PESQUISA
EM ELEMENTOS JURÍDICOS
DAS RELAÇÕES
CONTRATUAIS
CAMILLA FERNANDES
1. Conceito de Contrato
2. Princípios Contratuais
SUMÁRIO 3. Classificação dos Contratos
CONCEITO
“a relação jurídica subjetiva, nucleada na solidariedade constitucional, destinada à produção
de efeitos jurídicos existenciais e patrimoniais, não só entre os titulares subjetivos da
relação, como também perante terceiros”
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE -> PRINCÍPIO DA AUTONOMIA
PRIVADA
“a autonomia não é da vontade, mas da pessoa humana” - portanto, autonomia privada;
A autonomia privada é o poder que os particulares têm de regular, pelo exercício de sua própria vontade, as
relações que participam, estabelecendo-lhe o conteúdo e a respectiva disciplina jurídica. Sinônimo de
autonomia da vontade para grande parte da doutrina, com ela porém não se confunde. Autonomia da vontade
é expressão de conotação subjetiva, psicológica, enquanto a autonomia privada marca o poder da vontade no
direito de um modo objetivo, concreto, real.
Dupla LIBERDADE: Liberdade de contratar e Liberdade contratual
Atenuado por: FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE -> PRINCÍPIO DA AUTONOMIA
PRIVADA
Marcus resolve vender seu veículo e, para isso, realiza uma postagem em uma plataforma online de vendas de
produtos. José, que possui uma conta na mesma plataforma se interessa pelo carro e envia uma mensagem
para Marcus. Após 5 dias de negociação por meio de comunicação virtual, José vai ao encontro de Marcus para
avaliar pessoalmente o veículo. Ao final de dez dias, as duas partes resolvem realizar o negócio jurídico da
seguinte maneira: José pagará 10 mil reais à vista e receberá o veículo no ato. Após isso, pagará 4 parcelas
mensais de 5 mil reais para Marcus, momento em que o negócio jurídico restará extinto.
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DOS CONTRATOS
A expressão função social deve ser visualizada com o sentido de finalidade coletiva, sendo efeito do princípio
em questão a mitigação ou relativização da força obrigatória das convenções, na linha de se considerar
possível a intervenção do Estado nos contratos, especialmente nos casos de abuso ou excessos de uma parte
perante a outra.
“Art. 421 - A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato. Parágrafo
único: nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da intervenção mínima e a
excepcionalidade da revisão contratual”
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DOS CONTRATOS
“a função social do contrato, prevista no art. 421 no novo Código Civil, não elimina o princípio da autonomia
contratual, mas atenua ou reduz o alcance desse princípio, quando presentes interesses metaindividuais ou
interesse individual relativo à dignidade da pessoa humana”
EFICÁCIA INTERNA:
Proteção dos vulneráveis contratuais;
Vedação da onerosidade excessiva;
Proteção da dignidade da pessoa humana e dos direitos da personalidade;
Nulidade de cláusulas antissociais;
Tendência da conservação do contrato e;
Frustração do fim do contrato.
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DOS CONTRATOS
EFICÁCIA EXTERNA:
Proteção dos direitos difusos e coletivos - função socioambiental do contrato;
Tutela externa do crédito;
“Art. 2035 (...) Parágrafo único. Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem
pública, tais como os estabelecidos por este Código para assegurar a função social da
propriedade e dos contratos”
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DOS CONTRATOS
Princípio da função social dos contratos é preceito de ordem pública - intervenção do MP e conhecimento
de ofício pelo juiz (abusividade);
Função social dos contratos e Função social da propriedade;
Retroatividade do princípio;
Também atenua: Força obrigatória do contrato (Pacta Sunt Servanda)
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIAL DOS CONTRATOS
“Em contratos de financiamento bancário são abusivas cláusulas contratuais de repasse de custos
administrativos (como análise de crédito, abertura de cadastro, emissão de fichas de compensação bancária
etc), seja por estarem intrinsecamente vinculadas ao exercício da atividade econômica, seja por violação ao
princípio da boa-fé objetiva”
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
PRINCÍPIO DA FORÇA OBRIGATÓRIA DO CONTRATO (Pacta Sunt
Servanda)
“Decorrente da ideia clássica de autonomia da vontade, a força obrigatória dos contratos preconiza que tem
força de lei o estipulado pelas partes na avença, constrangendo os contratantes ao cumprimento do
conteúdo completo do negócio jurídico.”
“Art. 389 (...) Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros,
atualização monetária e honorários de advogado.”
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
PRINCÍPIO DA FORÇA OBRIGATÓRIA DO CONTRATO (Pacta Sunt
Servanda)
Vale mencionar:
A realidade jurídica e fática do mundo capitalista não possibilita mais a concepção estanque do contrato.
O mundo globalizado, a livre concorrência, o domínio do crédito por grandes grupos econômicos e a
manipulação dos meios de marketing geraram um grande impacto no Direito Contratual.
A força obrigatória constitui exceção à regra geral da socialidade, secundária à função social do contrato e
à boa-fé objetiva, princípios que imperam dentro da nova realidade do Direito Privado Contemporâneo;
É atenuado por: Cláusula Rebus Sic Stantibus
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
Princípio da Boa-Fé OBJETIVA
“A boa-fé objetiva se dá no plano da conduta e não da intenção, ou seja, trata-se de uma conduta que se
caracteriza fundamentalmente pelos princípios atinentes à eticidade.”
Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de
sua celebração.
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
Princípio da Boa-Fé OBJETIVA
Deveres anexos:
Dever de cuidado em relação à outra parte negocial;
Dever de respeito;
Dever de informar a outra parte sobre o conteúdo do negócio; (informação / transparência)
Dever de agir conforme a confiança depositada;
Dever de lealdade e probidade; (lealdade)
Dever de colaboração ou cooperação; (cooperação / colaboração)
Dever de agir com honestidade, razoabilidade, equidade e a boa razão;
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
Princípio da Boa-Fé OBJETIVA
Função de interpretação: (art. 113 / CC) / usos e costumes;
Função de controle: (art. 187 / CC) / abuso de direito;
Função de integração (art. 422 / CC) / emprego em todas as fases contratuais;
Pode reforçar a : Cláusula Rebus Sic Stantibus)
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
Princípio da Boa-Fé OBJETIVA - SUPRESSIO E SURRECTIO
A supressio significa a supressão, por renúncia tácita, de um direito ou de uma posição jurídica, pelo seu não
exercício com o passar dos tempos - art. 330 CC;
A surrectio significa a criação de um direito a favor da outra parte, direito este que não existia juridicamente
até então, mas que decorre da efetividade social, de acordo com os costumes;
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
Princípio da Boa-Fé OBJETIVA - TO QUOQUE
Um contratante que violou uma norma jurídica não poderá, sem a caracterização do abuso de direito,
aproveitar-se dessa situação anteriormente criada pelo desrespeito;
Ainda como hipótese de concretude do conceito parcelar, a jurisprudência de MG, em situação envolvendo
compromisso de compra e venda de imóvel, entendeu que “o contratante não pode deixar de cumprir o
contrato, com base na exceção do contrato não cumprido (exceptio non adimpleti contractus), se dá causa ao
inadimplemento da parte contrária”
Conexão: Venire contra factum proprium e
Exceptio Doli
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
Princípio da Boa-Fé OBJETIVA - DUTY TO MITIGATE THE LOSS
Trata do dever imposto ao credor de mitigar suas perdas, ou seja, o próprio prejuízo. Sobre essa premissa foi
aprovado o enunciado n. 169 pelo qual o princípio da boa-fé objetiva deve levar o credor a evitar o
agravamento do próprio prejuízo.
Atenção: Nachfrist
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
Princípio da Boa-Fé OBJETIVA - NACHFRIST
Trata-se da concessão de um prazo adicional ou período de carência pelo comprador para que o vendedor
cumpra a obrigação, o que tem o intuito de conservar a avença.
Atenção: CDC
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE DOS EFEITOS CONTRATUAIS
O contrato, como típico instituto de direito pessoal, gera efeitos inter partes, em regra, máxima que
representa muito bem o princípio em questão. Contrapõe-se tal regramento, inerente ao direito obrigacional, à
eficácia erga omnes dos direitos reais, regidos pelo princípio da publicidade.
Exceções: estipulação em favor e terceiro - seguro de vida; promessa de fato de terceiro; contrato com pessoa a
declarar; eficácia externa da função social do contrato (a vítima de evento danoso poderia propor ação direta
contra a seguradora, mesmo não havendo relação contratual direta entre as partes)