Received: 5/I/2006
Accepted: 9/V/2006
Published: 25/V/2006
Available online at: [Link]/articles/1.3
SEMIOQUMICOS
Monitoramento de Ecdytolopha aurantiana (Lima) em Laranjeira
Valncia com Feromnio Sexual
PEDRO T. YAMAMOTO1, JULIANA P. MOLINA1, MARCOS R. FELIPPE1, LETCIA A. S. NOCITI1
1
Centro de Pesquisas Citrcolas, Fundecitrus, Av. Dr. Adhemar Pereira de Barros, 201, Vila Melhado, Araraquara,
SP, CEP 14.807-040. E-mail: ptyamamoto@[Link]
BioAssay 1:3 (2006)
Monitoring of Ecdytolopha aurantiana (Lima) in Valencia Sweet Orange with Sexual
Pheromone
ABSTRACT- The citrus borer, Ecdytolopha aurantiana (Lima), is one of the most important citrus pests, because
of damage and increase of citrus production cost. The purpose of this experiment was to evaluate the possibility of
using the sexual pheromone ((E)-8-dodecenyl acetate and (E)-8-dodecenol) for monitoring E. aurantina, influence
of the climate and the trap colour in the capture of E. aurantiana, in compare with the standard procedures, and to
determine the losses caused by the pest. The experiment was carried out in a 12-year old Valencia citrus groves
located in Araraquara County, SP. In this grove, four blocks were chosen and delimited for placing the yellow, red
and white traps in compare to the traditional white trap (Ferocitrus Furo) kit. The evaluation consisted of counting
the number E. aurantiana adults captured per trap and the number of attacked fruits per 10 plants randomly chosen
in each block. No statistical difference was observed between trap colors to capture E. aurantiana. In all blocks, the
population of the pest remained above threshold level (six males/trap/week) in most of the sampling dates during
the experiment. However, no damage was observed because of low humidity that causes decreasing of female
longevity and fecundity. The correlation analysis between capture and climatic parameters was significant only with
the average temperature.
KEY WORDS Citrus Borer, Citrus sinensis, ecology, sampling
RESUMO O bicho-furo, Ecdytolopha aurantiana (Lima), uma das principais pragas dos citros, devido aos
prejuzos causados e ao aumento dos custos de produo. O presente trabalho teve por objetivo avaliar a viabilidade
da utilizao feromnio sexual ((E)-8-dodecenyl acetato e (E)-8-dodecenol) para monitoramento de E. aurantina,
influncia do clima e da colorao das armadilhas na captura de E. aurantiana em comparao com a armadilha
convencionalmente utilizada e determinar as perdas ocasionadas pelo ataque da praga em pomar de laranjeira
Valncia. O experimento foi realizado no municpio de Araraquara, SP, em pomares de laranjeira Valncia com
12 anos de idade. Foram escolhidos e demarcados quatro talhes neste pomar, onde foram instaladas as armadilhas
plsticas de colorao amarela, vermelha e branca, e a armadilha branca padro (Ferocitrus Furo). As avaliaes
consistiam em contar e retirar machos adultos de E. aurantiana por armadilha e nmero de frutos atacados em 10
plantas avaliadas aleatoriamente dentro de cada talho. No houve diferena estatstica entre as cores da armadilha
na captura de E. aurantiana. Em todos os talhes, a populao da praga permaneceu acima do nvel de ao (seis
machos/armadilha/semana) na maioria das datas amostradas no decorrer do experimento. Entretanto, no houve
danos significativos em virtude da baixa umidade relativa, que provoca diminuio da longevidade e fecundidade
das fmeas. A anlise de correlao entre os dados mdios de coleta, nos quatro talhes amostrados, com os fatores
climticos foi significativa somente para a temperatura mdia.
PALAVRAS-CHAVE Bicho-furo, Citrus sinensis, ecologia, monitoramento
O bicho-furo-dos-citros, Ecdytolopha aurantiana
(Lima), tambm conhecido como mariposadas
laranjas, tornou-se uma das mais importantes pragas da
Sociedade Entomolgica do Brasil
citricultura paulista, devido aos considerveis danos
causados na produo e ao montante gasto para o seu
controle. Essa praga foi primeiramente constatada no
[Link]/bioassay
Monitoramento de Ecdytolopha auratiana com Feromnio Sexual
Estado de So Paulo em 1915 por Bondar (Lima 1945),
atacando laranjas. No final da dcada de 70 e incio da
dcada de 80, j eram observados prejuzos
citricultura devido ao ataque de E. aurantiana (Nakano
& Soares 1995). A partir do final da dcada de 1980,
essa praga aumentou muito em importncia, atingindo
com uma relativa freqncia o nvel de dano
econmico nas principais regies citrcolas de So
Paulo, ocasionando perdas, em alguns locais, de 1,0
(Prates & Pinto 1991) a 1,5 caixas de laranja por planta
(Pinto 1994). A causa do aumento populacional de E.
aurantiana pode estar relacionada com o desequilbrio
do ecossistema, devido ao uso indiscriminado de
produtos qumicos, condies climticas favorveis e a
longa permanncia dos frutos nos pomares antes do
processamento na indstria (Garcia et al. 1998).
O ciclo de vida do bicho-furo de 32 a 60 dias
dependendo da temperatura e maturao dos frutos
(Garcia 1998). A postura efetuada isoladamente na
superfcie dos frutos, e o perodo de incubao de 3 a
5 dias (Pinto 1994, 1995, Garcia et al. 1998).
A lagarta recm-eclodida de colorao marromclara, com cerca de 5 mm de comprimento, atingindo
de 15 a 18 mm quando completamente desenvolvida
(Prates & Pinto 1988, 1991). Segundo Nakano &
Soares (1995), a lagarta passa por quatro nstares antes
de se transformar em pupa, o que ocorre em 25 dias.
Terminado o perodo larval, a lagarta abandona o fruto
e procura um abrigo (folhas e detritos secos),
penetrando no solo para se transformar em pupa, que
de colorao marrom e atinge cerca de 10 mm de
comprimento. O perodo pupal de 15 a 20 dias,
dependendo da temperatura (Prates & Pinto 1991,
Pinto 1994, Nakano & Soares 1995). Entretanto,
lagartas criadas em laranja Pra e Natal, esta fase foi
respectivamente de 9,61 0,20 e 9,56 0,20 (Garcia
1998). J em dieta artificial, o mesmo autor constatou
que o perodo pupal foi de aproximadamente 11,5 dias.
Os adultos de E. aurantiana so microlepidpteros
com cerca de 18 mm de envergadura, de hbito noturno,
possuindo colorao escura, salpicada por pequenas
manchas esbranquiadas e raramente so observadas
no pomar, porque procuram confundir-se com os
troncos ou ramos internos das plantas, onde
permanecem em repouso durante o dia (Garcia 1998).
At o final do sculo 20, o monitoramento
baseava-se na observao de frutos atacados na planta
(Gravena 1998), o que no evitava os danos aos frutos
e perdas de produo, induzindo, em muitos casos, o
uso desnecessrio de produtos qumicos. Segundo
Garcia (1998), os levantamentos populacionais devem
ser feitos baseando-se na populao de adultos, pois
quando se inicia o controle onde j existem frutos
atacados, muito difcil conseguir bons nveis de
controle. O uso do feromnio sexual um instrumento
muito til para quantificao da populao de E.
aurantiana, j que os adultos dificilmente so
observados nos pomares. Em 2001, o feromnio sexual
da espcie foi identificado e sintetizado, passando a ser
Sociedade Entomolgica do Brasil
Yamamoto et al.
utilizado para monitoramento desta praga (Leal et al.
2001).
O presente trabalho teve por objetivo avaliar a
viabilidade
da
utilizao
feromnio
para
monitoramento de E. aurantina, influncia do clima e
da colorao das armadilhas na captura de E.
aurantiana em comparao com a convencionalmente
utilizada (Ferocitrus Furo) e determinar as perdas
ocasionadas pelo ataque da praga, em pomar de
laranjeira Valncia.
Material e Mtodos
O experimento foi realizado na Fazenda Oxford,
localizada no Municpio de Araraquara, SP, em
pomares de laranjeira Valncia, enxertada sobre
limoeiro Cravo, com 12 anos de idade.
Foram escolhidos e demarcados quatro talhes de
laranjeira Valncia (identificados como talhes 108,
112, 115 e 119), onde foram instaladas as armadilhas
plsticas modelo Delta de colorao amarela,
vermelha e branca, e a armadilha branca padro
vendida com o kit Ferocitrus Furo (Fuji Flavor Co.,
Ltd., Tquio, Japo).
Cada conjunto, armadilha mais feromnio [(E)-8dodecenyl acetato e (E)-8-dodecenol], foi distribudo
em um talho de 3.000 a 3.500 plantas, correspondente
a aproximadamente 10 ha, considerando-se o raio de
ao do feromnio de 350 m (Bento et al. 2001). As
armadilhas foram instaladas no centro do talho e no
tero superior da planta, pois a cpula do bicho-furo
ocorre unicamente nesta parte da planta ctrica (Bento
et al. 2001).
O feromnio foi trocado a cada 30 dias aps a sua
instalao inicial conforme Bento et al. (2001), para
todos os tratamentos. No caso do conjunto padro
trocou-se tambm a armadilha, j para as armadilhas
plsticas, somente o fundo removvel foi trocado.
Realizou-se o rodzio das armadilhas, das diferentes
coloraes, nos diferentes talhes em estudo, sendo
que ao final do monitoramento, cada armadilha
permaneceu por um perodo de dois meses em cada um.
Ao longo do experimento no foi realizado nenhum
tipo de controle qumico especfico para o bicho-furo.
Definida a posio de cada conjunto nos diferentes
talhes, as avaliaes foram realizadas semanalmente,
com incio em 28 de agosto de 2002. As avaliaes
consistiram na quantificao do nmero de machos de
E. aurantiana capturados por armadilha. Aps cada
avaliao os insetos foram retirados da armadilha, com
uso de esptula. Semanalmente, quantificou-se o
nmero de frutos atacados em 10 plantas avaliadas
aleatoriamente dentro de cada talho. Nessas
avaliaes foram considerados frutos atacados
encontrados na prpria planta e no cho.
Os dados climticos foram obtidos na Fazenda
Maring, localizada 5 km do local de experimento.
Todas as anlises estatsticas foram realizadas com o
[Link]/bioassay
BioAssay 1:3 (2006)
programa SAS Institute (1996). A comparao de
mdias foi realizada pelo teste de Tukey a = 0,05.
Resultados e Discusso
Todas as armadilhas com feromnio, independente
da colorao, capturaram machos de E. aurantiana em
todo o perodo de levantamento populacional (Fig. 1).
Apesar de no ser um inseto atrado pela cor, devido ao
hbito crepuscular (Garcia 1998, Bento et al. 2001),
capturou-se um maior nmero de adultos na armadilha
de colorao amarela, seguida pelas armadilhas branca
padro, vermelha e branca, entretanto no houve
diferena estatstica(F = 1,93; gl = 3, 60; P > 0,05)
(Tabela 1).
Tabela 1. Comparao de cor de armadilhas utilizada com
feromnio na atrao e captura de adultos de E. aurantiana.
Nmero mdio de
Cor de Armadilha
E. auratiana capturado1
Amarela
7,00 a
Branca
4,19 a
Vermelha
4,88 a
Branca Padro
6,00 a
Teste F
1,93 n.s.
DMS (5%)
3,37
1
Mdias seguidas de mesma letra no diferem entre si pelo teste de
Tukey (P < 0,05).
Comparando-se os talhes quanto captura,
constatou-se um maior nmero de adultos no talho
112, seguido pelos 108, 119 e 115, com
respectivamente 109, 100, 88 e 63 machos capturados
durante o perodo (Tabela 2). No talho 112, a partir de
25 de setembro a populao foi crescente com nveis
superiores ao recomendado para tomada de deciso de
controle (Fig. 2). No talho 108, a populao, no maior
perodo de levantamento, manteve-se acima do nvel de
ao, com picos populacionais em 18 de setembro e 9
de outubro, datas em que foram capturados nmero
igual ou superior a 10 machos/armadilha. O talho 119
apresentou aumento populacional a partir de 25 de
setembro, entretanto, ao contrrio do talho 112,
apresentou uma populao decrescente a partir de 9 de
outubro (Fig. 2).
A populao no talho 115 foi inferior ao dos
demais talhes, sendo que na maioria do perodo de
levantamento a populao permaneceu em nveis
abaixo do recomendado para controle, com exceo da
data de 21 de agosto, em que foram capturados 9
machos adultos por armadilha e 27 novembro com 14
adultos por armadilha (Fig. 2).
O nmero de frutos atacados no talho 115, onde
foi capturado um menor nmero de adultos (Tabela 2),
foi baixo (Fig. 2). J nos demais talhes, houve um
pico de frutos danificados em 16 de outubro,
provavelmente decorrente do aumento populacional
ocorrido aps 2 de outubro (Fig. 2). Quando o controle
realizado ao nvel de ao, dados obtidos por Bento
et al. (2001) e Carvalho (2003) indicaram que a perda
de 0,6 e 1,0 fruta por planta. Entretanto, nesse trabalho,
mesmo com nveis populacionais acima do indicado
para controle, os danos foram pouco superiores ao
obtidos pelos autores, variando de 1,9 a 2,4 frutos
danificados por planta (Tabela 2).
Figura 1. Nmero de machos adultos de E. aurantiana capturados em armadilhas de diferentes coloraes com o uso de feromnio em laranjeira
Valncia.
Sociedade Entomolgica do Brasil
[Link]/bioassay
Monitoramento de Ecdytolopha auratiana com Feromnio Sexual
Yamamoto et al.
Figura 2. Nmero mdio de frutos danificados e de machos adultos de E. aurantiana capturados com o uso de feromnio nos diferentes talhes
de laranjeira Valncia amostrados.
Apesar da ocorrncia de frutos danificados, esse
nmero, em relao ao montante produzido pela
laranjeira, foi baixo, sempre inferior a 1% de frutos
danificados por planta (Tabela 2). O fato para esse
baixo dano aos frutos est relacionado umidade
relativa. Atravs desses dados fica evidente que a baixa
umidade relativa, com nveis inferiores a 60%,
principalmente em outubro (Fig. 3), ocasionada pela
falta de chuva (Fig. 4), exerceu grande influncia sobre
a populao de E. aurantiana, prejudicando
significativamente o desenvolvimento populacional da
praga. Garcia (1998) constatou que em umidade
relativa fixa de 30%, as fmeas no ovipositam e em
umidade relativa de 50%, a oviposio de 2 a 3 vezes
menor quando comparada com as fmeas mantidas em
UR mais elevadas. Alm disso, umidades relativas
baixas, inferiores a 50%, diminuem a sobrevivncia de
adultos, tanto machos como fmeas. Entretanto, apesar
da reduo da viabilidade de ovos para 80,8% em UR
de 30%, Garcia (1998) constatou que os ovos so
resistentes dessecao, e posteriormente ecloso, as
lagartas penetraram nos frutos independente da UR.
A anlise de correlao entre os dados mdios de
coleta, nos quatro talhes amostrados, com os fatores
climticos (temperaturas mnima e mxima, umidade
relativa e precipitao), foi significativa somente para a
temperatura mdia (Fig. 5). Com o aumento da
temperatura, houve uma maior captura do bicho-furo.
Garcia (1998) observou que os ataques se intensificam
no comeo das chuvas e prolonga-se at maro, sendo
mais intenso nos meses de fevereiro e maro,
provavelmente devido a maior temperatura e umidade
relativa, ocasionada pelas chuvas (Prates & Pinto 1991,
Prates 1992).
Tabela 2. Nmero total de frutos/planta, peso mdio dos frutos, nmero de frutos/caixa e nmero mdio de frutos danificados, e totais de machos
capturados em laranjeira Valncia no perodo entre agosto a dezembro de 2002.
Talhes amostrados
Parmetros analisados
115
112
119
108
Nmero mdio de frutos/ planta
Peso mdio dos frutos (g)
673,585,8
387,1126,6
562,2121,0
620,5136,0
171,57,3
150,910,4
161,86,1
175,313,0
Nmero mdio de frutos/caixa
Nmero total de frutos
danificados/planta
243,18,6
288,118,5
256,58,1
239,910,2
2,00,1
1,90,1
2,40,1
3,20,2
% de frutos danificados
0,3
0,8
0,4
0,3
Total de machos capturados
63
109
88
100
Sociedade Entomolgica do Brasil
[Link]/bioassay
BioAssay 1:3 (2006)
T Max
T Min
45
90
40
80
35
70
30
UR (%)
60
25
50
20
40
15
30
10
10
1Au
7- g
A
13 ug
-A
19 ug
-A
25 ug
-A
31 ug
-A
u
6- g
Se
12 p
-S
18 ep
-S
24 ep
-S
30 ep
-S
e
6- p
O
12 ct
-O
18 ct
-O
24 ct
-O
30 ct
-O
7- ct
N
13 ov
-N
19 ov
-N
25 ov
-N
o
1- v
D
e
7- c
D
ec
20
Temperatura (oC)
Ur Med 9-15h
100
D
ec
5-
ov
-N
ov
28
-N
ov
21
-N
14
ct
N
ov
7-
-O
ct
31
-O
ct
24
-O
ct
17
-O
10
O
ct
3-
-S
ep
26
-S
ep
19
Se
p
-S
ep
12
29
5-
-A
-A
22
ug
80
70
60
50
40
30
20
10
0
ug
Precipitao (mm)
Figura 3. Umidade relativa e temperatura (mxima e mnima) da regio no perodo entre agosto a dezembro de 2002.
Figure 4. Precipitao pluviomtrica (mm) da regio no perodo entre agosto a dezembro de 2002.
No. mdio de machos capturados
12
y = 0,4834x - 7,8274
10
R = 0,4898
8
6
4
2
0
20
22
24
26
28
30
32
34
Temperatura Mdia ( C)
Figura 5. Correlao temperatura media (oC) e nmero mdio de
machos capturados de E. aurantiana em laranjeira Valncia
monitorado com feromnio sexual.
Sociedade Entomolgica do Brasil
Os dados de correlao entre a UR e a populao
de adultos evidenciam que, apesar da influncia da UR
na sobrevivncia e oviposio, esta no teve influncia
na mortalidade de pupas e emergncia de adultos, pois
houve uma constante captura de machos. Portanto,
aquelas pupas que estavam no solo permaneceram
vivas e emergiram periodicamente e foram capturadas
na armadilha, mesmo no perodo de baixa UR. Da
mesma forma, as lagartas que estavam no interior dos
frutos permaneceram vivas e completaram seu ciclo de
vida. Parra et al. (2005) relatam que, assim como a UR,
a umidade do solo tambm importante para o
desenvolvimento do inseto. Solos com umidade
intermediria so os mais favorveis para a emergncia
dos adultos.
[Link]/bioassay
Monitoramento de Ecdytolopha auratiana com Feromnio Sexual
Yamamoto et al.
Antes da identificao e sntese do feromnio, o
controle de E. auratiana baseava-se na quantificao
de frutos atacados nas plantas (Gravena 1998).
Contudo, esta metodologia de amostragem no evitava
os danos e causava, em muitas situaes, prejuzos aos
produtores de at 1,5 caixas de 40,8 kg por planta
(Pinto 1994). A utilizao de feromnio sexual para
monitoramento do bicho-furo por outro lado
propiciou a racionalizao do controle da praga, pois
possibilita a constatao de sua presena antes mesma
do incio de postura, determinado dessa maneira o
momento exato para o seu controle, antes de provocar
os danos.
Outra possibilidade que se vislumbra com o
monitoramento com feromnio a utilizao de
inseticidas mais seletivos aos inimigos naturais, tais
como reguladores de crescimento de insetos e
inseticidas biolgicos (Gravena 1998). Como esses
precisam ser ingeridos para que cause mortalidade
lagarta do bicho-furo, com os dados de populao de
machos, cuja relao macho:fmea de cerca de 1:1
(Garcia & Parra 1998), e da biologia do inseto (Garcia
1988), pode-se planejar a aplicao dos inseticidas no
momento ou prximo ecloso das lagartas e com isso
obter um eficiente controle, que at ento no vinha
acontecendo devido poca incorreta de aplicao, que
na maioria das vezes era realizada aps a penetrao
das lagartas (Garcia et al. 1998).
Entretanto, em virtude dos baixos danos
provocados nos perodos de baixa umidade relativa do
ar, deve-se monitorar a UR durante todo o ano e nos
perodos que est decresce acentuadamente, postergar
o controle de E. aurantiana mesmo quando for
atingido o nvel de ao. Por outro lado, devem ser
realizados novos estudos para adequar o nvel de ao
e/ou estratgias para o controle nesses perodos, de
modo a racionalizar as aplicaes de inseticidas, e
conseqentemente diminuir os custos de produo,
evitar a contaminao do ambiente e desequilibro
biolgico.
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[Link]/bioassay