ENGENHARIA CIVIL
Geologia de Engenharia
Introdução à
Mineralogia
Eng.ª Sónia Pizarro
MINERAL
Segundo Klein & Hurlbut (1999):
Um mineral é um sólido, homogêneo, natural, com
uma composição química definida (mas geralmente
não fixa) e um arranjo atômico altamente ordenado.
É geralmente formado por processos inorgânicos.
Sólido: as substâncias gasosas ou líquidas são excluídas
do conceito de mineral.
o gelo nas calotes polares é um mineral, mas a água
não.
Algumas substâncias que fogem a esta definição ainda
assim são objeto de estudo do mineralogista.
É o caso do mercúrio líquido, que pode
ser encontrado na natureza, em
determinadas situações. Nestes casos,
a substância é chamada de
mineralóide.
Homogêneo: algo que não pode ser fisicamente dividido
em componentes químicos mais simples.
Natural: exclui as substâncias geradas em laboratório ou
por uma acção consciente do homem.
Composição química definida: um mineral é uma substância
que pode ser expressa por uma fórmula química. Por
exemplo, a composição do ouro nativo é Au, a do quartzo é
SiO2, a da calcita é CaCO3, e assim por diante. Em muitos
casos, a composição química dos minerais pode variar
dentro de certos limites, sem que seja necessário alterar o
nome do mineral. Em outros casos as variações são tão
grandes que caracterizam uma espécie mineral distinta.
Arranjo atómico ordenado: implica na existência de uma
estrutura interna, onde os átomos ou iões estão dispostos
em um padrão geométrico regular.
Este padrão obedece às regras de simetria, e os sólidos
assim constituídos pertencem a um dos sistemas cristalinos.
Sólidos que possuem tal arranjo interno ordenado são
chamados de cristalinos.
Os que não o possuem são chamados de amorfos, e
fogem á classificação estrita de mineral, compondo o
grupo dos mineralóides.
Inorgânico: o termo é incluído por Klein e Hurlbut no
conceito, para permitir o enquadramento de substâncias
que verifiquem todos os requisitos acima, mas são geradas
naturalmente por (ou com a ajuda de) organismos.
Estes minerais são chamados de biogénicos e, à exceção
da sua origem, são idênticos aos minerais equivalentes
formados por processos inorgânicos.
O exemplo mais comum de mineral biogênico é o
carbonato de cálcio (CaCO3) presente nas conchas de
moluscos na forma dos minerais calcita, dolomita ou
vaterita.
FAMÍLIAS DE MINERAIS
Elementos Sais Fosfatos, Arsenatos
nativos Halóides e Vanadatos
Sulfatos, Volframatos, Nitratos e Óxidos e
Molibdatos e Cromatos Boratos Hidróxidos
Sulfuretos Silicatos Carbonatos
A composição química e a organização estrutural da
matéria cristalina conferem aos minerais determinadas
propriedades físicas e químicas que ajudam na sua
identificação.
Entre as propriedades físicas mais utilizadas na
identificação de minerais, podem destacar-se:
as propriedades óticas (cor, brilho e risca),
as propriedades mecânicas (dureza, clivagem, fracturas)
e a densidade.
COMO IDENTIFICAR UM MINERAL?
A identificação de um mineral pode fazer-se com
base no estudo das suas propriedades físicas, das
suas propriedades químicas ou com recurso a
ambos os tipos de propriedades. Pode também
efetuar-se com recurso ao estudo de propriedades
óticas, através da difração de raios X ou até mesmo
usando raios laser.
A determinação de algumas propriedades físicas
de observação rápida e fácil permite, na maioria
dos casos, elaborar um primeiro diagnóstico que
posteriormente deve ser confirmado.
PROPRIEDADES FÍSICAS DOS MINERAIS MAIS
UTILIZADAS NA IDENTIFICAÇÃO
•Cor •Dureza
•Traço •Fractura e Clivagem
•Brilho •Densidade
Para além destas existem outras propriedades, tais como o
magnetismo, a reação aos ácidos, a dispersão e a dupla
refração, a luminescência, a fusibilidade, etc. que podem
revelar-se excelentes identificadores.
Por Ex:
•Reacção da calcite sob o efeito do ácido cloridrico diluído,
a frio.
•Reacção da pirite sob o efeito do ácido cloridrico diluído, a
quente.
COR
A cor dos minerais depende de vários fatores como a
composição química, a presença de impurezas dispersas,
heterogeneidades microestruturais e defeitos estruturais,
entre outros.
Em amostra de mão a cor deve ser observada à luz
natural, difusa, numa superfície de fratura recente.
Minerais Ideocromáticos
são aqueles que exibem cor praticamente
constante em todas as amostras.
Minerais alocromáticos
são aqueles que apresentam cor variável de
amostra para amostra ou mesmo dentro da mesma
amostra.
MINERAIS
IDIOCROMÁTICOS
MINERAIS
ALOCROMÁTICOS
COR
Calcite Granadas
Hematite Turmalina
TRAÇO ou RISCA
É a cor do pó do mineral.
Observa-se riscando com o mineral a superfície não
polida de uma porcelana. Caso o mineral tenha
dureza superior à da porcelana é necessário
proceder ao seu prévio esmagamento.
Nos minerais idiocromáticos não metálicos e nos
metais nativos o traço é normalmente igual à cor do
mineral.
Nos minerais alocromáticos não metálicos o traço é
normalmente branco.
Nos minerais de brilho metálico, não nativos, o traço
é normalmente preto (com excepção da hematite)
BRILHO ou LUSTRE
Em amostra de mão deve ser observado numa
superfície de fratura recente.
Relaciona-se com a intensidade da luz refletida pela
superfície de fratura recente.
Minerais de Brilho Metálico ou Sub-Metálico
Brilho intenso, semelhante ao observado
nos metais.
Minerais de brilho Não Metálico ou Vulgar
Sugere diferentes aspectos pelo que para o
descrever se utilizam várias designações:
vítreo, gorduroso, sedoso, nacarado,
adamantino, resinoso, etc.
Moscovite – Brilho nacarado, sedoso Quartzo – Brilho vitreo, gorduroso
Volframite– Brilho semi metálico. Pirite – Brilho metálico
Dureza
Traduz a resistência que um mineral oferece a ser riscado
por outro. Exprime a resistência à abrasão ou à penetração.
É determinada por comparação com um dado conjunto
de minerais que constituem uma escala de durezas.
A escala de durezas universalmente usada é a Escala de
Mohs, constituída por 10 termos:
Talco (1), Gesso (selenite) (2), Calcite (espato da islândia)
(3), Fluorite (4), Apatite (5), Ortoclase (6), Quartzo hialino (7),
Topázio (8), Corindo (9) e Diamante (10).
Dureza
A dureza de Mohs de um mineral traduz o lugar que ele
ocuparia na escala, se nela inserido.
Os termos da escala de Mohs devem ser utilizados por
ordem decrescente de dureza.
Diz-se que dois minerais têm a mesma dureza se se riscarem
mutuamente ou se não se riscarem mutuamente.
O mineral A é mais duro do que o mineral B, se o riscar sem
ser riscado por ele.
Sempre que se verifica que um mineral possui dureza
compreendida entre dois termos consecutivos da escala,
atribui-se o valor médio desses dois termos.
Como ensaio prévio
pode utilizar-se a unha
(risca termos 1 e 2), um
alfinete (risca termos 1 e
2), uma moeda de cobre
(risca termos 1 a 3), a
lâmina de um canivete
(risca termos 1 a 4), uma
lima de aço (risca termos
1 a 6), ou um vidro
(termos 7 a 10 riscam o
vidro) para obter o valor
aproximado da dureza
do mineral em estudo.
A utilização da escala de Mohs apenas proporciona
valores relativos e não valores absolutos.
A determinação de valores absolutos de dureza é
complexa e implica a utilização de aparelhos muito
especializados.
Uma desvantagem da utilização da escala de Mohs
é que o aumento da dureza absoluta entre os
diferentes termos não é sempre o mesmo, fazendo-se
de um modo descontínuo.
Escala de Mohs comparada com uma
escala de dureza absoluta.
A diferença de
dureza absoluta
entre o corindo e o
diamante é muito
maior do que aquela
que existe entre o
topázio e o corindo.
FRACTURA e CLIVAGEM
Tal como a dureza são propriedades relacionadas com a
coesão da estrutura cristalina dos minerais. Exprimem a
resistência ao choque.
Analisam-se batendo na amostra de mineral com um
pequeno martelo.
Se o mineral fractura segundo superfícies irregulares diz-se
que ocorre fratura.
Consoante o aspecto das superfícies de rotura é possível
reconhecer diferentes tipos de fractura característicos dos
diferentes minerais:
concoidal, esquirolosa, terrosa, fibrosa,etc.
Se o mineral fratura segundo superfícies estruturalmente
bem definidas diz-se que ocorre clivagem.
As superfícies de clivagem são planas e brilhantes e
ocorrem segundo direcções cristalográficas bem
definidas.
Para além da forma, a clivagem é classificada quanto à
facilidade de obtenção (fácil ou difícil) e/ou à perfeição
(perfeita ou imperfeita).
O quartzo não apresenta clivagem A calcite divide-se facilmente
visível e, quando percutido, segundo superfícies planas e
desagrega-se em fragmentos com brilhantes que, pelo choque
superfícies mais ou menos continuado, se repetem
irregulares, sem direcção paralelamente a si mesmas.
privilegiada.
DENSIDADE
A densidade absoluta, ou massa volúmica,
de uma substância traduz a massa por
unidade de volume. A densidade depende
da natureza das partículas que constituem o
mineral e do tipo de arranjo dessas partículas.
A densidade de um mineral varia de amostra para amostra
devido a pequenos defeitos estruturais que a afastam da
densidade teórica esperada.
Não é necessário grande rigor na determinação da
densidade de um mineral quando o objetivo é meramente o
seu diagnóstico. Pelo que a sua análise é frequentemente
qualitativa através do sopeso da amostra.
Em laboratório determina-se calculando a razão entre o peso de
uma pequena amostra e o peso de igual volume de água,
recorrendo a balanças especiais (Jolly, Hidrostática) ou a
picnómetros.
A densidade do mineral, consiste na relação entre o peso de um
determinado volume do mineral e o peso de igual volume de água
a 4 ºC.
Um dos métodos possíveis para avaliar a densidade
consiste em determinar:
•O peso do mineral no ar – P;
•O peso do mineral mergulhado na água – P’.
A diferença P - P’ dá o valor da impulsão (I), ou seja, o
valor do peso de um volume de água igual ao volume
do mineral mergulhado.
A densidade relativa é calculada através da seguinte
fórmula:
Propriedades químicas
Alguns testes podem ser utilizados para
fazer o diagnóstico de minerais.
É o caso do teste do sabor salgado para a halite
(NaCl) ou
da efervescência produzida por acção do ácido
clorídrico sobre a calcite.
A calcite e outros carbonatos reagem com o ácido
clorídrico, fazendo efervescência devido à libertação de
CO2 durante a reação.
A calcite e a
aragonite, reagem a
frio de forma
evidente, com
efervescência
abundante.
Na dolomite, a
efervescência só se
verifica a quente ou
quando o mineral é
reduzido a pó.
Determinadas as propriedades dos minerais, a sua
identificação é possível utilizando chaves dicotómicas
ou por consulta de tabelas em que estão registadas as
principais características dos diferentes minerais.
Actualmente existem também programas de software
que permitem a identificação de minerais, tendo em
consideração as suas propriedades.
http://ciencias3c.cvg.com.pt/classificacaominer/mineraistabela8pro.htm
Principais Famílias Constituintes das Rochas
Sulfuretos Silicatos Carbonatos
Quartzo
Feldspatos
Calcopirite
Micas Calcite
Blenda
Turmalina Dolomite
Galena
Estaurolite Aragonite
Pirite
Anfíbolas
Piroxenas
Jazigos R. Magmáticas
R. Sedimentares
Magmáticos R. Metamórficas
R. Metamórficas
R. Sedimentares
Minerais mais comuns das Rochas
Quartzo
Feldspatos (Ortose e Plagioclases)
Micas (Biotite e Moscovite)
Anfíbolas (Horneblenda)
Piroxenas (Augite)
Feldspatóides (Nefelina)
Olivina
Calcite
Dolomite
Gesso/Anidrite
Halite
Pirite e
Calcopirite
FOTOS DE MINERAIS
Anfibola Apatite
Biotite
Berilo
FOTOS DE MINERAIS
Clorite
Calcite
Gesso
Epidoto
FOTOS DE MINERAIS
Ilmenite
Granadas
Microclina
Leucite
FOTOS DE MINERAIS
Nefelina Olivina
Augite
Ortose
FOTOS DE MINERAIS
Quartzo leitoso
Albite
Quartzo Hialino
Quartzo Rosa
Quartzo Ametista Quartzo Fumado
FOTOS DE MINERAIS
Serpentina Vesuvianite
Rútilo
Talco
Quadro Síntese dos Minerais
Nome Quartzo Ortose Plagioclases Moscovite Biotite Anfíbolas Piroxenas Nefefina
Família
Cor
Brilho
Dureza
Traço
Densidade
Outras
Propriedades
Aplicações
Ocorrência
http://www.minerals.net/Minerals
http://www.classicgems.net
http://www.mindat.org/
http://www.webmineral.com/