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Material de Apoio - Direito Civil IV - Contratos

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Direito Civil IV

– Contratos
Módulo - A
•MÓDULO A
TEORIA DO DIREITO
CONTRATUAL
SUMÁRIO DO MÓDULO

1.1 Conceito e características dos contratos


1.2 Princípios contratuais
1.3 Formação do contrato
1.1 CONCEITO E
CARACTERÍSTICAS
DOS CONTRATOS
1. CONCEITO

“Espécie de negócio jurídico, de natureza bilateral ou


plurilateral, dependendo, para a sua formação, do
encontro da vontade das partes, por ser ato regulador de
interesses privados” (Maria Helena Diniz).
2. CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO

• Regulamenta vontades (elemento estrutural);

• Cria, modifica ou extingue direitos e obrigações (elemento


funcional);

• Exige, como validade, o preenchimento dos requisitos previstos


no artigo 104, CC:
– Agentes capazes;
– Objeto lícito possível, determinado ou determinável;
– Forma prescrita ou não defesa em lei;
– Além do consentimento.
1.2 PRINCÍPIOS CONTRATUAIS
Princípios contratuais previstos no Código Civil de 2002:

• Princípio da autonomia da vontade;


• Princípio da função social dos contratos;
• Princípio da força obrigatória do contrato (pacta sunt
servanda) e Teoria da imprevisão;
• Princípio da boa-fé objetiva;
• Princípio da relatividade dos efeitos contratuais;
Princípio da autonomia da
vontade
Previsão legal: Arts. 421 a 426, CC.

“A autonomia privada é o poder que os particulares têm de


regular pelo exercício de sua própria vontade, as relações
que participam, estabelecendo-lhe o conteúdo e a
respectiva disciplina jurídica”. (Francisco do Amaral)

As partes são livres para contratar, isto é, contratam se


quiserem, com quem quiserem e sobre o que quiserem,
pois o contrato é um acordo de vontades, sendo o a lei o
limite para suas atuações.
Princípio da função social do
contrato
O contrato não interessa apenas às partes contratantes,
mas também a toda sociedade, porque ele repercute no
meio social. Essa é a ideia do princípio da função social do
contrato, que reflete a atual tendência de sociabilidade do
direito, quer dizer, de subordinação da liberdade individual
em função do interesse social. Assim sendo, se o contrato
repercute negativamente para a sociedade, o juiz pode
nele intervir para preservação do interesse coletivo.
Princípio da força obrigatória e
a Teoria da Imprevisão (I)
Pacta sunt servanda vs. cláusula rebus sic stantibus.

Previsão legal: Artigos 317 e 478/480, CC; artigo 49, CDC.

As partes contratam se quiserem, porém, se contratarem, são obrigadas a


cumprir o contrato. O contrato faz lei entre as partes, o que traduz o conhecido
pacta sunt servanda, ou melhor, os pactos devem ser cumpridos.

A atual Norma Civilista adotou o princípio do pacta sunt servanda, todavia não
de forma absoluta, pois foi mitigado pela previsão da chamada cláusula rebus sic
stantibus. Assim, se um contrato for assinado e sobrevier fato imprevisível que o
desequilibre, tornando-o excessivamente oneroso para uma das partes e com
extrema vantagem para a outra, poderá aquela pedir a resolução do contrato
(art. 478, CC).
Princípio da força obrigatória e
a Teoria da Imprevisão (II)
São os elementos necessários para incidência da teoria da imprevisão ou da
onerosidade excessiva:
a) Contrato de execução continuada ou diferida: a teoria da imprevisão se aplica a contratos
cuja execução se prolongue no tempo, isto é, quando a execução é continuada ou diferida
no tempo. Como o contrato de execução instantânea tem prestações cumpridas quando
da celebração do contrato, estas não serão atingidas pelo fato imprevisível superveniente.
b) Prestação excessivamente onerosa para uma das partes: é a ideia da teoria, a excessiva
onerosidade para uma das partes, desequilibrando o contrato.
c) Extrema vantagem para a outra parte: para a resolução dos contratos, não basta este ter
ficado muito oneroso para uma das partes. É preciso que, concomitantemente, tenha
havido extrema vantagem para a outra parte. Assim sendo, se o contratante perde seu
emprego e consegue outro recebendo metade do salário anterior, o contrato fica
excessivamente oneroso para ele, porém não poderá pedir a resolução pela onerosidade
excessiva porque não houve extrema vantagem para a outra parte;
d) Fato superveniente e imprevisível: a resolução do contrato só terá lugar se o desequilíbrio
das prestações decorrerem de um fato superveniente que as partes não podiam prever
quando da celebração do contrato.
Princípio da boa-fé objetiva (I)
Previsão legal: art. 422, CC.

Este princípio obriga as partes contratantes a agirem de


boa-fé quando da celebração de um contrato. A palavra
chave do princípio é confiança, que significa parceria
contratual. A ideia é que os contratantes não são
lutadores, um querendo prejudicar o seu adversário, mas
sim parceiros, porque um confia no outro, uma vez que
são obrigados a agir em conformidade com os ditames da
boa-fé.
Princípio da boa-fé objetiva
(II)
A boa-fé objetiva exige deveres anexos de conduta:
• Dever de cuidado em relação à outra parte negocial;
• Dever de respeito;
• Dever de informar a outra parte sobre o conceito do
negócio;
• Dever de agir conforme a confiança depositada;
• Dever de lealdade e probidade;
• Dever de colaboração ou cooperação;
• Dever de agir com honestidade;
• Dever de agir conforme a razoabilidade, a equidade e a boa
razão.
Princípio da boa-fé objetiva
(III)
Funções da boa-fé objetiva:

Função de interpretação (art. 113, CC) – o negócio jurídico deve ser interpretado
conforme a boa-fé e os usos do lugar da sua celebração.

Função de controle (art. 187, CC) – uma vez que aquele que contraria a boa-fé
objetiva comete abuso de direito (“Também comete ato ilícito o titular de um
direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim
econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”).

Função de integração (art. 422,CC ) – segundo o qual: “Os contratantes são


obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os
princípios da probidade e boa-fé”.
Princípio da relatividade dos efeitos
dos contratos
O contrato só produz efeitos em relação às partes. É por
isso que dizemos que o direito contratual é inter parte
(entre as partes), diferente dos direitos reais, que são
direitos oponíveis erga omnes (contra todos). Significa que
o contratante só pode opor seu direito contratual ao outro
contratante e não a pessoas estranhas à relação
contratual, pois só as partes podem ter direitos e deveres
frutos do contrato que celebraram.
1.3 FORMAÇÃO DO
CONTRATO
O contrato se forma, em regra, quando a uma proposta se seguir
uma aceitação, seja com o acordo de vontades das partes. Como
exceção, temos os contratos reais, em que este acordo não é
suficiente para a formação do contrato, o que só ocorre com um ato
posterior: a tradição, ou melhor, a entrega do bem. É o caso de três
classes contratuais: mútuo, comodato e depósito.

Com a formação do contrato, o faz existir no mundo jurídico, e


obriga as partes ao seu cumprimento, sob pena de responsabilidade
civil contratual.
FASES DA FORMAÇÃO DO
CONTRATO
Fases da formação do contrato civil:

I - Fase de negociações preliminares ou de pontuação;


II - Fase de proposta, policitação ou oblação;
III - Fase de contrato preliminar;
IV - Fase de contrato definitivo ou de conclusão de
contrato.
Manifestação como elemento
indispensável à constituição do
contrato
• Manifestação volitiva dos contratantes.
• Manifestação tácita e o silêncio.
• Contratos entre presentes e entre ausentes.
I - Fase de negociações preliminares

• Nesta fase ocorrem as tratativas sobre o contrato


preliminar ou definitivo;

• Não está prevista no Código Civil, por isso o debate


prévio não vincula as partes, como ocorre com a
proposta ou policitação (art. 427, CC).

• Não haverá responsabilidade civil contratual nesta fase;

• A doutrina reconhece a aplicação da boa-fé objetiva em


todas as fases do contrato, incluindo esta.
II - Fase de proposta, policitação ou
oblação
É manifestação de vontade de contratar, por uma das partes, que
solicita a concordância da outra.
Art. 427, CC. "A proposta de contrato obriga o proponente, se o
contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio,
ou das circunstâncias do caso".

Partes da proposta:
• Policitante, proponente ou solicitante – aquele que formula a
proposta, estando a ela vinculado, em regra.

• Policitado, oblato ou solicitado – aquele que recebe a proposta e, se a


acatar, torna-se aceitante, o que gera o aperfeiçoamento do contrato
(choque ou encontro de vontades).
Características da manifestação de vontade na proposta e na aceitação:
• Proposta (ou oferta, policitação ou oblação): deve ser séria, clara,
precisa e definitiva – art. 427, CC;
• Aceitação: dever ser pura e simples – art. 431, CC;

Hipóteses em que a proposta deixa de ser obrigatória:


• Contrato com declaração consecutiva: se a proposta é feita sem prazo e
sem aceitação imediata (art. 428, I, CC) – se enquadra no contrato
eletrônico;
• Se feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente
para chegar a resposta ao conhecimento do proponente (art. 428, II, CC);
• Se feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro do
prazo dado pelo proponente (art. 428, II, CC);
• Se antes da proposta, ou juntamente com ela, chegar ao conhecimento
da outra parta – o oblato – a retratação do proponente (art. 428, IV, CC).
III - Fase do contrato
preliminar
Arts. 462 a 466, CC.
A fase do contrato preliminar não é obrigatório, sua função é dar
mais segurança às partes, e possui os mesmos requisitos do
contrato definitivo, com exceção da forma prescrita ou não defesa
em lei.

Tipos de contrato preliminar segundo Maria Helena Diniz:


• Compromisso unilateral de contrato ou contrato de opção: as duas partes
assinam o instrumento, mas somente uma das partes assume um dever, uma
obrigação de fazer o contrato definitivo;
• Compromisso bilateral de contrato: as duas partes assinam o instrumento e,
ao mesmo tempo, assumem a obrigação de celebrar o contrato definitivo (não
poderá constar cláusula de arrependimento – art. 463, CC).
IV - Fase do contrato
definitivo
Arts. 430 a 435, CC.
É a última fase do contrato, quando ocorre o choque ou encontro de
vontades originário da liberdade contratual ou autonomia privada.
O contrato estará aperfeiçoado, gerando todas as suas
consequências.

A boa-fé deve ser aplicada a essa fase, bem como à fase pós-contratual.

Requisitos da aceitação:
a) não exige obediência a determinada forma, salvo nos contratos solenes;
b) deve ser oportuna;
c) deve corresponder a uma adesão integral à oferta;
d) a resposta deve ser conclusiva e coerente.
O Código Civil adota a teoria da agnição, na subteoria da recepção,
pela qual o contrato é formado quando a proposta é aceita e
recebida pelo proponente (art. 434, I, II e III, c/c art. 433, CC). Essa
teoria deve ser aplicada nos seguintes casos:

1. Se antes da aceitação ou com ela chegar ao proponente a retratação


do aceitante;

2. Se o proponente se houver comprometido a esperar resposta,


hipótese em que as partes convencionaram a aplicação da subteoria
da recepção;

3. Se a resposta não chegar no prazo convencionado (outra hipótese em


que houve convenção entre as partes de aplicação da subteoria da
recepção).
Módulo - B
•MÓDULO B
CLASSIFICAÇÃO DOS
CONTRATOS
SUMÁRIO DO MÓDULO
2.1 Contratos considerados em si mesmos

I - Classificação quanto aos direitos e deveres das partes


envolvidas
II - Classificação quanto ao sacrifício patrimonial das partes
III - Classificação quanto ao momento do aperfeiçoamento do
contrato
IV - Classificação quanto aos riscos que envolvem a prestação
V- Classificação quanto à previsão legal
VI - Classificação quanto à negociação do conteúdo pelas partes
VII - Classificação quanto à forma
VIII - Classificação quanto ao momento de seu cumprimento
IX - Classificação quanto a pessoa do contratante
X- Classificação quanto à formação do contrato
XI - Classificação quanto à definitividade do negócio

2.2 Contratos reciprocamente considerados


Classificação quanto à independência contratual
2.1 Classificação dos contratos
considerados em si mesmos
I - Classificação quanto aos direitos e
deveres das partes envolvidas
Contrato unilateral: há prestação apenas para uma das partes. Doação é
contrato, pois existe duas vontades, em razão da necessidade do
donatário aceitá-la. Porém, é contrato unilateral, pois só tem prestação
para o doador (entregar o bem).
Contrato bilateral: além de duas vontades, existe prestação para ambas
as partes, por exemplo, contrato de compra e venda, pois o vendedor tem
a prestação de entregar o bem e o comprador a de estabelecer o preço. É
aplicável a teoria do risco.
Contrato plurilateral: há pelo menos três vontades envolvidas. Exemplo:
contrato de sociedade, em que são partes os sócios e a própria
sociedade, como parte credora das prestações dos sócios (contribuição
para o capital social).
II - Classificação quanto ao sacrifício
patrimonial das partes

Contrato oneroso: as partes ganham algo equivalente à sua


prestação, quer dizer, há equilíbrio econômico entre as partes
porque ambos perdem e ganham na mesma proporção econômica,
por exemplo, contrato de compra e venda.

Contrato gratuito: a parte não ganha algo equivalente à sua


prestação, ou seja, há desequilíbrio econômico, pois uma das partes
só ganha e uma das partes só perde, por exemplo, contrato de
doação.
III - Classificação quanto ao
momento do aperfeiçoamento

Contrato consensual: se vontades das partes. É a regra em


matéria de contratos, por exemplo, o contrato de compra e venda.

Contrato real: se concebe pela tradição, ou seja, com a entrega


do bem, que se segue ao acordo de vontade das partes. São três os
contratos reais: mútuo, comodato e depósito.
IV - Classificação quanto aos riscos
que envolve a prestação

Contrato comutativo: as partes podem antever os seus efeitos, isto


é, ao celebrar o contrato, já sabem os efeitos que serão produzidos.
Exemplo: contrato de compra e venda, pois já percebe-se que um
entrega o bem e que outro entrega o preço;

Contrato aleatório: as partes não podem antever os seus efeitos, ou


melhor, ao celebrar o contrato não há como saber os efeitos que
serão produzidos. A razão é simples: contrato aleatório é o contrato
de risco. Exemplo: contrato de seguro, pois o segurado pode ou não
receber a indenização, a depender se ocorre ou não o sinistro, o que
não se sabe quando o contrato é celebrado.
V - Classificação quanto à previsão
legal

Contrato típico/nominados: aquele com uma previsão legal


mínima, ou seja, com um estatuto legal suficiente. Exemplos:
compra e venda, doação, locação, prestação de serviço, empreitada,
mútuo comodato.

Contrato atípico/inominados: não há uma previsão legal mínima,


como ocorre com o contrato de garagem ou estacionamento. O art.
425, CC dispõe que é lícita a criação de contratos atípicos, desde
que observados os preceitos gerais da lei.
VI - Classificação quanto à
negociação do conteúdo pelas
partes
Contratos paritários ou negociados: aqueles em que as
partes têm igualdade de condições para negociar.

Contratos por adesão: aqueles em que inexiste a


liberdade de convenção, uma vez que as cláusulas são
impostas por um dos contratantes.
VII - Classificação quanto à forma
Contrato formal: aquele que exige qualquer formalidade, caso da
forma escrita. Exemplo: o contrato de fiança deve ser celebrado por
escrito (art. 819, CC).

Contrato informal: não exige qualquer formalidade, constituindo


regra geral pelo sistema civil brasileiro, pelo que consta do art. 107,
CC, que consagra o princípio da liberdade das formas.

Contrato solene: aquele que exige solenidade pública. (a escritura


pública somente é necessária para os negócios de alienação de
imóvel com valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo
vigente.
VIII - Classificação quanto ao
momento
de seu cumprimento
Contrato de execução instantânea: que é cumprido em uma só vez,
no momento da celebração do contrato (ex.: compra e venda com
pagamento à vista)

Contrato de execução continuada: em que a prestação é efetuada


em cotas periódicas (ex.: compra e venda com pagamento
parcelado).

Contrato de execução diferida: na qual a prestação é realizada em


uma só vez, contudo no futuro (ex.: compra e venda com
pagamento a prazo).
IX - Classificação quanto à pessoa
do contratante

Contrato personalíssimo, pessoal, intuitu personae:


aqueles que a pessoa do contratante é elemento
determinante de sua conclusão.

Contrato impessoal: aquele em que a pessoa do


contratante não é juridicamente relevante para a
conclusão do negócio. Exemplo: compra e venda.
X - Classificação quanto à
formação do contrato
Contrato entre presentes: proposta e a aceitação se dão
em tempo real, sendo firmado não só entre pessoas
fisicamente presentes, mas também por telefone ou meio
de comunicação semelhante (vídeo conferência, chats,
entre outros);

Contrato entre ausentes: a proposta e a aceitação não se


dão em tempo real, cujos principais exemplos são aqueles
formados por carta ou por e-mail.
XI - Classificação quanto à
definitividade
do negócio

Contrato preliminar ou pré-contrato (pactum de


contrahendo): negócio que tende à celebração de outro
no futuro.

Contrato definitivo: não tem qualquer dependência


futura, no aspecto temporal.
2.2 - CONTRATOS RECIPROCAMENTE
CONSIDERADOS
Classificação quanto à independência contratual

Contrato principal ou independente: existe por si só, não


havendo qualquer relação de dependência em relação a
outro pacto.

Contrato acessório: aquele cuja validade depende de um


outro negócio, o contrato principal. Exemplo: contrato de
fiança, que depende do contrato de locação de imóvel
urbano.
Módulo - C
•MÓDULO C
EFEITOS DOS CONTRATOS
SUMÁRIO DO MÓDULO

3.1 Efeitos jurídicos decorrentes da relação contratual


3.2 Efeitos particulares do contrato
3.1 Efeitos jurídicos decorrentes da
relação contratual
I - Efeitos jurídicos decorrentes da
obrigatoriedade

Força obrigatória dos contratos (vinculante) e, por


isso:
⮚ Gera perdas e danos;
⮚ É lei entre as partes;
⮚ É irretratável e inalterável.
II - Efeitos jurídicos quanto à sua
relatividade.
• Em regra, somente obriga as partes;

• É passível de transmissão, com exceção da


personalíssima;

• Pode, eventualmente, atingir terceiros.

• Eficácia relativa quanto ao objeto.


III - Efeitos em relação a terceiros
e a estipulação em favor de
terceiros

Como regra, o contrato não beneficia, nem prejudica


terceiros.

Estipulação em favor de terceiro: contrato estabelecido


entre duas pessoas, em que se convenciona certa
vantagem patrimonial para terceiro, alheio à formação do
contrato.
Requisitos da estipulação em favor de terceiros (artigos
436 a 438, CC):

– Subjetivo: estipulante, promitente (ou devedor) e o


beneficiário;

– Objetivo;

– Formal;
IV - Promessa de fato por
terceiro
Prevista nos artigos 439 e 440, CC.

Aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá


por perdas e danos, quando este o não executar.
V - Contrato com pessoa a
declarar
No momento da conclusão do contrato, pode uma das
partes reservar-se a faculdade de indicar a pessoa que
deve adquirir os direitos e assumir as obrigações dele
decorrentes.

Estabelecido nos artigos 467 a 471, CC.


3.2 Efeitos particulares do
contrato
ISituação
- Direito de uma
em que retenção
das partes,autorizado por lei,
conserva em seu poder coisa alheia, que já detém
legitimamente.
Requisitos:
a) Detenção da coisa alheia, originada por uma causa normal
e lícita;
b) Conservação dessa coisa;
c) Crédito líquido, certo e exigível do retentor;
d) Inexistência de exclusão legal ou convencional do direito.
II - Exceptio non adimpleti
contractus.

Defesa oponível pelo contratante demandado pelo outro,


que está inadimplente.

Artigos 476 e 477, CC.


III - Vícios redibitórios
São os defeitos que desvalorizam a coisa ou a tornam
imprópria para uso.

Art. 441, CC. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo


pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem
imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam o valor.
a - Requisitos

a) Coisa adquirida em virtude de contrato comutativo ou


de doação gravada com encargo;
b) Vício ou defeito prejudicial à utilização da coisa ou
determinante da diminuição de seu valor;
c) Defeito grave da coisa;
d) Vício oculto;
e) Defeito já existente no momento da celebração do
contrato;
b - Algumas consequências

• Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa,


restituirá o que recebeu com perdas e danos; se o não
conhecia, tão-somente restituirá o valor recebido, mais
as despesas do contrato (art. 443, CC);

• A responsabilidade do alienante subsiste ainda que a


coisa pereça em poder do alienatário, se perecer por
vício oculto, já existente ao tempo da tradição (art. 444,
CC);
O adquirente da coisa com vício redibitório pode fazer uso das ações
edilícias, nos termos do art 442, CC:

1. Pleitear abatimento proporcional no preço, por meio de ação


quanti minoris ou ação estimatória;
2. Requerer a resolução do contrato (devolvendo a coisa e
recebendo de volta a quantia em dinheiro que desembolsou),
sem prejuízo de perdas e danos, por meio da ação redibitória.
a) Para pleitear perdas e danos, deverá comprovar a má-fé do alienante
(art. 443, CC).
b) A ação redibitória com a devolução do valor pago e o ressarcimento das
despesas contratuais, cabe mesmo se o alienante não tinha
conhecimento do vício.
c - Aplicação do princípio da conservação
do contrato

• No caso em que os vícios não geram grandes repercussões em


relação à utilidade da coisa, pode o adquirente reclamar o
abatimento proporcional do preço (art. 442, CC), inclusive com a
ação quanti minoris;

• Se o vício for insignificante ou ínfimo e não prejudicar as


finalidades do contrato, não cabe sequer o pedido de abatimento
no preço.
d - Responsabilidade do alienante

• No caso em que os vícios não geram grandes repercussões em


relação à utilidade da coisa, pode o adquirente reclamar o
abatimento proporcional do preço (art. 442, CC), inclusive com a
ação quanti minoris;

• Se o vício for insignificante ou ínfimo e não prejudicar as


finalidades do contrato, não cabe sequer o pedido de abatimento
no preço.
e - Prazo decadencial das ações edilícias
• Na hipótese de vício que pode ser percebido imediatamente, o
adquirente decai do direito de requerer o abatimento no preço (art.
445, caput, CC);
a) Prazo de 30 dias, se o bem for móvel;
• Prazo reduzido pela metade, se já estava na posse do bem.
b) Prazo de 1 ano, se o bem for imóvel, contado da entrega efetiva.
• Prazo reduzido pela metade, se já estava na posse do bem.

• Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde
(art. 445, § 1º, CC).
a) Bens móveis: prazo contado do momento da ciência até o prazo máximo de 180
dias.
b) Bens imóveis: prazo contado do momento da ciência até o prazo máximo de
1 ano.
f - Diferença entre vício redibitório e erro

Não se deve confundir vício redibitório com o erro:

Vício redibitório:
– O problema atinge o objeto do contrato;
– Atinge o plano de eficácia do contrato (resolução ou
abatimento do preço);
Erro:
– O vício é do consentimento, atingindo a vontade, pois a
pessoa se engana sozinha em relação a um elemento do
contrato celebrado (arts. 138 a 144, CC).
– Atinge o plano de validade (anulabilidade do contrato).
IV - Evicção
a - Conceito:

Perda da coisa diante de uma decisão judicial ou de um ato


administrativo que a atribui a um terceiro.

A conceituação clássica da evicção, é que ela decorre de


uma sentença judicial.
O STJ tem entendido que a evicção pode estar presente em
decisão administrativa (STJ, Resp 259.726/RJ, 4ª Turma, Rel. Min
Jorge Scartezzini, data da decisão: 03.08.2004, DJ 27.09.2004, p. 361).
b - Partes da evicção (elementos subjetivos):

• O alienante: aquele que transfere a coisa viciada, de


forma onerosa;
• O evicto ou adquirente: aquele que perde a coisa
adquirida;
• O evictor ou terceiro: tem a decisão judicial ou a
apreensão administrativa a seu favor.
c - Requisitos:
• Onerosidade da aquisição do bem.
• Perda total ou parcial da propriedade.
• Sentença judicial.
• Anterioridade do direito do evictor.
• Denunciação da lide
d - Responsabilidade pela evicção:
• Decorre da lei.

e - Exclusão da responsabilidade pela evicção:


• Decorre de cláusula expressa de irresponsabilidade pela evicção
(cláusula non praestaenda). Fórmula de Washington B. Monteiro;
– Cláusula expressa de exclusão da garantia + conhecimento do risco da
evicção pelo evicto = isenção de toda e qualquer responsabilidade por
parte do alienante.
– Cláusula expressa de exclusão de garantia com ciência específica desse
risco por parte do adquirente = responsabilidade do alienante apenas
pelo preço pago pelo adquirente pelo coisa evicta;
– Cláusula expressa de exclusão de garantia, sem que o adquirente haja
assumido o risco da evicção de que foi informado = direito deste de
reaver o preço que desembolsou.
Evicção parcial
O evicto poderá pleitear do alienante (art. 455, CC):

• O adquirente pode optar entre a rescisão do contrato ou a


restituição da parte do preço correspondente ao desfalque;

• Sendo parcial a evicção, mas não considerável, poderá o evicto


somente pleitear indenização correspondente à parte perdida
(perdas e danos).
Evicção total
O evicto poderá pleitear do alienante:
1. A restituição integral do preço pago, levando-se em conta o valor da coisa à época em
que se perdeu (art. 450, parágrafo único, CC);
2. A indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir ao evictor ou terceiro;
3. A indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente
resultarem da evicção (danos emergentes, despesas de escritura e registro e lucros
cessantes, nos termos dos arts. 402 a 404, CC; além de danos materiais ou morais).
4. As custas judiciais e os honorários advocatícios do advogado por ele constituído;
5. Indenização pelas benfeitorias necessárias e úteis não abonadas ao evicto pelo
evictor (art. 453, CC). Porém, se as benfeitorias abonadas ao que sofreu a evicção
tiverem sido feitas pelo alienante, o valor destas deverá ser levado em contra na
restituição devida (art. 454, CC).
Módulo - D
•MÓDULO D
EXTINÇÃO DA RELAÇÃO
CONTRATUAL
SUMÁRIO DO MÓDULO

4.1 Extinção normal do contrato

4.2 Extinção por fatos anteriores à celebração

4.3 Extinção por fatos contemporâneos ou posteriores


à celebração

4.4 Extinção por morte


4.EXTINÇÃO DO CONTRATO
A extinção do contrato é o fim de sua existência, é o seu
desaparecimento do mundo jurídico. Extinção é o gênero,
que contempla várias espécies, pois é a expressão mais
ampla para o fim do contrato, seja pela causa que for.

Previsão legal: arts. 472 a 480, CC.


FORMAS DE EXTINÇÃO DOS CONTRATOS

Formas básicas de extinção dos contratos, das quais decorrer as


demais:

4.1 Extinção normal do contrato;

4.2 Extinção por fatos anteriores à celebração;

4.3 Extinção por fatos posteriores à celebração;

4.4 Extinção por morte;


4.1 - Extinção normal do contrato

I. Execução;
II. Solutio;
III. Quitação;
IV. Pagamento;
4.2 Extinção por fatos anteriores à
celebração
• Nulidade absoluta (arts. 166 e 167, CC);

• Nulidade relativa (art. 171, CC);

• Cláusula resolutiva (arts. 475 e 476, CC);

• Cláusula de arrependimento (art. 420, CC).


4.3 Extinção por fatos contemporâneos ou
posteriores à celebração
I - Resilição do contrato:
– bilateral (distrato) (art. 472, CC)
– unilateral (art. 473, CC)
II - Resolução do contrato:
– por inexecução voluntária
– por inexecução involuntária
– por onerosidade excessiva (arts. 478 a 480, CC)
III - Cláusula resolutiva tácita
I - RESILIÇÃO DO CONTRATO
A resilição é o exercício de um direito potestativo, é a extinção do contrato por vontade de
um ou de ambos os contratantes, sem ter qualquer razão jurídica para isso.

• Resilição bilateral (art. 472, CC): ocorre quando a extinção do contrato se dá


unicamente por vontade de ambas as partes, sem se externar qualquer causa para isso,
razão pela qual, em princípio, nenhuma das partes deve qualquer indenização ao outro
contratante. É chamado de distrato, e deve obedecer à mesma forma exigida para oo
contrato.

• Resilição unilateral (art. 473, CC): ocorre quando apenas uma das partes não quer
mais manter o contrato, sem precisar externar qualquer razão para isso, podendo se
dar quando a lei permitir ou quando houver expressa previsão no contrato;
Resilição Unilateral
Casos (exemplificativos) de resilição unilateral:

• Denúncia vazia: cabível na locação de coisa móvel ou imóvel regida


pelo Código Civil, e Lei 8.245/91
• Revogação: espécie de resilição unilateral cabível quando há quebra
de confiança naqueles pactos em que esta se faz presente como fator
predominante. Cabe revogação por parte do mandante, comodante,
depositante e doador.
• Renúncia: outra forma de resilição unilateral cabível nos contratos
baseados na confiança, quando houver quebra desta. Viável por parte
do mandatário, comodatário, depositário e donatário.
• Exoneração por ato unilateral: cabível por parte do fiador, na fiança
por prazo indeterminado, prevista no art. 835, CC.
II - RESOLUÇÃO DO
CONTRATO
A resolução do contrato é a sua extinção em razão do descumprimento ou
inadimplemento contratual da outra parte.
Esse descumprimento pode ser com culpa ou sem culpa do contratante
inadimplente, o que faz com que existam duas categorias de resolução do
contrato:
• com culpa (voluntária) ou;
• sem culpa (involuntária).

A Cláusula resolutória é aquela que permite ao contratante resolver o


contrato diante do inadimplemento da outra parte. O contrato pode trazer
uma cláusula resolutória expressa, mas esta também pode ser implícita aos
contratos.
I - Resolução por inexecução
voluntária
Está relacionada com a impossibilidade da prestação por
culpa ou dolo do devedor, podendo correr tanto na
obrigação de dar como nas obrigações de fazer e de não
fazer.
• A parte lesada por pedir a resolução do contrato (art. 475, CC);
• A inexecução culposa (arts. 389 e 390, CC) sujeitará a parte
inadimplente ao ressarcimento pelas perdas e danos sofridos –
danos emergentes, lucros cessantes, danos morais, estéticos e
imateriais (arts. 402 a 404, CC);
II - Resolução por inexecução
involuntária
Trata-se de descumprimento contratual por fato alheio à
vontade dos contratantes, que gera a resolução do
contrato em decorrência de caso fortuito ou de força
maior, ou no caso de aplicação da teoria da imprevisão ou
da onerosidade excessiva.

Consequência: a outra parte não poderá pleitear perdas e


danos, sendo tudo o que foi pago devolvido e retornado a
obrigação à situação primitiva.
Resolução por inexecução
involuntária
Caso fortuito ou motivo de força maior
São situações inevitáveis, insuperáveis, que impedem o contratante
de cumprir sua prestação, havendo simples resolução do contrato,
retornando as partes ao estado em que se encontravam antes de
sua celebração.
• Caso fortuito - evento totalmente imprevisível;
• Força maior - evento previsível, mas inevitável;
Resolução por inexecução
involuntária
Caso fortuito ou motivo de força maior

Hipóteses em que haverá dever de indenizar em perdas e danos:


• Quando houver previsão expressa no contrato impondo o dever de
indenizar perdas e danos pelo seu descumprimento, mesmo em razão
de caso fortuito ou motivo de força maior, cuja validade é discutível
nos contratos de consumo e de adesão (art. 393, CC); e
• Se o devedor estiver em mora, a não ser que prove ausência de culpa
ou que a perda da coisa objeto da obrigação ocorreria mesmo não
havendo atraso (art. 399, CC);
• Em casos especificados em norma jurídica, como consta, por exemplo,
do art. 583, CC, para o contrato de comodato.
Resolução por inexecução
involuntária
Teoria da imprevisão ou da onerosidade excessiva:

É resolução do contrato sem culpa, pois acontece fato


superveniente e imprevisível que desequilibra
economicamente o contrato, legitimando o pedido de
resolução do contrato pelo fato da lei não exigir mais o
seu cumprimento.
III - Resolução por
onerosidade excessiva
Trata-se de resolução em decorrência de um evento extraordinário
e imprevisível causador de onerosidade excessiva, que dificulta
extremamente o adimplemento do contrato, gerando a extinção do
negócio, nos termos do art. 478, CC.
Na ação de resolução contratual fundada no art. 478,CC é possível a
revisão contratual aplicando os arts. 479 e 480, CC.

Enunciado n. 365, da IV Jornada de Direito Civil:


“A extrema vantagem do art. 478 deve ser interpretada como elemento
acidental da alteração de circunstâncias, que comporta a incidência da
resolução ou revisão do negócio por onerosidade excessiva, independentemente
de sua demonstração plena”.
Resolução por onerosidade
excessiva
ONEROSIDADE EXCESSIVA. CONTRATO DE SAFRA FUTURA DE SOJA. FERRUGEM ASIÁTICA.
Reiterando seu entendimento, a Turma decidiu que, nos contratos de compra e venda futura de soja, as
variações de preço, por si só, não motivam a resolução contratual com base na teoria da imprevisão. Ocorre
que, para a aplicação dessa teoria, é imprescindível que as circunstâncias que envolveram a formação do
contrato de execução diferida não sejam as mesmas no momento da execução da obrigação, tornando o
contrato extremamente oneroso para uma parte em benefício da outra. E, ainda, que as alterações que
ensejaram o referido prejuízo resultem de um fato extraordinário e impossível de ser previsto pelas partes.
No caso, o agricultor argumenta ter havido uma exagerada elevação no preço da soja, justificada pela baixa
produtividade da safra americana e da brasileira, motivada, entre outros fatores, pela ferrugem asiática e
pela alta do dólar. Porém, as oscilações no preço da soja são previsíveis no momento da assinatura do
contrato, visto que se trata de produto de produção comercializado na bolsa de valores e sujeito às
demandas de compra e venda internacional. A ferrugem asiática também é previsível, pois é uma doença que
atinge as lavouras do Brasil desde 2001 e, conforme estudos da Embrapa, não há previsão de sua
erradicação, mas é possível seu controle pelo agricultor. Sendo assim, os imprevistos alegados são inerentes
ao negócio firmado, bem como o risco assumido pelo agricultor que também é beneficiado nesses contratos,
pois fica resguardado da queda de preço e fica garantido um lucro razoável. Precedentes citados: REsp
910.537-GO, DJe 7/6/2010; REsp 977.007-GO, DJe 2/12/2009; REsp 858.785-GO, DJe 3/8/2010; REsp 849.228-
GO, DJe 12/8/2010; AgRg no REsp 775.124-GO, DJe 18/6/2010, e AgRg no REsp 884.066-GO, DJ 18/12/2007.
REsp 945.166-GO, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/2/2012.
III - CLÁUSULA RESOLUTIVA
TÁCITA
Trata-se de cláusula que decorre da lei e que gera a extinção do
contrato em decorrência de um evento futuro e incerto,
superveniente à celebração do contrato.
Necessita de interpelação judicial para gerar efeitos (art. 474, CC).

Exemplo: exceção do contrato não cumprido (exceptio non


adimplenti contractus), previsto no art. 476, CC. Havendo
descumprimento bilateral, o contrato será extinto.
4.4 EXTINÇÃO POR MORTE
DE UM DOS CONTRATANTES
Para algumas categorias contratuais, a morte de um dos
contratantes por gerar o fim do pacto negocial.
• Ocorre somente em nos casos em que a parte contratual assume
uma obrigação personalíssima ou intuitu personae;
• O contrato se extingue de pleno direito;
• A condição de fiador não se transmite aos herdeiros, só
respondem por dívidas eventualmente vencidas durante a vida
de seu antecessor (art. 836, CC).
Módulo - E
•MÓDULO E
MODALIDES CONTRATUAIS
PREVISTAS NO CÓDIGO CIVIL
SUMÁRIO DO MÓDULO
Modalidades Contratuais no Código Civil:
5.1 Compra e venda
5.2 Troca e permuta
5.3 Estimatória ou venda por consignação
5.4 Doação
5.5 Locação
5.6 Empréstimo
5.7 Prestação de serviço
5.8 Empreitada
5.9 Depósito
5.10 Mandato
5.11 Comissão
5.12 Corretagem
5.13 Transporte
5.14 Seguro
5.15 Fiança
5.1 CONTRATO DE COMPRA E
VENDA
Conceito: contrato em que uma pessoa se obriga a
transferir a outra o domínio de coisa, mediante o
recebimento do preço.

Art. 481, CC. “Pelo contrato de compra e venda, um dos


contratantes se obriga a transferir o domínio de certa
coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro”.
Natureza Jurídica do
Contrato de Compra e Venda
a) Contrato bilateral ou sinalagmático: proporciona, reciprocamente, obrigações para
ambas as partes, com a transferência obrigatória do domínio da coisa a outra parte,
mediante o pagamento justo e certo da coisa;
b) Contrato oneroso: gera repercussão econômica com a sua elaboração para ambas as
partes;
c) Contratos que podem ser aleatórios ou comutativos: regra geral, os contratos são
comutativos em razão das prestações serem certas. No entanto, a possibilidade de risco
não está completamente excluída;
d) Contrato consensual: nasce do consenso entre as partes, uma delas será responsável
em aceitar o preço e a outra a contraprestação;
e) Contrato formal ou informal: a compra e venda de bens imóveis com valor superior a
trinta salários mínimos federais deverá ser sempre por escritura pública. Todavia, se
inferior, a mesma poderá ser feita por instrumento particular.
f) Contrato pode ser instantâneo ou de longa duração: o instantâneo se consumará com
a prática do ato, o de longa duração necessita de tempo para se exaurir.
g) Contrato paritário ou de adesão: será paritário quando as partes estiverem em pé de
igualdade; já o contrato de adesão ocorre quando uma das partes estipularem as
cláusulas e a outra, terá somente como escolha a aceitação das mesmas.
Elementos constitutivos do
contrato de compra e venda
a) Partes: capazes;
b) Coisa: deve ser disponível para poder comercializar dentro do
mercado. O objeto tem que ser lícito e determinado ou
determinável. O objeto do contrato para ser negociado no mercado,
como prevê o art 483. CC, poderá também ser futuro;
c) Preço: justo, certo, determinado e em moeda corrente, de acordo
com o art. 315, CC. Tal elemento possui ainda algumas regras
especiais todas previstas nos seguintes artigos do Código Civil:
i. Preço por avaliação – art. 485;
ii. Preço à taxa de mercado ou de bolsa - art. 486;
iii. Preço por cotação – art. 487;
iv. Preço tabelado e médio – art. 488;
v. Preço unilateral – art. 489.
Algumas consequências jurídicas
• Obrigação do vendedor de entregar a coisa (art. 493, CC), com
todos os seus acessórios;

• Obrigação do comprador pagar o preço (arts. 491 e 495, CC);

• Responsabilidade pelos riscos, até a transferência (arts. 492 e


502, CC);

• Direito do comprador recusar a coisa vendida mediante amostra


(art. 484, CC);

• Direito de exigir o complemento da área, nos compras ad


mensuram (art. 500, CC);
Regras especiais da compra e venda
a) Venda por amostra, por protótipos ou por modelos: se a venda
ocorrer nesta forma, vendedor assegurará ter a coisa as
qualidades que a elas correspondem;

b) Da venda a contento (ad gustum) e da sujeita a prova:


entende-se que é aquela realizada sob condição suspensiva,
ainda que tenha recebido a coisa;

c) Venda por medida, por extensão ou ad mensuram – é aquela


em que o preço do imóvel é determinado pela área, formando o
cálculo que originará o preço do contrato.
Restrições à compra e venda
a) Venda de ascendente para descendente (hereditasviventis non
datur): regulamentado pelo art. 496, CC, possuindo o prazo
decadencial de dois anos, conforme art. 179 desta lei;

b) Venda entre cônjuges: é permitida pelo art. 499, CC;

c) Venda de bens sob administração: é proibida pelo art. 497, CC;

d) Venda de parte indivisa em condomínio: não pode um


condômino de coisa indivisível vender a sua parte a terceiros
sem notificar o outro proprietário do bem.
Cláusulas especiais ou pactos
adjetos
a) Retrovenda ou cláusula de resgate: cláusula pela qual o vendedor reserva
o direito de reaver, em certo prazo, o imóvel alienado, restituindo ao
comprador o preço pago (arts. 505 ao 508, CC);
b) Cláusula de preempção, preferência ou prelação: obriga o comprador da
coisa a oferecê-la preferencialmente ao vendedor, caso resolva aliená-la
(arts. 513 ao 520, CC);
c) Cláusula de venda com reserva de domínio ou pactum reservati domini:
ocorre quando se estipula, em compra e venda, que o vendedor reserva
para si a sua propriedade e a posse indireta até momento em que se realize
o pagamento integral do preço (artigos 521 ao 528, CC);
d) Venda a contento ou pactum displicentiae: subordina o contrato à
condição de ficar desfeito se o comprador não se agradar da coisa (arts. 521
ao 525, CC);
e) Venda sobre documentos ou trust receipt – arts. 529 ao 532, CC.
Contrato de compra e venda de
coisa futura
O contrato de compra e venda de coisa futura é aleatório, pois não se sabe se
a coisa virá a existir e em que quantidade. Pode o contratante assumir o risco
da coisa não vir a existir, pagando mesmo assim o preço (chamado de
contrato de compra e venda emptio spei) ou assumir o risco de vir a existir em
qualquer quantidade, pagando o preço se vier a existir em quantidade inferior
à esperada, todavia não pagando se nada do avençado vier a existir (chamado
contrato de compra e venda emptio rei speratae).
Em ambos os casos, não pagará o preço se menos do esperado vier a existir
por culpa ou dolo do contratante. Como exemplo, pense na compra de peixes
que ainda serão pescados, em que se paga o preço mesmo que nenhum peixe
seja pescado (emptio spei) ou se vier em qualquer quantidade, só não
pagando se nenhum vier (emptio rei speratae). Em nenhum dos dois casos
pagará, se o insucesso total ou parcial decorreu de dolo ou culpa do pescador.
Contrato de compra e venda
de coisa exposta a risco
O contrato de compra e venda de coisa exposta a risco é
de coisa preexistente, entretanto é atipicamente aleatório,
pois o comprador assume o risco exposto.

Exemplo: compra de cerâmica a ser transportada em


navio, cujo risco de vir a se quebrar o comprador assuma.
Deverá pagar todo o preço, mesmo que alguns venham
quebrados, a menos que dolosamente o vendedor se
aproveite, colocando alguns já quebrados.
5.2 CONTRATO DE TROCA OU
PERMUTA
Conceito: contrato por meio do qual as partes se obrigam
a dar uma coisa por outra, que não seja dinheiro.
Natureza jurídica do
contrato de troca ou permuta
a) Bilateral ou sinalagmático: proporciona, reciprocamente, obrigações
para ambas as partes, com a transferência obrigatória do domínio da
coisa a outra parte, mediante o pagamento justo e certo da coisa;
b) Comutativo: as partes se cientificam de suas obrigações no ato da
elaboração, por serem certas e determinadas no ato da celebração;
c) Consensual: ocorre com a manifestação das partes;
d) Informal, solene ou não solene;
e) Translativo: a transmissão da coisa ocorrerá com a tradição, trazendo
consigo no contrato;
f) Oneroso: proporciona repercussão econômica;
5.3 CONTRATO ESTIMATÓRIO
Conceito: tem por finalidade vender, em nome próprio,
bens de propriedade de terceiros. O
proprietário/consignante entrega somente a posse do
bem ao vendedor/consignatário, não sendo entregue o
domínio da coisa.

• Também pode ser chamado de contrato de venda em


consignação.
Natureza jurídica do contrato
estimatório
a) Bilateral ou sinalagmático: caracterizado pela reciprocidade nas obrigações
entre os contratantes;
b) Oneroso: proporciona repercussão econômica;
c) Real: é concretizado com a efetiva entrega do bem;
d) Comutativo: as partes são cientificadas de suas obrigações no ato da
elaboração;
e) Informal, ou não solene – pois a lei não impõe maiores formalidades para a
sua celebração;
f) Instantâneo e temporário – o contrato instantâneo se consuma com a
prática do ato já o contrato temporário se efetua através do termo final para
a venda da coisa consignada.
Efeitos e regras do contrato
estimatório
• É análogo a uma obrigação alternativa, pois o
vendedor/consignatário poderá devolver o valor
inicialmente estimado ou a própria coisa;

• A coisa deve ser móvel e livre para alienação, não podendo


estar gravada com cláusula de inalienabilidade;

• Obs: nesta relação contratual, o consignante possui o


domínio, transferindo ao consignatário somente a posse do
bem móvel.
5.4 CONTRATO DE DOAÇÃO

Conceito: contrato em que pessoa, por mera liberalidade,


transfere bem para outra.

Art. 538, CC. "Considera-se doação o contrato em que


uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu
patrimônio bens ou vantagens para o de outra."
Natureza jurídica do contrato de
doação
a) Unilateral: proporciona obrigação para somente uma das partes;

b) Gratuito: a doação será em regra gratuita (excepcionalmente haverá a


doação modal, conferindo vantagens a ambas as partes);

c) Consensual/formal: a lei dispõe que poderá ser celebrado por instrumento


público ou particular, sendo faculdade do doador;

d) Real/formal: ocorrerá quando a doação envolver bem de pequeno valor


seguido de sua tradição (doação oral/manual);

e) Comutativo: ocorre quando as partes são cientificadas de suas obrigações


no ato da elaboração;
Elementos fundamentais do
contrato de doação

• Contratualidade (art. 541, CC);


• Animus donandi;
• Transferência de bens para o donatário;
• Aceitação do donatário (art. 539, CC).
Requisitos do contrato de doação

Requisitos subjetivos (capacidade ativa e passiva):


⮚ Artigos 543, 544, 550 e 554, CC.

Requisitos objetivos:
⮚ Artigos 545, 548, 549, 551 e 552, CC.
Espécies de doação
• Doação pura e simples (art. 540, CC): ato possui liberdade plena, não se submetendo a
condição, termo ou encargo;

• Doação contemplativa (art. 540, 1ª parte, CC): o doador efetua a mesma por mera
liberalidade, expressando o motivo;

• Doação remuneratória (art. 540, 2ª parte, CC): se origina da realização de serviços


prestados, cujo pagamento o donatário não pode ou não deseja cobrar;

• Doação ao nascituro (art. 542, CC): é válida desde que aceita pelo seu representante
legal. Trata-se de modalidade que depende necessariamente de condição suspensiva
para vigorar, pois condiciona a validade do contrato de doação ao nascimento do feto
com vida;
Espécies de doação
• Doação feita ao absolutamente incapaz (art. 543, CC): trata-se de doação pura, não há
necessidade da aceitação do donatário, pois se presume que o incapaz aceitou,
inexistindo prova em contrário (iureetiure);
• Doação de ascendente a descendente ou de um cônjuge ao outro (art. 544, CC): está
relacionado ao adiantamento da legítima, visto que confere as doações o valor, que
dele em vida receberam, sob pena de sonegação. Devemos ressaltar que é importante
não confundir esse tipo de doação com a inoficiosa prevista no art. 549, CC;
• Doação em forma de subvenção periódica (art. 545, CC): trata-se de pagamentos
mensais realizados pelo doador ao donatário, extinguindo-se com o falecimento de
uma das partes, exceto no caso de falecimento do doador, que poderá estabelecer aos
seus herdeiros a continuação dos pagamentos ao favorecido;
• Doação propternuptias (art. 546, CC) – é aquele direcionado para as núpcias, ou seja,
aplicado para casamento futuro, não vigendo o contrato em caso de não consumação
do mesmo;
Espécies de doação
• Doação com cláusula de reversão ou retorno (art. 547, CC) – trata-se de contrato de
doação intuitu personae, visto que a mesma está direcionada somente ao donatário,
pois caso o mesmo venha a falecer antes do doador, o bem retornará ao patrimônio do
doador ainda que tenha alienado o imóvel antes da morte;
• Doação universal (art. 548, CC): é nula tal modalidade, pois a lei veda a doação pelo
doador se o mesmo não possuir bens suficientes para a sua subsistência. Tal medida
visa tutelar a qualidade de vida do doador;
• Doação inoficiosa (art. 549, CC): significa que a doação efetuada ultrapassou o quinhão
disponível para testar;
• Doação do cônjuge adultero (art. 550, CC): é a doação feita entre amantes, geralmente
por pessoas casadas com impedimento de contrair união estável, sendo anulável no
prazo decadencial de dois anos. A anulabilidade do contrato poderá ser proposta pelo
cônjuge traído ou também pelos herdeiros necessários. Todavia a mesma poderá ser
convalidada no caso dos cônjuges estarem separados de fato;
Espécies de doação
• Doação conjuntiva (art. 551, CC): trata-se da doação de um determinado bem a dois
ou mais donatários, onde os mesmo se tornarão cotitulares do bem;

• Doação Modal ou onerosa (art. 553, CC): é aquela em que o doador atribui ao
donatário um encargo, o qual se torna elemento modal do negócio jurídico;

• Doação entidade futura (art. 554, CC): a entidade deverá se constituir regularmente
com a inscrição dos atos constitutivos no respectivo registro no prazo máximo de dois
anos, no entanto, se a mesma não estiver devidamente composta dentro desse prazo,
o contrato poderá caducar;
Revogação do contrato de
doação
⮚ Por ingratidão (arts. 555 a 557, CC).

⮚ Por descumprimento de encargo (art. 562, CC).


Hipóteses de irrevogabilidade por
ingratidão
Conforme o art. 564, CC, as doações que não serão
revogadas por ingratidão serão as:
a) as doações puramente remuneratórias;
b) as oneradas com encargo já cumprido;
c) as que se fizerem em cumprimento de obrigação natural;
d) as feitas para determinado casamento.
5.5 CONTRATO DE LOCAÇÃO

Conceito:

Trata-se de contrato em que uma das partes, mediante


remuneração da outra, se compromete a fornecer o uso e
o gozo de coisa infungível.

• Obs.: A locação prevista na lei nº 8.245/91 aplica


somente nas relações locatícias de imóvel urbano,
conforme previsto em seu art. 1º.
Natureza jurídica do contrato de
locação
• Bilateral ou sinalagmático: as partes possuem vantagens e
desvantagens recíprocas;

• Oneroso: é essencialmente econômico, através da cobrança de


alugueres;

• Comutativo: as partes são cientificadas de suas obrigações no ato


da celebração do contrato de locação;

• Consensual: a vontade das partes é a essência do contrato;


Natureza jurídica do contrato de
locação
• Informal e não solene: inexiste obrigatoriedade de escritura pública
como também de contrato escrito;

• De execução continuada: as prestações perduram com o passar do


tempo;

• Típico: caracterizado por possuir regulamentação legal no Código Civil;

• Paritário ou de adesão: será paritário quando as partes estiverem em


pé de igualdade no ato de estabelecer as cláusulas contratuais e será
caracterizado contrato de adesão quando uma das partes estipular as
cláusulas e a outra somente puder aderi-las para que se possa obter o
objeto do contrato;
Características gerais do contrato
de locação
• Cessão temporária do uso e gozo da coisa;

• Remuneração (aluguel);

• Contratualidade (contrato bilateral, oneroso, comutativo,


consensual e de execução continuada);

• Temporariedade;
Regras do contrato de locação
• Direito potestativo da redução proporcional do aluguel ou a resolução do
contrato, segundo o art. 567, CC;
• Locação por prazo determinado do art. 573, CC: esta modalidade cessa de
pleno direito com o fim do prazo estipulado, independentemente de
notificação ou aviso;
• Aluguel pena: art. 575, CC;
• A sucessão na locação: art. 577, CC;
• Indenização por benfeitorias: art. 578, CC;
• A aquisição do bem por terceiro e a cláusula de vigência: se o bem objeto do
contrato for alienado durante a vigência do contrato de locação, o adquirente
não ficará obrigado a respeitar o contrato, se nele não for consignada a
cláusula da sua vigência no caso de alienação, e não constar de registro.
Direitos e obrigações do locador

• DIREITOS • OBRIGAÇÕES
• Receber os alugueres; • Entregar ao locatário a coisa
• Cobrar antecipadamente o alugada;
aluguel, desde que a locação não
seja garantida por caução real ou • Manter o bem nesse estado, pelo
fidejussória; tempo do contato;
• Exigir do locatário uma garantia;
• Mover ação de despejo ; • Responder pelos defeitos ou
• Rever a coisa locada após o vícios ocultos;
término do prazo ajustado;
• Garantir o uso pacífico da coisa.
Direitos e obrigações do locatário

• DIREITOS • OBRIGAÇÕES
• Exigir do locador a entrega da • Servir-se da coisa exclusivamente
coisa, recibo de pagamentos e a para o uso convencionado;
manutenção da coisa locada. • Usar o bem como se fosse seu;
• Exigir relação escrita do estado • Pagar os alugueres pontualmente
do bem locado. nos prazos ajustados, e, em falta
• Reter o prédio alugado enquanto de ajuste, segundo o costume do
não for ressarcido pelo locador lugar;
que pediu o bem antes do • Levar ao conhecimento do
vencimento do contrato. locador as turbações de terceiros;
• Ter preferência na aquisição da • Restituir a coisa no final da
coisa. locação, no estado em que a
• Purgar a mora. recebeu, salvas as deteriorações
naturais ao uso regular.
Locação de coisa

Conceito

Art. 565, CC. "Na locação de coisas, uma das partes se


obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não,
o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa
retribuição".
Elementos da Locação de coisa
• Consentimento válido e inequívoco do locador (na maioria das
vezes proprietário) e locatário;
• Capacidade dos contraentes;
• Cessão de posse do objeto locado, que será determinado (ou
determinável), infungível, inconsumível, suscetível de gozo;
• Remuneração (aluguel ou renda) periódica;
• Lapso de tempo determinado ou não;
• Forma livre.
5.6 CONTRATO DE EMPRÉSTIMO

Conceito:

Contrato por meio do qual uma pessoa entrega a outra,


graciosamente, uma coisa, para que dela se sirva, com a
obrigação de restituir em prazo determinado.
Espécies de contrato de empréstimo

Esse tipo de contrato abrange duas espécies:

• O Comodato: para bem infungível;

• O Mútuo: para bem fungível;

Ambos os institutos se assemelham por terem como


objeto a entrega da coisa para ser usada e restituída ao
dono originário ao final do negócio estabelecido.
CONTRATO DE COMODATO
(arts. 579 a 585, CC)
Conceito:
Contrato no qual o comodante entrega ao comodatário
coisa infungível, para ser usada temporariamente e depois
restituída.

Art. 579, CC. "O comodato é o empréstimo gratuito de


coisas não fungíveis. Perfaz-se com a tradição do
objeto" .
Característica do contrato de
comodato
a) Contratualidade (unilateral, gratuito, real e intuitu
personae);

b) Infungibilidade e não-consumibilidade do bem;

c) Temporariedade;

d) Obrigatoriedade de restituição da coisa (arts. 580 a


585, CC);
Natureza jurídica do contrato de
comodato
a) Real: se limita à obrigação de restituir a coisa entregue;

b) Gratuito: como disposto acima, ainda que o comodatário efetue o


Pagamento dos encargos de comodato (p.ex. condomínio, IPTU,
dentre outros) este contrato é considerado gratuito;

c) Informal e não solene: não possui forma prevista em lei;

d) Unilateral: confere obrigações somente ao comodatário;

e) Personalíssimo: extingue-se com a morte do comodatário;

f) Fiduciário: como o próprio nome diz, é baseado na confiança entre o


comodante e comodatário;
Legitimação para celebrar o
contrato de comodato

Em regra, todos os bens imóveis são passiveis de ser


objeto de contrato de comodato, no entanto,
excepcionalmente a lei dispõe que não poderão dar em
comodato, sem autorização especial, os bens confiados à
guarda dos tutores, curadores e todos os administradores
de bens alheios, em geral.
Prazos do contrato de comodato

Prazo determinado: o comodante não poderá suspender


o uso e gozo da coisa emprestada antes de findo o prazo
convencional, salvo uma urgente necessidade reconhecida
pelo juiz.

Prazo indeterminado: se presumirá o prazo através da


necessidade da utilização da coisa.
Obrigações do comodatário

• O comodatário tem como obrigação conservar o imóvel


como se seu fosse, não podendo usá-lo em desacordo
com o contrato ou a sua natureza, sob pena de
responder por perdas e danos;

• Cláusula penal: no caso de atraso dos alugueres da


coisa, o comodatário será notificado para que dessa
forma seja constituído em mora, respondendo tanto
pelo atraso, como também pelos alugueres da coisa que
forem arbitrados pelo comodante até a efetiva entrega
das chaves.
Responsabilidade do comodatário

• Em situação de eminente risco da perda dos bens do


comodante e do comodatário e, este último, tendo
somente como salvaguardar os seus pertences
abandonando os do comodante, deverá ser
responsabilizado pelo dano ocorrido, ainda que se trate
de caso fortuito ou força maior.

• Nestes casos não será suprimida a culpa do


comodatário que pretere a coisa alheia emprestada em
prol de seus pertences.
Despesas e solidariedade do
contrato de comodato
Despesas do contrato: Não é possível o comodatário
recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e
gozo da coisa emprestada.

Solidariedade do contrato: Só é possível a existência da


solidariedade no contrato de comodato, no caso de duas
ou mais pessoas serem, simultaneamente, comodatárias
da mesma coisa, ficando solidariamente responsáveis para
com o comodante.
CONTRATO DE MÚTUO
(arts. 586 a 592, CC)
Conceito:
Contrato por meio do qual o mutuante transfere a
propriedade de bem fungível ao mutuário, que se obriga a
lhe restituir coisa do mesmo gênero, qualidade e
quantidade.

Art. 586, CC. "O mútuo é o empréstimo de coisas


fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao
mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo
gênero, qualidade e quantidade".
Características do contrato de
mútuo
a) Natureza jurídica: unilateral, gratuito, comutativo, real,
temporário e informal;

b) Temporariedade;

c) Fungibilidade da coisa emprestada;

d) Translatividade de domínio do bem emprestado;

e) Obrigatoriedade da restituição de outra coisa da mesma


espécie, qualidade e quantidade;
Natureza jurídica do contrato
de mútuo
a) Unilateral: gera obrigações somente para uma das partes, neste caso, o
mutuário;

b) Gratuito: só traz ônus para o mutuante; o mutuário irá devolver sem ônus.
Excepcionalmente esta modalidade contratual será onerosa, nos casos de
mútuo feneratício ou, como é popularmente conhecido, empréstimo em
dinheiro;

c) Informal e não solene: por inexistir previsão legal sobre a forma de


celebração, podendo ser feito por instrumento particular;

d) Real: se concretiza com a entrega do bem fungível;


Mútuo feito a pessoa menor
O mútuo realizado por menor de idade, quando não autorizado por
seus responsáveis legais, ou seja, aqueles que possuem a guarda do
mesmo, não poderá ser reivindicado, nem do menor nem de quem
possui a sua guarda. Todavia, esta regra possui cinco exceções:
a) se o representante legal do menor posteriormente ratificar a necessidade do
mútuo;
b) se o menor se viu obrigado a contrair o empréstimo para os seus alimentos
habituais em razão da ausência de seu representante legal;
c) se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho, observando-se que a
execução do credor não lhes poderá ultrapassar as forças;
d) e o empréstimo reverteu em benefício do menor;
e) se o menor obteve o empréstimo maliciosamente.
A garantia no mútuo e a
exceptio non adimplenti contractus
• Verificando o mutuante que o mutuário poderá
inadimplir com o mesmo o contrato firmado, poderá
este exigir a garantia legal, podendo ser ela real ou
fidejussória, com o objetivo de buscar maior segurança
jurídica.

• Todavia, mesmo adimplindo o contrato, se o mutuário


não cumprir com seu mister, a dívida vencerá
antecipadamente ante a exceptio non adimpleti
contractus, como disposto no art. 477, CC.
O mútuo feneratício ou mercantil e a
limitação de juros
Trata-se do mútuo destinado a fins econômicos, cujos juros cobrados
presumir-se-ão devidos, podendo até chegar ao limite previsto no
art. 406, CC, sob pena de redução.

• Entendimento do STJ: os contratos bancários que não foram


regulamentados pela legislação específica poderão possuir juros
moratórios no limite de 1% para se convencionar. A simples estipulação
de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano não traz indícios de
abusividade.

• Entendimento STF: a Lei de Usura (DL 22.626/33) não é aplicável às


instituições bancárias.
Prazo para a realização do
pagamento
do mútuo
Inexistindo convenção entre as partes, o mútuo será
devido:
a) se for de produtos agrícolas, até a próxima colheita
quando já estiverem prontos para o consumo ou para
a semeadura;
b) pelo prazo de trinta dias, se o mútuo for de dinheiro;
c) se for de qualquer outra coisa fungível quando
declarar o mutuante;
5.7 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE
SERVIÇO
(arts. 593 a 609 , CC)
Conceito:

É toda espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou


imaterial que pode ser contratada mediante retribuição, e
que não esteja sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial.

Objeto do contrato: toda espécie de serviço ou trabalho lícito,


material ou imaterial que pode ser contratada mediante retribuição.
Natureza jurídica do
contrato de prestação de serviços
a) Bilateral: gera deveres a ambas as partes;
b) Comutativo: possuem o prévio conhecimento das obrigações
contratuais;
c) Personalíssimo/intuitu personae: deve ser prestado somente
pelas partes que pactuaram os termos do contrato;
d) Oneroso: possui repercussão econômica;
e) Informal/não solene: não possui previsão legal quanto a sua
forma, podendo ser verbal, escrito, ou por instrumento particular;
f) Consensual: deriva da vontade comum das partes;
Remuneração do contrato
de prestação de serviços

• Em regra, é paga após a prestação do serviço;

• Ou o pagamento pode se dar no início dos trabalhos;

• Poderá ser dividida em três parcelas, efetuando o pagamento de 1/3 no


início, outros 1/3 durante a execução dos serviços e o restante ao final;

• Se inexistir a possibilidade de acordo entre as partes, deverá ser


proposta ação para que o juiz arbitre a remuneração, de acordo de
acordo com o costume do lugar, o tempo de serviço e sua qualidade.
Resilição do contrato de
prestação de serviços
O prazo para estabelecer a resilição contratual ficará ao arbítrio de
ambas as partes, mediante prévio aviso. Todavia, a lei estipula
prazos gerais, caso as partes não pactuem previamente tais limites:

a) oito dias de antecedência, nos casos de remuneração fixada por


tempo de um mês, ou mais;

b) quatro dias de antecedência, se a remuneração for ajustada por


semana, ou quinzena;

c) quando a contratação tenha sido por prazo inferior a sete dias,


poderá ser avisado na véspera;
Responsabilidade pela ruptura culposa
do contrato de prestação de serviço
• Não poderá o prestador de serviço contratado por
tempo certo ou por obra determinada se ausentar sem
justa causa antes de preenchido o tempo, ou concluída
a obra;

• Neste caso, terá o contratante direito à retribuição


vencida, através das perdas e danos. Esta punição
também se aplicará para o caso do prestador ser
despedido por justa causa.
Perdas e danos no contrato de
prestação de serviços

Nos casos em que o prestador de serviço for despedido


sem justa causa, o contratante será obrigado a lhe pagar a
integral retribuição vencida acrescida da metade da
remuneração a que lhe tocaria, caso pudesse cumprir com
o termo legal do contrato.
A declaração formal da dissolução do
contrato

O prestador de serviço tem direito de exigir da outra parte


uma declaração, ao final do contrato afirmando que as
obrigações contraídas foram finalizadas bem como
quando for despedido sem ou com justa causa.
Formas de extinção do
contrato
A lei civil estabeleceu algumas formas de extinção do
contrato, dentre elas consta:
• A morte de qualquer das partes;
• O escoamento do prazo contratualmente determinado, conclusão
da obra;
• Rescisão do contrato mediante aviso prévio;
• Inadimplemento de qualquer das partes;
• Impossibilidade da continuação do contrato motivada por força
maior.
5.8 CONTRATO DE
EMPREITADA
Conceito:

Trata-se de contrato em que o contratado/empreiteiro se


obriga, sem subordinação ou dependência, a realizar
pessoalmente ou por terceiros determinada obra para o
dono da obra ou para o empreiteiro contratado, com
material próprio ou fornecido pelo dono da obra,
mediante remuneração determinada ou proporcional ao
trabalho executado.
Natureza jurídica do contrato de
empreitada
a) Bilateral: gera deveres a ambas as partes;
b) Comutativo: possuem o prévio conhecimento das obrigações
contratuais;
c) Oneroso: proporciona repercussão econômica;
d) Informal e não solene: não há haver previsão legal quanto a sua
forma, podendo ser verbal, escrito ou, por instrumento particular;
e) Consensual: deriva da vontade comum das partes;
f) Instantâneo ou de longa duração: o instantâneo se consumará com a
prática do ato ou já o de longa duração, necessita de tempo para se
exaurir;
g) Não personalíssimo: sua execução pode ser confiada a terceiros, sob
a responsabilidade do empreiteiro;
Espécies de contrato de empreitada

a) de lavor: neste contrato o empreiteiro somente contribui com o seu


trabalho;
b) mista: o empreiteiro contribui com o seu trabalho como também com os
materiais necessários para a sua realização;
c) de projeto: a obrigatoriedade do empreiteiro é somente entregar o seu
projeto final;
d) Instantânea: é estabelecida remuneração fixa para a execução da obra;
e) por medida/ad mensuram: a fixação do preço é determinada pelas etapas
realizadas, ou seja, a remuneração é proporcional ao trabalho executado;
f) por administração: onde o empreiteiro se encarrega da execução do
projeto, pesquisando preço, profissionais, dentre outros aspectos, sendo
remunerado de forma fixa ou através de um percentual sobre o custo da
obra;
Deveres e direitos do dono da obra

Quando a obra for concluída de acordo com o que foi


pactuado inicialmente, o dono da obra será obrigado a
aceitá-la, podendo rejeitar a obra caso o empreiteiro se
afaste das instruções recebidas, dos planos dados ou das
regras técnicas em trabalhos de tal natureza.
Responsabilidade do empreiteiro

a) de acordo com o art. 617, CC, “o empreiteiro é obrigado a pagar os


materiais que recebeu, se por imperícia ou negligência os inutilizar”;

b) o empreiteiro responderá durante o irredutível prazo de cinco anos,


pela solidez e segurança do trabalho, como também em razão dos
materiais utilizados; todavia decairá o direito do dono da obra que
não propuser a ação contra o empreiteiro, nos cento e oitenta dias
seguintes ao aparecimento do vício ou defeito; cumpre ressaltar que
tal responsabilidade é objetiva segundo a norma do art. 618, CC,
cuja obrigação é de resultado;

c) se a obra ficar paralisada sem justo motivo resolve-se em perdas e


danos, podendo o empreiteiro suspender a obra nos casos do art.
625, CC;
Subempreitada
• Esta modalidade contratual não possui natureza
personalíssima;

• A execução da obra ser confiada a terceiros, desde que


os mesmos não assumam a direção ou fiscalização do
serviço;

• Ficam limitados os danos resultantes de defeitos


durante o prazo irredutível de cinco anos;
5.9 CONTRATO DE DEPÓSITO
(arts. 627 a 652, CC)
Conceito:
Contrato por meio do qual o depositário recebe do
depositante um bem móvel, obrigando-se a guardá-lo
temporariamente e graciosamente.

Art. 627, CC. "Pelo contrato de depósito recebe o


depositário um objeto móvel, para guardar, até que o
depositante o reclame".
Características do contrato de depósito

• Natureza contratual: unilateral, gratuito, real,


informal, personalíssimo e temporário);

• Entrega da coisa móvel corpórea pelo depositante ao


depositário;

• Obrigação de custódia;

• Restituição da coisa pelo depositário;


Modalidades de contrato de depósito
a) Depósito voluntário (arts. 627 a 646, CC): decorre da autonomia da vontade
das partes;
b) Depósito necessário (arts. 647 a 652, CC): não decorre da autonomia da
vontade, sendo subdividido em:
i. Legal: decorrente do direito positivo;
ii. Miserável: decorrente de calamidade pública;
iii. Hospedeiro: decorrente da guarda das bagagens de hospedes;
c) Depósito regular: decorre de bem infungível e inconsumível;
d) Depósito irregular: decorrente de bem fungível ou consumível;
e) Depósito judicial: possui como finalidade resguardar a coisa até a decisão
final judicial, derivando de mandado judicial;
f) Depósito de bem divisível (art. 639, CC);
g) Deposito fechado (art. 630, CC): “Se o depósito se entregou fechado,
colado, selado, ou lacrado, nesse mesmo estado se manterá”.
Direitos e deveres do
depositário
• DIREITOS • DEVERES
a) o depositante terá o direito de a) custodiar a coisa com o devido
obter a restituição sobre as zelo;
despesas necessárias;
b) obter autorização do
b) direito de retenção do bem depositante para usar a coisa
depositado para o caso de depositada;
inadimplemento;
c) restituir o bem no prazo final, no
c) ser remunerado, nos casos que é local pactuado, se
devida a remuneração; responsabilizando pela coisa até
a sua efetiva entrega;
Direitos e deveres do
depositante
• DIREITO • DEVER

• Pagar pelas despesas • O depositário tem o


referentes à direito de ser ressarcido
manutenção do no caso de deterioração
depósito, bem como do bem depositado.
sobre os prejuízos que a
coisa gerar ao
depositário.
Da prisão do depositário infiel
A presente matéria, objeto de antigas controvérsias, foi
pacificada recentemente pela Súmula Vinculante 25 do
STF:

“É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que


seja a modalidade do depósito”.
Extinção do depósito
O presente contrato será extinto:
• Por resilição unilateral;
• Pelo término do prazo estabelecido;
• Pelo perecimento da coisa;
• Morte do depositário e pela incapacidade civil do
depositário;

⮚ Importante se faz mencionar a Lei 2.313/54 em que após


o prazo de vinte e cinco anos, se a coisa não for
reclamada, os bens serão recolhidos ao Tesouro Nacional.
5.10 CONTRATO DE MANDATO
(arts. 653 a 692 do CC)
Conceito:
Contrato por meio do qual o mandatário (ou procurador)
recebe do mandante poderes para, em seu nome, praticar
atos ou administrar interesses.

Art. 653, CC. “Opera-se o mandato quando alguém


recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar
atos ou administrar interesses. A procuração é o
instrumento do mandato”.
Natureza jurídica do contrato de
mandato
a) Unilateral: gera somente obrigações ao mandatário;
b) Gratuito: quando não ficar estipulada remuneração, exceto quando
se tratar de ofício ou profissão lucrativa do mandatário;
c) Oneroso: será cabível a remuneração pactuada entre as partes e, na
ausência, a prevista em lei de acordo com a categoria profissional,
estabelecendo-se, ainda, de acordo com os usos e costumes do lugar
da celebração ou por arbitramento judicial;
d) Consensual: deriva da autonomia da vontade das partes;
e) Comutativo: as partes já conhecem os seus efeitos;
f) Preparatório: serve para preparar a prática de um terceiro ato;
g) Informal e não solene: inexiste previsão legal sobre o seu formato;
Espécies de contrato de mandato
• Judicial (ad judicia): possui a finalidade de representar perante o Poder
Judiciário o outorgante;

• Extrajudicial (ad negotia): Os poderes por ela outorgados servem para


prática de atos fora da via judicial ou das praxes regulares do direito.

• Legal: não há instrumento por decorrer da l ei;

• Escrito: materializado por instrumento público ou particular;

• Verbal: inexiste documento escrito, sendo evidenciado por prova


testemunhal;
• Expresso e tácito: o expresso se forma explicitamente através de sua forma,
podendo ser verbal ou escrito, entretanto, o tácito se dá com a definição dos
deveres em decorrência de outra pessoa;
Espécies de contrato de mandato
• Aparente: terá o mandatário o dever de remunerar, adiantar as despesas
necessárias, reembolsar as despesas feitas na execução do mandato, ressarcir
os prejuízos, honrar os compromissos em seu nome assumidos, vincular-se
com quem seu procurador contratou, responsabilizar-se solidariamente nas
hipóteses legais, pagar a remuneração do substabelecido e vincular-se a
terceiro de boa fé;
• Salariado: trata-se de obrigação de meio, em que a remuneração se dá
independente do resultado-fim;
• Geral: engloba todo o patrimônio do outorgante;
• Especial: abrange um ou mais negócios do mandante;
• Conjunto: quando há uma pluralidade de mandatários que devem participar
do ato designado;
Espécies de contrato de mandato
• Solidário: com cláusula in solidum, cada mandatário poderá
realizar o mister independente dos demais;

• Fracionário: quando há divisão de tarefas devidamente


delimitada entre os mandatários;

• Singular: preza pela existência de apenas um outorgado;

• Plural: quando vários são os nomeados no instrumento de


mandato;
Contrato de submandato
• Contrato acessório ao mandato principal, devendo ser
escrito, através do instrumento de substabelecimento, e
tem como objeto obrigação de fazer fungível.

• Quando há reservas, tanto o mandatário quanto o


submandatário podem realizar as tarefas. Todavia,
quando este instrumento for sem reservas, o
mandatário revoga os seus próprios poderes perante o
mandante, repassando-os para o submandatário.
Obrigações do mandatário
A lei civil estabelece as regras gerais de obrigações do mandatário
nos arts. 667 ao 674. São os principais deveres:

a) Agir em nome do mandante dentro dos limites outorgados no instrumento


de mandato;
b) Ser diligente na execução do contrato e indenizar no caso de prejuízo
causado por sua culpa ou de quem substabeleceu;
c) Prestar contas com o mandante,
d) Enviar as somas recebidas para o mandante;
e) Se identificar como mandatário perante terceiros com quem tratar;
f) Concluir a tarefa a que foi contratado;
g) Prestar contas;
Direitos do mandatário

O Mandatário poderá:
a) Exigir remuneração ajustada (arts. 658 e 676, CC);
b) Pedir ao mandante que adiante as despesas (art. 675,
CC);
c) Reter o objeto que estiver em seu poder até ser
reembolsado (art. 681, CC);
d) Substabelecer seus poderes.
Obrigações do mandante
Principais deveres previstos nos arts. 675 ao 681, do CC:
a) Satisfazer todas as obrigações contraídas pelo mandatário, na conformidade do
mandato conferido, e adiantar a importância das despesas necessárias à execução
dele, quando necessário se fizer;
b) Pagar ao mandatário pela remuneração ajustada e despesas da execução do
mandato, ainda que o negócio não surta o esperado efeito, salvo tendo o
mandatário culpa;
c) É obrigatório o mandante ressarcir ao mandatário as perdas que este sofrer com a
execução do mandato, sempre que não resultem de culpa sua ou de excesso de
poderes;
d) O mandante ficará obrigado para com aqueles com quem o seu procurador
contratou, ainda que o mandatário contrarie as instruções originárias;
e) O mandatário tem direito de retenção sobre a coisa de que tenha a posse em
virtude do mandato, até se reembolsar do que no desempenho do encargo
despendido.
Direitos do Mandante
O Mandante poderá:
a) Revogar o mandato (arts. 682, I, e 683 a 686, CC);
b) Proibir o substabelecimento;
c) Ratificar ou não o negócio realizado pelo mandatário
com excesso de poderes (art. 665, CC);
d) Exigir as somas recebidas pelo mandatário;
e) Exigir prestação de contas.
Extinção do contrato de
mandato
O Código Civil regulamenta o tema nos arts. 682 ao 691
determinando a extinção nas hipóteses:
a) De revogação;
b) De renúncia;
c) De morte;
d) Interdição;
e) Mudança de estado de uma das partes;
f) Término do prazo e conclusão do negócio.
5.11 CONTRATO DE COMISSÃO
(arts. 693 a 709 do CC)
Conceito:
Contrato por meio do qual o comissário adquire ou vende
bens, em seu próprio nome e responsabilidade, mas por
ordem e por conta do comitente, em troca de certa
remuneração.

Art. 693, CC. "O contrato de comissão tem por objeto a


aquisição ou a venda de bens pelo comissário, em seu
próprio nome, à conta do comitente".
Partes
Comissário (ou comissionário): aquele que adquire ou
vende bens para o comitente, segundo as instruções
deste, porém, em seu próprio nome.
O comissário age por ordem do comitente, assumindo
obrigações perante terceiros.

Comitente: pessoa a favor de quem o comissário realiza


atos ou negócios.
Características do contrato
de comissão
• Natureza contratual: bilateral, oneroso, comutativo, não
solene e informal, intuitu personae e consensual;

• Intermediação com prestação de serviços;

• O comissário age em nome próprio, obrigando-se a


seguir as ordens do comitente (art. 694, CC).
Reflexos do contrato de
comissão
O contrato de Comissão é celebrado entre o comitente e o
comissário. É uma autorização do comitente para que o comissário
realize atos ou negócios que o favoreçam, mediante a percepção de
remuneração, geralmente equivalente a uma porcentagem da
transação efetuada, qual seja, a comissão.

O comissário, entretanto, não age em nome do comitente, mas em


seu próprio nome, celebrando com terceiros um contrato derivado,
diferente do contrato de comissão, do qual não faz parte o
comitente. O comissário obriga-se pessoalmente perante estes
terceiros.
Da comissão
• Trata-se de contraprestação pelos serviços prestados pelo comissário, o que
classifica o contrato de comissão como oneroso.

• Geralmente, a comissão é auferida por uma porcentagem do valor do bem


negociado.

• Art. 701, CC. "Não estipulada a remuneração devida ao comissário, será ela
arbitrada segundo os usos correntes no lugar.“

• A comissão é sempre devida em sua integralidade, desde que concluída a


atividade atribuída ao comissário, independentemente dele ter sido
dispensado motivadamente ou não. A indenização por perdas e danos
também é devida à parte que houver sofrido prejuízo.
Espécies de Comissão
a) Comissões imperativas: são aquelas que não deixam margem de
manobra par ao comissário;

b) Comissões indicativas: são aquelas em que o comissário tem alguma


margem para atuação. Entretanto, o comissário deve, sempre que
possível, comunicar-se com o comitente acerca de sua atuação, o que
representa a aplicação do dever de informação, anexo à boa-fé
objetiva;

c) Comissões facultativas: são aquelas em que o comitente transmite ao


comissário as razões de seu interesse no negócio, sem qualquer
restrição ou observação especial para a atuação do último.
Direitos e obrigações do
comissário
• DIREITOS • DEVERES
a) Exigir a comissão ajustada, proporcional ao a) Concluir o negócio em seu próprio
seu trabalho (art. 701, CC);
b) Pedir ao comitente os fundos necessário nome, agindo em interesse do
para realizar o negócio; comitente (art. 693, CC);
c) Reembolsar-se das despesas as quais não
estava obrigado (art. 706, CC); b) Cumprir o contrato seguindo as
d) Reter valores (arts. 707 e 708, CC); ordens do comitente (art. 695, CC);
e) Requerer indenização por todos os prejuízos
que sofrer em decorrência do contrato; c) Responsabilizar-se pela guarda e
f) Provar que praticou as devidas diligências no conservação dos bens (art. 696,
decorrer do negócio, com intuito de se CC);
abster da responsabilidade pelos danos
ocasionados aos bens. d) Prestar contas;
e) Pagar juros ao comitente quando
ficar e mora na entrega dos lucros.
Direitos e obrigações do
comitente
• DIREITOS • DEVERES
a) Pode alterar as instruções dadas a) Pagar a comissão ao comissário de forma
ao comissário; integral ou proporcional;
b) Não responde perante terceiros, b) Adiantar valores necessários para o
cumprimento da atividade contratada;
pelas obrigações assumidas pelo
comissário; c) Ressarcir o comissário das despesas;
d) Paga juros pelo valores despendidos pelo
comissários para executar suas ordens;
e) Pagar indenização pelos prejuízos sofridos
pelo comissário;
f) Se responsabilizar pelos riscos da
devolução de seus lucros, recebidos pelo
comissário, desde que
Responsabilidade do
comissário
• Responsabilidade contratual subjetiva (art. 697, CC): o
comissário não responde pela insolvência das pessoas com
quem tratar, exceto em caso de culpa;

• Responsabilidade solidária: se constar cláusula del credere,


responderá perante as pessoas com quem houver tratado
em nome do comitente, caso em que, salvo estipulação em
contrário, o comissário terá direito a remuneração mais
elevada, para compensar o ônus assumido (art. 698, CC);

• O caso fortuito é excludente da responsabilidade do


comissário;
Cláusula del credere
A cláusula del credere impõe ao comissário responsabilidade
solidária pela solvência daqueles com quem tratou (terceiros).

O artigo 697, CC determina, como regra geral, que no contrato de


comissão "o comissário não responde pela insolvência das pessoas
com quem tratar,...“. Exceto:
• em caso de culpa;
• na hipótese de constar do contrato a cláusula del credere;

⮚ A cláusula del credere é vedada no contrato de representação


autônoma (art. 43 da Lei 4.886/1965);
Cláusula del credere
Art. 698, CC. "Se do contrato de comissão constar a
cláusula del credere, responderá o comissário
solidariamente com as pessoas com quem houver tratado
em nome do comitente, caso em que, salvo estipulação
em contrário, o comissário tem direito a remuneração
mais elevada, para compensar o ônus assumido".

É expressa a determinação legal que permite a fixação de


uma remuneração mais elevada para a comissão derivada
de contrato no qual o comissário se responsabiliza.
Direito de Retenção
O comissário pode reter o valor dos bens negociados para o
comitente, a fim de receber sua remuneração (comissão), ou
reaver os valores desembolsados por ele para realizar o
negócio.

Art. 708, CC: "Para reembolso das despesas feitas, bem como
para recebimento das comissões devidas, tem o comissário
direito de retenção sobre os bens e valores em seu poder em
virtude da comissão".
Extinção do contrato de
comissão
a) Morte do comissário: não há prejuízo à remuneração proporcional
pelos trabalhos já prestados, que deverá ser paga aos seus herdeiros
em conjunto (espólio);

b) Revogação do contrato: só pode se dar desde que se comprove culpa


do comissário. Caso contrário, o comitente deve indenizá-lo pelos
prejuízos causados pelo ato imotivado;

c) Denúncia do contrato: se o contrato é de prazo indeterminado, deve a


parte interessada no desfazimento notificar a outra de sua intenção
em tempo razoável, a fim de não se sujeitar à indenização.
5.12 CONTRATO DE CORRETAGEM
(arts. 722 a 729, CC)
Conceito:
Contrato pelo qual o corretor, sem qualquer relação de
dependência, se obriga, mediante remuneração, a obter
para outra pessoa um ou mais negócios.

Art. 722, CC. "Pelo contrato de corretagem, uma pessoa,


não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação
de serviços ou por qualquer relação de dependência,
obriga-se a obter para a segunda um ou mais negócios,
conforme as instruções recebidas".
Características do contrato de
corretagem
É Obrigação de fazer, em que o corretor terá a função de
aproximar pessoas que pretendem concluir um negócio.

Natureza jurídica: contrato bilateral, acessório, oneroso,


aleatório, consensual e iformal.
Partes
Corretor, mediador, agenciador, intermediário: é aquele
que agencia negócios para a parte contratante

Comitente, cliente, dono do negócio: é pessoa que


contrata a intermediação do corretor.
Categorias de corretores
Os corretores oficiais que gozam de fé pública são das seguintes classes:
a) Fundos públicos;
b) Mercadorias;
c) Navios;
d) Operações de câmbio;
e) Seguros;
f) Valores;

Corretores livres: todos aqueles corretores sem designação oficial, que


independem de autorização para praticar intermediação:
Exemplo: Corretores de imóveis (atividade regulamentada pela lei
6.530/1978); corretores de automóveis e de espetáculos públicos.
Comissão
• É remuneração paga ao corretor.
• A comissão é devida quando resultar negócio a
aproximação, tentada pelo corretor, entre o comitente e
terceiro(s).
• A comissão pode ser fixa ou variável ou mista.

Art 724, CC. "A remuneração do corretor, se não estiver


fixada em lei, nem ajustada entre as partes, será
arbitrada segundo a natureza do negócio e os usos
locais".
Comissão
Não concretizado o negócio, é indevida a comissão, já que a
corretagem nasce de um contrato que depende de resultado.

Porém, se o negócio não se realiza por arrependimento ou


desistência do comitente, depois da obtenção de um resultado útil
para o mesmo, conseguido pelo corretor, permanece o direito à
comissão.

Art. 725, CC. "A remuneração é devida ao corretor uma vez que
tenha conseguido o resultado previsto no contrato de mediação,
ou ainda que este não se efetive em virtude de arrependimento
das partes".
Obrigações do corretor
Art. 723, CC. “O corretor é obrigado a executar a mediação com
diligência e prudência, e a prestar ao cliente, espontaneamente,
todas as informações sobre o andamento do negócio”.

• O desrespeito a tais deveres gera a resolução do contrato, com perdas e


danos;
• O corretor não se responsabiliza pela conclusão do negócio;
• Se alguma das partes negociantes o exigir, deve o corretor assistir a
entrega da coisa negociada;
• O corretor tem como obrigação manter sigilo absoluto sobre as
negociações.
Obrigações do comitente
• Principal obrigação do comitente: pagar a remuneração devida ao corretor,
conforme estipulado.
• Uma vez contratado o corretor, o comitente tem a obrigação de mantê-lo no
negócio por ele intermediado, a menos que se prove sua inércia para a
realização do feito;
• Deve pagar a comissão àquele corretor que fora dispensado antes da
concretização do negócio, mas contribuiu, através de sua intermediação, com
a sua realização;
• Havendo mais de um corretor responsável pelo desfecho do negócio, a todos
eles será devida remuneração, em partes iguais, salvo determinação contrária
em contrato;
Extinção do contrato de
corretagem
• Pelo cumprimento da obrigação, ou seja, conclusão do
negócio agenciado;
• Pelo decurso do prazo, se determinado;
• Pela denúncia de uma das partes, se indeterminado,
mesmo que não haja motivo justo;
• Pela morte de qualquer das partes;
• Por caso fortuito ou força maior;
• Incapacidade ou falta de legitimação do corretor.
5.13 CONTRATO DE TRANSPORTE
(arts. 730 a 756, CC)
Conceito:
Trata-se de um contrato pelo qual alguém (o transportador) se
obriga, mediante uma determinada remuneração, a transportar, de
um local para outro, pessoas ou coisas, por meio terrestre
(rodoviário e ferroviário), aquático (marítimo, fluvial e lacustre) ou
aéreo (art. 730, CC).

Transportador: quem realiza o transporte;


Passageiro ou viajante: pessoa transportada;
Expedidor: pessoa que entrega a coisa a ser transportada.
Características do contrato de
transporte
Natureza jurídica:
a) Bilateral e Sinalagmático: gera direitos e deveres
proporcionais para ambas as partes
b) Consensual: tem o aperfeiçoamento com a manifestação de
vontade das partes;
c) Comutativo: as partes de imediato quais são suas prestações;
d) Informal e não solene: não há formalidade prevista.
e) Em regra, de adesão.
Regras gerais do contrato de
transporte
• No contrato de transporte exercido por meio de autorização,
concessão ou permissão, há aplicação concomitante das regras
de Direito Administrativo e de Direito Civil;

• Aplica-se o CDC se houver relação jurídica de consumo (art. 22,


lei 8.078/90);

• Aplica-se o Direito Internacional e as normas previstas em


tratados e convenções internacionais, desde que não entre em
conflito com o Código Civil, em caso de transporte aéreo.
Contrato de transporte cumulativo

• É aquele em que vários transportadores se obrigam a cumprir o


contrato por um determinado percurso (art. 733, CC).

• Responsabilidade solidária:
– Aplicada a todos os transportadores, tanto em transporte de pessoas
quanto de coisas (art. 756, CC);
– Em caso de substituição do transportar por outra e na mesma forma de
contratação, é estendida do substituto (art. 733, § 2º, CC);

• Responsabilidade objetiva: em caso de danos a pessoas ou a


coisas (cláusula de incolumidade);
Contrato de transporte de
pessoas
Conceito:
O transporte de pessoas é aquele pelo qual o
transportador se obriga a levar uma pessoa e a sua
bagagem até o destino, com total segurança.

Previsão legal: artigos 734 a 742, CC.


Contrato de transporte de
pessoas
O Transporte gratuito ou “carona”, não se subordina às normas do
contrato de transporte, a responsabilidade é subjetiva (art. 736,
caput, do CC e Súmula 145, STJ);
⮚ Exceto quando o transporte gratuito trouxer vantagens indiretas
(pagamento de pedágio, combustível, etc., pelo passageiro),
quando a responsabilidade contratual volta a ser objetiva;
⮚ Programa de milhagens ou pontuação em companhias aéreas: a
responsabilidade do transportador em relação aos passageiros,
que viajarem por cortesia, é objetiva (Enunciado nº 559 do
CJT/STJ).
Contrato de transporte de
pessoas
Obrigações do passageiro:
• O passageiro tem o dever de informar o conteúdo de sua bagagem para que o
transportador possa prefixar eventual valor indenizatório (art. 734, CC);
• Abster-se da prática de quaisquer atos que causem incômodo ou prejuízo aos
passageiros (art. 738, CC);
• Teoria da causalidade adequada: a indenização pelos danos causados deve ser
adequada às condutas dos passageiros envolvidos (Enunciado nº 47 do CJF/STJ);

Direitos do passageiro:
• Resilição unilateral: é possível antes da viagem, desde que feita em tempo de a
passagem ser renegociada, com retenção de 5% pelo transportador (art. 740,
CC);
• Permitida a desistência do transporte depois de iniciada a viagem, com direito à
restituição do trecho não utilizado, desde que substituído no percurso faltante
(art. 740, § 1º, CC);
Contrato de transporte de
pessoas
Obrigações e responsabilidades do transportador:

• A obrigação do transportador é de resultado;


• Aplica-se a cláusula de incolumidade;
• O transportador tem responsabilidade objetiva (art. 734, CC), exceto nos casos
de força maior e caso fortuito;
• Súmula 161, STF: “Em contrato de transporte é inoperante a cláusula de não
indenizar”;
• É aplicável o princípio da reparação integral dos danos, no caso de existir relação
de consumo (art. 6º, VI, CDC), e que afasta qualquer tarifação da indenização;
• Súmula 187 do STF: “A responsabilidade objetiva do transportador, pelo
acidente com o passageiro, não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem
ação regressiva” (art. 735, CC);
Contrato de transporte de
pessoas
Obrigações e responsabilidades do transportador:
• Não pode recusar passageiros:
– salvo se as condições de higiene e saúde do interessado o justificarem (art. 739,
CC);
• Interrupção da viagem por motivo alheio à vontade do transportador:
– É obrigado a concluir o transporte com um veículo da mesma categoria (art.
741, CC);
• Dever de pontualidade (art. 737, CC);
– Em caso de atraso, todas as despesas correrão por conta do transportador, sem
prejuízo da indenização que couber;
– Atraso na partida do voo (arts. 230 e 231, 7.565/86): embarque do passageiro
em outro voo equivalente, ou restituição imediato do bilhete de passagem.
Contrato de transporte de
coisas
Conceito:
Pelo contrato de transporte de coisas, o expedidor ou
remetente entrega bens corpóreos ou mercadoria ao
transportador, para que o último os leve até o
destinatário, com pontualidade e segurança.

Previsão legal: artigos 743 a 756, CC.


Aplicam-se as regras do contrato de depósito à coisa
depositada ou guardada nos armazéns do transportador
(art. 751, CC);
Contrato de transporte de
O transportador:
coisas
• Possui responsabilidade objetiva pela entrega da coisa;
• Deve fazer o Conhecimento de frete ou de carga: emissão dos dados
que identificam e comprovam o recebimento da coisa;
• Pode exigir que o remetente lhe entregue a relação discriminada das
coisas a serem transportadas (boa-fé objetiva);
• Poderá recursar a coisa se a embalagem estiver inadequada, ou causar
risco ou dano (art. 746, CC);
• Tem o direito subjetivo de pleitear indenização por perdas e danos, se
o contratante prestar falsa informação (art. 745, CC);
• Deve obrigatriamente recusar o transporte de coisas cuja
comercialização seja proibida, ou que venha desacompanhada de
documentos exigidos por lei (art. 747, CC), sob pena de
responsabilidade no âmbito civil, administrativo e penal;
Contrato de transporte de
coisas
O transportador:
• Responderá pelo perecimento da coisa, salvo em caso fortuito ou
força maior (art. 753, CC);
• Deve depositar a mercadoria em juízo, caso haja dúvida acerca
de quem seja o destinatário. Se a demora puder provocar
deterioração da coisa, deverá vende-la, depositando o dinheiro
em juízo (art. 755, CC);
• Também e aplica a Súmula 161, STF: “Em contrato de transporte,
é inoperante a cláusula de não indenizar”.
Contrato de transporte de
coisas
O remetente:
• Tem a faculdade de desistir do transporte e pedir a coisa de volta;
• 0

• Pode requerer que a coisa seja entregue a outro destinatário,


pagando pelos acréscimos das despesas, mais perdas e danos se
houver (art. 748, CC);
Regras gerais do
contrato de transporte de
coisas
Em casos de longa interrupção, em razão de obstrução de vias,
suspensão de tráfego, dentre outras causas, o transportador
solicitará, de imediato, instruções do remetente sobre como agir;

Se o impedimento perdurar, sem culpa do transportador, e o


remetente não se manifestar o transportador pode depositar a coisa
em juízo ou vendê-la (art. 753, § 1º , CC);
Prescrição no contrato de
transporte
Art. 754, § único, CC. "No caso de perda parcial ou de avaria não
perceptível à primeira vista, o destinatário conserva a sua ação contra o
transportador, desde que denuncie o dano em dez dias a contar da
entrega".

• Referido dispositivo possui um equívoco do legislador, segundo o


entendimento doutrinário de Nelson Nery Jr. e Rosa Maria de Andrade
Nery, pois o prazo é de prescrição e não de decadência;
• E devido ao prazo da lei ser exíguo (dez dias), deve-se entender que o
prazo será, em regra, prescricional de 3 (três) anos, conforme o art.
206, § 3º, V, CC;
• Havendo relação de consumo, utiliza-se o prazo prescricional de 5 anos
(art. 27, CDC).
5.14 CONTRATO DE SEGURO
(arts. 757 a 802, CC)
Conceito:
Contrato por meio do qual o segurador se obriga perante o
segurado, mediante o pagamento de um prêmio, a garantir-lhe
interesse legítimo sobre pessoa ou coisa e a indenizá-lo de prejuízos
decorrente de risco futuro, previsto no contrato (apólice).

Art. 757, CC. “Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga,


mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo
do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos
predeterminados”.
Termos do contrato de seguro

• Risco: fato futuro e incerto, que poderá desencadear o


pagamento quando assim convencionado na apólice;
• Apólice: documento que contém os termos do contrato,
que servirá de referência para eventual cobrança quando
da ocorrência do sinistro;
• Sinistro: evento danoso previamente convencionado
entre as partes que legitima a cobrança.
• Prêmio: prestação devida pelo segurado ao segurador
pelo risco assumido por este.
Partes do contrato de seguro
• Segurado: Pessoa física ou jurídica que pretende obter uma garantia em relação a
determinado bem economicamente apreciável, com a contrapartida de arcar com o
prêmio respectivo em dia, de acordo o risco de proteção daquele determinado bem.
• Segurador: Quem aufere o prêmio, com o compromisso de garantir o bem protegido,
pagando a contraprestação devida na hipótese de ocorrência do sinistro;
• Co-segurador: Quando o bem a ser protegido tiver um valor muito elevado, poderá ser
coberto por mais de uma operadora de seguros;
• Ressegurador: quando uma seguradora transferir uma parcela de responsabilidade
pela cobertura para o ressegurador.
• Beneficiário: quem efetivamente receberá o valor previsto, seja ele integral ou parcial,
quando houver o sinistro. pode ser o próprio estipulante ou um terceiro anteriormente
indicado pelo segurado. Neste caso, o beneficiário não poderá estar incapacitado de
suceder o segurado (art. 1.814, CC), tampouco ser companheiro (a) ou combubino (a),
salvo se o segurado estiver separado judicialmente ou de fato (art. 793, CC).
Características do contrato de
seguro
• Pressupõe risco;
• Natureza jurídica: bilateral, formal, oneroso e aleatório
e de adesão;
• De execução sucessiva;
• De boa-fé (arts. 762, 765 e 766, CC).
Conteúdo mínimo do contrato de
seguro
Conteúdo Mínimo (pode haver mais estipulações — art.
760, CC):
i. Riscos Assumidos;
ii. Início e Fim da Validade (termos a quo e ad quem);
iii. Limite da garantia;
iv. Prêmio devido;
v. Nome do Segurado (quando cabível);
vi. Nome do Beneficiário (quando cabível).
Espécies de contrato de seguro

Quanto ao objeto, podem ser:


a) Patrimoniais;
b) Reais;
c) Da pessoa.

Quanto às obrigações do segurador, classificam-se em:


d) dos ramos elementares;
e) de pessoa ou de vida.
Espécies de contrato de
seguro
• Seguros de Danos;
• Seguros de Pessoas;
• Seguro de Vida Para o Caso de Morte;
• Seguro de Vida em Grupo;
• Seguros Mútuos e a Prêmio Fixo;
• Seguros Legais ou Obrigatórios;
Direitos do Segurado
• Receber indenização e a reparação do dano, equivalente a tudo
aquilo que esteja dentro do risco assumido (art. 757, CC);

• Reter os prêmios atrasados e fazer outro seguro pelo valor


integral, se o segurador estiver insolvente;

• Não ver aumentado o prêmio, embora hajam agravado os riscos


assumidos pelo segurador;

• Ser defendido pelo segurador nos casos de responsabilidade civil.


Obrigações do Segurado
• Pagar em dia o prêmio convencionado;
• Informar com exatidão as questões levantadas pela seguradora
para determinação do risco;
• Não contribuir para agravar os riscos (art. 768, CC);
• Avisar da ocorrência do sinistro (art. 771, CC);
• Não negociar com o responsável pelo sinistro sem expressa
concordância da seguradora.
Direitos do Segurador
• Receber o valor estipulado na apólice, conforme a proporção de
cobertura convencionada, até o limite do valor do bem (cobertura
integral);
• Rever a base de cálculo para definição do prêmio caso haja uma
alteração significativa das condições originais (art. 770, CC). Convém
asseverar que o contrário não é previsto pela legislação (majoração do
prêmio em favor da seguradora em razão de alteração do risco);
• Ser reembolsado das despesas feitas para reduzir o prejuízo da
seguradora;
• Cobrar o equivalente integral previsto, se entender mais conveniente
que recuperar o bem;
• Isentar-se do pagamento da indenização, em determinados casos (arts.
763, 766, 778 e 784, CC);
Obrigações do Segurador
• Realizar as averiguações necessárias ao reconhecimento
do sinistro e à avaliação dos danos;

• Pagar o prejuízo decorrente do risco assumido (art.


776, CC);
Prazo para reclamar a indenização
no contrato de seguro
• O prazo de 1 (um) ano para reclamar a indenização está
previsto no artigo art. 206, §1º, II, CC.
– Alguns doutrinadores passaram a entender que, após o
advento do Código de Defesa do Consumidor, o prazo teria se
ampliado para 5 (cinco) anos diante do art. 27 daquele
estatuto.
– Porém, o STJ (RESP’s 276308/RJ e 207789/RJ), tem entendido
que o prazo se refere à ação para reclamar a reparação de
danos decorrente de fato do produto ou serviço, nada tendo a
ver com a ação para cobrança da indenização do seguro.
Renovação e rescisão do contrato
de seguro
• O Código Civil veda a renovação automática do vínculo por mais
de uma vez, devendo as partes firmarem novo compromisso ao
final do prazo de vigência do vínculo.

• É abusiva a cláusula que estabelece a possibilidade da seguradora


não renovar ou denunciar o contrato unilateralmente sem motivo
justo.

• Apenas quando demonstrar cabalmente que as circunstâncias do


acordo foram relevantemente alteradas poderá encerrar a
garantia prestada ao segurado.
Seguro de dano
• Previsão legal: artigos 778 a 788, CC.

• O valor a ser indenizado não pode ultrapassar o valor do bem


(arts. 766 e 778, CC);

• O risco do seguro compreenderá todos os prejuízos resultantes


ou consequentes, como sejam os estragos ocasionados para
evitar o sinistro, minorar o dano, ou salvar a coisa (art. 779, CC);

• Direito de sub-rogação (art. 786, CC).


Seguro de pessoa
• Previsão legal: artigos 789 a 802, CC.

• O beneficiário não poderá reclamar o seguro se o segurado vier a


falecer de morte voluntária nos dois primeiros anos de vigência
(art. 798, CC).

• O segurador não pode eximir-se ao pagamento do seguro, ainda


que da apólice conste a restrição, se a morte ou a incapacidade
do segurado provier da utilização de meio de transporte mais
arriscado, da prestação de serviço militar, da prática de esporte,
ou de atos de humanidade em auxílio de outrem (art. 799, CC).
Espécies de Seguro de
pessoa
• Seguro de vida inteira com prêmio fixo.
• Seguro de vida inteira com prêmios temporários.
• Seguro de capital deferido.
• Seguro misto.
• Seguro sobre duas vidas.
• Seguro com participação nos lucros do segurador.
• Seguro dotal.
Prescrição do contrato de
seguro
Art. 206, CC. "Prescreve:
§ 1º Em um ano: (...)
II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele,
contado o prazo:
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que
é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro
prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador;
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão;
§ 3o Em três anos:
IX - a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do terceiro prejudicado,
no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório.
5.15 CONTRATO DE FIANÇA
(arts. 819 a 839, CC)
Conceito:
Trata-se de garantia fidejussória em que um terceiro
(fiador) passa a garantir pessoalmente perante o credor a
dívida do devedor com seu patrimônio, tendo dessa forma
uma responsabilidade sem débito

Art. 818, CC. "Pelo contrato de fiança, uma pessoa


garante satisfazer ao credor uma obrigação assumida
pelo devedor, caso este não a cumpra".
Natureza jurídica do contrato
de fiança
a) Gratuito: quem obtém o benefício deste contrato é o credor,
que tem o seu direito de crédito garantido;
b) Consensual: atende a autonomia da vontade das partes;
c) Formal: exige, minimamente, documento escrito;
d) Não solene: não há necessidade de escritura pública;
e) Obrigação acessória: a sua existência depende de um contrato
principal;
f) Típico: possui previsão legal;
g) Fiduciário: essencialmente decorre da confiança das partes;
Modalidades do contrato de
fiança
• Fiança civil;
• Fiança mercantil;
• Fiança convencional;
• Fiança legal;
• Fiança judicial;
Efeitos do contrato de fiança
(I)
• As dívidas futuras podem ser objeto de fiança, mas o fiador, neste caso, não
será demandado senão depois que se fizer certa e líquida a obrigação do
principal devedor (art. 821, CC);

• A fiança poderá abranger a totalidade da dívida (total) ou parte da dívida


(parcial), sendo a primeira ilimitada e a segunda limitada;

• O credor possui o direito de examinar a idoneidade da fiança, não podendo


ser obrigado a aceitá-lo se o mesmo não for idôneo, domiciliado no município
onde tenha de prestar a fiança, e não possua bens suficientes para cumprir a
obrigação;

• Em caso de insolvência do fiador, o credor poderá exigir a sua substituição;


Efeitos do contrato de fiança
(II)
• É inerente à fiança o benefício de ordem, qual seja, o fiador exigir que
inicialmente seja executado o bem do devedor para posteriormente
ter o seu patrimônio atingido;

• A solidariedade não se presume, decorre da lei ou da vontade das


partes, logo inexiste diploma legal dizendo que o devedor e o fiador
são solidários; se inexistir no contrato, não se poderá presumi-los
solidário, pois se não violaria a regra legal;

• A fiança poderá ser prestada conjuntamente a um só débito, por mais


de uma pessoa, importando o compromisso de solidariedade entre
elas se declaradamente não se reservarem o benefício da divisão,
respondendo cada fiador unicamente pela parte que, em proporção,
lhe couber no pagamento;
Efeitos do contrato de fiança
(III)
• O fiador também tem direito perante o devedor de ser ressarcido de todas as
perdas e danos que vier a sofrer em razão da fiança;
• Poderá o fiador promover o andamento da execução contra o devedor nos
casos em que o credor, sem justa causa, demorar a executar;
• A renúncia convencional é nula, segundo a doutrina majoritária;
• A obrigação do fiador passa para os herdeiros, mas fica limitado ao quinhão
hereditário (forças da herança);
• É o único contrato que há compensação sem reciprocidade de créditos e
débitos, podendo ser compensado com o credor o que este deve ao
afiançado;
Efeitos do contrato de fiança
(IV)
• A desoneração de fiador em locação urbana é regulada pelo art.
40 da Lei 8.245/91, em que o fiador ainda responde no período
de 120 dias após a sua desoneração, enquanto a da lei civil, o
fiador ficará obrigado por todos os efeitos da fiança, durante
sessenta dias após a notificação do credor;

• O STF recentemente pacificou o entendimento acerca da


possibilidade da penhora do único bem imóvel do fiador, em caso
de inadimplência do locatário, declarando a constitucionalidade
do art. 3, inciso VII, da Lei 8.009 (RE 407.688).
Extinção da fiança
São casos de extinção da fiança:
a) Resilição bilateral;
b) Morte do fiador;
c) O fiador pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as extintivas da
obrigação que competem ao devedor principal, se não provierem simplesmente de
incapacidade pessoal, salvo o caso do mútuo feito a pessoa menor;
d) O fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado se, sem consentimento seu, o credor
conceder moratória ao devedor; se por fato do credor, for impossível a sub-rogação
nos seus direitos e preferências; se o credor, em pagamento da dívida, aceitar
amigavelmente do devedor objeto diverso do que este era obrigado a lhe dar, ainda
que depois venha a perdê-lo por evicção;
e) Em caso de ser invocado o benefício da excussão e o devedor, retardando-se a
execução, cair em insolvência, ficará exonerado o fiador que o invocou, se provar que
os bens por ele indicados eram, ao tempo da penhora, suficientes para a solução da
dívida afiançada;

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