Análise de um código de ética NEA
No cumprimento da obrigação para com a profissão, o educador...
6. Não deve divulgar informações sobre colegas obtidas no
decurso do serviço profissional, a menos que a divulgação sirva
um objectivo profissional imperioso ou seja exigida por lei.
7. Não devem fazer conscientemente declarações falsas ou mal
intencionadas sobre um colega.
8. Não deve aceitar qualquer gratificação, presente ou favor que
possa prejudicar ou parecer influenciar decisões ou acções
profissionais.
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Liberdade intelectual
Os primeiros 3 pontos do código NEA são sobre liberdade
intelectual, ou seja, o professor:
1. Não deve restringir injustificadamente o estudante de uma
acção independente na prossecução da aprendizagem.
2. Não deve negar injustificadamente o acesso do estudante a
vários pontos de vista.
3. Não deve suprimir ou distorcer deliberadamente assuntos
relevantes para o progresso do estudante.
Questões: Qual o valor da livre expressão? Deve haver limites à
liberdade de expressão? Quais e porquê?
Liberdade intelectual
Caso Prático: Disputa (cf. Strike & Soltis - 2009 - The Ethics of
Teaching, p.40):
P1: Numa sociedade livre, a liberdade de expressão é um direito
básico e inviolável. Não se pode suprimir ou proibir o que as
pessoas podem dizer.
P2: Se isso é verdade, o que dizer das leis contra a difamação?
Certamente que as temos para proteger as pessoas da injusta
difamação pública do seu carácter.
P1: Isso é diferente. Quero dizer que as pessoas devem ser livres
de dizer qualquer coisa que não cause danos, prejudique,
outras pessoas.
P2: Quem é que deve julgar se pode haver danos? E, afinal, o que
é que constitui “dano”? As ideias revolucionárias são danosas
para o “status quo”? A linguagem sexualmente explı́cita
prejudica o leitor ou o ouvinte? Dizer a alguém a verdade nua
e crua sobre si próprio é um dano?
P1: Não sei. Só sei que a presunção de liberdade de expressão é
essencial para a abertura de espı́rito e para que a verdade seja
ouvida. É essencial ter todos os pontos de vista disponı́veis
para que o melhor possa sair vitorioso. A supressão de ideias e
opiniões é a marca de uma sociedade fechada.
P2: Mas não temos livros pornográficos nas bibliotecas escolares e
não permitimos que livros implicitamente racistas ou
antifeministas sejam utilizados nas escolas. Na nossa
sociedade actual, acreditamos obviamente na censura para o
bem dos outros e não na liberdade de expressão desenfreada.
Suprimimos, de facto, algumas opiniões e pontos de vista.
P1: Parece que isso é verdade, mas se o princı́pio da liberdade de
expressão for comprometido dessa forma, o que impede
alguém de inventar uma boa razão protectora para impedir a
publicação de qualquer coisa?
P2: Nada, acho eu, se formos suficientemente persuasivos. A
liberdade de expressão não é o que se pretende ser quando se
abrem excepções, pois não?
P1: Não. Continuo a achar que é essencial numa sociedade livre,
mas não sei como a defender!
Liberdade intelectual
Tarefa: a realizar em pares (10 minutos)
1. Como defender a liberdade de expressão? Apresente um
argumento a favor.
2. Há excepções/limites à liberdade de expressão em contexto
escolar? Se sim, quais? Porquê?
3. Será legı́timo estudantes/pais “censurarem” determinados
conteúdos de uma disciplina (em nome da liberdade da
educação)?
Liberdade de expressão
Stuart Mill, no livro “Sobre a Liberdade” (1859), defende que:
Uma liberdade de expressão ampla é uma pré-condição não
apenas para a felicidade individual, mas para o florescimento
da sociedade.
Sem liberdade de expressão, a humanidade pode ser privada
de ideias que, de outra forma, teriam contribuı́do para o seu
desenvolvimento.
Preservar a liberdade de expressão maximiza a hipótese da
verdade emergir da sua confrontação com o erro e a
meia-verdade.
Também revitaliza as crenças daqueles que, de outra forma,
estariam em risco de manter pontos de vista como
dogmáticos.
Liberdade de expressão
Toda a opinião tem valor para nós ou porque é verdadeira, ou
porque, embora falsa, reforça a verdade e contribui para a sua
emergência. Por isso, as opiniões minoritárias não devem ser
silenciadas só porque são defendidas por muito poucas
pessoas.
De acordo com Mill, devemos esforçar-nos por preservar uma
situação em que as ideias sejam vigorosamente debatidas por
todos os lados. Caso contrário, arriscamo-nos a uma espécie
de estagnação mental que acaba por destruir o significado
dessas ideias.
Quais são os argumentos centrais de Mill a favor da liberdade de
expressão?
Liberdade de expressão
Argumento consequencialista: Ao preservar a liberdade
individual e tolerar a diversidade, uma sociedade maximizaria
a felicidade. Um mercado livre de ideias aumentará a
probabilidade de alcançar o melhor resultado, nomeadamente
o aparecimento da verdade e a eliminação do erro.
Liberdade de expressão
Argumento da infalibilidade: Quem silencia outra pessoa
porque acredita que a opinião do outro é falsa, assume a
infalibilidade. Mas não somos infalı́veis, dado que somos
propensos a errar sobre todos os tipos de crenças. Além disso,
o conhecimento humano só progride quando as pessoas
reconhecem que podem estar erradas mesmo em questões que
lhes parecem certas.
Liberdade de expressão
Argumento do dogma morto: As nossas crenças não devem
ser ortodoxias repetidas ou dogmas mortos. Pelo contrário,
para estarmos justificados nas nossas crenças temos de ser
capazes de responder aos contra-argumentos e estar abertos
ao escrutı́nio público. E mesmo quando não há oponente,
pode-se fazer o papel de “advogado do diabo”.
Liberdade de expressão
Mas há limites/excepções à liberdade de expressão?
De acordo com Mill, se os ouvintes ou leitores se sentirem
ofendidos pelo que é dito ou escrito, e particularmente pela
forma como é dito, isso por si só não deve ser motivo
suficiente para a censura. Assim, o “sentir-se ofendido” não
deve ser um limite à liberdade de expressão.
Então, onde traçar os limites? Que princı́pio adotar?
Liberdade de expressão
“O objetivo deste ensaio é asseverar um princı́pio muito
simples, destinado a condicionar totalmente os tratos da
sociedade com o indivı́duo, sejam de compulsão e controle,
seja por meio da força fı́sica na forma de penalidades le-
gais, seja como coerção moral por parte da opinião pública.
Esse princı́pio é o de que a única finalidade para a qual a
humanidade está autorizada, individual ou coletivamente,
a interferir na liberdade de ação de qualquer de seus mem-
bros é a auto-proteção.” (...)
Liberdade de expressão
“Que o único propósito para o qual o poder pode ser
exercido com justiça sobre qualquer membro da comuni-
dade civilizada, contra sua vontade, é o de evitar dano a
outros. A finalidade de seu próprio bem, fı́sico ou moral,
não é suficiente para conferir essa autorização. Ele não
pode, sem que se cometa injustiça, ser compelido a fa-
zer ou abster-se de fazer algo porque será melhor para seu
próprio interesse agir assim, porque isso o fará mais feliz,
porque, na opinião de outros, seria uma ação sábia, ou
mesmo justa.” (capı́tulo 1)
Liberdade de expressão
De acordo com Mill:
Os benefı́cios para a sociedade e para os indivı́duos pelo facto
de se tolerar uma ampla liberdade de expressão são muito
grandes; e os custos de a suprimir são imensos. Assim, o
limite da liberdade de expressão deve ser o ponto em que é
incitado o dano aos outros.
O “Princı́pio de Dano” é central à abordagem de Mill – a
ideia de que os indivı́duos devem ser livres para fazer o que
quiserem até o ponto de prejudicarem outra pessoa no
processo.
Ou seja, a única justificação para a interferência na liberdade
de alguém viver a sua vida como quiser é o risco de prejudicar
outras pessoas.
Liberdade de expressão
O “dano” em consideração não é psicológico ou económico,
mas sim fı́sico.
Deve haver limites à liberdade de expressão quando há
incitamento à violência.
Mill apresenta como exemplo o contraste entre um artigo de
jornal em que o autor afirma que os vendedores de milho
provocam a fome dos pobres e a mesma opinião dita (ou
comunicada através de um cartaz) a uma multidão faminta,
pobre, e furiosa reunida à porta da casa de um vendedor de
milho.
Em suma: quando a expressão de uma ideia constitui um
acto de incitamento a “algum acto danoso”, então esse acto
de expressão é excluı́do pelo Princı́pio do Dano. Ou seja, tal
acto constitui uma excepção à liberdade de expressão.
Liberdade de expressão
Serão os limites à liberdade de expressão apresentados por Mill
plausı́veis?
Os danos psicológicos podem ser tão prejudiciais para a
pessoa como os danos fı́sicos; por isso, o princı́pio do dano
não se pode centrar apenas nos danos fı́sicos.
Seguindo Mill, devemos submeter as nossas crenças ao
escrutı́nio público e, por isso, deve haver um esforço ativo para
“dar palco” para aqueles de quem discordamos fortemente.
Contudo, será moralmente correto “darmos palco” correto
darmos palco a racista, negacionistas do holocausto?
E em contexto escolar? Será que a única excepção à liberdade
de expressão é o princı́pio do dano?
1. Questão da ética no ensino/educação
2. Ética no ensino/educação
3. Alguns exemplos concretos da ética na educação
4. Introdução à Ética Normativa
5. Uma versão de consequencialismo: Utilitarismo
6. Ética consequencialista/utilitarista aplicada à educação
7. Uma versão de deontologismo: Ética de Kant
8. Ética deontológica aplicada à educação
9. Uma versão de ética das virtudes: Exemplarismo
10. Ética das virtudes/exemplarismo aplicada à educação
11. Outras teorias éticas
12. Um Código Ético e Deontológico para a profissão Docente?
13. Análise de um código de ética
14. Liberdade intelectual
15. Revisões
Revisões
Datas do exame:
Época Normal: 30 de maio, 11:00-12:30, salas A2 e 306.
Época Recurso: 20 de junho, 11:00-12:30, sala A1.
Revisões
Conteúdos do exame:
Texto de Clara Sabbagh (2009) Ethics and Teaching.
Springer: https://doi.org/10.1007/978-0-387-73317-3 42
Tudo o que foi analisado e trabalhado em sala de aula, e que
está presente nos slides, bem como no Moodle.
Objetivos:
Conhecer as principais teorias éticas, os seus conceitos
principais, objeções, etc.
Saber aplicar essas teorias éticas a casos práticos (tanto gerais
como sobre o contexto educativo).
Fundamentar princı́pios para um código ético da profissão
docente com base nas teorias éticas estudadas.
Analisar o princı́pio da autonomia (liberdade de expressão).
Revisões
Estrutura:
Três grupos.
1o grupo: V ou F (correção e justificação das F).
2o grupo: questões de resposta curta e objetiva.
3o grupo: questão de resposta extensa e orientada.
Exemplos de questões de resposta curta:
Qual é o princı́pio moral defendido pela ética utilitarista de
Mill? Explica-o.
Como se distinguem os prazeres superiores e inferiores no
hedonismo qualitativo?
Distingue imperativos hipotéticos de imperativos categóricos.
Revisões
Exemplos de questões de resposta curta:Lê o seguinte texto.
Suponhamos que um xerife se encontra perante a seguinte
escolha: ou incrimina um negro por uma violação que incitou
a hostilidade para com os negros (negro esse que é tido como
culpado pela generalidade da população, mas que o xerife sabe
que é inocente) – evitando, desse modo, perigosos motins anti-
negros que muito provavelmente acabariam por levar à perda de
vidas e ao aumento do ódio mútuo quer da parte dos brancos
quer da parte dos negros – ou persegue o culpado, permitindo,
assim, que os motins anti-negros venham a ocorrer.
O que deve o xerife fazer?
Como responderia Mill e Kant a essa questão? Porquê?
Com qual das duas perspetivas concordas? Porquê?
Revisões
Critérios de correção:
Adequação da resposta à problemática formulada;
rigor conceptual e terminológico;
estruturação da resposta e sua coerência interna;
pertinência e correção dos conhecimentos mobilizados;
demostra conhecer os textos de referência;
fundamentação dos enunciados;
grau de problematização.
Revisões
Exercı́cio
https://dfaria.eu/quiz/rever/