Ética e Moral
Prof. Paulo
Rogério
1. Uma história real
Catherine Genovese
(1935-1964)
Um história real
O caso de Catherine
Genovese, 28 anos,
assassinada a facadas em
1964, nos Estados Unidos.
Ao todo, 38 pessoas viram
o assassinato e não
fizeram nada para ajudar.
O que fez com que aquelas não agissem para
impedir o assassinato?
2. O fundamento da
Moral e da Ética: os
Valores
Os Valores
Diante de pessoas, coisas e situações, estamos
constantemente fazendo avaliações:
“Esta caneta é ruim,
pois falha muito”; “Esta
pessoa é atraente”;
esta chuva é bela etc.
Juízo de realidade e Juízo
de valor
Essas afirmações referem-se a:
Juízo de realidade: Juízo de valor
Quando constatamos um Quando atribuímos uma
fato: “Está chovendo”. qualidade: “Esta chuva é bela!”
O que são os juízos de
valor?
Os juízos de valor são
normativos, isto é,
enunciam normas que
dizem como devem ser
os bons sentimentos, as
boas intenções e as
boas ações, e como
devem ser as decisões
e ações livres.
O que são os juízos de
valor?
Os juízos de valor são
normas avaliadoras
porque não se
contentam em dizer
“como algo é”, mas
sim como tal coisa
“deve ser”.
O que são os juízos de
valor?
Portanto, a moral e a ética estão baseados em
juízos valor, pois definem para os membros de
uma determinada cultura os valores positivos e
negativos que devem ser respeitados ou
desprezados.
Teoria dos Valores
Os valores são, num primeiro momento, herdados.
Ao nascermos, o mundo
cultural é um sistema de
significados já
estabelecido, de tal
modo que aprendemos
desde cedo como nos
comportar nas diversas
situações do cotidiano.
Teoria dos Valores
Conforme atendemos ou
transgredimos os padrões,
os comportamentos são
avaliados como bons ou
maus, belos ou feios,
úteis ou inúteis, seja do
ponto de vista ético,
estético, religioso etc.
Embora haja diversos tipos de valores, vamos considerar
neste momento apenas os valores éticos ou morais.
3. A existência ética
Senso Moral e Consciência
Moral
Consciência Moral
Senso Moral
Senso Moral e Consciência
Moral
Enquanto o senso moral se limita aos sentimentos e
suas respectivas ações desencadeadas, a consciência
moral se refere a avaliações de conduta que levam
o indivíduo a tomar decisões por si mesmo e a
agir em conformidade a elas perante os outros.
Referência Fundamental
Senso Moral Consciência Moral
Valores e Ações e decisões
sentimentos livres e conscientes
FELICIDADE
Pressuposto
Fundamental
Tanto o Senso Moral como a Consciência Moral só
podem acontecer com uma condição essencial: a
liberdade do agente.
Ou seja, os sentimento e
as decisões morais são
aqueles que dependem
somente do indivíduo e
de sua capacidade de
avaliar e decidir por si
mesmo e sem ser
obrigado por outros.
Finalidade
A finalidade principal do Senso Moral e da
Consciência Moral é auxiliar nossos sentimentos e
decisões morais de nossa existência intersubjetiva
(isto é, nossa relação com os outros).
4. Moral e Ética
Moral e Ética
Os conceitos de moral e ética ainda que
diferentes, são com frequência usados como
sinônimos.
No entanto, podemos
estabelecer algumas
diferenças entre eles,
embora essas
definições variem
conforme o filósofo.
Moral
Moral é o conjunto de regras que determinam o
comportamento dos indivíduos em um grupo social.
De modo simplificado, o
sujeito moral é aquele que
age bem ou mal na medida
em que acata ou desobedece
as regras morais admitidas
em determinada época ou
por um grupo de pessoas.
Questões da Moral
Diz respeito à ação moral concreta, quando nos
perguntamos: O que devo fazer? Como devo agir
nessa situação? O que é certo? O que é
condenável? E assim por diante.
Ética
Ética é a reflexão sobre as noções e princípios
que fundamentam a vida moral.
Essa reflexão orienta-se
nas mais diversas
direções, dependendo
da concepção de ser
humano tomada como
ponto de partida.
Questões da Ética
Por exemplo, à pergunta
“O que é o bem e o
mal?”, respondemos
diferentemente, caso o
fundamento da moral
esteja na ordem
cósmica, na vontade de
Deus ou em nenhuma
ordem exterior à própria
consciência humana.
Diferenças
Moral Ética
PARTICULAR UNIVERSAL
* Diz respeito não apenas
* Está restrita à cultura
à cultura local, mas aos
local. Diz respeito aos
valores relativos à própria
costumes e hábitos.
dignidade humana
* Teórica, porque ocupa-se
* Prática, pois volta-se para
em avaliar os critérios
a orientação das ações do
legitimadores da moral
indivíduo.
cultural.
Questões da Ética
Do ponto de vista da ética, podemos ainda
perguntar: Há uma hierarquia de valores a
obedecer? Qual? Os valores têm conteúdo universal
e válido em todos os tempos e lugares? Ou, ao
contrário, são relativos?
Dogmatis
5. O Caráter
histórico da Moral
A função da cultura
A fim de garantir a sobrevivência, o ser humano age
sobre a natureza transformando-a em cultura.
Assim, para que a ação
coletiva seja possível,
são estabelecidas
regras e normas de
conduta que
organizam as relações
entre os indivíduos.
O Caráter cultural da
Moral
Exterior e anterior ao indivíduo, há portanto a
moral constituída, pela qual o comportamento é
orientado por meio de normas.
Em função da
adequação ou não à
norma estabelecida, o
ato será considerado
moral ou imoral.
A Moral muda com a
cultura
O comportamento moral
também varia de acordo
com o tempo e o lugar,
conforme as exigências das
condições nas quais as
pessoas organizam-se ao
estabelecerem as formas
de relacionamento e as
práticas de trabalho.
À medida que essas relações se alteram, ocorrem lentas
modificações nas normas de comportamento coletivo.
6. Os constituintes
do campo ético
Constituintes do campo
ético
Para que haja conduta
ética é preciso que exista
o agente consciente,
isto é, aquele eu conhece
a diferença entre o bem
e mal, certo e errado,
permitido e proibido,
virtude e vício.
A consciência moral não só conhece tais diferenças,
mas também se reconhece como capaz de julgar o
valor dos atos e das condutas e agir em
conformidade com os valores morais.
Constituintes do campo
ético
Portanto, consciência e responsabilidade são
condições indispensáveis da vida ética.
Constituintes do campo
ético
A consciência moral
manifesta-se, antes de
tudo, na capacidade de
deliberar, avaliar e pesar
motivações pessoais diante
de alternativas
possíveis, decidindo e
escolhendo uma delas
antes de lançar-se na ação.
A vontade é esse poder deliberativo e decisório do
agente moral que, por natureza, deve ser livre.
Constituintes do campo
ético
O campo ético é formado por três elementos
internamente relacionados:
O agente ou sujeito moral: principal
constituinte do campo ético e responsável
pela realização dos valores ou virtudes.
Os valores ou fins morais: formam o
conteúdo das condutas morais.
Os meios morais: trata-se das formas
como o sujeito realizará os fins.
1) O Agente Moral
O sujeito ético ou moral (agente moral) só pode existir
se preencher as seguintes condições:
Ser consciente de si e dos outros como sujeitos éticos
iguais.
Ser dotado de vontade, capaz de controlar seus
desejos, impulsos e deliberar e decidir entre várias
alternativas possíveis.
Ser responsável, reconhecer-se como autor de uma
ação e avaliar os efeitos dela sobre si e sobre os outros.
Ser livre, não submetido nem a paixões e instintos
internos, nem a poderes externos que o forcem a algo.
1) O Agente Moral
Do ponto de vista do sujeito moral, a ética faz uma
exigência essencial: a diferença entre
passividade e atividade do sujeito.
Passivo é aquele que se deixa governar:
a) por seus impulsos, desejos e paixões internas;
b) pelas circunstâncias externas;
c) pela opinião alheia, medo e vontade dos outros...
... não exercendo assim sua própria consciência,
vontade, liberdade e responsabilidade.
1) O Agente Moral
Ativo ou virtuoso é aquele:
a) controla interiormente seus impulsos, desejos e
paixões;
b) discute consigo mesmo e com os outros o sentido
dos valores estabelecidos;
c) indaga se devem e como devem ser transgredidos
por outros valores superiores aos existentes;
d) Avalia sua capacidade de dar a si mesma as regras
de conduta, consulta sua vontade e razão antes de
agir e responde pelo que faz.
Numa palavra, o agente moral deve ser autônomo.
2) Os valores ou fins
morais
Do ponto de vista dos
valores, a ética exprime a
maneira como uma cultura
e uma sociedade definem
para si mesmas o que
julgam ser o mal e o vício,
a violência e o crime e,
como contrapartida, o que
consideram ser o bem e a
virtude, a brandura e o
mérito.
2) Os valores ou fins
morais
Independentemente da forma e do conteúdo que
cada cultura lhe dá, todas as culturas consideram:
como virtude, algo como vício, algo que
que é o melhor como é o pior como
sentimento e ação sentimento e ação
(a excelência) (a baixeza)
2) Os valores ou fins
morais
Embora a ética seja universal, ela não está
alheia ou indiferente às condições históricas,
políticas, econômicas e culturais da ação moral.
Portanto, a ética está
em relação com o
tempo e com a história,
transformando-se
para responder a novas
exigências da sociedade
e da cultura.
3) Os meios morais
Além do sujeito ou agente moral e dos valores ou fins
morais, o campo ético é ainda constituído por um
outro elemento: os meios para que o sujeito realize
os fins.
No entanto, no caso da
ética, nem todos os fins
justificam os meios, mas
apenas aqueles que estão
de acordo com os fins da
própria ação.
Portanto, fins éticos exigem meios éticos.
7. A liberdade do
sujeito moral
A liberdade do sujeito
moral
A moral, ao mesmo tempo que é o conjunto de
regras de como deve ser o comportamento dos
indivíduos de um grupo, é também a livre e
consciente aceitação das normas.
Isso significa que o
ato só é propriamente
moral se passar
pelo crivo da
aceitação pessoal
da norma.
A liberdade do sujeito
moral
Por um lado, se aceitarmos Por outro lado, se aceitarmos
unicamente o caráter como predominante a
social da moral, o ato crítica do indivíduo que
moral reduz-se ao põe em dúvida a regra,
cumprimento da norma corremos o risco de destruir
estabelecida, dos valores a moral e cair no
dados e não discutidos. individualismo.
Ou seja, não se trata nem apenas da massificação pelo
social, nem do relativismo do indivíduo: quando criamos
valores, não o fazemos para nós mesmos, mas como
seres sociais que se relacionam com os outros.
8. Dever e liberdade
Desejo e vontade
Liberdade e Dever
O ato moral provoca efeitos não só na pessoa que
age, mas naqueles que a cercam e na própria
sociedade como um todo.
Portanto, o ato moral
supõe a solidariedade e
a reciprocidade com
aqueles com os quais nos
comprometemos
(comunidade).
Liberdade e Dever
Dessas características decorre a exigência da
responsabilidade.
Responsável é a pessoa
consciente e livre que
assume a autoria do seu
ato, reconhecendo-o como
seu e respondendo pelas
consequências dele.
Liberdade e Dever
A responsabilidade cria um dever: o
comportamento moral, por ser consciente, livre e
responsável, é também obrigatório.
Pode parecer paradoxal,
mas a obediência à lei
livremente escolhida
não é coerção: ao
contrário, é liberdade.
Liberdade e Dever
Como juiz interno, a
consciência moral avalia
a situação, consulta as
normas estabelecidas,
interioriza-as como suas
ou não, toma decisões e
julga seus próprios
atos.
Desejo e vontade
O que caracteriza fundamentalmente o agir
humano é a capacidade de antecipação ideal
do resultado a ser alcançado.
Por isso o ato moral é um ato
voluntário, ou seja, um ato
de vontade que decide
realizar o fim proposto.
Desejo e vontade
É importante não confundir desejo e vontade.
O desejo não resulta de Já a vontade consiste no
escolha, porque surge poder de reflexão que
em nós com toda a sua antecede a realização
força e exigência de ou não do desejo.
realização.
Seguir o impulso do desejo sempre que ele se
manifesta é a negação da moral e da possibilidade
de qualquer vida em sociedade.
9. Ética Normativa
Éticas de “meios”
São as chamadas éticas
“deontológicas”.
“Age apenas segundo uma
máxima tal que possas ao
mesmo tempo querer que ela
se torne lei universal”.
Immanuel (KANT. Fundamentação da
Metafísica dos Costumes).
Kant
(1724-1804)
Éticas de “fins”
São as chamadas éticas
“teleológicas”.
“Os fins justificam os
Nicolau
meios”.
Maquiavel
(1724-1804)
O homem como fim em si
mesmo
O homem como fim em si
mesmo
10. Ética Aplicada
Ética Aplicada
A partir da década de 70, intelectuais das mais diversas
áreas têm refletido quais tecnologias têm sido danosas
ao ambiente. Deste debate surgiu a Ética Aplicada, da
qual destaca-se temas como:
Bioética (ou Ética Ética
ética da vida) Ambiental Profissional
Ética Aplicada
O que há de comum
nesses três ramos da ética
aplicada é o diálogo
multidisciplinar, que não
se restringe aos filósofos,
mas se amplia no debate
com os diversos
profissionais sobre os
desafios dos problemas
práticos da atualidade.
Aprender a conviver
Apesar de diferentes, o privado e público não
estão desvinculados: ao mesmo tempo que a
nossa consciência interna no indica o que fazer,
estamos também diante do coletivo que nos indica
quais padrões obedecer.
Compreender a lógica
entre público e privado
significa aprender a
conviver na sociedade.